Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 342

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Berço do Vazio."

No instante em que essas palavras, vazias de tudo — de subsistência, de emoções, de qualquer significado — ecoaram pelo mundo como um canto divino e retumbou profundamente na cidade destruída…

…toda a Cidade de Prata desapareceu no vazio, engolida pelo vasto domínio de Kaden.

De fora, o local onde ficava a Cidade de Prata simplesmente deixou de existir. Em seu lugar, restou um espaço vasto e vazio, sem edifícios, sem corpos dos caídos, sem o sangue deles.

Era como se a cidade tivesse sido apagada do próprio tecido do mundo, sobrando apenas o vazio. Uma ferida no espaço. Uma anomalia que soava terrivelmente errada até para os povos mais mundanos, quanto mais para um despertado que trilhasse o caminho da ascensão.

E como se fosse destino, foi exatamente nesse momento que Aurora Estelar chegou à cidade, parada ali, uma chama de confusão dançando intensamente dentro de seus olhos estrelados hipnotizantes.

Todo o seu corpo era envolto por um brilho estrelado, com uma estrela carmesma à sua frente, criada usando o sangue de Kaden.

Ela estava completamente exausta, gotas de suor deslizando pelo rosto como uma chuva sem fim. Seu peito movia-se de forma irregular, sua respiração curta e ofegante.

Algumas partes de seu cabelo dourado estavam grudadas em seu rosto por causa do suor, demonstrando o quanto ela abusou de seu poder para chegar ali o mais rápido possível.

Ela virou a cabeça para olhar ao seu redor, por um breve momento, questionando se havia se perdido por causa das sombras dançantes e vivas, e pelo desaparecimento do sol e da lua.

Mas ela imediatamente balançou a cabeça, negando esse pensamento, pois seu coração e sua conexão íntima com Kaden mostravam com clareza que ela estava no lugar certo.

Além disso, a estrela carmesma guiava seu caminho até ele, mas parou exatamente onde ela estava, tremendo e choramingando como se tivesse medo de dar um passo adiante.

Acima, o céu do império se desintegrava, e a voz furiosa da Imperatriz do Sol vibrava por toda parte, acompanhada pelo rosnar da Lua pouco tempo depois, causando terremotos de sombras que se erguiam em proporções assustadoras ao redor.

O gelo que escorregava pelo céu começava lentamente a tingir-se de sangue vermelho-carmim profundo.

"N-Não pode ser…" ela respirou, percebendo dolorosamente as consequências da batalha entre o Sol e a Lua e os destinos finais de Kaden e dela mesma, com a vitória da Imperatriz.

Ao compreender isso, ela virou a cabeça rapidamente para o espaço vazio onde antes ficava a Cidade de Prata, rezando — para todos os deuses — que pudessem ouvir as preces de uma mulher desesperada e apaixonada — para salvar aquele que tornava o caminho que ela trilhava suportável.

Ela rezou. Pois isso era tudo o que podia fazer.

Mas ela sabia… ela sabia que os deuses nunca responderiam às preces humanas, a menos que você estivesse disposto a perder aquilo que mais ama.

De repente, pareceu que o peso do mundo inteiro pressionava seus ombros ao ela se ajoelhar sobre as sombras rebeldes, cabeça baixa, rezando e esperando um milagre acontecer.

Um milagre.

Ela pediu um milagre, sem saber que, naquele exato momento, um milagre lutava contra o recipiente de um deus, dentro de um domínio vazio de…

…qualquer coisa.

…nada.

Qualquer coisa dentro do seu domínio poderia ser apagada e engolida pelo vazio, se ele desejasse.

Essa revelação faria arrepiar a espinha de Kaden, mas ele não sentia nada, pois naquele momento estava em união com o vazio.

Era intrigante, ele refletiu com frieza.

Nesse domínio de sangue carmesmo, tudo era pintado de um vermelho profundo e intenso, como se o próprio universo estivesse sangrando.

Kaden permanecia no centro daquele espaço, com as costas retas e firmes.

Sua aparência tinha mudado. Seus olhos agora eram brancos, sem pupilas, emitindo uma sensação de vazio que poderia enlouquecer alguém.

Seu cabelo ainda era preto, mas do tipo que só se encontra nas regiões mais profundas do espaço do nada. Suas roupas também não existiam mais. Seu peito estava à mostra, exibindo músculos definidos e magros para todos verem. Em suas costas, tinha sua Marca do Fardo, com o símbolo de Reditha brilhando com encantamento no interior daquele domínio sombrio.

Além disso, a parte inferior do corpo era envolta por calças pretas feitas do próprio vazio condensado.

Ele fechou os olhos, tentando perceber o efeito do seu domínio. Informações começaram a fluir naturalmente para sua mente, fazendo-o entender que seu domínio corroía a mente de qualquer um que estivesse dentro dele, levando à perda da própria noção de existência, além de lhe dar o poder de apagar qualquer conceito.

Ao perceber isso, Kaden não pôde deixar de pausar, reconhecendo a implicação assustadora.

Se quisesse, até o conceito de visão seria engolido pelo vazio, deixando seu adversário sem qualquer forma de enxergar. O mesmo valia para vida e morte, permitindo-lhe matar ao apagar a vida dentro de seu domínio, terminando com seu oponente instantaneamente.

Ele sentiu que era imune aos efeitos do seu domínio e que só podia apagar um conceito por vez. Então era uma habilidade temporária, concluiu.

Além disso, apagar um conceito exigia uma vontade primordial, especialmente contra um Antigo.

Carregando tudo isso na mente, Kaden suspirou e, finalmente, fixou o olhar à sua frente, observando Lorde Prata olhando ao redor com choque crescente, como se fosse incapaz de acreditar no que via.

"E-Vazio?" ele conseguiu balbuchar, olhando para Kaden com olhos renovados. Olhos gananciosos.

Kaden talvez não soubesse em que tipo de conceito estava brincando, mas Silver — ou mais precisamente, Trinta-Três — conhecia muito bem o Vazio.

Ele sabia que esse conceito — assim como seu oposto, Totalidade — tinha consciência suficiente para escolher quem poderia usá-lo.

E conhecia também o fato de que o Vazio nunca havia escolhido alguém desde o começo, nem se envolvido nos jogos de ninguém.

Então, por que agora?

Essa deveria ser a dúvida que ele se fazia, mas, ao ter a oportunidade de vislumbrar um pouco do Vazio na sua mão, sua mente foi completamente obnubilada pela ganância.

'Uma Semente do Vazio? Não! Ainda não, isso é só uma faísca dele! Só uma faísca! Mas é mais do que suficiente! Mais que suficiente!' Lorde Prata lutava para conter o eco empolgante de Trinta- Três em sua cabeça.

Ele deu alguns passos para trás, baixando a cabeça, a mão apertando seu crânio com força, suor escorrendo em cascata, sentindo sua mente se deteriorar lentamente. No começo, ficou confuso, mas logo percebeu que seu deus tentava tomar o controle do seu corpo.

Seus olhos se arregalaram, a cor desaparecendo de seu rosto, enquanto estremecia de medo absoluto, começando a lutar: "Meu Senhor! Não!" ele choramingou.

Acima, Kaden observava a cena com olhos apáticos. Como era seu domínio, podia sentir que o poder dentro de Lorde Prata tentava assumir o controle do corpo de Silver.

Era um tipo de poder que ele tinha sentido ao inspecionar a mente de Lady Sora, e agora entendia por que aquilo parecia familiar à primeira vista.

Era divindade. Algo que ele havia conseguido tocar graças à divindade do Caminho da Tristeza e do Caminho do Sol, que obtivera.

Um deus. Ou algo semelhante.

'Lady Sora… e um deus?' pensou, mas imediatamente voltou sua atenção ao momento presente.

Abaixo, assistia lentamente Lorde Silver gritar, chorar e implorar ao seu deus para não tomar seu corpo: "Buscador! Isso não era o acordo!" ele gritou, seu corpo rachando, "Você me prometeu um aumento no meu talento! Prometeu me fazer um Ascendente!"

Seus lamentos eram inúteis, mas Silver não conseguia parar de resistir.

Se ele parasse, provavelmente morreria. A divindade de Trinta- Três era forte demais para ser contida dentro de seu corpo. Ela iria ruir.

Porém, Trinta- Três não se importava, e lentamente Lorde Silver deixou de resistir. Desde o início, era uma causa perdida, pois Trinta- Três estivera dentro de sua mente por tempo demais, tendo tido tempo suficiente para degradá-la profundamente.

Após assumir o controle, o corpo de Silver começou a se transformar. Seus cabelos prateados se transformaram em cinzas que pareciam faíscas ao vento. Acima de sua cabeça, surgiram dois chifres, cada um na forma do símbolo 33.

Seus olhos tornaram-se completamente o símbolo 33, seu nariz desapareceu, e sua boca exibia uma fileira de dentes negros, impecáveis e afiados.

Por trás dele, surgiram duas asas de cinzas, que batiam incessantemente, inquietas.

Seu corpo ficou cinza, com rachaduras brilhando em negro por toda parte.

Ao concluir a transformação, a entidade finalmente ergueu a cabeça em direção a Kaden, que observava toda a cena tranquilamente, com as mãos atrás das costas, numa postura despreocupada.

A entidade, Trinta- Três, sorriu de forma maníaca: "Sua Origem. Seu núcleo. Seu coração. Sua mente. Não importa, Prometeu! Eu quero tudo!" gritou como uma banshee, fazendo ondas de poder eruptarem dele em camadas sucessivas.

Sem palavras, porque sabia que esse corpo não suportaria por muito tempo, ele usou rapidamente a pouca divindade que conseguira reunir naquele momento e dilacerou o espaço em direção a Kaden como uma bala de canhão, deixando um rastro de cinzas.

O ar ao redor dele tremeu e começou a se decompor. Até mesmo o domínio de Kaden estava sendo lentamente destruído.

Kaden assistia silencioso, cada vez mais próximo. Em breve, Trinta- Três estaria a apenas alguns centímetros dele, com as garras estendidas prontas para decapitar.

Ele exalou, e por um breve instante, o conceito Velocidade desapareceu.

Trinta- Três parou abruptamente, surpreso. Mas logo encontrou Kaden diante de si, com a mão estendida para cima, invocando uma enorme espada vermelha.

"Caia." sussurrou Kaden, permitindo que o conceito de Velocidade voltasse a existir.

A espada carmesma caiu.

Trinta- Três rangeu os dentes e envolveu suas asas ao redor do corpo para se proteger, acrescentando sua divindade em decomposição para reforçá-las.

Escolha péssima.

A espada vermelha chegou a uma polegada dele, e Trinta- Três finalmente sentiu o conceito de defesa ser apagado.

Seus olhos se arregalaram na hora exata, quando a espada perfurou seu peito implacavelmente, despedaçando sua pele em estilhaços.

"Arghh!" gritou, sendo lançado para baixo com força, com intensidade cortante.

No percurso de queda, tentou usar sua divindade para se livrar da espada, mas sentiu uma restrição impossível segurando sua essência divina.

Ele franziu o rosto, cuspiu sangue cinza, e puxou com força a espada do peito, grunhindo de dor. Parou sua descida infinita, as asas batendo pesadamente, estudando o poder que bloqueava sua divindade.

Ele franziu o cenho: "Vontade?" sussurrou, incrédulo. Então, seus olhos se arregalaram ainda mais,

"O Escravo?" exclamou, horrorizado.

"Ah. Então você conhece meu mestre?" a voz de Kaden reverberou, enquanto Trinta- Três virou a cabeça para o lado esquerdo, apenas para ver a palma aberta de Kaden envolvendo seu rosto com uma mordida feroz.

Ele abriu a boca.

"Silêncio." ordenou Kaden.

E fechou a boca de repente.

'O Escravo? Mestre?' a mente de Trinta- Três ficou perdida.

O que estava acontecendo? Quem era esse homem?

Como ele tinha a singularidade do Escravo?

Vazio… e agora o Escravo?

Não, não eram só eles, ele percebeu. Suas pupilas dilataram ao notar algo profundo dentro de Kaden, algo tão sutil que ninguém deveria ter percebido.

Trinta- Três ficou vermelho de raiva ao ver aquilo, conseguindo falar mais uma vez.

"VOCÊS!" rosnou, falando mesmo com a palma de Kaden sobre seu rosto, seu Will avassalador tornando-o exponencialmente mais fraco. O corpo de Silver trincava e se desintegrava rápido demais.

Mesmo assim, Trinta- Três falou.

"VOCÊ, TRAIDOR!" rugiu como uma fera berserk, "É VOCÊ DE NOVO! POR QUE ESTÁ MUDANDO A LINHAGEM NOVAMENTE?!"

Kaden ficou de repente perplexo com sua explosão, mas não tinha paciência para ele. Começou a reunir uma grande quantidade de Will na palma da mão, para acabar com Trinta- Três.

"Agora," começou,

"HERÓI!" Trinta- Três lutava sob seu controle, "VAMOS MATAR VOCÊ, HERÓI!"

"Por que me chama de Herói, verme?" perguntou Kaden, sem emoção, antes de sacudir a cabeça, sentindo seu mana se esgotar.

Sua mão começou a ser envolvida por um Will vermelho tangível, e com uma voz parecida com um conceito,

"Apenas..."

"VAMOS—!"

"…morrer."

Imediatamente, Trinta- Três — ou melhor, seu recipiente — parou completamente, imóvel, enquanto o conceito de vida era apagado dentro dele, seguido pelo colapso da sua mente por um clarão da espada carmesma.

E assim…

Kaden matou o recipiente de um divino.

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