O Extra é um Gênio!?

Capítulo 44

O Extra é um Gênio!?

Um som estrondoso e retumbante ecoou à beira da floresta.

Não veio de algum chifre ou trombeta — veio de uma estrutura alta, semelhante a um obelisco, esculpida com dezenas de runas, posicionada próximo à clareira onde todos os participantes estavam. Seu centro pulsava com luz enquanto o som ecoava, e naquele instante, todos os anéis de suas pulseiras piscaram e ganharam vida.

Um brilho tênue envolvia seus punhos, seguido por um leve apito. A magia embutida ativara-se — um sistema de defesa de emergência, que só seria acionado quando a vida do usuário estivesse em perigo crítico. A segurança máxima. Sua única e última chance.

Dezena de orbes brilhantes flutuaram para fora de outro conjunto de runas próximas, cada uma gravada com sigilos de visão e rastreamento.

Drones mágicos.

Um orbe se lançou rapidamente em direção a cada participante, pairando um metro atrás deles.

Noel lançou um olhar de canto para seu drone designado. "Bom, acho que a privacidade saiu do radar, né?"—ele murmurou baixinho.

Do outro lado da clareira, estudantes começavam a murmurar. Risadas nervosas misturadas a respirações pesadas. Alguns olhavam para a floresta como se fosse uma fera à espera de engoli-los de uma só vez.

De uma plataforma elevada, Lorde Albrecht Thorne e os demais chefes de casas nobres observavam em silêncio. Atrás deles, a tenda dos juízes, onde uma enorme parede de cristal reluzia — dividida em dezenas de quadros, cada um exibindo a transmissão de um participante em tempo real.

Não esperou.

Enquanto outros cochichavam palavras finais aos companheiros ou hesitavam em debates de estratégia de última hora, ele apenas baixou a postura e partiu em disparada.

Correu em direção às árvores com uma clareza que cortava a ansiedade que paralisava os demais.

Galhos quebravam sob seus passos, e a sombra da floresta o engoliu em segundos.


O jogo tinha começado.

Assim que Noel cruzou a linha das árvores, o som da plateia e da plataforma desapareceram—engolidos pelo silêncio da floresta. A luz do sol filtrava-se débil pelo dossel acima, projetando padrões fragmentados no chão coberto de musgo.

Ele não desacelerou.

Seus movimentos eram fluidos, cada passo calculado, cada raiz evitada, cada mudança no terreno levada em conta. Sua respiração era firme, controlada.

'Quem entra mais fundo tem mais chances de garantir um bom local. Menos confronto com outros, mais caça.'

A maioria perderia tempo lidando com criaturas de nível Comum perto da borda. Não ele. Noel tinha o objetivo de chegar ao coração da zona, onde monstros Raros e de Elite andariam livres. Mais arriscado, mas mais recompensador—e com menos gente.

Logo atrás dele, seu orbe de observação designado flutuava silencioso, registrando tudo.

Ele lançou um olhar de lado para ele.

"Será que eles conseguem me ouvir por essa coisa? Não quero que os juízes fiquem ouvindo meus comentários."

Um leve suspiro ao lado chamou sua atenção para a esquerda.

Ele se abaixou instantaneamente atrás de um tronco grosso, a mão repousando no cabo de Revenant Fang. Os olhos se estreitaram, todos os sentidos agudos. Mas era só um esquilo atravessando um galho.

"Muito nervosinho," murmurou, saindo de trás do tronco novamente.

A medida que se movia, sua mente breve voltou aos outros—Marcus, Clara, Elena. A maioria formaria equipes, usariam táticas, jogariam pelo seguro. Ele não os culpava. Mas não confiava em ninguém para dividir baixas. E, mais importante, ele tinha um plano.

'Primeiro, avançar profundo. Segundo, achar água. Depois, estabelecer uma base temporária. E, por último, começar a caçar.'

Não trouxe muita coisa—apenas a espada, uma bolsa de cinto com curativos e ferramentas de fogo, e as roupas que vestia. Armas eram permitidas. Comida ou equipamento extra, não.

Ele sondou a floresta à sua frente—densa, mas navegável. Um terreno onde monstros poderiam emboscar por cima ou por baixo.

'Perfeito.'

Um sorriso sagaz se abriu nos lábios dele.

'Deixem os outros jogarem pelo seguro. Eu vim aqui para vencer.'

De volta à plataforma central de observação, a tensão fervia sob as elegantes vestes nobres.

Dentro da tenda reforçada com tecido imbuído de magia, os chefes de cada família presente estavam diante de uma projeção gigante — composta por dezenas de painéis menores de vidraça, cada um exibindo uma transmissão ao vivo de uma das orbes de observação, encantadas para seguir cada movimento.

Lorde Albrecht Thorne estava de braços cruzados, olhos afiados como aço. À sua esquerda, Lady Mirelle assistia em silêncio, com uma expressão impenetrável enquanto acompanhava as figuras nas telas.

"É Elena von Lestaria," disse uma nobre da Casa Lestaria, com voz orgulhosa, porém controlada. "Ela não perde tempo. Direto às trilhas do cume. Muito inteligente."

"Ela sempre foi eficiente," murmurou outra.

"A Clara de Nivaria e o garoto Marcus parecem estar se mantendo juntos," comentou um nobre de meia-idade, passando a mão na barba. "Não surpreende. Aquele é leal demais."

Albrecht não respondeu. Seu olhar cruzou as transmissões—até que parou em uma: uma figura solitária cortando rapidamente pelo mato.

Noel.

Um murmúrio correu entre alguns nobres que perceberam a mesma tela.

"Aquele garoto vai sozinho?"

"Ousado. Ou louco."

A voz de Albrecht cortou o ar como uma lâmina. "Ele tem seus motivos."

Algumas cabeças se viraram em direção a ele.

Mirelle não moveu o olhar, mas os lábios se curvaram levemente. "Parece que o jovem Noel tem surpreendido bastante ultimamente."

Albrecht não disse mais nada. Não precisava.

Na verdade, ele observava bem de perto.

Não apenas como pai—mas como um homem que não esperava que aquele filho fosse chamar tanta atenção. Não depois de tudo.

E, no entanto, lá estava—mergulhando de cabeça na parte mais profunda do Bosque das Bestas, sozinho.

'Se caírem,' pensou Albrecht, 'não haverá ninguém para te segurar.'

Mas o garoto ainda não tinha caído.

E, pelo jeito do seu jeito de caminhar…ele não tinha planos de isso acontecer.

Noel zigzagueava entre troncos grossos e arbustos espinhosos, com a respiração tranquila, apesar do ritmo acelerado. Folhas secas estalavam sob seus passos, galhos puxavam suas mangas enquanto a floresta ficava mais densa, mais escura a cada passo.

Quanto mais avançava na Bosque das Bestas, mais o ar mudava—mais frio, mais pesado, quase carregado.

'É isso. Território de fronteira, de verdade.'

Acima dele, o orbe de monitoramento fazia uma leve luz entre as folhas, refletindo suavemente. Ele deu uma olhada rápida, mas depois ignorou. Não fazia sentido fingir que não estava sendo observado.

'Vim para vencer, não há nada importante acontecendo aqui no romance, então não preciso planejar nada.'

Ele deslizou por uma pequena encosta, seus boots tocando a terra com força antes de se agachar. Arbustos farfalharam por perto—não por monstros, só vento. Por enquanto.

Alguns minutos depois, encontrou uma abertura na vegetação densa—uma clareira com uma pequena rocha coberta de musgo no centro. Aproximou-se, escaneou o local, ajoelhou-se e desenhou um mapa grosseiro em um pedaço de pergaminho escondido na manga.

Marcando sua posição com um minúsculo "X".

'Preciso de água primeiro. Comida depois. Se der sorte, acho um riacho perto do precipício. É onde o musgo das árvores fica mais denso na vista de satélite da preparação.'

Conetou a pergaminho com dois dedos, memorizando o trajeto, e guardou de novo.

Depois—parou.

Um rosnado baixo, distante.

Sua mão foi ao cabo de Revenant Fang por impulso.

Na beira da clareira, uma criatura avançou lentamente—com figura canina, mas grande demais. Pelo carregado, olhos amarelos brilhantes, e formações ósseas irregulares ao longo da espinha.

'Classe comum, provavelmente. Ainda assim… a primeira do dia.'

Noel exalou lentamente.

A besta rosnou e atacou.

Revenant Fang saiu da bainha num movimento fluido, reluzindo negro sob a luz quebrada do canópia.

Ele não gritou.

Não hesitou.

Simplesmente se moveu.

Um passo à frente—baixo, rápido.

O som do aço cortando o ar. A força do lobo o levou para frente—

—e seu corpo caiu no ar, deslizando para parar atrás de Noel em silêncio.

Noel se endireitou, limpando sangue da lâmina.

"Um a menos," murmurou. "Vamos ver quanto dá pra contar."

Do momento em que o corpo da criatura tocou o chão da floresta, um som de sino ecoou em seus ouvidos—não em voz alta, mas dentro de sua mente, limpo e inconfundível.

Uma notificação do sistema apareceu na sua visão, nítida e dourada contra o verde do dossel:

[Monstro Canino — Derrotado]

[Progresso do Núcleo: +0,02%]

[Progresso Atual: 37,02% — Núcleo de Mana de Rank Novato]

Noel parou abruptamente.

"O quê!?" — ele exclamou, olhando ao redor instintivamente, procurando alguém que tivesse ouvido. Apenas árvores e o orbe flutuante o encaravam.

Ele olhou novamente para a mensagem, piscando confuso.

'Sério isso? Desde quando?! O sistema nunca fez isso antes.'

Outra janela apareceu sob a primeira:

[Acompanhamento de Progresso do Núcleo ativado]

[Fonte: Absorção de Mana por combate]

[Ganho de experiência varia conforme dificuldade do alvo]

Ele exalou fundo e murmurou: "Então, depois do arco do Banquete Sangrento… o sistema está evoluindo?"

Seu coração pulsava—não de medo, mas por algo diferente. Uma adrenalina.

Entusiasmo.

'Isso muda tudo. Se posso ficar mais forte lutando… matando—'

Ele se interrompeu.

'Não. Ainda não vou me aprofundar nisso.'

Mesmo assim, não conseguiu esconder o sorriso que se formou nos lábios.

"Só 0,02%? Malditos mesquinhos,"—ele murmurou ao colocar Revenant Fang de volta na bainha—"mas faz sentido… a queda foi rápida. Deve acompanhar o quão perigoso eles são."

Ele lançou um olhar ao orbe flutuante. "Espero que esteja captando, sistema. Vou transformar esta floresta numa feira."

Um vento levantou as folhas acima enquanto ele se movia. Eventualmente, encontrou uma pequena alcova natural entre duas raízes de árvores enormes e um afloramento rochoso. Não era grande, mas daria para usar.

Deitou-se num joelho, removendo detritos, empilhando algumas pedras, amarrando galhos grossos com cipós para montar uma cabana baixa, com o ângulo inclinado.

Não iria impedir um monstro de verdade.

Mas bloqueava o vento e protegida da chuva.

Noel colocou algumas folhas internas, sentou-se e recostou-se, ainda com um sorriso leve no rosto.

'Caçar para crescer. Progresso em tempo real. Sem níveis idiotas. Só força.'

Seus dedos passaram pela empunhadura de Revenant Fang.

"Vamos testar até onde esse mundo pequeno está disposto a me levar."

O leve estalar de galhos ao fogo preenchia o silêncio da noite. Sob o céu escuro da floresta, Noel sentava-se de pernas cruzadas em frente à sua estrutura improvisada. Sombras dançavam na casca das árvores e nas pedras à medida que as chamas tremeluzentes lamberam um pedaço de carne espetado em um galho afiado.

Estava dando uma leve fritada—carne de lobo.

Nem sua primeira escolha, nem na lista das cinquenta preferidas.

Mas era comida.

Ele mordia lentamente, mastigando com expressão neutra, os olhos refletindo a luz do fogo. A carne tinha sabor forte, seca, pouco temperada com folhas esmagadas que esperava que não fossem venenosas.

Outra campainha soou suavemente em sua cabeça, e uma mensagem dourada e familiar apareceu diante dele:

[Progresso Atual: 37,22% – Núcleo de Mana de Rank Novato]

'Só isso? Dez monstros por 0,2%?'—ele suspirou, apoiando-se na pedra fria atrás de si.

"Acho que realmente não devia esperar mais."

O progresso era real—mas lento. Mais lento do que gostaria. Essas criaturas de baixo nível quase não davam nada, embora fossem fáceis de cortar, levaria centenas—milhares—para alcançar o próximo patamar.

'Esse método não vai adiantar. Não com monstros de nível comum.'

Seus olhos se desviaram em direção ao orbe reluzente ainda flutuando um pouco acima do dossel—registrando tudo. Ele sabia que os nobres estavam assistindo, julgando, medindo.

E ele não tinha intenção de ser avaliado como um animal de fazenda.

"Preciso de um novo plano,"—murmurou enquanto jogava o ossinho limpo no fogo—"Amanhã, vou mais fundo. Encontrar algo mais forte. Mais perigoso."

Seu olhar se aguçou.

'Se quiser poder de verdade—vou ter que conquistar. Sangue e dentes.'

Deitou-se na cama de folhas e musgo dentro do abrigo improvisado, com os braços cruzados atrás da cabeça. O calor da fogueira tocando seus pés, enquanto o vento frio sussurrava pelas árvores lá fora.

Acima do dossel da floresta, as estrelas piscavam fracas, escondidas por trás de uma névoa tênue.

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