Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 297

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden abriu os olhos mais uma vez naquele lugar estranho, uma névoa dourada beijando seu corpo como larvas rastejando sob a pele.

Ele balançou a língua, depois se levantou lentamente do chão, sem palavras, erguendo a postura enquanto observava a cena diante de si.

A voz de Mahina começou a ecoar em sua cabeça, ameaçando-o de uma forma quase excessivamente educada. Mas ser educado certamente não o impediria de esmagar seu rosto contra o chão se a oportunidade algum dia ousasse surgir.

Sua Vontade ainda permanecia ativa, então a dor e os sussurros não eram insuportáveis, embora sua expressão se contorcesse de desconforto.

Havia algo nessa intenção que fazia sua pele formigar, como se fosse picado por dezenas de corvos famintos por sua carne. Loucura… havia muita loucura ali dentro.

Mas não só isso, porque quando Kaden focou em entender os sussurros, quando cerrou seu controle sobre a própria Vontade e deixou algumas ponta de intenção deslizar para sua mente… ele conseguiu discernir algo além da loucura.

Havia medo. E tristeza. E uma ira tão enorme que parecia engolir céu e terra inteiros.

Ira e dor… fundidas até atingirem o nível da loucura pura.

E pensar que Kaden pretendia usar essa própria intenção para superar seus limites atuais…

Ninguém em ambos os mundos ousaria fazer isso. Era como assistir a um fogo queimando silenciosamente em um canto e decidir mergulhar nele com um sorriso sangrento. Você, sem dúvida, se queimaria e acabaria morrendo.

E ainda assim, assim como o fogo ignora o que queima, Kaden precisava ignorar a dor e o sofrimento que esse ato lhe custaria.

E isso era algo que só ele poderia fazer.

Sorrindo de leve, Kaden deliberadamente removeu a proteção da sua Vontade sobre seu corpo e mente, deixando que suas duas intenções assumissem o controle.

Ele imediatamente cambaleou para trás, seu corpo escorado pelo cansaço repentino, seu rosto contorcendo-se de dor profunda. Uma luz vermelha e negra rasgou a realidade, começando a envolver seu corpo em um abraço protetor.

Mas piscavam de forma irregular, como velas no coração de uma tempestade. Kaden teve que se concentrar intensamente só para manter aquilo, pois o esforço de sobrepujar a intenção esmagadora que o envolvia como uma armadura sanguinolenta era imenso.

'Droga.' Ele amaldiçoou por dentro. 'Isso é mais difícil do que eu imaginei.'

Seus dois intents tentavam fugir, dispersar-se sob a loucura esmagadora do Imperador do Sol Louco. Mas Kaden não permitiria isso de jeito nenhum.

Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente, como sangue aceso, enquanto ele forçava seu foco para dentro, comandando as intents a se estabilizarem em sua mente. Os sussurros ficavam mais altos, e aquele grito incessante de "Aurora!" tornava-se insuportavelmente irritante.

Quem diabos era Aurora?

Ele não tinha tempo para refletir sobre a questão, pois no momento em que deu um único passo adiante, tropeçou e caiu de cara no chão no instante seguinte.

Seu corpo ficou veias, a pele inchada, ameaçando explodir e matá-lo mais uma vez.

Com o rosto contra o frio do chão de gelo, Kaden amaldiçoou com raiva seu estado. Um passo. Um passo sangrento, e ele não conseguia sequer suportar a própria intenção?

De que era feita essa intenção?

Que compreensão o Imperador do Sol Louco havia atingido para criar algo assim? Que nível ele teria alcançado?

Essas perguntas invadiram a mente de Kaden sem descanso, mas ele se recusou a se prender a elas.

Agora não era hora, pois a morte se aproximava. Sentia-a rastejar em sua direção como um lobo faminto caçando sua presa aleijada. Seu tempo estava acabando.

Mas, naquele instante fugaz, enquanto a sombra da morte se aproximava dele, uma tênue luz de clareza pisca dentro de sua mente. Era um brilho suave e caloroso de compreensão.

Ele estava na porta da morte.

Não era o momento perfeito para refletir sobre a própria morte e evoluir sua intenção?

Raramente tinha essa oportunidade. A maioria de suas mortes era instantânea, sem espaço para pensamento ou revelação. Mas agora, aqui, ele tinha um pouco de tempo, mesmo que fosse breve.

Sim, a dor era inimaginável. Com sua Vontade deliberadamente suprimida, a vontade de desistir arranhava sua mente, sussurrando que render-se seria mais fácil. Mas ele não cederia.

Ele tinha suportado demais para se curvar agora, demais para recuar quando a adversidade chegasse para recebê-lo. Ele até mesmo a acolhia. Porque sabia que só por meio de provas assim poderia ir além.

Então, sem mais hesitar, na beira da morte, Kaden começou a buscar compreensão na via da morte.

Mas não somente na morte: seu sangue começou a inchar dolorosamente, seu corpo tremendo sob a tensão, enquanto também buscava iluminação pelo caminho do sangue.

Sua inteligência e percepção atingiriam o limite enquanto ele começava a sentir tudo… a morte apertando suas mãos, o sangue pulsando violentamente por suas veias, suas artérias cantando sua canção.

Ele apenas olhava e ouvia. E, naquele silêncio, algo começou a sussurrar dentro de sua mente.

E ainda assim, ele não conseguiu ir mais longe, pois seu corpo o traiu antes mesmo de sua mente atingir o limite.

[Você está morto.]

E ele morreu.

Enquanto isso, em um lugar envolto por gelo e neve…

Meris Elamin jazia de costas, sobre a grama prateada ao lado de um riacho onde uma estranha estátua de um gato talvez crescido demais vomitava gelo, seu olhar fixo no céu azul pintado de geada, acima dela, a lua azul pendurada como um olho que não piscava, sua expressão repleta de irritação sem limites.

Suas roupas estavam rasgadas, a pele marcada com feridas e riscos de sangue seco.

Ela certamente não passou os últimos dois meses de braços cruzados.

'Vou matar alguém ou alguma coisa, tanto faz quem ou o quê.' Esses pensamentos rodavam na cabeça dela sem parar desde há dois meses.

E como se sentisse sua intenção assassina, nenhum animal se atrevia a se aproximar, assustados pela aura gelada que emanava de seu corpo. O que havia na sua força de gelo não era só frio… era sem vida. Era alienígena.

Como se ela pudesse se aproximar com o sorriso mais quente que já visse e ainda assim te esfolar vivo com esse mesmo sorriso no rosto, sem nenhuma emoção passando por sua alma estranha.

Era arrepiante.

Mas Meris não se importava com esses animais patéticos. Ela estava bem mais preocupada com a missão de evolução lendária que recebera de A Vontade.

{Encontrar os habitantes ocultos do mundo escondido da zona proibida e conquistar seu reconhecimento.}

{Prazo: 4 meses.}

Meris bufou de irritação novamente, lembrando-se do conteúdo vago da missão. Nunca tinha visto ou ouvido falar de uma tarefa tão enigmática em suas instruções.

Passou os últimos dois meses procurando esses habitantes escondidos, vasculhando quase cada centímetro dessa terra congelada, lutando contra criaturas de-ranked mestre e até grandes mestres, escapando por um fio quase toda vez.

Ela ainda não tinha força suficiente para enfrentar uma dessas criaturas de cabeça erguida. Mas parecia que elas não poderiam sair do núcleo da zona, então ela sempre voltava ao mesmo lugar para descansar.

De forma estranha, quase não havia criaturas por aqui, e as que poderiam existir eram apenas pequenos seres de gelo inofensivos, fofos, delicados — coisas que ela não se importava de usar para descontar sua fúria.

'Posso ao menos ganhar uma pista?' ela pensou pela enésima vez. 'Como vou encontrar esses habitantes com só essa informação tão vaga?'

Meris pensaria que A Vontade era injusta, se não soubesse que ela sempre dava missões cuja solução era possível. Então, havia uma saída. Ela só precisava encontrá-la.

Mas isso era mais fácil de falar do que fazer.

Ela suspirou nostalgicamente, sua mente começando a divagar outra vez, pensando que provavelmente se mataria se falhasse na missão. Nunca aceitaria a vergonha de decepcionar sua mãe… ou seu amado.

Ela preferiria morrer.

Mas antes que seus pensamentos se aprofundassem ainda mais, algo piscou na borda da sua visão. Ela piscou, achando que tinha imaginado.

Mas não.

À sua esquerda, uma pequena criatura era perseguida por uma cobra colossal, que assobiava e bufava, pelo menos três metros de altura, com escamas que irradiavam gelo, transformando a paisagem já congelada em um inferno de cristais.

Meris focalizou na criatura menor, seu coração batendo estranho, como uma ansiedade inquieta, e percebeu que era…

Um gato?

Ela piscou, confusa. Mas a confusão não durou, porque algo gritou dentro dela como uma ordem divina:

'SALVE O GATO!'

Em um piscar de olhos, Meris levantou a mão direita, a palma mudando de posição, mexendo-se com pedaços de neve. Ela a golpeou contra o chão, transformando a esteira de grama prateada em um campo de neve escorregadia e gelada. O atrito desapareceu instantaneamente, e seu corpo deslizou pela superfície congelada enquanto interceptava o caminho do gato, chegando bem perto da cobra de gelo.

O gato olhou para ela com uma calma estranha. A cobra congelou, assustadíssima, pelo susto repentino, tempo suficiente para Meris se mover.

Ela torceu o corpo, agarrou o gato roxo, liberou uma rajada de gelo direto na face da cobra, cegando-a, e a fez colidir na neve. Então, ergueu-se do chão e saiu correndo, como já tinha aprendido a fazer para sobreviver.

—Fim do Capítulo 297—

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