
Capítulo 368
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden estava na frente do prédio gigantesco do Ouroboros, e Inara já tinha desaparecido lá dentro há seis minutos.
Mesmo assim, ele não voltou. Sua mente refletia sobre o que poderia acontecer. Agora que tinha aceitado o conselho de Blanche e Reditha, começava a sentir um arrependimento.
Talvez Inara não precisasse de espaço. Ela precisava de clareza. Precisa ouvir que não é ele quem a rejeita porque ela não é suficiente.
Que ele já tinha três mulheres na cabeça e se sentia mal ao adicionar uma quarta logo após o incidente com Aurora.
Era tudo culpa. E era toda culpa que fazia seu coração se fechar para Inara, dando-lhe apenas amizade. Tudo aquilo, na esperança de que ela fizesse o mesmo, mesmo que suas ações dissesse o contrário.
Kaden suspirou, com a cabeça baixa. Pessoas comuns passavam por ele e ao redor, sem sequer lhe lançar um olhar.
Ninguém podia vê-lo. Ninguém podia sequer sentir sua presença. Sua habilidade de Ausência estava ativada, permitindo que se escondesse do mundo.
Uma pena que essa habilidade não pudesse esconder seus próprios sentimentos.
Assim, ali, Kaden tinha o luxo de questionar a si mesmo. E, naturalmente, a primeira coisa que veio à cabeça foi…
“Será que agi como um tolo?”
Suas dúvidas eram altas o suficiente para que suas duas companheiras as ouvissem. E, mesmo sem terem sido perguntadas, elas responderam.
“Você agiu sim, Kaden,” respondeu Reditha calmamente. Ao mesmo tempo, seu corpo saiu de dentro de Kaden, envolvida pelos seus braços de forma protetora ao redor do pescoço dele.
Agora, o corpo de Reditha era feito de estrelas vermelho-vivos. Uma visão de se mostrar.
Blanche permaneceu em silêncio. Ela era nova, não conhecia Kaden bem o suficiente para dar uma opinião.
Ao ouvir Reditha, Kaden virou a cabeça para um lado, com as sobrancelhas arqueadas. “O que quer dizer?”
“Você é muito passivo com as mulheres ao seu redor, Kaden.” Reditha puxou os ombros, acariciando suas bochechas. “Você nunca toma a iniciativa e deixa que elas liderem o relacionamento à maneira delas.”
O rosto de Kaden se franziu, uma fenda se formando entre as sobrancelhas.
“Seu relacionamento com Lady Meris foi tudo por conta dela,” continuou Reditha. “Você não fez algo além de seguir a liderança dela e aceitar as declarações de amor dela.”
Kaden começou a sentir irritação, mas permaneceu calado.
Reditha percebeu isso, mas sorriu de canto e seguiu em frente. Se isso o irritava, era sinal de que ela estava conseguindo mexer com ele.
De forma implacável,
“Seu relacionamento com Lady Vaela foi o mesmo. Você aceitou o fato de ela ter atado a própria morte à sua. Ainda agora, Kaden, você não fez nada para mudar isso, mesmo podendo. Por quê?”
“Porque eu não quero,” foi a resposta curta de Kaden.
Reditha deu de ombros. ‘Essa é a sua escolha. Mas não muda nada. Até Aurora, de certa forma, liderou parte do relacionamento.’
‘E agora, Inara.’ Ela fez um som de desgosto com a língua. ‘Se desde o começo você não tivesse seguido o jeito dela e tivesse realmente mostrado sua posição, tudo isso poderia ter sido evitado.’
‘Mas você decidiu apenas assistir, dando esperança de algo mais, só para depois tirar tudo com um silêncio ensurdecedor.’
‘Então sim, meu querido mestre…’ Reditha encostou o rosto na orelha esquerda de Kaden e sussurrou com um tom provocador,
‘…tudo é culpa sua.’
Os lábios de Kaden se contorceram pesadamente. Ele nunca sentiu necessidade de aplicar um golpe forte na Reditha, mas naquele momento, a vontade fervia dentro dele.
‘Você é sortuda, Reditha,’ resmungou, com a mandíbula travada. ‘Sortuda eu não bater em mulheres.’
‘Você já bateu em muitas mulheres. Chegou a matar algumas.’
‘Sua intenção hoje é me provocar?’
‘Estou fazendo um bom trabalho?’
‘Infelizmente, sim.’ Kaden suspirou, passando a mão pelo rosto. ‘E, infelizmente também, você está certa.’
Era algo que Prometheus só percebia agora: para ele, tudo que fazia era não restringir as mulheres com quem se relacionava, dando liberdade para que expressassem o que quisessem.
Mas tudo isso era consequência de sua pouca experiência com mulheres. Acrescente-se a isso suas más experiências na vida passada com uma garota… Kaden tinha decidido que não fazer nada era o caminho certo.
Claramente, ele estava enganado.
Mas já era tarde para Inara. A garota já tinha se confessado, e ele a rejeitou após agir como se a amasse de um jeito que não era seu.
Quanto mais pensava, mais ficava irritado consigo mesmo.
O que fazer agora com Inara?
Falar com ela?
'E dizer o quê?' Reditha interveio mais uma vez.
Kaden não respondeu. Ele também não tinha ideia do que dizer para Inara.
Desculpe, eu acabei agindo como se refletisse seus sentimentos, mas na verdade eu te vejo apenas como uma amiga?
'Má ideia,' pensou Kaden interiormente.
Enquanto isso, ele caminhava pelas ruas de Waverith, tentando clarear a cabeça e refletir sobre seus atos.
Ele precisava mudar sua forma de lidar com as mulheres.
Mais uma vez, soltou um suspiro e virou-se, andando para longe.
Em seu coração, Prometheus sinceramente torcia para que Inara estivesse bem. E que o relacionamento deles não tivesse sido afetado.
Era isso que ele desejava ardentemente.
Mas Kaden sabia a amarga verdade.
Já era tarde demais.
Ele praguejou e bateu o pé no chão. A terra se partiu e se elevou para o céu.
As pessoas gritaram surpresas. Kaden não se importou, continuou caminhando, com a expressão de culpa evidente na curva de seus lábios.
Os sábios estavam certos: um único erro poderia fazer alguém derramar uma bomba de água de esforço difícil no chão.
E o único que se podia fazer depois que ela derramasse era reabastecer com uma nova.
Mas será que seria a mesma coisa?
Não seria.
Poderia ser melhor. Poderia ser pior.
A percepção de Kaden começou a latejar. E o sentimento que havia nele era algo que ele não gostava.
Mais uma vez, ele praguejou. Dessa vez, o peito fervendo de raiva.
Que idiota ele era!
…
Kaden partiu, andando para quem sabe onde. Enquanto isso, Inara estava dentro de sua casa, andando sem rumo, os passos instáveis, o corpo oscilando como se fosse desabar a qualquer momento.
Sua mente estava vazia, incapaz de pensar em outra coisa.
Dentro dela, seus monstros estavam estranhamente calados. Nenhum deles queria falar. Especialmente Oeil.
Por alguma razão, o estado atual de Inara fez-a tremer de medo. Ela preferia que sua mãe a amaldiçoasse e batesse nela a que estivesse assim.
Isso a entristecia.
Oeil queria dizer algo, mas sabia que não era hora. Então, ficou em silêncio, choramingando e tremendo diante do sentimento esmagador que invadira Inara.
Era pesado, escuro. Estava cheio de autocrítica e decepção.
Raramente há algo mais angustiante no coração do que ser rejeitado pela sua primeira paixão. Aquela que você estava disposto a dar tudo de si.
Inara balançou lentamente a cabeça, recuperando uma aparência de si mesma, agora em frente a uma grande porta serpenteante.
Sem bater, colocou as mãos nas duas portas gigantes feitas da pele morta de cobras e empurrou.
As portas rangeram em protesto, mas acabaram se abrindo com um bocejo. O interior estava escuro, com um suave brilho verde flutuando ao redor.
Inara entrou, e a porta se fechou imediatamente atrás dela com um estrondo alto.
Seu olho direito se afinou, a fenda na sua sobrancelha de cobra estreitou, permitindo uma visão clara do interior.
Seus ouvidos se mexeram, ouvindo o som da água escorrendo. Sem dizer nada, ela seguiu o barulho.
Passou pelos móveis na sala de sua mãe e foi direto ao banheiro. Mais uma vez, Inara não anunciou sua presença.
Abriu a porta de vidro e entrou.
Seu olhar caiu sobre uma visão intrigante.
Sua mãe, Medusa Serpentina, estava sentada na beira da banheira, com as costas voltadas para ela.
Inara levantou uma sobrancelha cansada, percebendo algo que jamais tinha reparado antes.
No dorso da mãe, havia uma grande tatuagem de uma cobra mordendo a própria cauda.
Inara franziu o rosto. Algo dentro dela tremia ao ver aquilo. Ela inclinou a cabeça, sentindo como se a própria cobra da tatuagem estivesse encarando-a.
Seu Origem tremeu.
De modo instintivo, recuou cambaleando, piscou, apenas para ver Medusa olhando para ela com seus olhos frios e serpenteantes.
“O que você está fazendo aqui, Inara?” perguntou Medusa, com a voz suave, apesar dos olhos frios.
Controlando-se, Inara balançou a cabeça. A pergunta da mãe fez lembrar por que ela tinha vindo, fazendo-a esquecer o que tinha acabado de acontecer.
Assim, abaixou a cabeça lentamente, e, devagar,
“Ele disse que não,” ela soluçou.
A princesa-cobra não sabia por quê, mas agora que estava com sua mãe, ela deixou de se segurar e deixou suas emoções transbordarem.
Começou a chorar.
“M-Mãe… ele… ele disse que não…”
Medusa imediatamente compreendeu, os olhos se arregalando. Levantou-se rapidamente da banheira, nua, e abraçou a filha com força.
Inara começou a sufocar em seu próprio choro, seus gritos ficando mais altos.
“H-Herói disse que não, mãe… mãe… mãe…”
Medusa mordeu os lábios ao ouvir as palavras repetidas de Inara.
Inara não parava de repetir o mesmo, chorando furiosamente.
Dentro dela, seus monstros choravam junto com sua mãe, sentindo toda a dor de ser rejeitada.
Medusa só apertou os lábios ainda mais, o coração se dilacerando por causa da dor que sua filha sentia.
Ela a segurou e sussurrou palavras. Era tudo o que podia fazer.
“Vai ficar tudo bem. Vai ficar, entendeu?” Medusa sussurrou, abraçando Inara com mais força. Atrás dela, a tatuagem desapareceu misteriosamente.
Inara só chorou ainda mais com essas palavras.
Medusa sorriu de lado, secando suas próprias lágrimas ao ver a filha, e deslizou com ela até o chão, encostada na banheira.
Inara continuou a chorar. E chorou até que não saíram mais lágrimas. Chorou até adormecer.