O Extra é um Gênio!?

Capítulo 33

O Extra é um Gênio!?

Apenas o sutil crepitar das chamas moribundas e o sussurro do vento noturno se espalhavam pelo morro queimado.

Noel permanecia ali, a Presa do Renascido balançando de leve na ponta dos dedos, o peso da espada arrastando-se pela relva rasgada.

A cidade de Valor estendia-se ao longe.

Daqui, sob o brilho prateado das estrelas, quase parecia tranquila.

Ele a encarou por um longo momento, o peito subindo e descendo lentamente, o cansaço pesando sobre ele mais do que qualquer ferida.

Resíduos de sangue margeavam o lado do seu rosto.

Seus músculos tremiam a cada respiração.

Mesmo assim—ele esboçou um sorriso de leveza.

Sua voz cortou o ar vazio:

"Bem... o trabalho está feito, por enquanto."

Um rire seco, quase amargo, escapou-lho.

Ninguém ouviu, exceto as estrelas.

Ninguém respondeu, a não ser a brisa fria que acariciava suas roupas ensanguentadas.

A espada escorregou de sua mão, caindo com um impacto sutil na relva.

Noel deu um passo vacilante para a frente—

E caiu.

De costas na grama macia e fresca.

Bateu com força no chão, mas não sentiu.

Não se importou.

Acima dele, o céu se estendia vasto e infinito, as estrelas brilhando como pequenas fogueiras dispersas por uma tapeçaria de veludo profundo.

As luzes da cidade piscavam ao longe, borradas pela distância e pela fumaça, mas ainda de pé.

Permanecendo viva.

Ele deixou seus olhos se fecharem lentamente.

Sem pensamentos.

Sem medos.

Sem planos.

Apenas o suave som da vitória e o peso esmagador de sobreviver.

E então—

Escuridão.

A consciência de Noel flutuou lentamente, como subir através de águas espessas e sufocantes.

Seu corpo doía antes mesmo de abrir os olhos—uma dor profunda, triturante, que parecia pesar em cada músculo e osso.

A primeira coisa que percebeu foi a luz.

Suave.

Pálida.

Artificial.

O aroma veio a seguir: uma mistura de frescor antisséptico com um toque sutil de ervas e resquícios de mana.

Por fim, ao abrir as pálpebras pesadas, a visão completa se estabeleceu.

Teto de pedra branco-azulado.

Lâmpadas penduradas alimentadas por cristais de mana.

Fileiras de leitos organizados, separados por finos cortinados brancos.

O ranger quase constante da madeira, acompanhado do zumbido baixo de feitiços de cura menores, saturava o ambiente.

'Ótimo.'

'Enfermaria da academia. Novamente.'

A familiaridade fez seu estômago embrulhar um pouco.

Era quase patético quão facilmente ele a reconhecia agora.

Antes que pudesse tentar se levantar, uma voz afiada cortou o silêncio da sala.

"Você acordou," disse a enfermeira.

A mesma mulher de expressão severa que havia o atestado duas vezes antes.

Ela estava ao lado da sua cama, braços cruzados, olhando-o como se fosse uma tarefa particularmente problemática.

Noel mexeu-se levemente sob o cobertor fino, gemendo enquanto seus músculos protestavam.

"Quanto tempo?" ele engoliu em seco, com a voz seca e rouca.

A enfermeira levantou uma sobrancelha, sem parecer impressionada.

"Cinco dias," ela respondeu de forma simples.

Noel pisou uma vez.

Pareou.

Depois explodiu:

"CINCO DIAS?!"

O esforço o fez sentir suas costelas doerem novamente, e ele recostou-se no travesseiro, cerrando os dentes.

'Cinco malditos dias inconsciente.'

'Droga.'

Por dentro, fez as contas.

'Faz sentido, apesar de tudo.'

'Duas semanas diretas de excesso de treino, esgotamento de mana, perda de sangue, um duelo brutal, carregando uma bomba do inferno, enfrentando Caldus, arrastando meu próprio corpo por metade da cidade…'

'É. Acho que meu corpo teve que desligar no final.'

No entanto, ouvi-lo em voz alta feriu mais seu orgulho do que as feridas.

A enfermeira fez um barulho de língua, colocando uma bandeja com comida sem graça na mesa ao lado da cama.

"Come e descanse. O Diretor quer falar com você quando estiver forte o suficiente. E não, antes que pergunte, você não pode sair até eu falar que pode."

Noel gemeu baixinho, passando a mão pelo rosto.

'Perfeito. Apenas o que faltava.'

Noel recostou-se no travesseiro duro do hospital, fazendo uma careta enquanto seu corpo protestava até com os menores movimentos.

Ele tateou de maneira desanimada a comida que a enfermeira deixou—sem graça, mole, sem gosto.

Perfeito para quem está quase morrendo.

Ele afastou a bandeja e fechou os olhos por um instante, tentando juntar os pensamentos.

A missão.

As bombas.

Caldus.

O sangue.

O fogo.

A grande Explosão.

Tudo começou a ficar turvo nas bordas, como um sonho ruim do qual ele mal escapara.

Justo quando deixou sua mente divagar, um som mecânico familiar ecoou suavemente em sua cabeça.

A voz do Sistema.

Pincada, fria, distante.

[Cálculo de Progresso da História...]

Noel franziu a testa, sentando-se levemente, apesar da dor profunda no corpo.

Outro som.

[Informação Negada]

[A história está mudando]

[Progresso da história: ???]

Noel congelou.

Totalmente imóvel.

'...Droga pra caramba.'

Seu coração batia devagar, zumbindo nos ouvidos.

Se o sistema nem conseguia calcular a história mais—

Significava que tudo tinha desandado.

O futuro que ele achava que conhecia?

Desaparecido.

Nada além de buracos negros e interrogações agora.

Ele exalou lentamente pelo nariz, tentando manter a calma diante do pânico crescente.

'É, faz sentido.'

'Na hora em que tento consertar esse mundo, ele vira as costas e faz a maior bagunça com o roteiro original.'

Ele recostou-se na almofada, os olhos fixos no teto, vazios.

'Perfeito. Apenas o que faltava.'

Porque agora?

Ele estava operando às cegas.

E ninguém vinha salvá-lo.

Noel olhou para o teto por um longo momento, deixando o silêncio zumbido se estabelecer sobre ele.

Suas mãos coçavam para fazer alguma coisa—qualquer coisa—mas seu corpo ainda gritava exaustão.

'Vamos lá, ver com o que estou lidando.'

Ele exalou devagar, depois murmurou baixinho:

"Status."

O ar à sua frente pareceu brilhar levemente, e então—

Uma janela azul translúcida apareceu, nítida e organizada, flutuando pouco acima do seu colo:

[Nome]: Noel Thorne

[Idade]: 16

[Nível do Núcleo de Mana]: Novato (37%)

[Itens]:

- Presa do Renascido (Espada)

- Amuleto do Tecelão do Véu (Artefato)

Noel piscou uma, depois outra vez.

'Novato. Trinta e sete por cento.'

'Melhor do que eu esperava, considerando tudo o que passei.'

Pelo menos, agora não estava mais na pior.

A seção "Itens" fez ele soltar uma risada seca por baixo da respiração.

'Uma espada amaldiçoada que se alimenta das minhas quase mortes e uma máscara que me permite fazer cosplay de outras pessoas.'

'Um arsenal bem saudável para um estudante do ensino médio.'

Mas mesmo assim…

Ver tudo assim organizado tornava tudo mais real.

Mais tangível.

Ele não era mais só uma figura redundante.

Não era mais ruído de fundo.

Ele estava subindo.

Devagar.

De forma dolorosa.

Mas, mesmo assim, subindo.

E se a história realmente tivesse saído do eixo—

Precisaria de todas as vantagens que pudesse conseguir.

Noel fechou a janela com um piscar e passou a mão pelos cabelos desgrenhados.

'Sem descanso para os condenados, acho eu.'

Ele não tinha muito tempo para ficar nisso, contudo.

Porque passos pesados ecoaram no corredor lá fora.

Se aproximando.

A porta rangerou ao abrir.

E o Diretor Nicolas Von Aldros entrou na enfermaria.

A porta se abriu com um rangido.

Passos pesados e deliberados cruzaram o chão da enfermaria.

Noel se enrijeceu automaticamente, mas ao virar a cabeça, era apenas o Diretor Nicolas Von Aldros se aproximando.

Sempre tão imponente, mesmo exausto.

O Diretor parou ao lado da cama e o estudou silenciosamente por um longo momento, o peso do olhar quase físico.

Finalmente, com uma voz calma e ponderada, Aldros perguntou:

"Você foi quem enviou a carta, não foi?"

Noel suspirou.

Não tinha sentido mentir.

"Sim," ele respondeu. "Fui eu."

Aldros assentiu uma vez, com a expressão indecifrável.

"Obrigado," disse simplesmente.

Noel soltou uma risada seca, fazendo uma careta ao protesto das costelas.

"Não tornei para ser agradecido," murmurou. "Só... queria evitar que tudo na escola fosse pro buraco."

"Você conseguiu," afirmou Aldros. Ele puxou uma cadeira e se sentou. "Agora, conte tudo."

Noel ajustou a postura, encontrando uma posição menos dolorosa para ficar ereto.

"Quer a versão resumida ou a barulhenta toda?" perguntou.

"A completa," respondeu sem vacilar.

Ele apoiou a cabeça contra o travesseiro duro, fixando o olhar na parede de teto branco por um instante.

"Beleza," começou.

"Tudo começou quando percebi que alguns estudantes estavam escapando à noite. Parecia suspeito. Uma energia estranha ao redor deles."

"Você os seguiu," adivinhou Aldros.

Noel assentiu levemente.

"Sim. Através dos túneis de manutenção antiga, sob os laboratórios de encantamentos. Acho que achavam que ninguém se lembrava deles."

Aldros não interrompeu, apenas o observou atentamente.

"Continuei monitorando," prosseguiu Noel. "Espiando. Ouvindo. Vi eles contrabandeando caixas e discutindo preparativos."

"E você descobriu as explosivos?"

"Não de início," admitiu Noel. "Mas, com o tempo, sim. Encontrei círculos desenhados nas paredes. Inscrições de mana do tipo bomba. Demorei um pouco para entender o que eles planejavam."

Aldros cruzou as mãos, com o rosto completamente neutro.

"Você se infiltrou neles," afirmou.

"Tive que," respondeu Noel de forma direta. "Usei um artefato—Amuleto do Tecelão do Véu. Peguei o rosto de um deles. Entrei em algumas reuniões. Aprendi o bastante para perceber que tinham planos maiores do que apenas explodir algumas paredes."

"Por que não avisou o corpo docente de imediato?" questionou Aldros, com voz calma, porém firme.

Noel olhou nos olhos dele, depois desviou o olhar por um instante.

"Não sabia em quem confiar," disse simplesmente. "Não tinha certeza de até onde ia ou como reagiriam se eu acusasse estudantes e um professor sem provas."

Aldros levantou uma sobrancelha levemente.

"Quer dizer que se segurou para evitar o pânico?"

"E pra não acabar desaparecido num buraco," murmurou Noel. "Você acha que não considerei a possibilidade de alguém de dentro estar envolvido? Acredite, eu estava certo."

Seguiu-se um silêncio curto.

Até que Aldros deu uma leve assentida de cabeça.

"Justo," disse. "Arriscado. Mas justo."

"Você pode chamar de imprudente," acrescentou Noel. "Mas funcionou."

Aldros recostou-se na cadeira, entrelaçando as mãos.

"Passado é passado. Você tomou decisões perigosas. Mas salvou vidas."

Noel respirou fundo, aliviando um pouco a tensão dos ombros.

"Falando nisso," perguntou de forma tranquila, "quão ruim foi?"

A expressão de Aldros mudou um pouco. Por um instante, parecia mais velho.

Depois, respondeu:

"Graças ao esforço de todos — e especialmente o seu — não houve vítimas fatais."

Noel piscou, encarando o teto.

Depois soltou um suspiro silencioso de alívio.

"...Ótimo."

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