
Capítulo 45
O Extra é um Gênio!?
A floresta estava silenciosa. Não era um silêncio pacífico — nunca era pacífico — mas era um silêncio que advertia olhos atentos.
Elena se movia como uma sombra sob as árvores, com as botas quase não tocando o musgo enquanto escorregava entre raízes retorcidas e troncos imponentes. A luz que filtrava pelas folhas era pálida e fragmentada, criando padrões dançantes em seu capa verde-clara. Sua respiração estava calma. Concentrada.
Havia caminhado por quase uma hora. Nenhum passo desperdiçado.
Suas duas lâminas curtas estavam presas nas costas, silenciosas e equilibradas. Seus sentidos estavam sintonizados com o ritmo da floresta — ouvindo movimento, respiração, qualquer coisa que não pertencesse ali.
'Exatamente como treinei — fundo na escuridão, silenciosa como sombra, sempre sozinha, droga, parecia um garoto rebelde.'
Os outros herdeiros haviam dispersado caoticamente quando o sinal soou, a maioria lançando-se para mortes rápidas e alvos fáceis. Era o tipo de comportamento que separa caçadores de amadores.
Não ela.
Elena não tinha intenção de dividir crédito ou pontos. Sem alianças, sem distrações. Ela tinha um objetivo, e ia alcançá-lo.
'Uma semana. É só o tempo que nos deram para provar que somos dignos do nosso nome.'
As árvores se espessaram enquanto ela avançava mais profundamente na zona de caça designada. Ela se ajoelhou por um momento próximo a um trecho de terra perturbada. Pegadas — garras pequenas, criatura rápida. Provavelmente nada que valesse mais do que um ponto só.
Ela se levantou novamente, estreitando os olhos.
'Não vale a pena o tempo. Continua andando.'
Elena ajustou as tiras do equipamento, então seguiu em frente com propósito. A mata mudou sutilmente — o ar mais pesado agora, as folhas mais escuras e antigas.
E foi quando ela sentiu.
Não besta.
Humano.
Ela congelou no meio do passo, a mão instintivamente indo para uma de suas lâminas.
'Ouvi vozes adiante — homens, pelo som.'
Ela saiu do trilho, mergulhando na vegetação rasteira como um espectro.
Sua respiração desacelerou. Seu coração não mudou.
As vozes ficaram mais claras agora.
"...ela virá por aqui no final. Fiquem atentos."
'Então estou sendo caçada agora.'
O aperto na empunhadura ficou mais firme, mas sua expressão permaneceu imperturbável.
Ela não entrou em pânico.
Ela apenas esperou.
E ouviu.
Elena permaneceu imóvel atrás das espessas samambaias, de costas contra um tronco retorcido, respiração firme.
As vozes ficaram mais nítidas — três delas. Todos homens. Jovens e armados.
"Eu já te falei, ela vai por aqui. Vimos ela indo para o nordeste."
"Boa. Tô de saco cheio de nobres agindo como se fossem melhores que a gente."
"Ela é von Lestaria," zombou um deles. "Tá na hora de alguém lembrar que ela não é intocável."
Os dedos de Elena se contraíram uma vez ao redor da empunhadura de sua lâmina esquerda.
'Três deles. Todos de pé, como se fosse dono da floresta. Nenhum deles inteligente o suficiente para ficar quieto.'
Ela esperou até que os passos passassem a menos de dez metros, então se moveu.
Sem ruído. Só movimento.
Ela saiu do mato num movimento fluido, parecendo que tinha materializado ali das próprias árvores. Seu manto não tremulou. Sua expressão não mudou.
Os nobres congelaram.
O rapaz à frente — um garoto de uma casa menor na costa, com uma lança curta — chegou a estremecer.
"Olha só," disse, recuperando-se rapidamente. "Estava esperando sua aparição."
Outro — mais alto, com armadura verde escura e um nariz torto — apoiou a mão na espada longa.
"Você é rápido," falou. "Mas não rápido o bastante para caçar sozinho aqui."
Elena inclinou a cabeça levemente. "Vocês estão perdendo tempo."
"Não estamos aqui pra te matar," acrescentou o terceiro, um menor com uma adaga na cintura. "Só pra te manter ocupada. Não pode deixar você tomar a liderança de novo como no ano passado."
'Então é isso. Não estão nem atrás de pontos. Veem como sabotagem.'
Seu semblante permaneceu calmo. Tranquilo. Mas por dentro, sua mana começou a se mexer.
"Deveriam ter ficado no caminho," disse o primeiro, avançando.
Ela respirou lentamente.
E sussurrou: "Vinea Surge!"
A terra sob os pés deles repentinamente inchou. Raízes surgiram do solo, torcendo e se quebrando em direção às pernas como serpentes.
Os três meninos gritaram e recuaram cambaleando, dois deles já presos.
O de lança maldição. "Droga, ela lançou a magia!"
Ele levantou a arma — devagar demais.
A mão de Elena já brilhava.
As raízes se enrolaram rapidamente, grossas e vivas, puxando as pernas e tornozelos com força precisa. Dois nobres já estavam no chão, rosnando e xingando enquanto a própria terra recusava-se a deixá-los mover.
Elena não esperou.
Sua mão direita levantou-se, mana girando ao redor dos dedos, enquanto ela lançava a próxima magia sem hesitar.
"Terra Darts!"
O ar cintilou, e lascas de pedra jaguardas explodiram do chão como pontas. Uma atingiu o ombro do portador da lança, rasgando seu manto e cansando sangue. Outra alcançou o pulso do menino com a adaga, fazendo sua arma cair na vegetação.
"Puta!" gritou um deles, lutando para se soltar.
'Era pra você ter continuado a andar.'
O mais alto finalmente liberou uma perna e levantou a mão para lançar algo próprio — mana brilhando instável ao redor da palma.
Elena não lhe deu a chance.
Sua voz estava calma, mas afiada.
"Sylvan Bind!"
Uma árvore atrás deles gemeu enquanto seus galhos se torciam de forma anormal. Dois troncos longos se curvaram para baixo, se flexionando como chicotes e atingindo o lado do terceiro nobre com um barulho. Ele foi jogado de lado, caindo no chão com um som ofegante.
Os outros dois pararam de mover-se. Seus rostos ficaram pálidos — não só de medo, mas de reconhecimento.
Eles haviam subestimado ela.
E agora, tinham plena consciência disso.
Elena deu um passo à frente, lâminas ainda na bainha.
"Eu poderia ter terminado essa luta em dez segundos," ela disse seca. "Dei uma chance para vocês irem embora."
Nenhum respondeu.
Ela virou as costas, passando por uma raiz e caminhando mais fundo na mata.
A floresta ao seu redor voltou ao silêncio — galhos balançando lentamente, cipós voltando a rastejar sob a terra.
'Idiotas.'
Ela não olhou para trás.
Não precisava.
A floresta densa ao redor deles borbulhava de vida — cantos, barulhos, rugidos distantes — mas Marcus e Clara se movimentavam por ali como se tivessem ensaiado aquilo um milhão de vezes.
Marcus se abaixou atrás de um tronco coberto de musgo, olhos varrendo a pequena clareira à frente. Clara estava ao seu lado, uma mão estendida, tocando suavemente a terra, mana pulsando pelas raízes abaixo.
"Eles estão próximos," ela sussurrou. "Justo além da crista. Conto três — porcos, com as costas arqueadas. Provavelmente classificados como comuns."
Marcus ajustou a empunhadura da espada, sua voz calma. "Vamos por lado padrão. Você começa com as vinhas — eu cuido do esquerdo e do centro."
Clara sorriu de canto. "Sempre fica com a parte mais chamativa."
Ele retribuiu o sorriso. "Você sempre leva a melhor nas kills mesmo assim."
Ela se levantou lentamente, com as duas mãos brilhando com uma aura verde suave. Depois, respirou fundo e começou a conjurar:
"Vinea Snare!"
Debaixo da vegetação à frente, vinhas espinhosas explodiram, atingindo e envolvendo firmemente dois dos animais. Eles gritaram — porcos mutantes com presas afiadas e olhos vermelhos, lutando contra o aperto súbito da natureza.
Marcus não esperou.
A mana percorreu seu braço, afiando a lâmina numa nitidez cortante. Correu em direção à primeira, cortando sua pele grossa com um golpe horizontal. Ela caiu, gritando.
A segunda tentou se libertar — até ser silenciada pela adaga de Clara, lançada de longe com precisão certeira.
O terceiro, intacto, avançou com as mandíbulas farfalhando e olhos selvagens.
"Cê fica com ele," chamou Clara.
Marcus virou-se para enfrentá-lo.
Mas, ao invés de fugir, levantou a espada de forma vertical, focou sua mana — e gritou:
Uma onda afiada de mana prateada saiu da lâmina, cortando o ar e atingindo a criatura no meio do avanço. Ela caiu antes mesmo de dar mais um passo.
Ficaram parados por um momento, respirando.
Depois, Marcus falou: "Três pontos."
Clara assentiu. "E sem gastar energia à toa."
"Próximo."
Não comemoraram.
Simplesmente seguiram em frente, desaparecendo na mata com passos silenciosos — duas metades de um mesmo ritmo.
Dentro do grande pavilhão, o clima passou de formalidade a uma tensão quase cortante.
Os nobres estavam de pé ou sentados diante das telas mágicas, cada painel de vidência mostrando a perspectiva de um participante — alguns já manchados de sangue, outros mal se moverem na vegetação, alguns mostrando promessas.
Lady Erielle von Lestaria se inclinou para frente, as mãos juntas na frente do queixo enquanto assistia à transmissão de Elena. A garota já tinha eliminado dois animais e neutralizado outros três participantes sem sequer tirar as lâminas do lugar.
"Ela é uma prodígio," sussurrou Erielle.
Poucos nobres próximos acenaram silenciosamente. Outros sussurraram inveja.
Em outra projeção, Marcus e Clara se moviam com coordenação impecável — esquivando, flankando, acertando golpes com precisão clínica.
"Esses dois foram criados para se completar," observou Lord Darius De Nivaria, com os braços cruzados, um raro sorriso de satisfação no rosto. "E nem estão tentando se mostrar."
De outro canto da sala, Lady Mirelle Thorne ficava com os braços delicadamente cruzados, olhos semicerrados como se estivesse desinteressada. Mas sua atenção se voltava várias vezes para a tela onde a figura de capuz preto se movia sozinha pela região mais funda da mata.
Noel.
O feed de sua órbita estivera silencioso por quase uma hora.
Apenas movimentação, e depois — faíscas de fogo.
Lord Albrecht Thorne permanecia ao seu lado, imóvel. Não dizia nada.
Um nobre da Casa Fenwell tossiu discretamente. "Ele está sozinho. É ousado, mas imprudente. Criaturas de classe rara vivem aí."
O feed de Noel recomeçou a emitir faíscas de calor.
Uma labareda rápida. Uma lagarto de classe rara caiu, convulsionando, fumaça saindo de seu peito queimado.
Depois, o garoto apareceu na tela — suado, respirando forte, mas de pé.
Mais um avançou.
Ele se virou, com a espada reluzindo, e gritou:
"Bola de fogo!"
A tela teve um estalo de chamas.
As sobrancelhas de Mirelle subiram de leve.
Albrecht permaneceu com os braços cruzados. Mas seus olhos se estreitaram um pouco.
Nenhuma palavra saiu de seus lábios.
Mas naquele momento, cada nobre presente compreendeu algo.
O garoto da Thorne não estava blefando.
A clareira tinha cheiro de musgo carbonizado e sangue com cheiro de ferro.
Noel exalou pelos dentes cerrados, seus sapatos escorregando na terra enquanto a segunda lagarto de classe rara avançava. Quase dois metros de altura, coberto por escamas verdes escuras e com uma cauda serrilhada que estalava como chicote — era rápido.
Mais rápido do que gostaria.
A primeira lagarto jazia morta, com o peito ainda fumegando após a última Bola de Fogo, mas aquela era mais inteligente. Ela havia circundado, esperado. Agora, atacava.
Noel mal conseguiu evitar o rasteiro das garras, rolando pelo chão da floresta e levantando-se em um movimento fluido.
Costelas doíam. Seu casaco estava rasgado. Sua mana quase no fim.
'Obviamente são mais espertos em dupla. Acho que tinha que ser difícil demais.'
A lagarto virou-se, siseando, olhos dourados brilhando com fome primal. Seus músculos se tensionaram novamente.
Noel segurou firme a Dentada do Ressurgente.
"Não vou morrer pra algo que sibila."
A lagarto saltou para frente.
Noel o enfrentou de igual para igual.
Ele escorregou por baixo de suas mandíbulas abertas, pisou firme apoiado em um pé, e cortou para cima na lateral do monstro. As escamas se abriram. A besta uivou e girou, a cauda chicoteando em direção à cabeça —
Ele abaixou-se e gritou:
"Bola de fogo!"
A explosão atingiu sua caixa torácica, empurrando o monstro de lado. Ele cambaleou até ficar de quatro, rosnando, fumegando.
'Ainda se mexe? Filho da mãe, que resistência.'
Trocaram de postura, levantaram a mão novamente — e então ele parou. Mana insuficiente para outro feitiço limpo.
Então, saiu correndo.
O monstro também avançou, ambas forças colidindo.
Aço contra carne.
Noel empurrou o ombro para a frente, fincou os pés no chão, e cravou a Dentada do Ressurgente bem entre as costelas do inimigo. Ele gritou uma vez — e caiu.
Noel respirou fundo, suor escorrendo pela testa, a mão firme na empunhadura enquanto o último suspiro da lagarto escapava.
Ele recuou cambaleando, quase caindo numa pedra, corpo exausto.
Uma campainha familiar tocou em sua mente.
[Bestia de Classe Rara Morta — +0,10% de Progresso no Núcleo]
[Progresso Atual: 37,32% — Núcleo de Mana de Nível Iniciante]
Noel deu uma risada entre dentes. "Só ponto um décimo? Sério, sistema barato, me ouve aqui."
Ele se apoiou na árvore atrás de si, sangue na roupa, fogo desaparecendo nas mãos.
'Tá bom. Quer me fazer ganhar na raça? Então eu vou ganhar na raça.'