O Extra é um Gênio!?

Capítulo 8

O Extra é um Gênio!?

O céu ainda tingido de violeta quando Noel saiu do prédio.

Os arredores da academia estavam silenciosos, quase envoltos em névoa. Lanternas de mana ao longo dos caminhos piscavam suavemente, ainda não apagadas pelo sol nascente. O ar estava frio, cristalino, cortante o suficiente para morder.

Clima perfeito para treinar.

Ele caminhava com determinação, com as mãos nos bolsos do casaco, passando por edifícios silenciosos e jardins adormecidos até chegar aos Campos de Treinamento Abertos.

Era enorme—quase como um campo feito para exercícios, duelos e o caos. Bonecos de prática alinhados em fileiras. Algumas áreas reforçadas com encantamentos de proteção, esculpidos diretamente no chão. Algumas rochas tinham sido arrastadas para o lado para treinos de força ou testes de manipulação.

Noel deixou seu casaco e a mochila sobre um banco próximo, arregaçou as mangas e começou.

Primeiro, uma corrida leve—duas voltas completas ao redor do perímetro.

Depois, exercícios com o peso do corpo: flexões, alongamentos de núcleo, trabalhos de agilidade. Controle muscular. Precisão. Repetição.

Não era o tipo de treino para impressionar alguém.

Mas o tipo que construía uma base que nenhum feitiço poderia substituir.

Sua respiração formava nuvens na manhã fria. Seu corpo movia-se por instinto. Não era um treino por glória. Era sobrevivência.

Cada gota de suor, cada músculo ardendo, lhe lembrava.

Que ele não ia passar batido pelo nome famoso.

"Você nasceu para estar no rodapé da página. Escale."

Terminado seu último set, limpou o rosto e sentou-se na grama.

O sol finalmente tinha surgido no topo da parede.

E agora… era hora de magia.

A grama ainda estava fria sob ele enquanto se sentava de cross-legged, próximo ao centro do campo.

Noel respirou lentamente, deixando o ar preencher seus pulmões, e expirou—controlado, firme. Suas mãos repousavam, com as palmas voltadas para cima, nos joelhos, com os dedos ligeiramente curvados.

Seus pensamentos ficaram em silêncio.

Ele olhou para dentro.

A mana estava lá.

Não como um rio. Ainda não.

Mais como um pulso—um ritmo silencioso atrás de suas costelas.

Constante. Aguardando.

Ele focou.

Deixou subir.

"Formar primeiro. Depois, funcionar."

Extendeu uma mão para frente.

"Esfera de Água."

A mana mudou. Acumulou-se na palma da mão.

Por um instante, nada aconteceu.

Depois—a bolha de água se formou. Desigual, tremendo.

Ela pairava logo acima de sua palma, tremendo como um medusa no ar.

Noel piscou.

"…Hah."

A esfera desmoronou em um respingo, molhando sua luva.

Mesmo assim—ele sorriu.

Tentou novamente.

E de novo.

Cada vez, mais rápido. Mais limpo.

Eventualmente, ela manteve a forma por três segundos completos antes de se desmanchar.

Depois, concentrou-se no calor.

Dessa vez, sem feitiço. Apenas vontade.

Invocou um lampejo de fogo—quase do tamanho de uma vela. Dançava na ponta do dedo, quente e inofensivo.

Noel olhou fixamente.

Aquecimento tocou sua pele.

Não apenas pelo fogo. Pelo sucesso.

"Não foi mal… para um 'nobre inútil'."

Deixou a chama desaparecer e levantou-se, secando a palma da mão na roupa.

Não era impressionante.

Mas era dele.

O campo de treinamento era maior do que parecia à primeira vista. Dividido por muros baixos de pedra e pilares entrelaçados por fios de mana, oferecia espaço para que os alunos treinassem em paz—ou em isolamento.

Noel se deslocou até um canto sombreado próximo à borda, esticou os braços, tentando esfriar-se.

Então, percebeu-os.

Dois figuras, talvez a trinta metros de distância, na quadra oposta.

O menino tinha cabelo escuro curto, ombros fortes e segurava uma espada de madeira com as duas mãos. Seus golpes eram vigorosos, ainda imaturos—mas praticados.

Ao lado, uma menina com cabelo preto comprido e olhos azuis afiados observava-o com uma intensidade silenciosa e familiar. Ela não segurava arma, só uma toalha e uma garrafa de água. Sua postura era relaxada, mas seu olhar nunca se desprendia dos movimentos do garoto.

Marcus e Clara.

Os protagonistas.

Noel não precisava ver o rosto deles de perto. Ele já os conhecia. Já os tinha lido umas doze vezes. Lembre-se de como aquela cena se desenrolava—os treinos iniciais, o vínculo crescendo, o jeito que Clara sempre ficava à distância suficiente para apoiar, mas nunca tão perto a ponto de atrapalhar.

Eles eram reais agora.

Respirando.

Se movendo.

Vivos.

Noel ficou alguns segundos ali, em silêncio.

Ele poderia ter ido até lá. Se apresentado. Começar a reescrever o roteiro.

Mas não fez isso.

Voltou seu olhar para seu próprio espaço, pegou a espada e retomou seus treinos.

"É a história deles—por enquanto."

"Deixe-os desempenhar seu papel."


A manhã seguinte chegou mais cedo do que esperava.

Noel mal tinha terminado seu aquecimento quando percebeu que não estava sozinho.

No outro extremo do campo—quase se misturando à névoa matinal pálida—estava uma garota.

Ela vestia o uniforme padrão de treinamento, modificado um pouco para climas mais frios. Seus longos cabelos azuis estavam presos num trança solta e prática, e seus olhos ciano brilhavam débilmente, totalmente focados na esfera de magia que flutuava entre as mãos dela.

Selene von Iskandar.

Ele se lembrou do nome dela do romance.

Uma prodigiosa do norte. Fria. Brilhante. Silenciosa.

E lá estava—conjurando uma esfera de gelo perfeita com uma mão, enquanto um segundo grimório flutuava ao lado dela, com páginas virando sozinhas.

Noel não disse nada.

Ele não precisava.

Como se percebesse sua presença, ela olhou para cima.

O olhar dela era calmo. Analítico.

"Bom dia", disse suavemente, a voz ainda mais fria que o ar.

Noel piscou. "Bom dia."

Foi só isso.

Ela voltou a treinar.

Ele também.

Até o quarto dia, o corpo de Noel parecia ter finalmente alcançado sua vontade.

Seus treinos com a espada estavam mais nítidos. Sua postura mais leve. Sua resistência mais firme.

Mas o que realmente mudou foi a magia.

Sentou-se novamente de cross-legged no canto mais distante do campo, a manhã ainda com orvalho grudado na grama. Sua respiração lenta, firme. As mãos nos joelhos, com as palmas abertas.

Ele olhou para dentro.

E a mana respondeu.

Não em uma enxurrada.

Mas em um sussurro.

Uma linguagem que ele não estudara, mas de alguma forma entendia.

Não sabia como sabia. Não havia runas, nem encantamentos, nem gestos. Só intenção.

Clareza.

Ele levantou uma mão. A mana fluiu para sua palma—não violentamente, nem de forma imprevisível. Curvou-se como fumaça, quente e obediente.

Modelou lentamente, suavemente—e uma chama floresceu.

Brilhante. Estável. Suspensa no ar, sem piscar ou desaparecer.

Dez segundos se passaram.

Segurando ainda assim.

Noel piscou uma vez. Depois, deixou-a dissipar.

Um sorriso—pequeno, quase reservado—escapou de canto de sua boca.

"Eu estou atrás. Sei disso."

"Eles têm tutores. Instrutores. Legados."

Levantar-se lentamente, limpando a palma na roupa.

"Mas eles não sentem como eu sinto."

"Eles controlam mana. Eu entendo."

A quinta manhã chegou envolta em névoa dourada.

A rotina de Noel se desenrolava como um relógio: aquecimento, treinos de espada, controle de mana. Seus movimentos ficaram mais precisos, seu foco inabalável. Cada feitiço moldado durava um pouco mais. Queimava um pouco mais forte. Fluia um pouco mais suave.

Ele ainda estava atrás—ele sabia disso.

Mas a diferença já não parecia tão grande.

E cada avanço era dele.

Enquanto estava no canto mais distante do campo, recuperando o fôlego, uma presença familiar passou por ele.

Selene.

Postura igual, trança de gelo. O mesmo grimório silencioso flutuando perto do ombro.

Mas, desta vez, ao passar por ele, ela parou.

Virou-se o suficiente para olhá-lo por cima do ombro.

"Você manteve a chama firme hoje," disse. "Mais tempo que ontem."

Noel piscou.

Só por um segundo.

Ele não tinha percebido que ela observava.

Ele não achava que ela estivesse assistindo.

Ele deu um aceno devagar. "Você percebeu."

Um sorriso raro, quase secreto, surgiu em seus lábios. "Não digo algo que não quero dizer."

Ela seguiu em direção ao centro do campo, onde um círculo de runas começou a reluzir sob seus pés.

Noel ficou parado, de braços cruzados, observando.

'Então ela tem me observado...'

Olhou para sua mão—com um leve borrão de fuligem ainda manchando sua luva.

'Interessante.'

Nessa noite, de volta ao seu quarto, ele se jogou na cadeira perto da janela, observando as estrelas surgirem além dos muros da academia.

Seus músculos doíam. Suas reservas de mana pareciam copinhos vazios.

Mas seu espírito?

Constante.

Claro.

'Cinco dias se passaram.'

'E, pela primeira vez… não me sinto atrasado.'

'Que a história comece.'

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