
Capítulo 35
O Extra é um Gênio!?
A batida foi suave, quase educada.
Noel piscou uma vez, depois se arrastou para fora da cama em direção à porta.
Ele a abriu, com a toalha ainda pendurada no pescoço, o cabelo úmido do banho recente.
"...Oi," ela disse simplesmente.
Estava lá, de roupão branco, ainda secando fios de cabelo preto que grudavam no pescoço e na clavícula, era Elyra von Estermont.
Noel ergueu uma sobrancelha.
"Oi??" ele falou, com a voz seca.
"Para que eu devo essa visita inesperada e agradavelmente suspeita neste horário?"
Ela não respondeu.
Simplesmente passou por ele e entrou na sala.
Noel piscou.
'Ok. Acho que não precisa de convite.'
Elyra caminhou com uma confiança silenciosa, daquele tipo que ocupa um espaço sem precisar dizer uma palavra.
Ela não olhou para ele de novo, apenas vasculhou a sala com aqueles olhos cinzentos afiados, analisando tudo como se fosse uma cena de crime.
Parou ao ver a mala de viagem fechada perto da porta.
"Você está pronto?" ela perguntou.
"O tempo está passando," respondeu Noel, fechando a porta atrás dela. "O lugar fecha em dois dias. E disseram para estar preparado o quanto antes."
Ela deu uma volta lentamente, o olhar percorrendo as paredes de pedra simples, a escrivaninha pouco usada, a cama arrumada com cuidado, a total ausência de qualquer coisa decorativa.
"Nem uma mudança," ela disse de forma plana. "Você não modificou este quarto em nada."
Noel deu de ombros, passando por ela para pegar uma camiseta limpa na cadeira.
"Vou decorar depois que minha expectativa de vida melhorar."
Elyra se sentou na beira da cama como se fosse dona do lugar.
Noel a observou de canto de olho.
'Ela não veio aqui só para falar de cortinas.'
Noel colocou a camiseta, ainda de olho nela do outro lado da sala.
Elyra sentou na cama como se fosse dela agora, com as pernas cruzadas, os dedos levemente apoiados no joelho, expressão indecifrável.
Noel cruzou os braços e se encostou na parede, a toalha ainda pendurada no pescoço.
"Vou te arriscar uma suposição," ele disse, "e assumir que você não veio só para saber como estou me saindo."
Elyra inclinou um pouco a cabeça.
"Sim e não."
Isso fez Noel pausar.
Suou levemente a testa.
'Que diabos isso quer dizer?'
'Sim e não?'
Ela não explicou.
Simplesmente deixou o silêncio pairar no ar, esperando ver se ele preenchia com alguma coisa.
Ele não preencheu.
Ela olhou novamente para a mala.
"Você realmente não perdeu tempo," ela disse com tom neutro.
"Pois é. Gosto de estar preparado," respondeu Noel. "Além disso, achei que deveria aproveitar essa férias antes de ser mandado de volta para minha adorável e acolhedora família."
Elyra deu uma leve risadinha, mas não riu.
Então seus olhos fizeram questão de travar contato com os dele.
"Pode chamar de paranoia," ela acrescentou, "mas eu não acredito em coincidências que se encaixam tão perfeitamente."
'Claro.'
'Não é uma visita. É uma espécie de maldita entrevista.'
Noel assentiu lentamente.
"Acho que essa conversa era inevitável."
Ela levantou uma sobrancelha.
"Então não se importaria de responder a algumas perguntas."
Ele sorriu de leve.
"Pergunte. Mas não quer dizer que vou responder."
Elyra não começou de imediato com uma pergunta.
Em vez disso, recostou-se um pouco na cama dele, os dedos tracejando pequenos círculos no cobertor, os olhos o observando com uma calma intensa.
Noel não gostou.
Aquela expressão.
Ela não estava ali para flertar ou falar do tempo.
"Sabe," ela disse de forma casual, "que eu não esqueci o que você me disse... na noite depois da festa."
O rosto de Noel não mudou, mas seus dedos um pouco tremeram ao lado.
"Quando me puxou," ela continuou, "me arrastou para um beco escuro como um louco."
Ela levantou levemente o braço — aquele que ele tinha agarrado naquela noite.
"A mancha sumiu, aliás," acrescentou com secura.
Noel travou a mandíbula.
"Disse que desculpava."
"Sim, disse," ela concordou. "Mas também disse — 'Se eu não fizer alguma coisa, muita gente vai morrer.'"
Ele desviou o olhar.
"Estava em um lugar ruim. Acabei de ver umas merdas."
"Você não estava em pânico," disse Elyra, com a voz mais afiada agora. "Você estava frio. Concentrado. Como se já soubesse de tudo."
'Droga.'
Ele não respondeu, mas ela não parou.
"Você é rápido de raciocínio. Muito rápido. Evita perguntas como se fosse um esporte."
Ela mergulhou a mão no bolso interno do roupão e puxou um objeto pequeno, envolto em pano.
Os olhos de Noel se estreitaram.
"Já me acostumei com sua mania de escapar," ela falou. "Então, hoje, vamos fazer diferente."
Ela desfez o pano devagar, com intenção.
Dentro, tinha um pingente de cristal cinza opaco, gravado com runas tênues.
Noel reconheceu na hora.
'Claro. Ela traz uma maldita moeda de verdade.'
"Isto é um artefato de detecção de mentiras," ela explicou. "Três perguntas. Você não vai conseguir mentir enquanto estiver ativado."
Ele levantou uma sobrancelha.
"Você só carrega isso por aí?"
Elyra sorriu de leve. "Só quando visito gente que não confio."
'Justo.'
Noel suspirou e passou a mão pelo rosto.
"Sério que vai usar isso em mim?"
"Você me deu uma marca e um aviso enigmático. Acho justo."
"E se eu disser não?"
"Então, vou assumir que tudo que você me disse até agora foi mentira."
Ela deu um passo à frente e segurou o talismã entre eles.
Noel olhou para ela, depois para a moeda.
'Droga.'
Ele assentiu uma vez.
"Tudo bem."
A pedra brilhou suavemente, ativando-se.
Um leve zumbido preencheu o espaço entre eles.
A expressão de Elyra não mudou. Sua voz ficou um pouco mais suave, agora precisa e calma.
"Primeira pergunta," ela disse.
"Quando foi que você começou a suspeitar que algo estava errado na academia?"
A moeda pulsou uma vez.
Sutil. Quente. Discreta.
Mas Noel já sentia ela se apertando no ar, como uma presilha ao redor do peito.
Ele não podia mentir.
Não agora.
Elyra ficou na frente dele, calma e indecifrável.
"Primeira pergunta," ela repetiu, "quando foi que você começou a suspeitar que havia algo errado?"
O maxilar de Noel teceu, mas as palavras saíram sem que ele pudesse evitar.
"Na primeira semana. Vi um grupo de estudantes escapando do horário, depois do toque de recolher. Pensei que fosse só brincadeira de criança. Depois percebi que não era por acaso. Mesmo horário. Mesmas caras. Todas as vezes."
Elyra não piscou.
"E você os seguiu?"
"Por fim," ele murmurou. "Me levaram até os túneis antigos de encantamentos. Foi ali que comecei a achar coisas."
A moeda pulsou novamente.
Verdade confirmada.
Elyra fez uma pequena cabeça de aprovação.
"Segunda pergunta," ela disse. "Por que você não contou a ninguém?"
Noel nem tentou resistir desta vez.
"Porque não sabia em quem confiar," ele explicou simplesmente. "Não sabia se um professor envolvido. Não sabia se falar algo faria com que eu sumisse antes de poder confirmar alguma coisa."
Elyra estudou seu rosto.
"E comigo?" ela perguntou. "Por que me contou alguma coisa?"
Noel soltou uma respiração lenta.
"Não planejava contar," disse. "Mas você é inteligente. Observadora. Sabia que, se eu não te envolvesse, você acabaria descobrindo de qualquer jeito... e talvez não estivesse do meu lado quando fosse importante."
Outra pulsação suave.
Outra verdade.
Elyra se aproximou, sua voz um pouco mais baixa agora.
A moeda ainda pairava entre eles, brilhando levemente.
Ela olhou direto nos olhos dele.
Seu olhar agora não era afiado.
Não era um interrogatório.
Era... imóvel.
Cuidadoso.
"Terceira e última pergunta," ela disse, "e é a última."
Noel já sentia o peito apertar.
Ela fez uma pausa.
Depois perguntou:
"O que você pensa de mim?"
A sala ficou em silêncio.
Noel a encarou.
Seu cérebro buscava uma desculpa, uma piada, qualquer coisa.
Mas a moeda não dava saída.
A voz dele saiu mais baixa do que esperava.
Firme. Honesta.
"Eu aprecio você," ele disse. "Não porque você seja útil. Ou perigosa. Ou genial — mesmo você sendo tudo isso."
Engoliu em seco.
"Aprecio você porque... você não desvia o olhar. Não finge. Mesmo quando seria mais fácil."
Elyra piscou, o mais leve dos movimentos, quebrando sua composura por um instante.
Noel continuou:
"Já vi do seu tipo antes. Pessoas que seguram tudo por todos, que não podem se desmoronar porque são elas que têm que liderar."
Olhou bem nos olhos dela.
"E sei que já foram ignoradas. Esquecidas. Mesmo quando deveriam ser as escolhidas."
Um breve movimento passou pelo rosto de Elyra — só um segundo.
Não foi de choque.
Mas de... compreensão.
Reconhecimento.
Em outro mundo, nas páginas de um livro, Marcus nunca a escolheu. Ela lutou, liderou, sobreviveu — e ele passou por ela como se ela fosse invisível.
Noel sabia disso.
E agora, ela também sabia.
A moeda brilhou uma última vez, depois escureceu e desapareceu completamente.
Elyra baixou lentamente o braço.
Olhou para ele.
Não com suspeita.
Mas com algo diferente.
Quietude.
Peso.
"Entendi," ela falou.
Noel recostou-se um pouco na cama, com a voz seca de novo.
"Então... estamos em paz, oficial?"
Elyra finalmente sorriu.
"Por enquanto."
A tensão na sala diminuiu, mas não desapareceu.
Ela apenas se acomodou — mudou — para algo mais silencioso.
Algo mais pesado.
A moeda de detecção de mentiras agora estava sem brilho na mão de Elyra, sem o leve pulso de verdade no ar.
Noel sentou na ponta da cama, observando enquanto ela se levantava, sempre composta, expressão indecifrável.
Ela se dirigiu à porta, passos lentos, deliberados.
Noel achou que ela talvez fosse embora com um simples aceno.
Em vez disso, a mão dela descansou na maçaneta — mas ela não abriu imediatamente.
Ela olhou de volta para ele, os olhos captando a luz de um jeito que os fazia parecer mais afiados do que antes.
"Aprecio a honestidade," ela disse. "Mesmo que tenha saído de você como se puxassem os dentes."
Noel deu uma expressão cansada de cumprimento de ombros. "Você não é exatamente o tipo de pessoa que incentiva confissões sem resistência."
Elyra soltou o menor som — algo entre risada e reconhecimento.
Depois, ao abrir a porta até a metade, ela olhou para trás uma última vez.
"Ah — e Noel?"
Ele levantou o rosto.
A voz dela baixou o suficiente para que ele ouvisse bem.
"Ainda tenho aquele favor."
Ela não sorriu.
Não sorriu com deboche.
Apenas falou como se fosse fato.
Porque era.
"Guarde isso na cabeça," ela acrescentou, mais suave. "Eu sempre cobro."
Depois, saiu da sala, a porta fechando como um clique ao fundo.
Noel ficou olhando para a porta por um momento.
Depois respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
'Claro que ela traz esse maldito favor agora.'
'Sabendo dela, ela já deve ter decidido exatamente quando vai cobrar.'
Deitou-se na cama, com os braços atrás da cabeça, os olhos fixos no teto de pedra.
'E, conhecendo-me... vou deixar ela.'