O Extra é um Gênio!?

Capítulo 13

O Extra é um Gênio!?

A ala superior da biblioteca estava envolta num silêncio sagrado.

Noel estava sozinho em uma das mesas do canto, a luz de uma única esfera flutuante lançando sombras suaves sobre as páginas à sua frente. Ele não estava lendo. Era apenas uma espera.

Quando Elyra von Estermont chegou, ela não disse uma palavra. Apenas puxou a cadeira em frente a ele e deslizou um papiro dobrado sobre a mesa.

Noel pegou, desdobrou.

Três nomes. Três horários. Ala leste. Horários tardios. Movimento rotineiro.

Seus olhos se estreitaram.

"São três dias seguidos."

"Quatro," corrigiu Elyra. "Um deles passou despercebido."

Ele virou o papiro lentamente nas mãos.

"Você contou pra mais alguém?"

"Não."

"Nem para o diretor?"

O olhar de Elyra se intensificou ligeiramente.

"Se eu denunciar, alguém envia uma patrulha. Os estudantes ficam assustados. Talvez eles desapareçam. Problema resolvido—no superficial."

Ela se inclinou um pouco para frente.

"Mas se isso for o que eu acho que é, vai além. Você não mata um parasita só mandando embora os que estão na pele. Você encontra o que está colocando ovos."

Noel não respondeu.

Apenas dobrou o papel e guardou na capa do casaco.

Ela não esperou por mais nada.

"Faça o que achar melhor com isso," disse, levantando-se. "Só não faça barulho."

Ela saiu sem mais palavras.

E Noel ficou sozinho novamente.

Ele recostou na cadeira, os olhos vagando para as janelas de vitrais. A luz da lua filtrava-se calmamente.

Mas seus pensamentos não estavam calmos.

Estavam sangrando.

O Banquete Sangrento.

Ele se lembrava de ter lido o capítulo como se fosse ontem.

Duzentos e doze mortos.

Mais de quinhentos feridos.

Um banquete transformado em banho de sangue. Gritos nos salões de mármore. Fogo consumindo cortinas encantadas. Professores esmagados sob wards que desabavam. Calouros pisoteados na confusão.

E no centro de tudo—uma única brecha, vindo de dentro.

O livro tinha sido brutal. Cru.

Marcus tinha sobrevivido. Ele tinha emergido no caos. Lutado contra o cabeça por trás. Salvado quem pôde. Tornado-se um herói.

Mas nem ele conseguiu evitar o dano fatal.

"Se eu entrar nisso... não vou poder voltar atrás."

"No momento em que intervir, a história começa a se desfazer."

"Mas não estou aqui para roubar o protagonismo."

Ele se levantou, a folha no bolso pesado como uma âncora.

"Marcus pode lidar com o chefe. Essa é a trajetória dele."

"Eu? Eu só quero manter as pessoas vivas."

O dormitório quieto.

A maioria dos estudantes já tinha se instalado—alguns lendo, outros conversando, poucos preparando feitiços para as aulas do dia seguinte.

O quarto de Noel, como sempre, estava silencioso.

Ele ficou na porta da cama, dobrando cuidadosamente as bordas de um casaco escuro—sem insígnias, sem atenção.

Ele não ia sair como estudante da Classe A esta noite.

Iria como uma sombra.

A sua espada de treino de madeira jazia ao lado do cinto.

Ele a ignorou.

Em vez disso, segurou por baixo da cama uma bainha negra fina. O aço de dentro não era encantado. Não era famoso. Nem mesmo aprovado oficialmente para estudantes carregarem após o horário.

Mas era afiada.

E lembrava-se de como cortar.

Noel a prendeu na cintura.

Depois verificou o horário.

21h48.

Tinha um pequeno espaço de tempo.

Pegou um caderno pequeno da gaveta da mesinha, abriu numa página com um mapa desenhado do setor leste da academia—marcado com círculos vermelhos, corredores e anotações à mão.

"Corredor de manutenção leste. Restrito. Ward antigo. Acesso através da abertura de utilidades próxima ao segundo jardim."

Ninguém mais precisava saber.

'Se algo der errado, vou desaparecer antes que percebam que estive lá.'

Pegou uma bolsinha com moedas—só por precaução.

Colocou no casaco.

E, com um último olhar para a janela fechada, apagou as luzes e saiu no corredor, passos abafados pelas solas encantadas.

Nesta noite, ele não ia apenas acompanhar a história se desenrolar.

Iria rastejar pela espinha dorsal dela.

A atmosfera da noite lá fora era aguda e limpa.

Perfeita para mover-se silenciosamente.

Noel permaneceu perto das paredes ao atravessar o ala leste. Sem estudantes. Sem funcionários. Apenas o ocasional lampejo de uma luz de patrulha que pairava nas torres superiores, como uma vagalume preguiçoso.

Ele conhecia o horário.

Estava há dias observando.

Às exatamente 22h04, chegou ao corredor de serviço oculto atrás do jardim botânico. O ar ficou mais frio—mais antigo. As paredes não eram encantadas como o resto da academia. Esse corredor tinha sido esquecido de propósito.

Noel esperou.

Inclinou-se nas sombras.

E então os viu.

Três figuras, com capuzes, movendo-se em silêncio pela calçada de pedras. Seus passos eram precisos demais para serem casuais, treinados demais para serem apenas uma brincadeira.

Eles não conversavam.

Não hesitavam.

Entraram no corredor e abriram um hatch de metal estreito embutido na parede.

Um por um, desapareceram no túnel.

Noel esperou quinze segundos.

Depois se moveu.

O hatch ainda estava um pouco aberto.

Ele o abriu com cuidado e se abaixou, os botins tocando silenciosamente a pedra antiga.

Dentro, o ar era úmido e mofado. O túnel era estreito e baixo, iluminado apenas pelo brilho suave do musgo de mana nas paredes.

Noel seguiu a uma distância, mantendo-se às margens, respirando devagar.

Eles não o ouviram.

Não sabiam que ele estava lá.

À medida que o túnel curveava para baixo e mais profundo, as paredes da academia desapareciam atrás dele.

Ele não estava mais na escola.

Estava em outra coisa completamente diferente.

O túnel se estendia mais do que Noel esperava.

Demasiado longo para uma rota de manutenção comum.

A pedra sob seus pés mudou de lajota de academia refinada para tijolos mais ásperos e antigos. Os encantamentos se desvaneceram. O ar ficou mais frio—mais pesado, como se não fosse perturbado há anos.

Eventualmente, o caminho voltou a subir.

E então—

Uma porta enferrujada.

Os estudantes à frente nem chegaram a desacelerar. Um deles levantou a mão, murmurou algo que Noel não conseguiu ouvir, e o selo na porta clicou suavemente.

Ela se abriu.

Eles entraram.

Noel, de longe, assistiu a porta se fechar.

Depois avançou.

Noel esperou quase um minuto depois que o último estudante desapareceu lá dentro.

Manteve-se na baixa, encostado na parede do beco, os olhos varrendo o perímetro.

Nenhum movimento. Nenhuma ward mágica. Nenhum vigia no telhado.

Só aquela porta.

De aço reforçado. Silenciosa.

E ele avançou.

Três batidas—duas rápidas, uma longa.

Exatamente como tinha visto.

Uma fenda na porta escavou, revelando um par de olhos escuros por trás.

"Senha", disse a voz.

Concisa. Masculina. Não de estudante.

Noel manteve a voz calma, um pouco mais baixa.

"Disseram que a porta se abre para quem já sabe a senha."

Pausa.

Então—

"Sem senha, sem entrada."

A fenda começou a fechar.

Noel colocou uma bolsinha de moedas no bolso do casaco.

Levou-a até a boca. Deixou o tilintar falar por ele.

"Talvez possamos pular as formalidades."

Os olhos estreitaram.

Depois a fenda se fechou com um estalo.

Um momento depois, a porta se abriu só um pouco.

O homem do outro lado era alto, de ombros largos, o rosto parcialmente na sombra.

Ele olhou para a bolsa na mão de Noel—

E a mandou de lado com um tapa.

Moedas espalhadas pela calçada de pedras.

"Quer achar que isso é mercado?" rosnou.

Noel não vacilou.

Mas levantou as mãos levemente, numa postura de recuo.

"Só tentei…" disse.

"Tente de novo," falou o homem, recuando para a soleira, "e sai com menos do que entrou. Como uma língua."

A porta se fechou na mesma hora.

A viela ficou silenciosa.

Noel ficou lá por alguns segundos, deixando o silêncio se instaurar.

Depois virou-se e foi embora—devagar.

Isso ainda não acabou.

Nem de perto.

Noel não correu.

Ele não precisava.

Caminhou calmamente pelo beco, com as mãos nos bolsos do casaco, como se estivesse lá por mero acaso.

Apenas mais um garoto curioso que tomou um rumo errado na escuridão.

Assim que saiu da vista do prédio, entrou numa porta recuada e se agachou. Sua respiração estava firme. Seu coração, não.

Pegou um caderno pequeno do interior do casaco e virou para uma página em branco.

Observações:

Três batidas—duas curtas, uma longa.

Senha necessária—falada, não mágica.

Guarda da porta: masculino, mais velho, não é estudante. Provavelmente força de trabalho, não liderança.

Entrada segura. Depende da obscuridade e do acesso controlado.

Ele fez um esboço rascunhado do beco e do prédio:

Uma entrada. Sem runas visíveis. Sem janelas no andar superior.

Pedras na base—mais antigas, desgastadas. Possível acesso de manutenção?

Caixas de lixo próximas—potencial de esconderijo para observações.

Ele bateu uma vez com o lápis na página.

"Não é uma fortaleza. É um segredo. E os segredos se revelam mais facilmente do que muros."

Ele não entrou ali naquela noite.

Mas esse nunca foi o objetivo real.

Agora ele sabia onde procurar.

Agora ele sabia como eles se movimentavam, onde se encontravam, que tipo de segurança tinham—e, mais importante, o que não esperavam.

"Da próxima vez, não vou mais bater."

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