O Extra é um Gênio!?

Capítulo 28

O Extra é um Gênio!?

A música continuava, um valsa suave que se entrelaçava pelo ar como seda, preenchendo a Grande Sala com uma névoa brilhante de elegância.

Em um canto, próximo à extremidade da pista de dança, Marcus, Clara, Roberto, Elena, Laziel, Garron e Noel estavam reunidos, rindo e provocando uns aos outros entre mordidas de comida e goles de drinques espumantes.

Marcus deu um cotovelada suave em Clara, com um sorriso largos na face.

"Vamos, é só uma dança. Você passou nas finais. Isso deve ser fácil."

As bochechas de Clara ficaram ainda mais vermelhas. Ela quase deixou cair o copo tentando colocá-lo na mesa.

"Eu não— eu não sou boa nisso!" ela gaguejou.

"Vai ficar tudo bem," disse Marcus, claramente tentando—e falhando—não rir.

Garron se inclinou para frente, cutucando Laziel. "Aposto cinco silvers que ela escorrega nos primeiros trinta segundos."

Laziel sorriu preguiçosamente. "Dez se ela derrubar o Marcus junto com ela."

Clara doorou o rosto com as mãos enquanto todos riam de bom humor.

Até Noel permitiu-se um pequeno sorriso de lado.

Ele ficou um pouco à parte, com os braços cruzados de modo descontraído, postura relaxada, mas a mente nada tranquila.

'Cadê a Elyra?'

A pergunta agora martelava na sua cabeça.

Ele não tinha visto ela reaparecer desde o início do banquete.

E quanto mais ela permanecia desaparecida—

Maior ficava a sensação de que algo estava errado.

"Certo, certo," disse Marcus, batendo as mãos uma na outra, alto o suficiente para fazer Clara estremecer. "Chega de se esconder. Clara, pelo menos tente sobreviver a uma música."

Clara espiou de trás das mãos, com os olhos arregalados e o rosto corado. "Mas—"

"Sem mas," sorrindo, Marcus estendeu a mão dramaticamente como um cavaleiro oferecendo um duelo.

Ao redor deles, o grupo riu e a incentivou. Até Elena fez um leve aceno de aprovação com as mãos cruzadas ao peito, com uma expressão de aprovação elegante.

"Mas é melhor você não pisar no vestido dela," disse Elena com secura, com um brilho divertido nos olhos dourados.

"E é melhor você não tropeçar e derrubar metade da pista junto," ela acrescentou, com um sorriso contido nos lábios.

"Vai lá, campeão," disse Roberto, dando um cotovelo em Marcus.

Com um gemido teatral, Clara pegou na mão de Marcus, que a conduziu até a pista de dança, os dois tropeçando um pouco antes de pegarem o ritmo da valsa lenta.

Roberto virou-se para Noel em seguida, com um sorriso torto no rosto.

"E você, Thorne?" ele perguntou, com a voz baixa o suficiente para apenas o grupo ouvir. "Vai arranjar uma parceira esta noite? Ou vai ficar na sombra como um fantasma?"

Noel forçou uma risada seca.

"Acho que vou ficar na sombra," disse casualmente.

Mas por dentro?

Seu estômago revirava.

'Cadê a Elyra?'

Ele escaneou o salão novamente, de forma mais deliberada agora, disfarçando como se olhasse de forma preguiçosa para os bailarinos.

Ainda sem sinal dela.

Ela não estava mais com o Conselho Estudantil.

Não estava entre os estudantes na buffett.

Não estava nas mesas, nem nos balcões acima.

'Não é bom.'

Não era nada bom.

Roberto, percebendo seu olhar distraído, deu uma risada para aliviar a tensão.

"Não se preocupe, cara. A noite ainda é jovem. Ainda dá tempo de dançar desajeitado e torcer um dedo."

Noel sorriu de relance, acenando com a cabeça.

Porém, suas mãos tinham se fechado mais firmemente atrás das costas.

Noel não aguentava mais ficar parado.

O som ao redor dele se tornou mero ruído de fundo—risadas, taças tilintando, notas distantes da orquestra.

'Cadê você, Elyra?'

Ele murmurou uma desculpa a Roberto—algo sobre buscar outra bebida—e se afastou do grupo, inserindo-se na multidão.

Seu passo era casual, mas seus olhos estavam atentos.

Primeiro, ele passou pelas mesas de bufê, examinando cuidadosamente cada rosto.

Ainda sem sinal dela.

Fez uma volta lenta perto da pista, passando entre casais que giravam, desviando de risadas dispersas e bailarinos desajeitados.

Nada.

Seguiu em direção ao lado oposto do salão, onde grupos de estudantes se reuniam perto dos balcões de pedra esculpida, saboreando vinho e sussurrando empolgados.

Não havia sinais dela ainda.

Um calafrio frio subiu por sua espinha.

A música continuava.

As luzes cintilavam acima.

Mas o mundo de Noel se reduzia ao ritmo constante do seu coração e à sensação insistente de que já era tarde demais.

Ele voltava na direção do canto direito do salão quando ouviu—

Um estrondo.

Agudo e repentino.

A cabeça de Noel girou na direção da origem—perto das mesas de drinques, onde um jovem estudante do terceiro ano cambaleou para trás, com uma enorme ferida rasgada na jaqueta formal, sangue espalhando-se pelo piso polido.

De pé sobre ele—

Uma figura de máscara preta, com a lâmina já coberta de sangue.

Por um instante, a Grande Sala prendeu a respiração.

Ninguém se moveu.

Ninguém gritou.

Parecia que o salão inteiro congelara no tempo, entre o espanto e o horror.

Então, o caos estourou.

Estudantes gritaram, cadeiras tombaram, taças se estilhaçaram.

A música parou bruscamente com um grito desafinado e dissonante.

Noel não perdeu tempo.

Virou-se de supetão e correu em direção aos corredores laterais.

'As bombas—força, tenho que verificar—'

Seus passos ecoavam no mármore enquanto atravessava a borda do salão, passando por entre os estudantes que fugiam apressados, com o coração acelerado como nunca.

Ele precisava agir.

Rápido.

Ou seria tarde demais.

Noel atravessou a área de pânico, deslizando entre as multidões em fúria, ignorando o caos ao seu redor.

Chegou ao canto mais afastado do salão—aquele escondido atrás de caixas e cortinas de veludo—e se agachou.

Escondido ali, perfeitamente fora de vista—

A porta secreta.

Exatamente onde se lembrava.

Ele a puxou com um puxão forte, entrou e a fechou atrás de si, silenciando o barulho da celebração que desmoronava.

Os túneis sob o salão eram mais frios, mais escuros.

O ar era viciado, pesado com o cheiro de pedra antiga e feitiços abandonados.

Correu pelos túneis estreitos de manutenção, com passos ecoando no espaço confinado, o coração martelando nos ouvidos.

Não desacelerou.

Não podia.

Cada segundo contava agora.

Chegou a uma pequena sala de armazenamento reforçada—a que preparara semanas antes—e entrou de repente.

Lá, esperando por ele, exatamente onde deixou—

Gume do Revenant Fang.

Sua espada.

Ainda embainhada, com um leve pulso de mana, como se estivesse segurando a respiração por ele.

Noel a agarrou, sentindo o peso sólido e familiar repousar na palma da mão.

'Ótimo. Pelo menos algumas coisas não mudaram.'

Prendeu a espada nas costas e imediatamente se virou em direção ao local da bomba.

O plano não era lutar ainda.

Primeiro, tinha que verificar os explosivos.

Correu pelos túneis laterais, mais fundo na rede onde os dispositivos escondidos tinham sido instalados.

E enquanto corria—

Sua mente acelerava ainda mais.

'Não foi assim que começou no romance.'

No livro, o ataque tinha começado com uma explosão massiva—derrubando a parede oeste da Grande Sala, permitindo que os invasores entrassem em grande quantidade.

Mas não esta noite.

Hoje, começou com um único atacante mascarado no meio da festa.

'Por minha causa.'

Noel apertou ainda mais o Gume do Revenant Fang.

Ele havia mudado o futuro só por estar aqui.

Nem tudo era bom—mas também não tudo era ruim.

'O Diretor está aqui esta noite.'

No enredo original, Nicolas Von Aldros tinha estado fora, deixando os estudantes desamparados.

Hoje?

Ele estava presente.

Preparado.

O número de vítimas seria menor.

Precisava ser.

Noel parou bruscamente na frente da câmara principal de bombas.

Entrou—

E um alívio inundou seu corpo.

Os círculos de mana que sabotara ainda pulsavam fraquinhos, inofensivos.

Ninguém os havia reparado.

Ninguém tinha percebido a interferência.

'Ótimo. As bombas não matarão ninguém hoje.'

Mas esse alívio durou apenas um segundo.

Porque, ao se virar para o lado oposto da sala—

Ele congelou.

Estendida desconchada contra a parede, com as mãos e pés amarrados com cordas brilhantes, uma ligadura de pano sobre a boca—

Elyra.

Seu vestido preto e prateado estava rasgado nos ombros, a trança desgrenhada, poeira grudada na pele pálida.

Inaceitável.

Respirando superficialmente.

Noel correu até ela imediatamente, ajoelhando-se, rasgando as amarras que prendiam seus pulsos.

'Droga. Eles também planejavam isso.'

'Sabiam.'

O pânico roía sua mente—mas ele o reprimiu.

Focado.

Rápido.

Precisava libertá-la.

Porque o que quer que estivesse acontecendo lá em cima?

Não tinha nem começado ainda.

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