Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 286

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

“Ah, agora entendi por que minha filha se apaixonou por você,” disse Lydia, com seus olhos heterocromáticos — um dourado e outro de um vermelho pegajoso — observando calmamente Asael, que a encarava como se estivesse se segurando para não lhe abrir o pescoço em uma rotação completa de trêscentos e sessenta graus.

Isso a fez rir.

Asael não se incomodou em responder às palavras dela.

Estavam dentro do salão do trono, pintado com um tom de vermelho tão profundo que parecia ter sido moldado com sangue. Lydia Drought sentava-se com calma em seu trono rubro, o cabelo vermelho penteado em um grande coque atrás da cabeça, preso por uma adaga vermelha. Ela vestia um vestido preto marcante, que passava das pernas, ocultando os saltos luxuosos sob seus pés.

Sentada de crossed legs, apoiava o queixo na mão direita, com os olhos fixos no Asael acorrentado, several passos abaixo dela.

Ele já estava limpo e curado, vestindo um terno preto que se ajustava perfeitamente à pele pálida, quase cinza, seu cabelo negro sombrio e olhos que completavam a aparência de frieza contida.

Seu olhar era glaciar.

“Não tenho tempo para brincadeiras, garoto,” disse Lydia, com um tom de voz que carregava uma leve nota de diversão. “Então, ou você começa a falar e tem uma boa conversa com sua sogra… ou volta para a prisão e espera sua morte.”

“Morte?” finalmente falou Asael, com a voz como o rosnado baixo de um demônio. “Eu teria escolhido essa opção há muito tempo, se fosse só eu.” Ele cuspiu de raiva.

“Prefiro nunca ter visto a luz deste mundo se isso significar ser seu escravo.”

“Escravo?” Lydia repetiu, rindo suavemente. “Palavra feia, garoto. Você será apenas alguém leal e obediente a este Império. Nada mais, nada menos.”

Ela inclinou a cabeça levemente para a esquerda, seu olho dourado brilhando com uma luz sinistra. “E me diga, isso não é óbvio? Você é um nobre deste Império. Sua lealdade e obediência nunca foram coisa que precisássemos discutir. Nunca deveriam ter sido o motivo de eu te acorrentar.”

Asael balançou a cabeça lentamente.

“Lealdade…” começou, dando um passo à frente, seus olhos negros profundos como um vazio sem fundo. “Lealdade não se dá. Se conquista. E você não fez — deixe-me enfatizar — absolutamente nada para merecer isso de mim.”

“E mais uma coisa, mulher sem coração. Lealdade é uma via de duas mãos. Você não pode esperar recebê-la se não estiver disposta a devolvê-la.”

Ele ranged os dentes até que um ranger profundo ecoasse pelo salão do trono. “Então, como você ousa falar de lealdade comigo? Chega de fingimento, mulher.”

“Você não se importa com lealdade. Você se importa com obediência. Quer alguém que obedeça a você sem nunca pensar em fazer o oposto.”

Ele fez uma pausa, fixando seu olhar frio e furioso no olhar demoníaco de Lydia. “Você só quer um maldito escravo.”

O ambiente silenciou-se. Então, um som seco e corcoveante escapou dos lábios de Lydia, como duas pedras triturando uma contra a outra. Era desagradável.

Porém, devia ser uma risada.

“Sem coração…” ela sussurrou, degustando a palavra. “Você está enganado, garoto. Não sou sem coração, só uso meu coração menos.”

“E me diga…” a voz dela mudou, tornando-se fria e demoníaca, uma melodia carregada de malícia,

“isso vai mudar sua situação, sabendo que quero um escravo?” perguntou ela. “Saber que não me importo com o que você pensa, o que sente ou no que acredita… vai te fazer sentir melhor?”

“Ou isso só vai te dar mais uma razão para alimentar seu ódio por mim e planejar minha derrubada?”

“Diga, Asael Shadeborn… e se eu te dissesse que quero você como meu escravo? E se eu dissesse que quero que siga minhas ordens como a sombra obediente que és… o que aconteceria então?”

Os nós dos dedos de Asael ficaram pálidos enquanto ele a encarava. Diversos pensamentos — violentos, cruéis, tentadores — sussurraram em sua mente, implorando para que cedesse.

Mas ele sabia o que fazer. Então, se conteve.

“Viu?” continuou Lydia, com seu tom de voz repentinamente mais leve. “Não muda nada. Então, vamos fazer isso da forma mais amigável possível. Afinal…”

Seu sorriso se alargou.

“Você é o namorado da minha filha… e o pai da minha neta.”

“Você se importa com eles?” Asael rosnou.

“Sim, eu me importo,” respondeu Lydia simplesmente, depois destravou as pernas e as colocou graciosamente na plataforma. Levantou-se lentamente, seu corpo balançando com uma sensualidade sem esforço, cada passo ecoando agudamente pelo cômodo.

Asael permaneceu imóvel, observando-a se aproximar, passo a passo.

Ele não sabia por quê, mas, naquele momento, sentiu-se como um cordeiro perdido congelado ao ver uma loba faminta.

“Eles são meu sangue,” continuou Lydia suavemente. “Eu me importo o suficiente com eles para não matá-los depois do incidente com você. Mas…”

Ela deu mais um passo, e a distância entre eles desapareceu num instante, ela sendo literalmente a uma polegada dele.

Seu perfume, de rosa e baunilha, invadiu seus sentidos como uma rajada turbulenta de vento.

“…este Império precisa ser elevado. E eu vou precisar de toda ajuda… mesmo de uma sombra.”

Asael não respondeu. Observando Lydia, avaliando sua situação atual, compreendeu perfeitamente que agir com raiva ou perturbação não ajudaria.

Não havia necessidade de sentir aquilo. Seu destino já tinha sido selado no momento em que aceitou voluntariamente o peso de um pai.

Aqui, na frente de Lydia, ele não era mais Asael Shadeborn, Príncipe das Sombras.

Aqui, ele era simplesmente Asael, pai de Valentine. Um pai que queria mais do que tudo a felicidade de sua filha.

Ele exalou lentamente, relaxando a mente. Em momentos assim, não podia deixar de pensar em seu único e verdadeiro amigo…

Kaden.

Ele se perguntava o que Kaden faria se estivesse no lugar dele. Ou melhor, o que Kaden pensaria dele se testemunhasse essa cena?

Essa cena dele aceitando um colar. Aceitando ser um escravo.

Ele o desprezaria? Diria que ele não merece?

Ou sorriria e diria que foi a escolha certa?

Ele queria saber. Não… precisava saber. Precisava saber se ainda era digno da amizade dele.

E ah…

'Sinto sua falta, meu amigo. A masmorra… eu não deveria, mas sinto, por sua causa.'

Ele queria falar com ele novamente. Porque de alguma forma, tinha certeza de que Kaden encontraria um jeito de sair dessa. Não sabia como, mas tinha certeza… se Kaden estivesse aqui, ele não estaria preso.

Mas ele não era Kaden.

E Kaden não estava aqui para guiá-lo.

Ele estava sozinho, como um cordeiro perdido diante de uma loba faminta. E como qualquer cordeiro perdido…

“Como você desejar,” finalmente disse Asael.

…ele foi consumido.

Mas até um cordeiro tem sua vontade. E ele não cairia sozinho.

O sorriso de Lydia se alargou mais ainda. “De agora em diante, você é Asael, A Sombra do Império.”

“Jure lealdade. Jure obediência. Faça seu voto. Envolva esse império na sua sombra protetora e afogue nossos inimigos nas profundezas da escuridão.”

Ela se inclinou mais perto, quase tocando seus lábios aos dele, com as respirações entrelaçadas como dois serpentes.

“Quanto a mim… Eu alimentarei você. Vestirei você. Darei todos os recursos que precisar. Tudo que desejar… peça, e eu concederei, desde que não comprometa o Império.”

Sua voz era suave. Demasiadamente suave.

“Agora… jure lealdade à Vontade. Não a mim, mas ao Império.”

Asael hesitou, então falou, com um tom frio e deliberado.

“Se quer que eu jure, então garanta que Rose e Valentine…”, cada palavra arrastando como ferro, “…nada aconteça com elas. Se minha filha sofrer nem uma ferida sequer, física ou mental, por sua causa ou por este Império, meu voto será nulificado e…”

Ele sorriu. Um sorriso frio, sem vida.

“Eu destruirei esse Império.”

“Você é capaz disso?” provocou Lydia.

Mas o sorriso de Asael não vacilou. “Você saberá se esse dia chegar. E acredite, Lydia…”

“Naquela hora, nada me impedirá de afundar esse Império em uma sombra sem fundo.” Ele se inclinou mais, seu hálito tocando sua orelha enquanto sussurrava,

“Juro isso na vida da minha filha e na minha ligação mais valiosa. E quando esse Império que você tanto ama se reduzir a nada…”

Aqui, seu tom ficou suave.

“Vou te matar, sua vadia.”

Sorriso de Lydia se alargou, de forma anormal, revelando seus dentes brancos perfeitamente alinhados… o sorriso de uma louca. Seus olhos heterocromáticos reluziam com uma alegria perversa.

“Oh, genro… você também quer conquistar meu coração?” ela perguntou, com uma risada fria. “Que ganancioso. Mas…”

Ela colocou as mãos nos ombros de Asael, empurrando-o ligeiramente para trás, obrigando-o a olhá-la diretamente.

“As ameaças de um homem acorrentado não valem nada. Um que logo será escravo, ainda por cima. Ainda assim, vou lembrar suas palavras, Sombra.”

Asael estalou a língua. Sem mais nada a perder, de repente sentiu seu coração vazio de medo ou apreensão em relação a Lydia.

Ela precisava dele. Mas ele não precisava dela.

E ela sabia disso. Também sabia que usar sua filha como moeda de troca além de certo limite custaria mais do que ela estava disposta a perder.

Lydia Drought não era tola. Ela sabia que não se deve confrontar alguém sem escapatória. Afinal…

Um homem acorrentado, sem nada a perder, é mais perigoso do que qualquer coisa que este mundo possa criar.

E justamente por isso ela protegeria Valentine. E, ao proteger Valentine, acabaria protegendo Rose também.

Porque Asael queria que Valentine nunca sofresse dores que poderiam ser evitadas. E machucar Rose causaria exatamente isso, pois Valentine amava sua mãe profundamente.

Assim como Rose amava sua filha.

E foi exatamente isso que Asael jurou.

“Seguirei suas ordens, entregarei minha lealdade e obediência ao Império. Serei sua Sombra. E permanecerei assim, enquanto minha filha estiver segura e livre de perigo. Não importa se vem deste Império ou de seus inimigos. Não importa a forma ou aparência que assumir.”

O sorriso de Lydia vacilou um pouco, mas ela percebeu que pressionar além seria imprudente.

Foi então que ela percebeu que, ao amarrar Asael a ela… ela também se amarrara a ele.

Aquela percepção fez ambos sorrirem… sorrisos largos e insanos, cheios de loucura e compreensão mútua.

“Ah, Sombra, você tem sorte de eu precisar de você.”

“Guarde essa necessidade só pra você.”

Sorriso de Lydia se aprofundou ainda mais enquanto ela girava nos calcanhares, sua voz ressoando pelo salão vermelho.

“Faremos muitas coisas juntos, Sombra. Agora que você se submeteu, podemos começar.”

Ela voltou a sentar-se no trono, olhos brilhando como sangue e ouro.

“Mas, primeiro…”

Seu olhar caiu sobre as algemas que ainda prendiam os pulsos e pernas de Asael.

“…não vamos deixar minha querida neta te ver assim, certo?”

Comentários