
Capítulo 30
O Extra é um Gênio!?
Noel tropeçou em um corredor estreito, ao lado dos túneis dos serviçais, escondido do caos da Grande Salão lá em cima.
O ar aqui estava calmo.
Silêncio.
Por enquanto.
Ele colocou Elyra cuidadosamente contra a parede de pedra fria, mantendo uma mão no ombro dela para estabilizá-la.
Ela respirava, mas com fraqueza—cada expiração era superficial, tensa.
Noel rasgou uma faixa limpa do interior da manga e a envolveu ao redor de uma queimadura de corda na muñeca dela, amarrando rapidamente.
'Ela está relativamente estável.'
Por enquanto.
Os dedos de Elyra tremeram, agarrando a frente do casaco de Noel com força surpreendente.
Seus olhos se abriram, afiados mesmo com o cansaço apagando seu brilho.
"Ouça..." ela respirou roucamente.
Noel se inclinou imediatamente, eliminando o zumbido em seus ouvidos.
"Eu ouvi eles," Elyra sussurrou. "Falando... sobre bombas. Três."
A mão dela tremia enquanto ela apertava mais forte, forçando-se a ficar de pé.
"Não sei exatamente onde... só sei que dois grupos se direcionaram para edifícios principais. A biblioteca... talvez os jardins... Não tenho certeza."
O peito de Noel apertou.
'Duas bombas próximas a pontos estratégicos. Uma desaparecida.'
Sua mente acelerou.
Se eles dividiram os explosivos entre áreas lotadas, cheias de evacuações...
Poderia ser catastrófico.
Elyra se apoiou novamente contra a parede, sua força começando a faltar.
Noel a segurou com delicadeza, deixando que ela descansasse.
"Já fiz o suficiente," ele sussurrou. "Deixe comigo o resto."
O verdadeiro pesadelo ainda não tinha acabado.
Ela só estava ficando pior.
Noel limpou uma mancha de sangue da palma da mão no pants enquanto se recostava contra a parede, revisando rapidamente o que Elyra tinha dito.
Três bombas.
Dois locais que ela ouviu—a biblioteca e os jardins.
O terceiro?
Desconhecido.
Sua mente corria desesperadamente.
'Onde você esconderia uma bomba se quisesse maximizar as vítimas?'
Ele pensou rápido.
Não dentro.
Fora.
Em algum lugar grande.
Algum lugar que os estudantes naturalmente correriam quando entrassem em pânico.
'A área aberta mais próxima da Grande Salão.'
'Uma área aberta. Simples assim... a escolha óbvia.'
Não era um ponto de emergência oficial.
Era apenas o lugar mais próximo e óbvio para centenas de estudantes em pânico se reunirem.
Ampla, aberta, exposta.
Ele rangeu a mandíbula.
'Droga.'
Ele ainda não sabia exatamente onde a bomba estava.
Mas sabia a área onde procurar.
E precisava agir agora.
Agora.
Ele olhou novamente para Elyra.
Ela tinha se apoiado contra a parede, inconsciente, com a respiração superficial, mas constante.
'Você fez sua parte.'
'Eu faço o resto.'
Noel apertou as correias de Revenant Fang e correu de volta em direção à Grande Salão, desviando de escombros e vigas colapsadas enquanto o barulho da batalha ficava mais alto a cada passo.
No momento em que Noel passou pela porta de serviço de volta ao Grande Salão, tudo explodiu em caos.
"Raio Arc!"
Um raio de energia azul-branca cortou o ar, destruindo uma coluna de pedra em pó.
"Explosão Inferno!"
Chamas rugiram pelo teto, consumindo bandeiras de veludo ricas e levantando uma espessa fumaça preta que girava pelo ar.
Estudantes gritavam, se jogando para se proteger.
Feitiços ricocheteavam loucamente entre as colunas de mármore, batendo em paredes, estilhaçando mesas, destruindo o bufê.
A plataforma da orquestra era apenas um monte de destroços, instrumentos queimando como cadáveres retorcidos.
No meio de toda aquela confusão—atacantes encapuzados se deslocavam pelo caos, lâminas reluzindo, magia destruindo tudo ao redor.
Os professores e estudantes mais velhos lutavam com bravura.
"Escudo de Égide!" exclamou um professor, erguendo uma barreira dourada reluzente que mal resistia à próxima saraivada.
"Lança de Gelo!"
"Cortador de Vento!"
Feitiços se chocavam no ar—fragmentos de gelo se quebrando, lâminas de vento comprimido uivando, ondas de choque de explosões rachando o piso de mármore.
Noel não hesitou.
Ele se abaixou sob um raio selvagem de Raio Arc que queimou a pedra a poucos centímetros da cabeça dele e correu adiante, olhos procurando freneticamente por uma visão do Diretor.
Um terrorista mascarado o avistou—jovem, ágil, com uma espada brilhando para um corte horizontal.
O corpo de Noel se moveu antes que seu cérebro percebesse totalmente.
Um desvio limpo.
Um golpe horizontal brutal de Revenant Fang nas costelas do terrorista.
O homem respirou fundo, a sangue espirrando enquanto caía ao chão, sem vida.
Noel não parou.
Não vacilou.
Uma morte entre muitas.
O cheiro forte de mana queimando e sangue encheu sua garganta.
Ele avançou, se esgueirando por mesas viradas, cadeiras esmagadas e corpos de estudantes feridos.
Outro estouro—"Névoa de Choque!"—fez as paredes tremerem enquanto uma energia elétrica atravessava o ar, fazendo sua pele arrepiar.
Ele desviou de um jato de Lança de Fogo, que destruía o espaço onde ele estava segundos antes.
Finalmente—
No meio do caos, Noel avistou uma figura como uma âncora na tempestade.
Diretor Nicolas Von Aldros.
De pé, firme, no centro da batalha.
Seu manto ondulava ao seu redor, feitiços formando círculos rúnicos em suas mãos—complexos, belos e mortais.
Ele comandava equipes de professores e estudantes mais velhos, protegendo civis em evacuação com muros de força de mana bruta.
Noel cerrava a mandíbula e acelerou ao máximo, Revenant Fang pingando sangue ao seu lado.
Ele tinha que chegar até ele.
Precisava avisar.
Antes que a próxima explosão destruísse tudo.
Noel atravessou a linha de defesa, Revenant Fang ainda pingando sangue ao seu lado.
O Diretor Aldros virou imediatamente, seus olhos prateados afiados e imponentes mesmo no caos.
Noel não perdeu tempo.
"Diretor! Três bombas," gritou acima do barulho da batalha. "Duas próximas a edifícios importantes—a Biblioteca e os Jardins. A terceira... em algum lugar lá fora. Área aberta. Ainda não sei a localização exata."
A expressão de Aldros não mudou.
Ele assimilou a informação instantaneamente, processando com velocidade assustadora.
Porém, Noel percebe agora—fissuras sutis em sua aura.
Raios de esforço.
'Ele está exausto.'
Fazia sentido.
Aldros era o mago mais forte de toda a academia—o escudo e a espada de Valor.
Mas naquela noite, ele não tinha lidado apenas com estudantes ou terroristas amadores.
Ele tinha que conter Caldus—um ex-professor aprimorado por uma droga de mana que o elevava quase ao nível de Aldros.
O confronto entre eles drenasou uma quantidade enorme de energia.
Mesmo agora, o Diretor carregava as cicatrizes invisíveis daquela luta.
Noel engoliu a tensão que subia por sua garganta.
Ele tinha que agir rápido.
"Cobre-me!" ordenou Aldros aos professores próximos.
Ele levantou as duas mãos, entrelaçando feitiços complexos e ardentes no ar com eficiência brutal.
A mana ao redor dele se comprimiu, pressionando como uma tempestade prestes a desabar.
Então—
"Eco Gêmeo."
Um flash de luz branca ofuscante rasgou o espaço.
O Diretor Aldros se dividiu em duas cópias idênticas, cada uma um pouco menor que o original, com assinaturas de mana visivelmente enfraquecidas, mas ainda ardentes.
As duas cópias se voltaram para Noel, falando em perfeito uníssono:
"Posso cuidar de duas."
"E a terceira?" perguntou Noel, com a voz baixa e firme apesar da pressão crescente.
O rosto do Diretor se fechou.
"Não há tempo para chamar outro professor," disse ele, sério. "Todos estão ocupados. Sobrecarregados."
Ele se aproximou mais, fixando o olhar em Noel como uma lança atravessando aço.
"Você," disse Aldros. "Você encontra, carrega e corre."
"Leve o mais longe possível da academia—e da cidade. Não tente desativar. Apenas corra."
Noel não discutiu.
Não hesitou.
Apenas assentiu com determinação.
Firme.
Resolução final.
As duas cópias de Aldros partiram em direções diferentes—uma rumo aos Jardins, outra à Biblioteca—a magia brilhando ao seus pés.
Noel virou bruscamente em direção à entrada destruída do Grande Salão.
Para o terreno aberto.
Para qualquer pesadelo que o aguardasse lá fora.
Porque agora?
Era ele quem tinha que enfrentar.
Noel atravessou o portal quebrado do Grande Salão, os sons da batalha ficavam mais distantes atrás dele, enquanto corria pelo pátio em ruínas.
O ar lá fora não era melhor.
Gritos de medo ecoavam pelos terrenos abertos, enquanto dezenas—não, centenas—de estudantes e funcionários corriam para o espaço mais amplo disponível.
A única decisão óbvia.
A praça logo além dos degraus leste.
Estava lotada.
Corpos juntos, pessoas gritando, chorando, procurando por amigos. Professores e estudantes mais velhos tentavam manter a ordem, encaminhando as pessoas longe do perigo, protegendo os feridos mais graves.
Era o lugar perfeito.
Aberto.
Óbvio.
Previsível.
'Se eu fosse eles, colocaria aqui.'
Os olhos de Noel varreram tudo enquanto entrava na praça, escaneando cada sombra, cada aglomerado de caixas, cada esconderijo.
Nada.
Ele diminuiu a velocidade por um segundo, respirando fundo, estreitando o olhar.
Então—
Um brilho tênue.
Quase invisível.
Um brilho suave, artificial, pulsando sob a superfície da fonte do pátio.
Sutil.
Fraco.
Quase encoberto pela água que ondulava e pelos movimentos frenéticos da multidão.
'Peguei você.'
Sem hesitar, ele correu para frente.
Pulou sobre a borda da fonte de pedra.
Bateu direto na água.
O frio atingiu sua pele como um tapa, encharcando sua camisa e botas em segundos.
Sua mão mergulhou, alcançando—
Lá.
Um invólucro metálico.
Quente.
A bomba.
Ele não tentou desarmar.
Nem abriu o invólucro.
Apenas a pegou e saltou para fora da água em um movimento desesperado, a água escorrendo por suas costas enquanto segurava o objeto contra o peito.
"CORRAM!" gritou para os estudantes próximos, empurrando um grupo enquanto quebrava em alta velocidade pelo pátio aberto.
Ninguém tentou pará-lo.
Ninguém podia.
Não havia tempo.
Correu como se o diabo estivesse atrás dele.
Corria pelo pátio com a bomba pulsando violentamente em seus braços, seu assinatura de mana ficando cada vez mais quente a cada segundo.
'Não dá tempo. Não a pé.'
Seus olhos procuravam desesperadamente ao redor.
Então, avistou—a
Perto da margem do pátio, onde alguns guardas da academia tentavam reunir estudantes em pânico—
Um cavalo.
Castanho, grande, forte.
E montado.
O jóquei, um rapaz jovem do estábulo ou uma guarda júnior, tentava manter o animal calmo.
Noel foi direto nele.
O rapaz virou a cabeça assim que Noel chegou, confuso.
"Ei, que diabos—!"
"Vai embora!" gritou Noel, agarrando a sela com uma mão e subindo com prática movimentos.
Enquanto o rapaz tossia e tentava pegar as rédeas, Noel puxou uma moeda de ouro do casaco com a mão livre e a arremessou contra o peito do garoto.
A moeda ricocheteou na armadura dele e caiu no chão.
"Fala com o Diretor! Ele vai pagar pelos danos!" gritou Noel por cima do ombro.
O garoto fez um som de protesto, puxando inutilmente a cauda do cavalo enquanto Noel deu um chute forte na criatura, que relinchou e se lançou em um galope mortal.
O cavalo relinchou por um segundo, com os cascos rasgando o ar.
Depois, partiu em disparada.
A bomba vibrava perigosamente contra o peito de Noel enquanto o mundo ao redor dele se tornava turvo.
Ele não tinha coragem de diminuir a velocidade.
Não podia olhar para trás.
As portas da cidade se aproximavam, abertas pela confusão.
Noel atravessou-as a toda velocidade, passando por civis assustados e guardas demasiado atônitos para reagir.
Para o exterior.
Para a linha escura da floresta no horizonte.
Longe da academia.
Longe das milhares de vidas em risco.
'Só mais um pouco.'
'Segura firme, droga.'
As árvores se aproximavam como uma parede.
Ele não parou.
Não podia.
Porque não tinha outra opção.