Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 316

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Ao ouvir Lady Sora falar que o Filho do Ouro queria vê-los, Aurora conseguiu, apesar de muita dificuldade, convencê-la a deixá-la descansar primeiro antes de partir.

Reclamou que aquele tinha sido um dia difícil e que não queria encontrar seu príncipe pensando em como sua cama devia ser macia.

Aquela situação era estranha para Aurora, pois era a primeira vez que tentava evitar um encontro com seu príncipe. Em circunstâncias normais, ela nunca teria dado uma desculpa. Ela teria ido, mesmo que precisasse rastejar até lá exausta.

Isso a fez perceber que ela vinha mudando cada vez mais internamente.

Será que era algo bom? Ou ruim?

Aurora não fazia ideia.

Lady Sora não teve escolha senão aceitar seu pedido, vendo que fazia sentido. Ainda assim, ela não podia deixar seu príncipe esperando muito tempo, então decidiu que iriam na manhã seguinte, bem cedo, ao amanhecer.

Aurora aceitou com um sorriso grato antes de ir direto para seu quarto. Kaden a seguiu com uma expressão neutra, que ele conseguiu suavizar num leve sorriso ao passar ao lado de Lady Sora.

Lady Sora retribuiu com graça.

Depois, entraram junto na sala bagunçada. Aurora imediatamente sentou-se na sua cadeira, inclinando-se levemente para trás, exalando suavemente pelo nariz enquanto seus olhos desciam sobre seu cavalete, onde repousavam os primeiros rabiscos do que parecia um céu estrelado incompleto.

Ela não falou nada, apenas olhou fixamente. O silêncio que deixou foi alto o suficiente para Kaden entender seu humor.

Ela estava em pânico com a reunião que se aproximava.

"De repente", disse Aurora, com um sorriso irônico nos lábios, "estou torcendo pra que a noite dure mais."

Kaden a olhou com um sorriso divertido. "Bom, por que não? Mas me diga, não era você quem dizia que adorava o Sol?" ele provocou, tentando aliviar a tensão. "O que mudou?"

Os lábios de Aurora tremeram pesadamente. Ela virou a cabeça na direção dele e rosnou: "O que mudou, hein?" Ela imitou o tom dele com uma expressão distorcida. "Olhe ao seu redor e veja se há alguma novidade neste lugar além de alguém especial."

Ela virou o rosto de volta para a pintura.

"Foi isso que mudou, idiota", ela sussurrou.

Kaden permitiu-se um sorriso, que lentamente desapareceu, sua mente retornando ao peso da situação em que se encontrava.

"Você, talvez, saiba por que ele quer te ver?" Kaden perguntou, ficando atrás dela, seus pensamentos esmagados pela pressão do que estava por vir.

Aurora soltou uma risada seca ao ouvir a pergunta. "Claro", ela disse, "é porque ele sente a minha falta. O que mais poderia ser?"

Kaden deu uma olhada nela, depois escondeu os olhos, relutante em pensar na ingenuidade que pareciam ter suas palavras. Ele tinha questões demais na cabeça naquele momento.

Agora que sua Vontade havia alterado sua Missão de Evolução, Kaden não tinha escolha senão aceitá-la. Precisava aceitar, se quisesse ter chances de sucesso.

Sim, ele poderia usar a Morte e rebobinar o tempo para antes de sua missão ser alterada, mas a dificuldade da tarefa não mudava o fato de que ele ainda não queria ver Aurora morta.

Era estranho para ele se importar tanto com alguém que conhecia há tão pouco tempo. Mas talvez fosse assim que as coisas funcionavam.

Você não precisa necessariamente de anos para se preocupar com alguém. Às vezes, um gesto, uma palavra, um olhar, um sorriso podem quebrar a barreira de anos entre duas pessoas.

Kaden tinha encontrado em Aurora uma novidade que não tinha em mais ninguém. Seu tempo com ela foi agitado justamente por quem ela era, e de alguma forma, essa turbulência havia sido uma boa mudança na rotina dele.

Pela primeira vez, ele foi levado a se importar com alguém seguindo ordens. Isso lhe deu uma nova perspectiva, fazendo entender melhor sua empregada Sabine, sua Cavaleira Nasari e todo seu Véu Carmesim, de uma forma que antes não conseguira.

Para entender o que eles eram, era preciso entendê-los. E, ao entender, ele poderia liderar melhor.

Os sábios estavam realmente certos…

Só se consegue entender algo vivendo aquilo, não estudando.

Por esse presente de perspectiva e clareza recém-descoberta…

Seria uma pena, ele achava, se a luz brilhante de Aurora se apagasse e morresse por causa de um homem que só a valorizavaquando ela sorria para ele enquanto perfurava seu coração.

'Ah… estou me tornando irracional', ele sussurrou para si mesmo, ciente de que estava se envolvendo em assuntos que não devia.

Mas já era tarde demais.

Aquele que segue seu coração precisa estar preparado para trair seus próprios princípios.

O coração é um órgão que anda com emoção como combustível, não com lógica, e ser guiado por emoções é sinal de tolos.

'Então, sou um tolo', Kaden acrescentou secamente a si mesmo.

"Por que parece tão desnorteada?" a voz de Aurora interrompe seus pensamentos inquietos, trazendo-o de volta à ela.

Ele olhou para ela e viu que seus olhos também estavam fixos nele, brilhando com uma luz vulnerável e silenciosa.

Kaden fixou seu olhar por um longo tempo, pensando no que precisava fazer e como fazer Aurora entender que, para ela viver, ele teria que se opor ao Império Celestial.

Seria uma tragédia se ele empreendesse essa jornada só para a pessoa que tentava proteger se virar contra ele; tal traição o machucaria profundamente.

Se isso acontecesse, ele a deixaria morrer e voltaria no tempo.

Então, antes de tudo…

"Minha senhora", disse suavemente Kaden, "você sabe que quero que viva, não é?"

Aurora assentiu, tentando reprimir seu sorriso.

Desde que conheceu Kaden, ela vinha se sentindo… estranhamente feliz.

Será que era assim que se sentia quando se era cuidado?

Deuses, ela queria mais disso. Queria ver ele cuidando dela de novo.

Agora, até a ideia de viver só para sentir essa emoção novamente era demais para recusar.

Era como um ser que fora sufocado a vida toda finalmente descobrindo o verdadeiro sentido de respirar. Uma vez que sente isso, não dá mais para voltar atrás.

Então, à pergunta de Kaden, ela assentiu um pouco rápido demais. "Prometo que não vou usar meus poderes. Tenho dois anos, posso aproveitá-los enquanto puder." Ela sorriu, com os olhos brilhando suavemente. "Vou te seguir e deixar você ser quem decide o reino."

Kaden assentiu levemente, silencioso de felicidade ao ver que ela agora desejava viver, depois de horas conversando naquele lugar miserável.

Ora, ela já tinha desejado isso, mas agora tinha coragem de dizer em voz alta.

Depois, ele se moveu, foi até ela, ajoelhou-se na altura do rosto dela e, com delicadeza, segurou suas mãos com as próprias.

Aurora estremecceu, sentindo o calor das palmas dele penetrar por todo seu corpo. Seu rosto ficou vermelho, seu coração disparou novamente, como uma equipe de cavalos furiosos.

De repente, ela ficou com medo de que ele percebesse o quão alto batia seu coração, que notasse o quanto tinha influência sobre ela.

Mas aí seus pensamentos pararam. Seus sentidos captaram o ritmo errático do próprio coração de Kaden.

Ela deixou de desviar o olhar, e ao invés disso, olhou para ele, vendo que ele também lutava para esconder seu constrangimento, com o canto dos lábios se movendo levemente.

Ele estava estranhamente fofo naquele momento.

De forma instintiva, Aurora sorriu, seu coração ainda alto, mas agora aceitando de bom grado, enquanto suas mãos se fechavam com mais força ao redor das dele.

Kaden sentiu-se feliz e culpado ao mesmo tempo. Feliz pela sensação de calor ao sentir seus dedos fecharem-se sobre os dele, e culpado pelas emoções que não tinha permissão de sentir agora, correndo por ele.

'Estou cavando minha própria sepultura. Maldição. Essa missão vai acabar comigo', zumbiu internamente, embora sorrisse para fora.

"Tenho uma pergunta, minha senhora", ele disse.

Aurora assentiu.

Inspirando silenciosamente, ele abriu os lábios. "Tem certeza de que está apaixonada pelo príncipe?"

Com essa pergunta repentina, Aurora ficou sem palavras. Uma época, ela jura que o amava, mas ultimamente, as coisas começaram a mudar.

Desde que conheceu Kaden, havia algo nele que deixava sua mente… o quê? Mais clara? Ela imaginava que sim.

Ela não sabia como explicar, mas parecia que algo vinha obscurecendo seus pensamentos, e a presença de Kaden lentamente tinha feito aquela névoa se dissipar.

Com o brilho desaparecendo, a dependência esmagadora e o amor cego que ela sentira um dia pelo príncipe começaram a se enfraquecer, dando espaço para outras coisas surgirem… pensamentos, dúvidas, sentimentos que ela mal compreendia.

Aquela clareza repentina a fez questionar tudo. E, mais importante, fez ela lembrar de algo sobre seu príncipe.

"Meu príncipe, não, o Segundo Príncipe tem duas Origens", disse Aurora de repente, com a voz carregada, fazendo Kaden erguer uma sobrancelha surpreso.

Ela continuou, devagar agora.

"Uma Origem que herdou de sua linhagem como Sol, e outra relacionada à mente." Quanto mais ela falava, mais tudo ficava nítido. "Diga-me, Fraude…"

Ela fez uma pausa, apressando-se em apertar ainda mais as mãos dele, como se buscasse conforto.

"Qual a probabilidade de o príncipe ter usado seu poder para manipular minha mente?"

Os olhos de Kaden se arregalaram levemente, a compreensão surgindo. "Como assim? Vocês eram apenas crianças quando se conheceram?"

"Tínhamos dez anos", ela respondeu em voz baixa. "E já tínhamos despertado nossas Origens. Naquela época, meu poder como Estrela Guia já era conhecido." Sua voz trêmula. "E eu tinha acabado de perder meus pais, exatamente como estou perdendo minha vida agora."

Ela fez uma pausa, depois continuou, com tom mais firme:

"Afinal, meus pais eram subordinados à Imperatriz Sol." Seus olhos brilhavam com mais nitidez, mais afiados. "E todo mundo sabe que o Segundo Príncipe é o favorito da Imperatriz Sol."

Ela não precisou dizer mais nada; Kaden entendeu perfeitamente o que vinha a seguir.

Quão fácil devia ter sido manipular uma garota destruída pelo luto, com talento mental e algumas ações suaves?

Agora, ele entendia por que sentira a influência do príncipe tentando invadir sua mente na primeira vez que se encontraram. E, ainda mais, por que Aurora começara a se libertar de seu domínio esmagador.

'Minha Vontade…' ele percebeu. 'Será que é isso que faz uma Vontade única, algo que não só me afeta, mas também altera o espaço ao meu redor?'

Era como a Vontade do seu mestre, que podia tornar não só ele intocável, mas também a arma em suas mãos, e até o ar ao seu redor.

Qualquer coisa poderia se tornar invencível como ele.

Isso era…

'O verdadeiro terror de uma Vontade única.'

Como não tinha notado isso antes? Sua própria Vontade já tinha mudado a essência da sua missão sem que ele percebesse.

Isso significava…

'Posso dissipa completamente a habilidade mental usada pelo príncipe sobre Aurora e então…'

Ele sorriu.

Finalmente, ele tinha uma saída para aquela maldita missão.

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