O Extra é um Gênio!?

Capítulo 11

O Extra é um Gênio!?

A ala superior da biblioteca da academia estava, na maior parte do tempo, quase vazia neste horário.

Noel gostava disso.

Silêncio. Nenhum olhar. Apenas estantes e tempo.

Ele passou por filas de títulos até encontrar o que procurava:

"Estruturas Mágicas & Teoria das Barreiras – Defesa Aplicada."

Ele puxou o livro, abriu com uma mão e levou até uma mesa próxima. Enquanto se assentava, sua mente vagava—não de forma aleatória, mas para trás.

Para uma lembrança que não viveu.

O Banquete Sangrento.

Não era apenas uma cena do livro—foi o ponto de virada. A primeira verdadeira tragédia. Nobres massacrados. Feitiços explodindo no coração da academia. Pânico. Sangue em seda.

Uma invasão timing perfeito que quebrou a barreira protetora de alto nível do salão de banquetes como se fosse papel molhado.

'Não foi força bruta. Foi precisão. Alguém sabia exatamente como desativar os encantamentos defensivos centrais da academia.'

Agora Noel tentava descobrir como.

Porque, se aconteceu uma vez—poderia acontecer de novo.

Ele folheou páginas cheias de estruturas de feitiços, glifos de análise, diagramas de grades mágicas entrelaçadas em paredes e pisos. O texto era denso, mas algumas partes encaixavam-se quase por instinto.

'Você não pode apenas jogar fogo numa barreira dessas. É preciso desestabilizar. Disrupção interna. Inversão de mana.'

Ele virou para uma seção intitulada:

"Fraqueza Interna: Sobrecarga, Severação de Âncoras e Reescrita de Selos."

Perfeito.

'Eles não explodiram de fora. Reescreveram por dentro.'

Noel recostou na cadeira, as mãos entrelaçadas e os olhos estreitos ao ler o texto.

'Se eu conseguir achar o método, posso criar uma contra-medida.

Montar uma armadilha. Deixar uma falha de segurança. Algo parecido.'

Ele ainda estava lendo quando uma sombra cruzou a mesa.

Um som suave—um livro colocado gentilmente na frente dele.

E uma voz.

Calma. Curiosa.

"Não esperava te encontrar aqui, Noel Thorne."

Os olhos de Noel não se moveram da página.

Mas ele respirou fundo, silenciosamente.

'Lá está ela.'

"Não esperava que você falasse comigo", respondeu.

Foi só então que ele levantou o olhar.

Elyra von Estermont estava do outro lado, uma mão apoiada na parte de trás de uma cadeira, a outra segurando um livro grosso chamado Reconhecimento de Padrões de Mana e Discrepâncias Psicológicas. Ela não se sentou de imediato. Apenas o observou, com um sorriso sutil nos lábios.

"Sou cheia de surpresas", ela disse.

"Você também devia estar ocupado gerenciando a política do conselho estudantil."

"E mesmo assim, estou aqui", ela completou, finalmente puxando a cadeira e sentando-se com uma calma elegante. "Na ala de teoria restrita. Igual a você."

Noel fechou o livro, marcando a página com uma nota dobrada.

"Procura algo específico ou só veio ver se os boatos são verdadeiros?"

Elyra levantou uma sobrancelha. "Quais boatos?"

Ele deu de ombros, inclinando-se na cadeira. "Que você gosta mais de brincar com aranhas do que com pessoas."

Isso produziu uma risadinha quieta.

"Não é mentira," ela disse, ajeitando a página do próprio livro. "Mas também dizem que tenho bons instintos."

"Engraçado," Noel comentou, "pois aranhas também têm."

Ela sorriu com isso.

Mas não negou.

Elyra folheou algumas páginas rapidamente, olhos vasculhando as linhas.

Ela não falou novamente de imediato, e Noel não insistiu. O silêncio entre eles parecia proposital. Estratégico.

Por fim, ela falou—sem olhar para ele.

"Então... os boatos são verdade?"

Noel levantou uma sobrancelha.

"Qual deles desta vez?"

"Que você é um peso morto," disse ela simplesmente. "Comprou sua vaga na Classe A. Não consegue lançar com eficácia. Teve sorte com uma espada de madeira."

Ele sorriu—de modo seco, lento, indiferente.

"Perdeu o boato de que eu sou um herdeiro fracassado e uma ameaça ao ordem social."

Elyra olhou para cima.

"Isso é verdade?"

Noel encarou seus olhos, sem hesitar.

"São boas histórias," ele respondeu. "Fizeram todo mundo falar. E é tudo que os rumores precisam fazer."

Ela inclinou a cabeça levemente. "Isso não é uma resposta afirmativa."

"Tampouco uma negativa."

Elyra estudou-o por mais um momento. Então assentiu uma vez.

"Cauteloso. Medido. Você fala como alguém que teve que decorar saídas."

"Alguns de nós não entram pela porta principal," Noel retrucou.

Ela sorriu novamente—um pouco mais afiada agora.

"Não está ruim," ela murmurou. "Você não é o que eu esperava."

Noel provocou um sorriso. "Você parece decepcionada."

"Nem perto."

Eles ficaram em silêncio novamente, mas agora com uma sensação mais pesada. Não incomodada—apenas carregada.

Dois jogadores avaliando o tabuleiro.

E percebendo que, talvez, eles não estejam jogando em lados opostos.

Elyra fechou o livro com um estalo silencioso, os dedos entrelaçados sobre a capa.

Noel conseguiu sentir que ela estava prestes a mudar de postura—não apenas observá-lo, mas testá-lo.

"Já vi alguns estudantes," ela disse, mantendo um tom calmo, mas com assinatura afiada por baixo. "Saindo às escondidas pelo portão leste após o horário."

Noel fez uma careta.

Elyra continuou, observando-o atentamente agora.

"Eles não usam os caminhos principais. Aproveitam os túneis abaixo dos laboratórios de encantamentos. Aqueles que ninguém deveria acessar sem autorização."

Noel ficou quieto.

Mas seu raciocínio acelerou.

'Por que sair do lugar mais seguro na cidade… a menos que o que estão fazendo precise de sombras?'

"Eles sempre voltam," Elyra disse, "e fingem que nunca foram embora. Mas as histórias deles não batem. A mana que carregam… parece estar diferente. Como se trouxessem algo de volta junto."

Noel finalmente falou.

"Você os seguiu?"

"Não. Confrontei um deles."

Uma pausa.

"E o que aconteceu?"

Os olhos de Elyra se estreitaram um pouco.

"Ele sorriu para mim," ela disse. "Disse que eu devia ter imaginado. Depois perguntou se eu acreditava em maldições."

Os olhos de Noel se intensificaram.

'Isso não é pouca coisa. É uma ameaça disfarçada de polidez.'

Elyra recostou-se um pouco, expressão agora indecifrável.

"Não sou do tipo que reage a sombras," ela afirmou. "Mas isso? Não está certo."

Deixou essa ideia pairar, pesada e deliberada.

"E acho que você também percebeu isso."

Noel recostou na cadeira, braços cruzados de leve.

"Perceber o quê?"

Elyra olhou para ele, sutil. Paciente.

Como uma aranha observando uma mosca fingindo não estar na teia.

"Sabe do que estou falando."

Noel deu de ombros. "Mana estranha. Sorrisos suspeitos. Passeios noturnos por túneis proibidos. Parece drama padrão de academia para mim."

Ela não vacilou.

Nem piscou.

Apenas disse: "Você está enrolando."

Ele sorriu.

"Talvez eu goste de ouvir você falar."

A expressão de Elyra não mudou, mas sua voz caiu meio tom.

"Escolhi você por uma razão, Noel Thorne. Você não treme. Não faz perguntas bobas. E, quando as pessoas começam a te observar, faz questão de fazer com que se arrependam."

Noel inclinou a cabeça.

"E isso basta pra chamar sua atenção?"

Ela se levantou, pegando o livro.

"Não."

Ela olhou para ele pela última vez.

"É intuição. E a minha nunca está errada."

Depois, saiu tão facilmente quanto chegou—deixando para trás silêncio, uma página pela metade e um Noel muito quieto.

Ele ficou imóvel por um tempo.

Apenas encarou a mesa.

Então, finalmente—

'Certo. Então é assim que vamos fazer.'

Noel permaneceu sentado por mais um pouco depois que Elyra saiu.

As páginas à sua frente ficaram embaçadas, as palavras esquecidas.

Seus pensamentos vagaram—not to sombras, nem aos boatos. Mas à história que lembrava.

O roteiro original.

Marcus.

No livro, a essa altura, Marcus já estaria ganhando a confiança dos estudantes e professores.

Sempre ajudando os outros.

Resolvendos conflitos.

Viajando para treinar.

Salvando um estudante de um feitiço fora de controle.

Se voluntariando para tarefas extras.

O herói perfeito.

Não porque fosse impecável—não, bem longe disso.

Mas porque conquistava tudo com esforço.

Ele tinha um objetivo claro:

Ser forte o suficiente para proteger quem amava.

Clara.

E para isso?

Fazia amigos. Lutava com afinco. subia na vida.

Um símbolo. Um líder. Um herói.

Noel bateu levemente os dedos na mesa.

'Vai ser um nome que todos vão lembrar.'

'Tudo bem.'

Seu olhar se fixou nas runas antigas que brilhavam suavemente na página.

'Porque, enquanto o herói brilha na luz...'

Ele virou a página lentamente, com tranquilidade.

'Alguém precisa caminhar na escuridão.'

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