
Capítulo 290
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Prometi a mim mesmo que esperaria por eles, mas, infelizmente, não posso mais," murmurou Kaden, pensando tanto em Meris quanto em Inara enquanto se sentava de pernas cruzadas sobre uma nuvem de chama rubro-dourada, tingida com múltiplos tons como sardas em um rosto, flutuando levemente acima do chão.
Meris e Inara haviam retornado a Fokay dois meses depois daquela noite estrelada. Ainda precisavam ajudar suas respectivas mães e famílias antes de partir novamente.
Já se passavam dois meses, e nenhum dos dois tinha retornado ainda. Dizer que Kaden não estava preocupado seria uma baita eufemismo, da mesma forma que dizer que o sol era quente.
Ele estava preocupado de uma maneira que nunca imaginou ser possível, não por família, mas pelos outros. Meris até que era compreensível, ela era sua noiva e futura esposa. Mas Inara…
O rosto de Kaden não pôde deixar de suavizar-se em um sorriso silencioso — terno como a pele de um recém-nascido — ao recordar o voto de sangue que Inara lhe fizera. Ela mesma o havia jurado, prometendo obediência e lealdade, independentemente de tudo, desde que não comprometessem o destino de sua tribo.
Kaden ficou realmente surpreso ao receber tamanha devoção dela. Ela era, à sua maneira, bastante parecida com Meris: não tinha medo de expressar o que sentia e sempre dizia sua verdade em voz alta.
Ela era rude, e maldizia como uma guerreira, mas de uma forma estranha…
'Gosto disso nela,' admitiu internamente. Não tinha certeza de que sentiria o mesmo se alguém mais falasse tão à vontade na sua frente. Mas Inara…
…ela tinha um passe livre.
Os dois meses que passou com Meris e Inara antes delas partirem para Fokay foram alguns dos melhores da vida dele.
As duas mulheres não conseguiam parar de discutir, onde Inara provocava principalmente com sua língua afiada, e Meris reagia através de suas ações.
Foi nesse período que Kaden percebeu que subestimara fortemente o poder de Inara — algo que ele achava impossível.
Criando monstros? Controlando monstros? Mutações? Toxinas? E talvez mais?
Kaden não conseguia acreditar que aquilo fosse apenas uma Origem de Rank Lendário. Não podia ser. O nível de temor que as habilidades de Inara inspiravam era quase igual ao da Origem Mítica de Zaki.
E isso não era uma comparação leve.
Naquele momento, ele percebeu que essas pessoas… esses companheiros dele eram absurdamente talentosos.
Apesar de tudo isso, ele não sentia nenhuma ponta de ciúmes — nada mesmo. Era bastante confiante de si para saber que, se uma batalha acontecesse, Inara não conseguiria vencê-lo.
Os monstros que ela controlava? Explodiriam em uma chuva de sangue sem que ele precisasse mover um músculo. Quanto às toxinas mutantes dela? Ainda mais risível.
Até agora, ele só tinha visto ela usar seu sangue para corromper outros, mas esse método nunca funcionaria com ele. Ele é o Senhor do Sangue. Sangue é seu domínio.
Quanto a Zaki… o poder dele era demasiado dependente de sua Vontade, algo que Kaden nunca acreditou que outro ser neste mundo pudesse superar dele, pelo menos não ainda.
E na última vez que viu Zaki, ele tinha sido um covarde — um covarde em transformação, sim — mas ainda assim, um covarde. Mas, certamente…
"Agora você mudou, não é?" sussurrou, com um sorriso tênue. Estranhamente, estava ansioso para revê-lo, só para ver no que ele se tornou.
Quem sabe, alguém à altura do talento com que nasceu.
Seria uma pena se não fosse assim.
Por ora…
"Perguntei à Mãe Mayari, e ela disse que a vida de runa de Meris ainda está intacta, o que quer dizer que ela ainda está viva."
Essa informação o tranquilizou. Pelo menos, ela não estaria morta em algum reino estranho.
"Quanto à Inara… sem precisar da Senhora Ouroboros, já consigo sentir sua vida e morte."
Ela havia jurado um voto de sangue a ele, afinal. Ele provavelmente poderia detectar sua localização se ela estivesse por perto, mas, por agora… ele não podia. Ainda assim, tinha certeza de que, assim que sua proficiência em votos de sangue aumentasse, poderia localizar qualquer alguém ligado a ele… independentemente de onde estivesse.
'Prático,' pensou.
Depois, sua mente passou suavemente para questões mais urgentes.
Já informou aos pais que partiria em breve para Fokay, então não fazia sentido uma despedida emocional. Daela também não estava aqui; ela tinha voltado há um mês para sua missão de Grande Mestre.
Foi graças a ela que Kaden entendeu realmente a diferença entre a missão de Grande Mestre e as de reinos menores.
Simples, na verdade.
A missão sempre colocaria o desafiante em um ambiente onde a única forma de sucesso fosse por meio da criação de domínio.
Simples, certo?
Mas simples não quer dizer fácil.
Criar um domínio não é tarefa fácil. Exigia uma compreensão profunda de um conceito específico, e uma Vontade forte o suficiente para se impor sobre a realidade, esculpindo um mundo próprio, onde só ele fosse deus.
Claro, os detalhes de cada missão sempre variavam, dependendo do indivíduo e da pedra de evolução que carregava.
Kaden possuía uma Pedra de Evolução Mítica. Não sabia qual tipo de prova o aguardava, mas, de qualquer forma, estava pronto para enfrentá-la. Bem, quase pronto. Tinha quarenta mil moedas de morte e precisaria de apenas alguns pontos de atributo para ultrapassar seus limites atuais.
E isso poderia conseguir seja pelo fortalecimento da Vontade, que havia ficado imensamente mais forte, ou por meio da Síntese.
Algo que faria assim que chegasse em Fokay.
"Quero ver a Old Smith. Prometi a ela a oportunidade de estudar Reditha em troca de sua orientação… ai… será que ela vai achar que sou como Dain, um que não honra suas palavras?" refletiu, incomodado com esse pensamento.
Porque até hoje não conseguia entender como seu irmão conseguia falhar com suas promessas… pelo menos, não até ser obrigado.
'Preciso encontrá-lo,' decidiu, com o olhar focado. E, por ora, sua única pista era a Old Smith. Então…
"Vou visitá-la primeiro," resolveu. E, ao mesmo tempo, pedir-lhe alguns ferreiros e runeiros competentes… aqueles de cabeça quente, capazes de matá-lo.
Por quê parar por aí? Melhor ainda: procurar um alquimista que pudesse matá-lo também.
Dessa forma, ele se tornaria proficiente em alquimia, ferrosa e runas, e o dinheiro começaria a correr sem parar. Assim, poderia criar seus próprios artefatos e preparar poções por conta própria.
Ele não conseguiu conter seu sorriso. Seu pai sempre estivera bastante orgulhoso da ferraria. Mesmo agora, como restante da linhagem real, o próprio rei visitava sua forja toda noite, sem perder um dia sequer.
Caden chegou a perguntar por quê, e a resposta foi mais simples do que imaginava.
"A ferraria também é nossa herança," disse seu pai.
Desde então, ele passou a pensar mais na profissão, e agora… era hora de honrar essa herança de verdade.
Ou seja, era hora de voltar para Fokay.
Sussurrando suavemente, fechou os olhos por um breve momento para se recompor. Não tinha medo, mas sua percepção vinha latejando desde que decidiu seguir rumo a Asterion.
Algo aguardava por ele lá.
Bom? Ruim?
Kaden sentia ambos. Isso significava que o resultado dependeria inteiramente dele, podendo se tornar qualquer um — ou ambos ao mesmo tempo.
Era uma coisa curiosa, e isso só aumentava sua vontade de partir.
Ele levantou a mão direita, apontando um dedo. Sangue se acumulou na ponta até formar uma pergaminho carmesim. Chamas cintilaram, girando sobre si mesmas até se moldarem em uma pena que começou a escrever na superfície vermelha.
Quando terminou, o pergaminho encolheu-se, transformando-se em um corvo vermelho que saiu voando com velocidade extrema pela janela da sala de treinamento.
Seus pais provavelmente já tinham alguma pista, mas ele ainda assim quis avisá-los que partiria naquele dia.
E, ao terminar…
…Kaden desapareceu de Darklore.