Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 315

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Posso saber, querido irmão, a razão da sua visita?" Solaris perguntou, com um tom de sussurro irritante, sentado calmamente em sua cadeira de ouro e branco frio, seus olhos solares fixos no homem que estava à sua frente.

A sala estava escaldante.

O homem ali tinha todas as características de um Asterion, com cabelos dourados que pareciam redefinir o próprio conceito de ouro, e olhos dourados que brilhavam como minúsculos sóis.

O ar parecia suar.

Enquanto Solaris vestia uma túnica folgada de ouro e branco, adequada a um príncipe que nunca empunhou uma espada, o homem diante dele estava trajando uma armadura de ônix negro, com um longo casaco preto fluindo atrás dele como um mar de sombras. O contraste entre aquele preto profundo e seu ouro radiante era hipnotizante.

Ao seu lado, logo ao alcance do braço, erguia-se uma enorme lança negra cuja ponta tocava o teto, chamas negras lambiam seu mane edgep, exalando uma pressão forte o bastante para fazer o próprio espaço tremer.

Seus olhos eram severos, seu rosto esculpido como se fosse talhado em ouro.

Ele era Soleil Asterion, o Primeiro Príncipe.

E, apesar da pergunta de Solaris, ele não se dignou a responder imediatamente. Simplesmente fixou seu olhar penetrante e seco no irmão por alguns momentos, antes de abrir os lábios.

"Por favor, irmãozinho," disse com uma zombaria silenciosa, "você é realmente tão tolo a ponto de usar suas artimanhas mentais comigo?" Seu sorriso se afinou numa expressão frágil. "Ou faz isso há tanto tempo que distorcer mentes virou segunda natureza para você?"

O sorriso de Solaris não vacilou. Ele apenas encolheu os ombros, despreocupado. "Ou talvez," disse de forma leve, "eu simplesmente goste da ideia de usar o que é meu."

Então, com uma mudança súbita no tom, "Seu motivo para visitar?" ele perguntou, o sorriso ainda no rosto, apesar da irritação clara que transparecia em suas palavras.

Soleil o conhecia bem. Mas não se importava nem um pouco.

"Veja bem, irmãozinho, tenho observando você," Soleil disse, enquanto seu dedo enluvado batia suavemente na mesa dourada, num ritmo angustiante, cada toque elevando a temperatura do ambiente em um grau. "E, para alguém que almeja o trono, você não faz nada além de ficar sentado no seu escritório ordenando aqueles cujas mentes você manipula."

Solaris não respondeu.

"Diga-me," Soleil continuou, seus olhos começando a girar como sóis em rotação, "você realmente confia no poder do Starborn?"

Solaris finalmente sorriu. "Está tentando me enganar, ou enganar a si mesmo, irmão?" perguntou com uma risada. "Você sabe tão bem quanto eu. Afinal, se não fosse por aquele conhecimento terrível que devora sua paz, você não estaria aqui perdendo tempo comigo."

Ele se inclinou levemente para frente, sua voz quase suave, quase gentil. "Estou errado? Você sabe muito bem que o caminho do Starborn nunca falha." Seu sorriso se agudizou. "Por isso, você quer tanto matá-la, não é? Você tem medo, irmão. Medo do fim do caminho que estou trilhando. Admita."

Os olhos de Soleil não mostravam nada além de uma expressão vazia, então uma risada seca, sem humor, escapou de seus lábios. "Então você pretende ficar aí, mimado como uma criança, enquanto alguém mais sangra para fazer de você o imperador?"

"Cuidado, irmão, posso sentir inveja," Solaris zombou, seu sorriso se ampliando.

"Inveja?" Soleil repetiu, balançando a cabeça lentamente. "Sentimento de tolo." Um movimento de seus dedos acendeu línguas de fogo que dançaram distraidamente ao redor de sua mão. "Só tenho pena de Aurora, porque sei que você a vê apenas como uma ferramenta a ser usada." Sua voz se tornou mais pesada. "Você conhece bem o preço de enxergar claramente um caminho, especialmente o caminho de um imperador."

Um suspiro suave, invisível, escapou de seus lábios.

"Você só sabe que ela espera por ela no fim, Solaris, e mesmo assim, não apenas a observa, mas a incentiva a dar sua vida por você." A voz de Soleil era fria, mas havia uma ponta de dor nela. "Você não a ama, Solaris. Você ama o poder dela. Você ama o que ela representa pra você."

Ele fez uma pausa, e lentamente continuou: "Seu caminho."

Outro instante de pausa, recompondo-se,

"Mas há algo que talvez escape à sua mente mimada, irmão," Soleil sussurrou, "nenhum homem aleatório é digno de sacrificar uma estrela."

Seu olhar se endureceu.

"Você é digno?"

Solaris permaneceu em silêncio, seus olhos dourados fixos nos do irmão. Lentamente, ele abriu os lábios, sua voz deixando de ser um sussurro suave, tornando-se um som gélido, pesado com morte e orgulho,

"Se eu, Solaris Golden Asterion, não sou digno," ele growlou, "então ninguém é."

"E, por favor," acrescentou, sorrindo com veneno, "poupe-me dessa exibição grotesca. Pare de agir como se fosse algum tipo de herói sanguinário, irmão. Não pense que não percebo." Seu sorriso se tornou algo cruel. "Você ama Aurora."

Ele cuspiu as palavras diretamente para Soleil, e a expressão deste se fechou.

Solaris riu.

"Você a ama, mas ela não te ama. Ela só vê a mim, quem a ajudou quando ela era nada." Ele se inclinou para frente,

"Talvez por isso você queira matá-la, finalmente? Não pelo trono. Mas por inveja. Pelo sentimento que faz seu peito latejar toda vez que a vê sorrir e se ajoelhar perante mim, enquanto você fica de lado assistindo, como sempre fez."

A face de Solaris pairou a um centímetro da do irmão,

"Porque, mais uma vez, irmão, eu te mostrei que sou melhor do que você." Sua voz caiu num rosnado. "Você me ouve?"

Soleil observou-o com os olhos semicerrados, fechou-os brevemente, controlando suas emoções, depois deu uma notícia de desprezo silencioso.

"Talvez você não lembre, já que o pai nunca tolerou sua presença, mas uma vez ele disse algo que vale a pena recordar…" Soleil murmurou, antes de citar:

"As crenças de um ignorante são sempre lembradas com grande diversão."

Ele lentamente se levantou da cadeira, que rangeu sob seu peso, e disse: "Em toda essa besteira que você acabou de dizer, só uma coisa era verdadeira: eu amo Aurora." Ele se virou, fez uma volta com o corpo e começou a se afastar. "Mas, se você se acha melhor do que eu, talvez devesse questionar se seu poder já começou a distorcer sua mente."

"Que a Celeste me abandone, se eu tiver que acreditar que um homem que usa seu talento para forçar uma garota quebrada a amá-lo é de alguma forma melhor do que eu."

O corpo de Solaris tremeu.

"Ainda assim, irmão, devo te parabenizar, seu trabalho com ela tornou impossível que ela veja a razão. Então…"

Ele parou na porta, a lança negra já na mão.

"Vou matar Aurora," ele rosnou. "Não porque a odeie. Não porque eu não deseje o trono para você. Mas porque ela não merece morrer por um homem que a tratou apenas como uma ferramenta. Darei a ela a salvação que ela merece."

Ele saiu da sala, mas suas palavras ecoaram como um decreto divino.

"E, se essa decisão te desagradar, então venha. Venha lutar comigo."

Sua voz silenciou, e junto com ela a sala se transformou numa fornalha dourada, consumindo tudo ao redor.

A própria sala parecia chorar de dor.

Solaris permaneceu em silêncio, entre as chamas lamber, seu corpo uma tocha viva, as chamas carinhosamente traçando seus contornos, mas sem jamais tocar a roupa.

Ele puxou seu dispositivo de comunicação rúnico, o acendeu com mana, e logo uma voz respondeu.

"Sim, meu príncipe," respondeu Lady Sora, respeitosamente, na porta.

"Traze-me Aurora," Solaris ordenou, com tom inquieto. "Qual a distância até lá?"

Kaden e Aurora estavam de volta à Casa Starborn, mas completamente diferentes de como estavam quando saíram na manhã anterior.

O relacionamento deles havia se estreitado, cada um mais consciente, mais atento ao outro.

Achavam aquilo estranho… mas agradável.

Kaden tinha aceitado a decisão de Aurora, concordando em não atacar aquela dimensão escura e estranha cheia de doundous imediatamente. Não porque achasse que ela tinha razão, mas porque tudo tinha mudado.

A Missão de Evolução de Kaden fora alterada pela sua Vontade.

Ele ainda tinha dificuldade em acreditar; sua mente lutava para entender o que tinha acontecido. Nunca ouvira falar de alguém cujo objetivo fosse mudado no meio da execução.

Mas, de alguma forma, tinha conseguido. Por causa de sua Vontade.

Mais uma vez, percebeu do que seu mestre era realmente capaz.

Sua Vontade reagira violentamente, impulsionada pela emoção, para salvar Aurora da morte.

Mas esse era o problema: a morte de Aurora era predestinada. Algo que tinha que acontecer, seja pela ganância de Solaris ou pela falsa salvação de Soleil.

Ela não podia escapar disso.

Mas Kaden, sem conhecer toda a verdade, ainda desejava livrá-la dessa condição.

E assim, a própria Vontade reconheceu a dele, mudando a missão para alinhar-se à sua rebelião.

{Kaden Guerreiro de Sangue, você está tentando contrariar o destino, para salvar aquele destinado a juntar-se às estrelas.}

{Você ainda não é digno, mas sua Vontade foi ouvida.}

{Sua Missão de Evolução foi alterada.}

{Seu desejo é salvar Aurora, a Senhora das Estrelas. Para isso, Herdeiro da Morte, sua tarefa não é nada fácil.}

Ela pausou, e então continuou…

{Mate os responsáveis por sua morte.}

{Mate os dois irmãos: Solaris e Soleil Asterion.}

Dizer que Kaden ficou chocado com essa nova missão seria um eufemismo brutal.

Não apenas porque a Vontade ordenara que ele matasse o próprio homem que Aurora amava e desejava tornar Imperador, mas também porque sabia que matar os dois príncipes colocaria todo o Império contra ele.

Ele realmente deveria enfrentar um Império inteiro, como uma entidade de nível Mestre?

Kaden não conseguiu evitar um calafrio de pavor.

Mas já era tarde demais, pois nem um minuto após pisar no solo da Casa Starborn…

"O Filho de Ouro deseja vê-la, minha senhora," disse Lady Sora na porta, com seu tom respeituso habitual.

Naquele instante, tanto Kaden quanto Aurora congelaram, seus corações pulsando de apreensão.

'Droga…'

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