
Capítulo 282
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Depois de conseguir o grimório do Alquimista Proibido, Kaden começou a lê-lo.
Foi uma tarefa difícil. O Alquimista Proibido misturava linguagem comum com linguagem runica, tornando extremamente complicado compreender tudo perfeitamente.
Uma irritação crescente queimava por dentro dele, ameaçando explodir em uma nuvem de vapor.
Mais uma vez, Kaden sentiu aquele mesmo puxão, aquela vontade desesperada de entender e dominar a Runesmithing. Não era apenas sobre forjar artefatos. Não... não mais. Agora tinha se tornado uma questão de aprender uma língua completamente nova.
E esse pensamento fez com que ele se lembrasse de alguma coisa.
Se não estivesse enganado, durante aquela visão—quando ele havia possuído o corpo daquela mulher cinza—ela estava falando em linguagem runica.
Aquela percepção bateu nele com mais força do que ele esperava.
Era mais importante do que ele imaginava.
Mas tudo aquilo teria que ficar para depois. Por enquanto, ele precisava descobrir uma maneira de salvar seu querido sogro, que estava dentro dessa carcaça destruída.
Felizmente, ele conseguiu… após um esforço enorme.
Ele conseguiu encontrar uma seção no livro dedicada às formações rúnicas da alma. Na verdade, havia vários capítulos focados na alma, mas este em particular tratava de restauração.
Como a formação funcionava era surpreendentemente simples de entender. Para restaurar uma alma… basta usar outras almas, ou energia da alma.
Essa descoberta o chocou. Ele não sabia que existia uma outra forma de energia, completamente distinta, a energia da alma, que existia unicamente para técnicas e habilidades relacionadas à própria alma.
E isso fez com que ele pensasse na Marca da Alma.
Aquela característica havia avançado pouquíssimo desde aquele dia na masmorra com Asael. Sempre se perguntara por quê… por que seu domínio sobre ela parecia estar estagnado, mas agora ele compreendia.
Ele precisava de energia da alma. E precisava encontrar uma maneira de capturá-la, não por runas, mas por si próprio.
Algo que o livro não ensinava.
Suspirando, Kaden resolveu deixar o pensamento de lado por enquanto. Pelo menos, agora ele sabia como restaurar almas. O próximo desafio era encontrar uma forma de remover a runa negra de Eliot primeiro.
Foi quando ele se lembrou do papel cinza parecido com cinzas que viu durante a primeira visão, segurado por aquela mulher.
Depois de fechar os olhos, recordando cada detalhe, ele reescreveu completamente a runa — sem deixar passar uma única linha — em uma folha em branco. Aquela runa era complexíssima demais para ele entender sozinho, então chamou sua sogra, Mayari, que tinha algum conhecimento sobre runas, embora nada perto do nível do livro diante deles.
Naturalmente, ela teve dificuldade. Mas, no fim, conseguiram confirmar que era mesmo a mesma runa usada em Eliot.
Nesse momento, a parte mais difícil tinha acabado.
Se você sabe como uma runa funciona, pode destruí-la imediatamente. O problema é que essa operava com energia da alma, e Kaden não tinha mais nenhuma dentro de si.
Assim, usou outra runa, criada pelo Alquimista Proibido, para reunir energia da alma, e então alterou a runa negra mudando uma de suas inscrições principais.
Onde antes dizia "consuma a alma", Kaden e Mayari mudaram para "restaurar a alma".
Depois, ao inscreverem o contrário da mesma runa por cima da original, forçaram as duas a se cancelarem, ambas colapsando e se apagando numa explosão silenciosa de luz negra… e a runa amaldiçoada finalmente desapareceu do corpo de Eliot.
Ele suspirou aliviado e logo voltou a dormir.
Viu-se a expressão de alívio no rosto de Kaden e dos demais. Assim que tudo terminou, e o peso do estresse finalmente saiu dos seus poros, Kaden teve vontade de simplesmente cair na cama e dormir, mas ainda havia uma última coisa a fazer.
A alma de Eliot estava gravemente ferida, ele precisava curá-la. Mais uma vez, eles usaram uma runa do grimório do Alquimista Proibido para captar a energia da alma ao redor e nutrir o que restava.
Kaden acompanhou cuidadosamente o processo, tentando entender de verdade como a energia da alma funcionava. Mas, infelizmente, não encontrou nada concreto.
No entanto, ele havia aprendido bastante durante o procedimento de cura de Eliot.
De alguma maneira, havia obtido uma divindade, algo que a própria Morte chamava de Caminho da Tristeza. Descobriu que Luke provavelmente estava vivo e que alguém queria matar Eliot por algo relacionado à Rea.
Ele também soube de um ser misterioso cuja natureza não conseguia compreender completamente.
E, por fim…
Conseguiu o grimório de alguém considerado o maior alquimista e runista desde A Feiticeira.
Muito acontecendo de uma só vez, e Kaden começava a se sentir sobrecarregado. Acabara de terminar uma guerra sangrenta, e o mundo se recusava a lhe dar paz.
Os mistérios continuavam surgindo, um atrás do outro, crescendo como uma maré de caos, como se alguém tivesse arremessado uma carta e feito o castelo inteiro ruir numa avalanche.
Ou talvez… fosse a caixa de Pandora?
Kaden virou um pouco a cabeça, sem entender exatamente por que seus pensamentos estavam indo nessa direção.
Ele soltou um suspiro triste. Meris e Inara o observavam de canto. Inara ia falar novamente, mas Meris a interrompeu com um olhar severo que claramente dizia: "Você fala, eu te congeleo."
Inara parecia tentada a discutir, mas dessa vez obedeceu, lançando um sorriso zombeteiro para Meris antes de bufar e virar a cabeça para o outro lado.
Meris suspirou. Inara era problemática e totalmente sem tato.
Depois de confirmar que Eliot estava salvo, Kaden decidiu voltar ao seu quarto.
Inara disse que queria acompanhá-lo, mas, com um sorriso constrangido, Kaden recusou gentilmente, dizendo que queria dormir e que poderiam conversar — e finalizar seu juramento — mais tarde.
Inara quis insistir, mas Meris colocou uma mão na boca dela, oferecendo um sorriso carinhoso e desejando-lhe uma boa noite.
Aproveitando a deixa, Kaden saiu rápido, aproveitando para fugir.
Quanto a Meris e Inara…
"Você quer que eu lambe sua palma, Meris?" Inara perguntou entre uma risada abafada, com os olhos brilhando de malícia.
Meris franziu a testa de nojo. "Essa vai ser a última vez que você usa sua língua," ela disse friamente, puxando a mão. Depois acrescentou: "Foi você que fez de propósito."
Inara riu. "Sempre é divertido provocar ele. Não acha? Ele parece tão inocente e fofo!" Seus olhos suavizaram por um momento, uma tênue névoa de afeição surgindo ao pensar em Kaden.
A mandíbula de Meris se apertou ao ver aquilo, mas ela mordeu a parte interna da boca, tentando esconder o tremor súbito que percorreu seu corpo. Não conseguiu disfarçar, e Inara percebeu.
Sua expressão de provocação desapareceu, substituída por um sorriso mais tímido e constrangedor, algo que Meris não estava acostumada a ver nela. "Talvez devêssemos descansar também…", falou baixinho.
Meris apenas acenou com a cabeça, sem mais palavras.
…
No seu quarto, Kaden sentou-se em uma cadeira reclinável feita com sua técnica de controle de sangue. Apoiado suavemente, ele segurou Reditha sobre o colo, enquanto ela brilhava suavemente, e ele sorria enquanto limpava sua lâmina com cuidado, com um carinho que só quem ama conhece.
Ele não esqueceu como ela o salvou naquele espaço mental. E, embora não dissesse nada, não precisava. Reditha entendia tudo.
Então, ele apenas permaneceu ali, polindo sua lâmina como se fosse um vidro delicado que poderia se partir ao menor toque.
Então, pensamentos surgiram rapidamente em sua cabeça.
Parecia que as coisas estavam ficando complicadas.
Ele ainda não tinha contado a ninguém que Luke estava vivo. Simplesmente não sabia como fazê-lo. E, além disso, Kaden queria resolver tudo por conta própria.
Não era que não acreditasse na força da sua família. Mas Waverith estava destruída e precisavam reconstruí-la primeiro, restabelecer o que foi perdido e evitar consequências imprevistas. Eles não estavam sozinhos nesta região.
Não precisavam de mais uma notícia assustadora.
"Então estou sozinho nessa, hein", ponderou, sorrindo de canto. "Sozinho com Reditha."
Ele precisava descobrir onde Luke estava. Embora não tivesse uma pista clara… bem, exceto uma.
"Caminho da Tristeza… Caminho da Tristeza. E divindade. Quando alguém fala de divindade, está falando de um deus. E, se lembro bem do que disse o Antropólogo sobre os deuses, ele falou de um 'um triste'." Kaden pensou enquanto limpava Reditha com uma horinzontal.
"Isso significa que há um deus relacionado à tristeza. E, em Fokay, no norte, assim como no Império Celestial, já ouvi rumores de uma igreja chamada Igreja da Tristeza."
Os olhos de Kaden brilharam intensamente, um caminho finalmente se formando diante dele.
A Igreja da Tristeza.
Esse seria seu próximo passo. Mas antes, precisava resolver suas pendências aqui em Waverith e Darklore. Além disso…
"Droga, quando é que vou aprender runasmithing? O Velho Ferreiro deve estar me esperando. Meu Deus… será que já deveria começar?"
Kaden fez uma pausa, inclinando a cabeça.
'Por que eu deveria aprender isso? Posso simplesmente morrer para alguém que souber. É mais rápido.'
Às vezes, ele esquecia que podia simplesmente… morrer.
Ele não queria morrer sem motivo, mas agora parecia justificável.
Ele não tinha tempo, as coisas estavam saindo do controle. Precisava da ajuda da morte.
"Vou precisar ficar mais forte primeiro."
Seus atributos aumentaram bastante com as almas e sangue que devorou durante a guerra. Exceto por Will, que parecia ter atingido seu limite em mil pontos, todos os demais haviam ganho mais de cem pontos.
Era enorme.
Kaden percebeu o quão destruído seu Will tinha ficado. E quanto mais devorava, mais forte ele ficava, tornando-se mais eficiente ao consumir e quem sabe… um dia, ele não obteria apenas aumentos nos atributos e melhorias na alma…
Quem sabe. Só quem sabe.
Por ora, porém, era hora de usar sua Sistese novamente.
Sorrindo, ele falou baixinho.
"Minha querida, filho favorito, papai precisa da sua ajuda mais uma vez," sussurrou para seu traço com carinho, como se estivesse falando com algo vivo.
A Sistese estremeceu dentro dele.
Seu sorriso se alargou enquanto levantava-se mais uma vez, segurando Reditha firmemente na mão direita, e caminhou direto para onde guardavam os corpos das Bestas de Aço, incluindo o de Goremaw.
Kaden lambeu os lábios.
"A dor vai ser terrível," disse, mas seu sorriso não vacilou.
Ele queria dormir, mas, no final, decidiu dar mais um passo adiante.
O mundo não iria pausar para deixá-lo descansar. Descansar é para os mortos e para os deuses.
Um é fraco demais para sobreviver, e a terra lhe dá paz sob seu abraço pesado.
O outro é forte demais, e assim o mundo mantém ambos lá no alto, nos céus.
Kaden não era nenhum desses dois.
E, por isso…
"Mais um passo adiante."
Sim. Mais um passo adiante. Mesmo que trêmulo, não importava.
Ele só precisava caminhar.
E, eventualmente, chegaria ao destino, e o descanso naturalmente o encontraria.