O Extra é um Gênio!?

Capítulo 7

O Extra é um Gênio!?

A luz do sol da manhã filtrava-se pelas janelas do dormitório, espalhando um brilho suave de ouro sobre o piso de madeira polida.

Noel estava na frente do espelho alto, ainda secando os fios úmidos com a toalha. O banho tinha cumprido seu papel. Seu corpo estava leve novamente, as dores e cortes dos últimos dias diminuídos à memória que se desfazia.

A pasta sobre a cama estava aberta, seus conteúdos cuidadosamente dobrados.

Ele estendeu a mão e puxou o uniforme.

Capa azul escura, sob medida. Camisa branca com colarinho de detalhes prateados. Gravata preta fina. Calças limpas, resistentes. Tudo tinha um cheiro sutil de amido encantado e magia fria—como o guarda-roupa de alguém importante.

Ele se vestiu sem cerimônia.

Uma peça de cada vez.

Camisa. Gravata. Casaco. Calças. Luvas. Botas.

Quando terminou, olhou-se no espelho.

E piscou.

O homem que encarava de volta não parecia alguém que tinha degolado pessoas na floresta há três dias.

Não parecia alguém que já tivesse sangrado, vomitado de pavor ou corrido pela vida.

Ele parecia um nobre.

Afiado.

Posto.

Perigosamente silencioso.

Noel ajustou levemente a gravata e levantou uma sobrancelha para si mesmo.

"Você fica melhor no uniforme do que em uma bata de hospital," murmurou.

Ele virou-se, pegando o mapa dobrado do campus e colocando-o dentro do casaco.

Não precisava se preparar para um discurso. Não pretendia impressionar ninguém.

Era só ouvir. Observar.

E se misturar.

Pelo menos por enquanto.

Ele abriu a porta.

Hora de encarar o mundo.


No momento em que Noel saiu da torre do dormitório, sentiu.

Movimento. Vida. Poder.

O pátio principal do setor Classe A já fervia de atividade. Estudantes caminhavam em grupos pelos caminhos pavimentados—uns conversando, outros simplesmente seguindo com determinação. Dezena de uniformes passavam entre as árvores e arcos—casacos bem passados, botas brilhando, brasões bordados nas vestes.

E não eram só humanos.

Ele parou no topo dos degraus e absorveu tudo ao redor.

Dois anões passaram rindo em vozes profundas, com uniformes levemente modificados para acomodar suas silhuetas maiores. Duas jovens elfas flutuaram por um caminho lateral com uma graça indecifrável, seus cabelos platina e branco neve captando a luz como fios de luz lunar. Na borda do campo de treinamento, avistou um trio de beastkins—humanoides felinos, elegantes e ágeis, caudas balançando atrás, olhos como gemas cortadas vasculhando o campus com cautela.

Era uma coisa ler sobre outras raças.

Outra, era vê-las ao vivo.

Estar entre elas.

E, mesmo assim, Noel manteve a expressão neutra. Nada de encaradas. Nada de olhares de relance.

'Você não está aqui para admirar. Está aqui para aprender.'

Mesmo que uma parte dele, enterrada fundo por toda aquela frieza calculada, sussurrasse ainda: 

'Minha nossa. Eles realmente parecem as páginas de arte... mas melhores.'

Ele ajustou as luvas e seguiu caminhando.

Pelo menos sessenta estudantes, já misturados. Todos classe A. Todos considerados os melhores.

Isso significava que este ano estaria cheio de potencial.

Ou de competição.

Talvez ambos.

O saguão do dormitório do Classe A era mais tranquilo que o pátio, mas não menos elegante.

Alto teto arqueado, decorado com o emblema da academia em prata e obsidiana. Dois lanternas mágicas flutuavam perto da recepção, emitindo uma luz suave sobre pisos de mármore e bancos forrados de veludo. Estudantes passavam de vez em quando, alguns carregando livros, outros conversando em tons baixos.

Noel vasculhou o ambiente até avistar o homem.

Gareth Wren, seu guia e supervisor do dormitório, estava perto do corredor que levava à ala administrativa, conversando com um funcionário. Sua postura era relaxada, mas cada movimento eficiente—era um homem que lembrava de tudo e não perdia detalhes.

Noel se aproximou, esperando educadamente até Gareth notar sua presença.

Justo quando Gareth virou—

Uma voz falou de trás.

"Com licença, o senhor Gareth Wren?"

Noel parou no meio do passo e voltou um pouco a cabeça.

Uma jovem tinha vindo pelo corredor oposto.

Ela era... impressionante.

Alta, elegante, andava como se o piso se ajustasse sob seus passos.

Elena von Lestaria.

Noel a reconheceu instantaneamente—não por memória, mas pelas descrições. Das páginas.

Cabelos loiros platinados caíam soltos pelos ombros, captando a luz como fios de luz lunar. Sua pele era clara, quase de porcelana, e seus olhos âmbar... Deus, eles não apenas brilhavam. Observavam. Como um estudioso dissecando a sala com um único olhar.

A elegância não era forçada. Era ela mesma.

Noel instintivamente deu um passo atrás para deixá-la passar, levantando a mão com um leve gesto de cabeça.

"À vontade," disse em tom suave, porém contido. "A senhorita primeiro."

Ela hesitou—apenas um instante—depois ofereceu um sorriso sutil de reconhecimento.

"Obrigado," ela falou. Sua voz era calma. Refinada. Controlada, sem parecer fria.

Gareth, agora percebendo a presença de ambos, sorriu de forma cortês.

"Ah—Senhor Noel Thorne, e a Senhora Elena von Lestaria. Dois dos nossos recém-chegados à classe A."

Os olhos de Elena passaram a encará-lo. Houve uma breve pausa—uma avaliação.

E talvez... curiosidade.

Noel a encarou de forma firme, sem se importar.

Por um instante, os salões de mármore da academia pareceram a cena de uma peça de teatro. Dois protagonistas, recém-seus na entrada do palco.

"Imagino que ambos tenham perguntas sobre as regras do dormitório," disse Gareth, com uma voz treinada e agradável.

Noel e Elena acenaram com a cabeça quase em sincronia.

"Ótimo. Vamos simplificar as coisas."

Ele apontou para o corredor atrás dele, embora nenhum deles se movesse. Seu tom mudou um pouco—mais formal, quase administrativo.

"Para o Classe A, não há horário de recolher. Vocês podem ir e vir dos quartos como quiserem. Não há restrições em relação a horas de estudo, visitantes ou personalização do espaço—dentro do razoável."

Noel inclinou a cabeça.

"Desde que apareçamos na aula pontualmente."

"Exatamente," confirmou Gareth. "Faltar às aulas ou comportar-se de forma incompatível com os padrões do Classe A pode resultar na rebaixamento."

Elena já assentia, absorvendo tudo.

"Mas há uma regra," continuou Gareth, com tom mais firme, quase severo. "E essa será rigorosamente aplicada."

Ambos o olharam.

"Não nos envolvemos em disputas pessoais entre estudantes—especialmente as de natureza romântica ou familiar. Se algo surgir... é questão do seu núcleo. Não da Academia."

Houve uma breve pausa.

Noel levantou sutilmente a mão, de respeito.

"Quer dizer... namoro?"

Gareth assentiu com uma curta, medida expressão. "Sim. Relações são permitidas. Mas qualquer consequência—confusão pública, escândalos, retaliações familiares—é responsabilidade sua."

Noel olhou para Elena.

Ela não falou, mas o canto da boca se levantou—talvez divertida.

Noel deu um leve encolhimento de ombros. "Entendido."

Com as regras explicadas, um silêncio breve caiu sobre o trio.

Elena virou-se um pouco mais para Noel, seus olhos âmbar estreitando—não de forma hostil, mas inquisitiva.

"Você é Noel Thorne," ela disse. Não uma pergunta. Uma afirmação.

Noel assentiu uma vez. "Sim."

"Esperava alguém... diferente," ela acrescentou, inclinando a cabeça com um leve movimento. "Os rumores não mencionaram modos."

Isso o pegou de surpresa.

Ele levantou uma sobrancelha. "Vou interpretar isso como um elogio."

Ela sorriu—apenas o suficiente para mudar a atmosfera entre eles.

"Foi exatamente um elogio," respondeu.

Seu tom era educado, mas não distante. Uma graça que vinha de quem está acostumado a ser estudado—de alguém que conhece expectativas e é habilidosa em gerenciá-las.

Noel fez uma leve reverência com a cabeça. "Então, fico feliz por ter superado pelo menos uma."

Ela inclinou a cabeça em sinal de agradecimento e partiu com elegância discreta.

Enquanto ela se afastava, Noel a observava ir embora.

'Exatamente como o livro descrevia,' pensou.

'Só que mais real. Mais... afiada.'

Os passos de Elena desapareceram no suave burburinho da vida na academia.

Noel permaneceu imóvel por um momento, assistindo-a sumir no canto, antes de se virar novamente para Gareth.

"Minhas roupas sujas," disse, com tom neutro. "Já estão prontas?"

Gareth, já um passo adiante, assentiu. "Claro."

Ele entrou no escritório ao lado e voltou com um pacote dobrado—limpo, passadinho, cuidadosamente amarrado com fio. Noel recebeu com um aceno agradecido.

"Obrigado."

Ele virou para sair—de repente parou.

"...Mais uma coisa," disse, olhando para trás. "Os rumores. Ouvi falar deles, mas não os detalhes. O que exatamente estão dizendo de mim?"

Gareth hesitou.

Não por medo. Apenas... diplomacia.

Quando falou, foi com cuidado.

"Dizem que você está aqui por causa do nome. Não pelo talento. Que é... um nobre sem futuro. Um favor político."

A força de Noel apertou um pouco o pacote.

Gareth cruzou o olhar com ele. "Chamam você de 'nobre inútil'. Não digo isso para ofender—apenas porque, eventualmente, vai ouvir algo pior."

Os olhos de Noel estreitaram. Ele não falou nada.

Não discutiu.

Não reagiu impulsivamente.

Ele apenas assentiu uma vez.

"Entendi."

E, sem mais uma palavra, virou-se e foi embora—seus passos ressoando no mármore, a fúria silenciosa mascarada pela tranquilidade do corredor.

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