
Capítulo 29
O Extra é um Gênio!?
Noel cortou as últimas amarras encantadas com Presa da Ressurreição, a corda se desfez e caiu mole no chão empoeirado.
Ele se ajoelhou ao lado de Elyra, pressionando dois dedos contra o lado do pescoço dela.
O pulso ainda batia.
Fraco.
Por um fio.
Mas ela ainda estava viva.
"Elyra", disse ele com firmeza, tocando levemente sua bochecha. "Acorda."
Por um momento, nada aconteceu.
Depois, um leve gemido escapou dos seus lábios.
Ela se moveu com dificuldade, a cabeça pendendo para um lado enquanto suas pálpebras se abriam lentamente—pisando contra a luz fraca das galerias subterrâneas.
A confusão pairava em seus olhos prateados.
Ela tentou se sentar por instinto, mas imediatamente desabou de novo, o corpo demasiado fraco para se sustentar.
Noel a pegou antes que caísse no chão, apoiando-a contra seu peito.
"Devagar", murmurou, mantendo a voz baixa, calma. "Você está segura agora."
Ela tentou falar, a garganta seca e arranhando. Noel pegou uma pequena garrafinha de água no bolso e a inclinou delicadamente para seus lábios.
Elyra tomou alguns goles instáveis, depois fez uma careta de dor.
"O que... aconteceu?" ela gaguejou, com a voz quase inaudível.
"Você foi atacada por surpresa. Aqueles caras são os mesmos por trás de toda essa confusão."
Ele foi direto ao ponto.
Sem tempo para detalhes.
Seus dedos tremeram fracamente contra o braço dele, tentando se erguer de novo.
Resistente, mesmo agora.
"Fique quieta", ordenou Noel, com a voz mais firme do que pretendia. "Você está exausta. Mexer-se só vai piorar."
Elyra franziu a testa, um leve sinal de frustração no rosto pálido.
O olhar de Noel desviou para a entrada do corredor.
Ainda sem sinal dos inimigos.
Mas os sons lá de cima—os ecos distantes de gritos, os estalos de feitiços—já diziam que a verdadeira tempestade tinha começado.
Ele ajustou a posição, colocando Elyra para se encostar na parede mais próxima.
Seu raciocínio acelerava, calculando.
'Primeira prioridade: colocá-la em segurança—rápido.'
Mas antes que pudesse planejar mais detalhes, passos ecoaram pelo túnel.
Rápidos.
Desigualmente constantes.
Pesados.
Noel imediatamente se posicionou entre Elyra e a origem do barulho, desembainhando a Presa da Ressurreição num movimento fluido e ágil.
Olhos atentos.
Músculos tensos.
Quem quer que fosse—
Ele não permitiria que nada mais tocasse nela.
Os passos se aproximaram mais.
Mais perto.
Noel apertou a empunhadura da Presa da Ressurreição, seu corpo como um arco carregado.
Então—de dentro do corredor escuro—uma figura surgiu cambaleando.
O estudante de cabelos vermelhos.
A mesma pessoa que Noel havia imitado semanas atrás para infiltrar-se nas reuniões subterrâneas.
Mas não era mais a figura cautelosa, calculista que ele lembrava.
Essa versão era algo completamente diferente.
O rapaz de cabelo vermelho caminhava com uma postura tísticamente encurvada, a respiração pesada e ofegante.
Os olhos vermelhos estavam congestionados de sangue, arregalados e vazios, as pupilas dilatadas por algum tipo de estimulante.
"Bom dia, seu filho da puta", ele falou com a voz rouca e quebrada, meio atrapalhada.
Noel levantou uma sobrancelha.
"Agora você sabe falar de repente?"
O de cabelo vermelho sorriu de canto, batendo a parte de trás do pescoço com um movimento nervoso.
"Fui eu, não foi?"
Noel manteve a expressão neutra. "Não tenho ideia do que você está falando."
"Vamos lá. Não finja de idiota. Você sabe exatamente do que estou falando."
Noel inclinou a cabeça levemente, com um sorriso zombeteiro nos lábios.
"Ainda não estou ligando os pontos."
O cabeludo deixou de responder.
A energia ao redor dele vibrava violentamente—instável, furiosa.
O próprio ar parecia zunir e deformar ao seu redor.
A espada em sua mão pulsava com uma aura levemente sinistra, tentáculos escuros de mana corrompida vazando da superfície da lâmina.
Estômago de Noel deu um nó.
'Ele está estasiado.'
'Drogas que aumentam a mana. Não é a que aguça você; é a do tipo berserker—aquela que queima por dentro até você virar fumaça.'
O olhar do rapaz de cabelo vermelho fixou-se em Noel.
Sedento por sangue.
Feroz.
Sem hesitação.
Somente pura agressão.
Noel mudou a postura, abaixando o centro de gravidade, catando-se automaticamente entre o rapaz de cabelos vermelhos e Elyra.
O de cabelo vermelho sorriu com dentes à mostra.
"Ah, agora entendi", sibilou. "Você é o cabrão que tem sabotado toda nossa preparação."
Noel levantou uma sobrancelha.
"E aí eu achei que tava sendo discreto."
"Você nos forçou a trabalhar muito mais, sabia?", rosnou o de cabelo vermelho, avançando com a espada tremendo de energia quase descontrolada.
Noel apertou os olhos. "Trabalhar mais com quê, exatamente?"
O rapaz vermelho riu de forma sombria.
"Ah, você vai descobrir... se conseguir sobreviver."
Sem aviso, ele partiu para cima.
Noel o enfrentou de frente, a Presa da Ressurreição brilhando na guarda, justo a tempo de receber o primeiro golpe brutal.
O som do impacto de metal ecoou pelo túnel estreito, cortante e violento.
A força do impacto empurrou Noel dois passos para trás.
'Ele é forte. Muito forte.'
Mas não invencível.
Noel rangeu os dentes, travou os ombros e reajustou a posição.
Não havia mais espaço para tentar convencer ou negociar.
Só podia acabar de uma maneira.
O rapaz de cabelo vermelho avançou como uma força da natureza—selvagem, imprevisível, consumido por mana instável.
Seus espadas se chocaram, faíscas voando com cada impacto.
A Presa da Ressurreição vibrava violentamente a cada golpe.
Noel recuou, quase absorvendo a força.
O inimigo aproveitou a distância imediatamente, sua mana explodindo de forma selvagem.
Ele empurrou uma mão adiante—lançando bolas de fogo uma atrás da outra, cada uma crepitando com energia instável.
Se uma delas acertasse—
'Você acha que vai explodir tudo? Maluco!'
Noel amaldiçoou internamente, lembrando que esse andar subterrâneo ainda continha várias explosivos.
Ficar na distância não era uma opção segura.
Ele tinha que fechar a distância.
Agora.
O rapaz vermelho uivou de fúria, gritando "Bola de fogo!" repetidamente enquanto arremessavações voláteis pelo corredor.
Noel se esquivou entre as explosões por um fio de cabelo.
O calor queimava o ar ao redor, a fumaça borrava sua visão.
Rangeu os dentes e avançou—rompendo a chuva de fogo com velocidade pura.
Seus espadas se chocaram novamente.
O metal rangia.
Noel apertou os dentes, absorvendo o impacto, desviando mais do que bloqueando de verdade.
Os golpes do inimigo não eram precisos.
Eram pesados.
Desesperados.
Mal feitos.
Mas cada um tinha força suficiente para quebrar ossos se pegasse bem.
Noel se abaixou sob uma estocada horizontal brutal, a lâmina quase rasgando um fio de cabelo.
Pivotou e respondeu com uma estocada rápida na direção das costelas—
Mas o rapaz vermelho torceu de forma estranha, como se seus músculos estivessem no limite, e a lâmina de Noel só raspou seu ombro em vez de perfurar fundo.
A mana crepitava violentamente ao redor, deformando o ar.
O inimigo rugiu e atacou de novo—selvagem, brutal.
Noel evitou por centímetros, com o calor da magia bruxando seu rosto.
Outro golpe—Noel mal conseguiu bloquear, recuando dois passos, o impacto forte demais para seus braços.
'Se continuar assim—'
Então aconteceu.
Não foi a lâmina.
Nem os feitiços.
Foi a pressão.
O risco.
Seu coração desacelerou.
O mundo se aguçou.
Começou de forma sutil—um zumbido fraco em sua mente, uma clareza fria e implacável cortando o caos.
A característica da Presa da Ressurreição despertou:
Trait: Aumenta a clareza sob pressão de vida ou morte. Evolui sob estresse extremo.
Tudo ao redor de Noel mudou.
Os ataques selvagens parecerem mais lentos agora, cada movimento do inimigo sendo mais previsível, cada pivô desajeitado mais evidente.
Ele exalou uma vez, devagar, com calma.
Seus músculos moveram-se com mais leveza.
Sua movimentação ficou mais precisa.
Cada passo, cada ação—calculados.
Medidos.
Controlados.
Ele bloqueou uma investida louca com facilidade, desviando a lâmina, girando sob o ataque seguinte sem esforço.
O inimigo gritou de novo, lançando-se para frente com pura fúria.
Agarrou firmemente a Presa da Ressurreição.
Porque agora?
Agora, ele podia enxergar.
As rachaduras.
As brechas.
O fim.
O rapaz de cabelo vermelho gritou mais uma vez, uma voz crua, destruída—e desta vez, em vez de correr direto para Noel, ele firmou os pés e levantou a mão livre.
A mana avançou ao redor dele, selvagem e furiosa, crepitando com um poder instável.
Os olhos de Noel se estreitaram imediatamente.
Reconheceu os sinais.
O inimigo estava conjurando—algo grande.
A mana instável torcia-se ainda mais, formando espirais caóticas ao redor de seu corpo, puxando energia das próprias paredes.
'Idiota. Você está aberto demais.'
O inimigo articulou as palavras de forma desajeitada, jogando as palavras da boca enquanto forçava a magia a tomar forma.
Segundos.
Levava poucos segundos para completar o feitiço.
Noel não hesitou.
Ele avançou com tudo, a Presa da Ressurreição piscando na escuridão quebrada dos túneis.
Um arco limpo, brutal.
O aço atravessou carne.
O braço de conjuração do inimigo foi cortado ao meio—membro despencou barulhento ao chão, mana dando umas fuziladas violentas ao redor do toco.
O de cabelo vermelho berrou—dor pura, raiva pura.
Mas pouco importava.
Noel se moveu mais rápido que seus pensamentos.
Antes que o berserker pudesse sentir a dor, Noel virou sua postura, mudou seu peso—
E a Presa da Ressurreição cortou o ar novamente.
Um golpe limpo e implacável.
A cabeça do inimigo se soltou do pescoço numa estocada só, o sangue pulverizado formando uma fina névoa no ar.
O corpo caiu no chão sem cerimônia.
A cabeça cortada bateu na pedra segundos depois, rolando uma vez antes de parar.
Noel ficou sobre o cadáver, espada ainda pingando sangue.
Ele olhou com frieza.
Respirando devagar.
Coração firme.
"Tá na hora, seu filho da puta", murmurou, com voz baixa e venenosa.
A fumaça ao redor dele era impregnada de sangue, mana queimada e morte.
Mas ele não hesitou.
Não desviou o olhar.
Porque ainda havia trabalho a fazer.
Ele limpou a lâmina na capa rasgada do morto, depois voltou à Elyra, que lutava para se levantar contra a parede.
A luta tinha acabado.
Pelo menos por enquanto.
Noel abaixou lentamente a Presa da Ressurreição, os últimos ecos do combate se desvanecendo no silêncio dos túneis.
Olhou por um momento mais para o corpo do inimigo, o cheiro metálico de sangue pesado no ar.
'Ainda não gostei disso.'
Reprimir uma vida.
Mesmo quando é necessário.
Mesmo quando justificado.
Deixava um gosto amargo e vazio na boca.
Lembrou da primeira vez.
Quando foi emboscado durante a jornada até a Academia Valor.
Quando precisou matar pela primeira vez.
'Era eles ou eu na época também.'
Mas saber disso não tornava as coisas mais limpas.
Não dificultava mais.
Ele respirou fundo, forçando a mente a acalmar os pensamentos, como sempre fazia.
Noel se virou do cadáver sem hesitar e se aproximou de Elyra.
Ela já estava acordada, encostada na parede, os olhos prateados um pouco vazios, mas atentos o suficiente para reconhecê-lo.
"Você... bem?" ele perguntou, com a voz mais áspera do que pretendia.
Elyra assentiu com firmeza, mas ele percebeu que era mentira.
Ela ainda estava exausta—ainda frágil por tudo o que tinham feito com ela.
Noel ficou de joelhos ao lado dela, verificando cuidadosamente as amarras nos pulsos dela, certificando-se de que nenhuma encantamento remanescente permanecia.
Fez uma inspeção rápida nos ferimentos—rápida, mas minuciosa.
Algumas manchas, marcas de corda, cansaço de mana, mas nada fatal.
Nada que impedisse ela de caminhar com um pouco de auxílio.
Colocou um braço sob os ombros dela, levantando-a devagar até a posição ereta.
Ela cambaleou uma vez, e ele a segurou facilmente.
'Ainda respirando. Por enquanto, serve.'
Acima, ao longe, ele conseguiu ouvir—
Mais explosões.
Mais gritos.
O verdadeiro pesadelo havia começado.
Noel apertou ainda mais Elyra contra si.
Ele precisava se mover.
Agora.
Antes que os túneis desabassem ou mais inimigos aparecessem caçando.
Ele a levaria para fora.
Por mais difícil que fosse.
Noel ajustou cuidadosamente o peso dela, suportando a maior parte do corpo enquanto avançavam pelo túnel estreito.
Ela tentou caminhar sozinha, teimosa mesmo assim, mas as pernas tremiam com cada passo.
"Não Force a barra", murmurou, apertando ainda mais seus ombros.
Elyra não argumentou.
Nem mesmo olhou feio como de costume.
Isso o preocupava mais do que se ela tivesse feito.
O mundo lá em cima já não estava mais silencioso.
Longe disso.
Os sons abafados de gritos, explosões mágicas, ruídos de móveis e feitiços rasgando através das pedras—ecoavam pelos poços de ventilação e escadas, pintando um quadro sombrio sem precisar ver de perto.
'É pior do que no romance.'
'Muito pior.'
Eles avançaram lentamente, com cuidado.
Noel ficou próximo às paredes, evitando espaços abertos, com os ouvidos atentos a qualquer som de passos além dos deles.
Cada esquina podia ser uma emboscada.
Cada momento poderia ser o último antes que o inferno os engolisse de vez.
Sua mão permanecia firme no cabo da Presa da Ressurreição.
Pronto.
Esperando.
Ao fazerem uma última curva em direção à saída de serviço perto do Grande Hall, Elyra puxou fraca a manga dele.
Ele olhou para baixo, franzindo a testa.
Ela mexeu a boca, quase um sussurro.
"Bombas", ela sussurrou. "Tem... mais."
Noel parou.
O coração pulou forte, dolorosamente agudo.
'Mais?'
'Já desativei as que foram colocadas sob o Hall—'
'Isso... é algo diferente.'
A voz de Elyra era fraca, mas decidida.
"Eu as vi... mais cedo. Antes de me pegarem. Três. Em... lugares diferentes."
Noel sentiu um calafrio na espinha.
Três.
Não uma.
Mais três bombas.
Ainda ativas.
Ainda escondidas.
Esperando.
Ele ajustou a mão em Elyra novamente, a urgência tomando conta dele como um incêndio.
Primeiro—
Levá-la para fora.
Depois—
Encontrar o Diretor.
O pesadelo ainda não acabou.
Acabou de começar.