
Capítulo 32
O Extra é um Gênio!?
A ventania da noite uivava contra a colina deserta.
A velha árvore no topo da colina rangia sob a pressão, seus galhos quase quebrados arranhando o céu como dedos frágeis.
Caldus encostou-se pesadamente ao tronco, sua respiração ofegante.
Cada fungada queimava.
Suas roupas estavam rasgadas, manchadas de sangue e cinzas escurecidas.
Seu braço direito tremia violentamente, e suas pernas mal sustentavam seu próprio peso.
Ele tossiu ouvemente, limpando a boca com a manga de seu manto destruído.
Sangue.
'Onde foi que tudo saiu do controle?'
As luzes da Academia Valor piscavam ao longe, turvas e borradas através das lágrimas que queimavam seus olhos.
Ainda ouvia leves explosões.
Ainda escutava tentos gritos.
A cidade atrás da academia estava silenciosa, pacífica em comparação ao campo de batalha que ele deixara para trás.
Isso o enjoava.
'As bombas foram plantadas perfeitamente.'
'Até lidamos com a curiosa estagiária que se meteu a escutar de fininho. Silenciosamente. Com eficiência.'
Ele riu — um som quebrado, rachado, que rapidamente morreu no ar noturno.
Sua varinha, antes seu símbolo de conquista nos primeiros dias, jazia partida e inútil ao seu lado.
A droga que aumentava o mana, que o tornara equiparável ao Diretor Aldros, agora só o deixava um saco de nervos — esgotado, meio morto.
Ele pressionou suas costas contra a casca áspera do tronco.
O frio infiltrava-se nos ossos.
'O plano era sólido.'
'A academia deveria cair esta noite.'
'E ainda assim... tudo desmoronou.'
Ele rangeu os dentes, a raiva acesa baixamente em seu corpo dilacerado.
Não deveria terminar assim.
Ele deveria fazer-os de joelhos.
Não ficar aqui como um cachorro ferido, escondido na escuridão, esperando pelo fim.
Um galho quebrou suavemente acima dele quando o vento mudou de novo.
Caldus fechou os olhos, respirando superficialmente, a dor no peito ficando mais aguda.
Só mais um pouquinho.
Ele havia solicitado evacuação.
Logo, a corredora de cabelo vermelho chegaria.
Logo, ele poderia salvar algo deste pesadelo.
Pasos suaves cruzaram de leve contra a relva.
Caldus abriu os olhos de repente.
Forçou seu corpo machucado a ficar ereto, reprimiu um gemido enquanto uma dor nova penetrava em suas costelas.
Na escuridão, uma silhueta se aproximou.
Magra, ligeiramente curvada de cansaço.
Um cabelo vermelho embaraçado escorregava sobre a testa.
Caldus respirou fundo, uma respiração trêmula de alívio, a pressão no peito querendo afrouxar.
'Finalmente.'
A corredora sobreviveu.
Pelo menos, alguma parte da operação não foi um desastre total.
A pessoa de cabelo vermelho desacelerou ao se aproximar da árvore moribunda, parando a alguns metros de distância.
Caldus fungou com dificuldade, entre dentes rachados.
"O que aconteceu?"
O rapaz virou-se de leve, deslocando o peso de um pé para o outro com desconforto.
"Uma variável apareceu," murmurou, a voz áspera e arranhada por fumaça e cansaço mágico. "Mas tudo ainda está sob controle."
Caldus olhou fixamente, franzindo levemente os olhos.
Havia algo... diferente.
Algo rígido.
Executado.
Porém, o cansaço nublava seus instintos.
Ele não questionou.
Simplesmente assentiu lentamente, os últimos vestígios de adrenalina mantendo-o de pé.
'Eles conseguiram salvar o plano.'
'Bom.'
Os dedos de Caldus remexeram dentro do manto rasgado.
Extraíram um pequeno dispositivo remoto preto, desgastado, com a superfície rachada, mas funcional.
Ele o olhou por um longo segundo.
A chave para apagar os últimos vestígios de fracasso.
As últimas bombas.
O golpe final.
" Isto termina agora," ele tossiu, levantando o remoto com uma mão trêmula.
O rapaz de cabelo vermelho não se moveu.
Não hesitou.
Caldus apertou o gatilho—
Os dedos ensanguentados de Caldus pressionaram o gatilho.
Por uma fração de segundo, o mundo prendeu a respiração.
Noel assistia tudo através de uma lente afiada e fria.
'Aqui está.'
'Eu sabia. Estranhas eram as coisas: o bomba não tinha um timer.'
'Não era para explodir sozinha. Precisava de detonador manual.'
Um clique ecoou sutilmente do dispositivo.
Mas nada explodiu.
Pois, mesmo antes de o gatilho ser totalmente acionado—
Noel se moveu.
A traço do Devora-Renascença percorreu seu corpo.
Clareza.
O tempo desacelerou.
O mundo ao redor dele se borrava pelas bordas, cores se esticando como tinta puxada por uma tela.
Os movimentos de Caldus pareciam lentos, desesperados.
Noel não hesitou.
Não pensou.
Deu um passo ágil, a lâmina do Devora-Renascença cortando o ar com precisão letal.
Um corte limpo e brutal.
O aço perfurou carne e tendões com um estalo nojento e molhado.
"AAAAARRGHHHHH!"
O grito de Caldus rasgou a noite como um animal ferido, alto e quebrado.
A mão dele, cortada, virou no ar — a remote ainda aferrada nos dedos murchos.
O sangue jorrou em arcos lentos, cada gota pairando no ar como estrelas rubras.
Noel avançou de repente.
Pegou a mão cortada no ar.
Arrancou o remoto de seus dedos.
Pressionou firmemente o interruptor para DESLIGADO.
p>A assinatura instável de mana dentro da bomba que carregava anzolou fracamente—e morreu.
Noel respirou fundo uma única vez, com firmeza.
A ilusão que cobria seu corpo brilhou e se dissipou.
A mana se desfazia e se dispersava com um leve zumbido.
A imagem do estudante de cabelo vermelho se desfez—
E lá, deitado, encharcado de sangue, com a Lâmina do Devora-Renascença pingando ao seu lado—
Era Noel Thorne.
Caldus caiu de costas contra o tronco da árvore, segurando seu ferroto sangrando, ofegando e gemendo entre soluços partidos.
A ventania voltou a uivar, carregando o leve cheiro de sangue e madeira queimada pelo pico da colina.
'Agora, a conversa de verdade.'
Noel apertou firme a empunhadura da Lâmina do Devora-Renascença e avançou.
Ele parou na frente de Caldus, a lâmina brilhando escura com sangue.
O homem mais velho estava tropeçado contra a árvore queimada, segurando o pulso ensanguentado, tremendo de choque e dor.
Noel nada disse inicialmente.
Só se ajoelhou lentamente até ficar com o rosto na mesma altura dele.
Olhando fixamente.
Esperando.
Caldus olhou para ele através de olhos inflamados, cheios de dor, seu ódio ardendo tão feroz que quase parecia patético.
"Você vai falar," disse Noel casualmente, a voz baixa e afiada.
Caldus cuspiu sangue no chão.
Lábios de Noel torceram-se numa expressão sem humor.
"Pois é. Eu já sabia que você seria teimoso."
Sem cerimônia, empurrou a Lâmina do Devora-Renascença bem na coxa de Caldus.
Fundo.
A lâmina atravessou músculo e tendões com um estalido molhado e nojento.
Caldus soltou um gritode dor, seu corpo estremecendo violentamente.
"Arghhh–!!!!!!!"
Noel não hesitou.
Nem mesmo piscou.
Deu uma inclinação para frente, pressionando o peso contra a empunhadura, triturando a espada na ferida.
"Vamos acabar com essa bobagem," disse Noel num rosnado, a voz baixa e ameaçadora.
"Você vai responder minhas perguntas, ou vou começar a cavar até não sobrar nada da sua maldita perna."
Caldus tentou empurrá-lo com força, tentando se afastar, fraco.
Noel o empurrou contra a árvore com ainda mais força.
"Primeira pergunta," disparou frio. "Qual é a verdadeira missão? Por que tudo isso?"
Caldus tossiu, tentando manter a dignidade, mas Noel torceu a espada levemente, fazendo-o soltar um grito novamente.
Por fim, com os dentes cerrados:
"O caos," arfou. "Medo. Enfraquecer a academia... destruir seu poder."
Os olhos de Noel se estreitaram.
' Igual ao romance.'
Mesmo assim, não puxou a espada.
"Quem está por trás disso? Quem é o sacana que manipula as coisas?"
Caldus balançou a cabeça, respirando com dificuldade.
Noel torceu a lâmina novamente—devagar—até Caldus quase desmaiar de dor.
"F-Foda-se..." gaguejou Caldus. "Não sou só eu... Ordens superiores... das ‘mãos’..."
"‘Mãos’?" retiniu Noel. "Quer dizer que é só mais um joguete?"
Caldus assentiu com fraqueza, sangue escapando pelo canto da boca.
"Plano Sanguíneo... contingência... se a primeira onda falhasse..." ele arfou. "Não devia ser assim..."
Noel recuou levemente, deixando escapar um suspiro agudo.
'Ótimo.'
'Então já mudou tudo.'
No romance, não existia o "Plano Sanguíneo."
Não havia uma segunda investida maciça.
Foi um golpe limpo — o Banquete de Sangue — e acabou assim.
Mas agora?
Agora há camadas.
Contingências.
Incertezas.
Isso preocupava Noel mais do que ele quis admitir.
Muito mais.
'A coisa já saiu do controle total.'
E ele odiava isso.
"Pois bem, não há mais nada que eu precise saber."
Ele puxou a Lâmina do Devora-Renascença com um puxão violento, respingando sangue na relva rasgada.
Caldus desabou, gemendo meio inconsciente.
Noel ficou de pé.
Frio.
Noel olhou para Caldus, o homem moribundo encostado na árvore queimada, respirando como um peixe fora d'água.
Patético.
Quebrado.
Exatamente o que ele merecia.
Sem dizer uma palavra, Noel colocou a mão na jaqueta e mostrou o peso morto que carregava o tempo todo—
A bomba.
Ainda inerte.
Ainda carregada com mana volátil suficiente para reduzir metade da colina a cinzas.
Ele a jogou casualmente no colo de Caldus.
"Prenda isso," disse Noel, quase numa conversa.
Caldus piscou, confuso e borracho de perda de sangue—
Até que percebeu.
O reconhecimento iluminou seu rosto destruído.
"N-Não—espera—!" ofegou, tentando fraca e inutilmente empurrar aquilo para longe.
Noel apenas sorriu de forma sombria.
Tarde demais.
Ele recuou alguns passos lentamente.
Uma mão levantada.
A mana se acumulou nas pontas dos dedos, quente e concentrada.
Simplista.
Brutal.
Ele sussurrou entre os lábios.
"Bola de fogo."
Um orbe ardente de fogo derretido apareceu em sua palma.
Ele lançou sem hesitação.
A Bola de Fogo atingiu em cheio a bomba.
Por um instante, tudo ficou congelado.
Depois—
EXPLODIU.
Uma explosão ensurdecedora rasgou a colina, pintando o céu de laranja violento e preto.
A árvore foi imediatamente desfeita.
O chão tremeu com a força da explosão.
Chamas engoliram tudo— Caldus, a bomba, a própria terra onde estiveram.
Desapareceu.
Devastado.
Cármen, fumaça e cinzas subiram carregadas pelo vento uivante.
Noel ficou ali, com a Lâmina do Devora-Renascença apoiada casualmente no ombro, observando o fogo consumir a colina destruída.
Nem paixão.
Nem raiva.
Apenas uma justiça fria.
"Agora você merece, seu filho da puta," murmurou Noel.
Sem mais olhar para trás, virou-se e desapareceu na escuridão, deixando apenas fumaça e silêncio para trás.