Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 355

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Na masmorra de propriedade de O Ceifador, uma cena estranha se desenrolava.

Os membros do Véu Carmesim estavam reunidos em um canto específico da masmorra, deixando as crianças sob os cuidados da Aranha.

Antropólogo, Abominação e Ruído observavam a cena à sua frente, todos com olhos intrigados por trás de suas máscaras vermelhas.

Nihilia Ra Smith, descendente do Arquiteto Divino, havia conseguido forjar com sucesso tanto o artefato mítico do Celestial quanto a Origem de Dain Guerreiro.

Aquele evento fez com que a origem de Dain sofresse uma mutação bastante inesperada, e ele passou a ter uma tatuagem de um griffin dourado ao lado do peito, bem onde repousava seu coração.

Naquele momento, seu corpo inteiro começava a se recuperar lentamente, graças à cornucópia de poções de cura dadas pelos membros do Véu Carmesim.

A carne de seu corpo regenerava-se de forma constante, e suas feridas se fechavam como vermes se agrupando.

A própria ferreira estava ajoelhada ao lado de Dain, com a respiração ofegante e o corpo todo banhado em suor. Além disso, seu nariz escorria sangue preto.

Nihilia percebeu o sangue e o limpou silenciosamente. Lentamente, virou a cabeça na direção dos membros do Véu Carmesim que assistiam, com o rosto pálido,

"Eu... consegui." Ela sussurrou, com a voz fraca e lamentosa, "Forcei a forjar o artefato místico com a Origem de Dain. Agora, eles são um só."

Ela tentou se levantar lentamente, mas estava fraca demais. As pernas tremeram e ela quase caiu, quando a Abominação a segurou.

"Cuidado, anão negro." disse a Abominação com diversão, mas também com respeito na voz.

O que Nihilia tinha feito era algo que ela nunca imaginou ser possível. Forjar pessoas? Agora isso era interessante.

Além disso, ela havia salvado o irmão de seu mestre.

Ela merecia respeito. Merecia o respeito deles.

Nihilia conseguiu perceber a mudança na atitude deles. Seu coração relaxou bastante, a esperança de sobreviver a aquela provação finalmente crescendo dentro de seu peito.

Mesmo assim, ela precisava perguntar.

"Vocês… vão agora me ajudar?" ela começou, hesitando um pouco.

Enquanto isso, o Antropólogo ainda olhava para Dain, "Haverá algum efeito colateral?" perguntou.

Nihilia assentiu debilitada, "Pode haver. Mas isso é o máximo que posso fazer. Ele tinha dentro de si o artefato do Celestial. A Fada pode reagir, e o Asterion não iria deixá-lo partir."

O Antropólogo sorriu fracamente, "Já presumi isso. Bem, fizemos o nosso melhor, não foi?" Murmurou, então olhou diretamente para Nihilia,

"Qual foi o preço que você pagou por isso?" perguntou.

Ele sabia, melhor do que ninguém, que esses tipos de poder sempre tinham consequências pesadas. Principalmente nas mãos de um mortal.

Sua suspeita foi confirmada quando o nariz de Nihilia começou a sangrar novamente. Mas a ferramente apenas balançou a cabeça, "Não importa." ela respondeu, com mais força, "Vocês vão me ajudar?" ela insistiu.

Ela não sentia mais a autoridade de Mahina sobre ela. Ou a Imperatriz estava ocupada demais com alguma coisa, ou já tinha morrido.

A ferreira saberia se o monstro dela tivesse morrido, então só sobrava a primeira hipótese. Ou seja, ela precisava agir agora.

O Antropólogo assentiu com a cabeça, "Claro que vamos." ele sussurrou, então todos eles voltaram a olhar para um lado.

Lá, podia-se ver Vaela no chão de grama, desacordada.

"Nós ajudaremos quando essa beleza adormecida acordar." acrescentou o Antropólogo, antes de se dirigir a ela e sentar-se numa cadeira de pedra.

"Você sabe mesmo por que ela está inconsciente?" perguntou a Abominação, ajudando a ferreira a se levantar.

"Eu me pergunto." sussurrou o Antropólogo, "Será que eu sei?"

Ruído rosnou para o Antropólogo, "Chato."

O cara de rocha só riu da cara dele.

A Abominação interveio, ajudando sua amiga não-humana, dizendo a Ruído que ele era chato e enfadonho.

Ruído a lançou um olhar ameaçador antes de pedir uma luta por ter difamado sua honra. A Abominação ignorou e riu junto com o Antropólogo.

Quase que o Cavaleiro da Morte atacou.

Quase.


Enquanto isso, Vaela enfrentava uma situação completamente confusa dentro de sua mente.

Ela se via numa dimensão feita de estrelas, de todos os tipos de estrelas. Mas a mais brilhante era uma estrela carmesim que descia lentamente do céu, tomando a forma de uma mulher.

Ela ficou ali, franzindo a testa com seus belos olhos neón-azuis, observando a mulher na sua frente.

"Oh!" Aurora exclamou maravilhada, olhando para Vaela de cima a baixo,

"Sou eu?" perguntou, de repente aparecendo na frente de Vaela, examinando seu rosto de perto.

O coração de Vaela deu um pulo, ela recuou cambaleando, "Q-Qe? Quem é você?" indagou, com a voz fria e hesitante.

De alguma forma, ela não sentia intenções maliciosas vindo daquela mulher. Pelo contrário, Vaela se sentia estranhamente à vontade com ela.

Isso a deixou ainda mais apreensiva.

Aurora, enquanto isso, sorria, "Não tenho tempo de explicar tudo, Vaela."

"Você só precisa saber uma coisinha sobre mim e por que estou aqui." Ela levantou o dedo,

"Sou Aurora Estelar, A Última Estrela." Começou, "E você é minha reencarnação, Vaela Cerveau. Solaris não suportou meu sacrifício pelo seu caminho. Ele se dobrou, permitindo que eu infectasse sua Origem Mental, a mais fraca de suas origens."

"A mesma Origem que ele deu à sua amante, que me ajudou a reencarnar. Mesmo assim, sem nenhuma das minhas memórias." Aurora não pôde deixar de sorrir, "A vida não é curiosa, Vaela?"

Mas Vaela não conseguiu responder. Ela estava atônita com a quantidade de informações que de repente recebia.

De algum jeito, ela sentia que Aurora não estava mentindo. Ela dizia a verdade.

Mas então…

'Eu… Sou ela a minha reencarnação? Como…?'

Os lábios de Aurora se curvaram ao notar sua face assombrada e ela ergueu a cabeça para o céu estrelado,

"Sim, você realmente é minha reencarnação. E meu propósito aqui é apenas dizer quem você é e eliminar a influência daquela mulher antes que seja tarde."

"Quem sou eu? E que mulher?" perguntou Vaela de volta, com a voz trêmula de medo repentino.

"Eu disse que você é eu. Mas, de certas formas, você é diferente de mim." Aurora disse, aproximando-se de Vaela e parando a poucos centímetros dela.

"Você não é mais A Última Estrela. Você não é mais descendente dos Estelarenos, nem prima do Asterion. Agora, você é Vaela Crimson, e seu sangue será despojado de você, porque ela vai manipular você em breve, assim que ela voltar."

Ela fez uma pausa, então…

"Você obterá sua própria linhagem e Origem. Uma criada por mim e pelo meu querido, que me tornou uma lenda na cabeça de muitos."

O coração de Vaela começou a bater aceleradamente, e por alguma razão ela sentiu uma vontade enorme de chorar. Mas ela a reprimiu.

O corpo de Aurora sumia lentamente, mostrando que ela não tinha mais muito tempo aqui.

Ela levantou o dedo e colocou na testa de Vaela.

"Diga a ele." ela disse, olhando para Vaela, "Diga a ele seus sentimentos. Diga que vocês — não, que nós — o amamos. E o beije, pois não tive oportunidade de fazê-lo."

"Vou te entregar todas as minhas memórias, e com isso, todos os meus sentimentos por Kaden."

Depois, ela sorriu mais uma vez,

"Você será capaz de suportar o peso do meu amor e do seu próprio amor ao mesmo tempo? Será muito pesado."

Vaela retribuiu o sorriso dela,

"Se eu não conseguir," ela murmurou, "então ninguém mais conseguirá em nenhum dos mundos."

Aurora riu, "Então aceite tudo. E…"

O corpo de Aurora desapareceu lentamente, deixando para trás uma estrela carmesim.

"…bom trabalho por não ter se rendido, seus olhos iriam se curar. E ah, sim, você ligou sua morte à morte do meu queridos? Hahahah, isso é perfeito!"

"Não deixe ele morrer sozinho, pois ele já carrega peso suficiente sozinho."

Depois, a voz de Aurora desapareceu completamente.

Em seguida, a estrela carmesim entrou lentamente no corpo de Vaela, que começava a chorar, imediatamente provocando uma série de modificações internas.

Sua linhagem estava sendo alterada, assim como seu cabelo e olhos.

Sua Origem foi modificada e passou a ser: Estrela Carmesim da Devoção, uma Origem de nível mítico criada unicamente para ajudar uma única pessoa.

Era um poder criado a partir da imensa devoção e amor que Aurora sentia por Kaden, e seu desejo de ser seus olhos.

Vaela também herdou as memórias, as habilidades de pintura e os sentimentos de Aurora.

Assim…

Nasceu Vaela Aurora Crimson.

Do lado de fora, os membros do Véu Carmesim assistiam enquanto o corpo de Vaela começava a ser banhado por um brilho carmesim, seguido por sua aparência que mudava.

Observavam com admiração, até que de repente,

"Chame o Ceifador." disse o Antropólogo, "Acredito que ele saiu de sua missão."

"Chame-o e diga…"

Os olhos do Antropólogo brilhavam com uma luz castanha intensa,

"…que já temos quem ele ama. Então, ele pode enlouquecer."

A Abominação e Ruído sorriram maliciosamente.

Smith tremeu.

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