Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 417

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Inara se viu afogada em um poço sem fundo, sua mente mal reparada vagando, pensando em tudo o que acabara de acontecer.

Mesmo assim, aquilo parecia impossível.

Sua mente não conseguia focar em um único pensamento, sendo perturbada pelas coisas que despertaram enquanto ela continuava a mergulhar mais fundo na mente de Echidna.

Olhos, dentes e unhas monstruosas e grotescas surgiam ao seu redor. Eram inúmeras, como grãos de areia na praia. Cada uma delas tendo uma mente própria, e todas desejando a mesma coisa:

Contato e entrada na mente da Herdeira.

Inara sentia a loucura profunda de Echidna em cada uma delas, tentando ao máximo proteger sua mente.

A conversa que ela havia acabado de ter com Echidna lentamente retornava à sua consciência.

Ela se lembrou do que sua mestra queria que ela fizesse, do que precisava conquistar.

'S-Sublimação…?' Inara pensou de forma fragmentada, sua mente se perguntando como chegaria a esse estado.

A Mãe dos Monstros lhe falou sobre a Voz da Sublimação, que só podia ser ouvida quando o abismo se tornasse seu centro.

Mas essa era uma descrição vã demais para ser considerada um guia. Inara não conseguiu compreender nada a partir dela. Para falar a verdade, ela não era a mais brilhante das mentes.

'Você precisa ouvir, minha princesa.'

A mente de Inara acordou ao som maternal, porém severo, da voz de Echidna que inundava sua cabeça.

'É hora de você aprender a abrir os ouvidos para ouvir, metafórica e não literalmente.'

'Mas você não tem esse tempo, minha princesa. Você tem apenas 2 dias antes que tudo que — nós — trabalhamos tanto desde aquele dia vire pó, que a História não se importará em registrar.'

Inara mordia os lábios, sua mente afundando cada vez mais no abismo de Echidna, ouvindo suas palavras.

Tornou-se consciente da dificuldade de sua tarefa. Mas, ao mesmo tempo, Inara começou a ter medo de não conseguir passar por isso.

Seus ombros de repente ficaram pesados, e sua consciência não conseguiu acompanhar a crescente loucura que martelava seu crânio.

No entanto, ela sabia que não tinha escolha. A escolha foi perdida no dia em que aceitou ser a Herdeira de Echidna.

No dia em que decidiu ser forte, abandonar o rótulo de fraqueza, provar a si mesma que era digna de força.

Desde esse dia… Inara deveria ter percebido que viria um momento em que precisaria pagar o preço.

O momento tinha chegado.

O poder, afinal, sempre tem seu preço.

O preço dela não era apenas a morte. Era o risco de enlouquecer e, depois, de perder a consciência — de morrer por dentro.

Ao perceber isso, Inara finalmente atingiu o fundo do abismo.

Seu corpo caiu sobre uma pilha de ossos. Em vez de se quebrem, suas costas rangeram, sua espinha torceu-se como escadas em espiral.

Inara soltou um grito agudo.

Ela ricocheteou nos ossos enferrujados de cor avermelhada como uma bola, rolando pelo chão coberto de olhos piscando.

Finalmente, ela parou, deitada de costas, com os olhos fixos no… céu?

Não era céu.

Era uma massa de milhares — ou mesmo bilhões — de tentáculos amarelos, torcendo, entrelaçando-se e formando uma teia no ar, como uma entidade viva em sincronia assustadora.

Instintivamente, Inara soube que tinha visto algo que não devia. Seu olho esquerdo, Oeil — o único monstro que veio com ela — ativou-se por si só, usando uma de suas habilidades.

A habilidade de entrar nos sonhos dos monstros.

O consciente de Inara foi completamente desligado, mergulhando no sonho do aglomerado de tentáculos amarelos acima.

No processo, Oeil gritou um aviso. Ela tentou desativar sua própria habilidade, pois sentia que sua mãe não sobreviveria ao testemunhar AQUILO.

Porém, parecia que a autoridade de seu próprio poder lhe fora arrancada, tornando-a totalmente indefesa.

Havia apenas uma coisa que ela podia fazer…

"MAÁE! NÃO OLHE PARA ISSO! NÃO OLHE!!!"

…e era gritar com todas as forças, esperando que sua mãe pudesse ouvi-la.

Porém, ela não sabia se sua última ação tinha alguma utilidade, pois logo Oeil também se desligou.

Inara então entrou no sonho de uma entidade esquecida pela maioria. A fonte original do abismo de Echidna.

E assim… começou.


Simultaneamente, na Mansão Real do Império Celestial, Sora Asterion acabou de se levantar de sua cama. Ela parecia um cadáver ressuscitado, apesar do aura sagrada ao seu redor.

"Arghh…" gemeu Sora, segurando a cabeça, sentindo uma dor terrível no lado esquerdo do crânio.

Ela se empurrou lentamente para cima, sentada na cama, com as costas cansadas apoiadas contra a estrutura dourada e adornada de seu leito.

Ela ergueu a cabeça, com os olhos fundos, como se algo mais profundo do que a falta de sono estivesse lá.

Golden Voice vestia as mesmas roupas da última vez que encontrou Aster, a Primeira Celestial.

"Não foi sonho." murmurou Sora, com os olhos dourados apagados.

Ela riu sem humor.

"Disseram que, se eu me tornasse a Imperatriz, seria livre. Que, depois disso, ninguém ousaria se opor a mim."

Era uma mentira do caramba.

Sora bateu com força na cama, causando uma instantânea transformação dela em cinzas douradas.

Ela caiu, seu traseiro saltando abruptamente do chão. Sora não se importou.

Mas o que ela não percebeu, na fúria, foi que seu poder solar havia ficado ainda mais forte. Muito mais forte.

"Ficou pior." murmura Sora, se encolhendo, "não é mais meus pais me impedindo de realizar meu sonho. Não é mais meu irmão obstáculo. Não…"

Ela bufa, com os olhos flamejantes,

"…é um deus querendo me transformar na sua marionete."'

Agora ela tinha a missão de matar Prometeus, o mesmo homem que fez tanto por ela, e que não lhe devia nada.

O homem que era sua musa… sua canção.

E tudo isso quando as coisas estavam indo bem. Quando, finalmente, ela conseguiu ver Kaden após anos de notícias escassas, e até recebeu um presente dele.

"Não posso fazer isso." sussurrou Sora, enterrando a cabeça nas mãos, "Não posso. Já o traí duas vezes. Ele me perdoou duas. Não posso traí-lo pela terceira."

Mas o problema era como ela faria isso.

Aster era um verdadeiro deus, e a própria origem de sua linhagem. Ela estava completamente impotente contra ele.

E mesmo agora, Sora sentia uma onda de poder vinda de sua linhagem, porém essa energia vinha acompanhada de uma conexão mais profunda com a Primeira Celestial.

Sora podia senti-lo. Se ela alguma vez ousasse traí-Lo, viveria um destino pior que a morte.

Nesse momento, Golden Voice gemeu, o rosto avermelhado de lágrimas de raiva escorrendo por suas bochechas.

Ela rasgou seu vestido de imperatriz, de repente sentindo um desprezo e nojo profundos por sua nova posição.

Qual seria a utilidade de ser imperatriz, se ela não fosse livre para fazer o que quisesse?

Naquele momento, se pudesse, Sora rasgaria toda a linhagem celestial que a vinculava.

Ela amaldiçoou, amaldiçoou, amaldiçoou.

Seus cabelos se transformaram em fogo vivo, enquanto instintivamente agarrava o colar dado por Kaden, buscando algum conforto.

O efeito foi imediato. Seu coração começou a desacelerar, sentindo a presença e o calor reconfortante do poder de Kaden através do item.

Seus olhos ainda marejados se abriram, fitando o colar com mais intensidade.

Sem perceber, seus lábios se abriram em um sorriso terno, lembrando-se do dia em que mataram a lua.

Foi um dia magnífico. Um dia que a mudou completamente. Foi naquele dia que ela soube que… eles não eram tão invencíveis assim.

Até a lua podia morrer. E o sol, as estrelas, e até o próprio céu.

Os olhos de Sora começaram a se endurecer, concentrando-se ainda mais no colar. E, estranhamente, quanto mais ela tentava absorver o calor de Kaden, mais Sora começava a sentir algo diferente dentro de si.

Algo que fazia sua linhagem pulsar sutilmente, como se reconhecesse um irmão de sangue.

Sora parou, com o rosto molhado de lágrimas, franzindo levemente. Seguindo seu instinto, sua mão que segurava o colar começou a brilhar suavemente, iluminando-o com o poder de sua linhagem.

Seu sentimento de conexão estranha cresceu instantaneamente. Inexplicavelmente, Sora parecia conseguir ouvir algo vindo do colar.

Uma voz. Um sussurro.

A voz dizia algo. Mas Sora não conseguia entender. Parecia uma fala de recém-nascido.

Curiosa, ela repetiu sua ação, desta vez usando uma dose maior de sua fonte de linhagem no colar.

O ambiente ao redor ficou escaldante, carregado de tensão aguda.

Com seu ato, foi como se seus ouvidos se libertassem por um momento, permitindo que ela ouvisse não palavras…

Mas intenções.

E então, Sora Asterion ouviu claramente a palavra. Era simplesmente…

'Irmã?'

A própria existência de Sora estremeceu.

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