
Capítulo 211
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Darklore — Tribo da Cobra.
Faziam meses que Inara tinha enganado sua mãe para treiná-la a controlar sua presença, sua aura. Ela achava que, com seu talento atual e sendo a única herdeira de Echidna, seria uma tarefa fácil.
Mas foi justamente por seu novo status que tudo ficou mais difícil.
Ela herdou poder demais em pouco tempo, de forma inconsciente ficou sobrecarregada, incapaz de controlá-lo de maneira eficiente.
Foi isso que sua mãe, Medusa, percebeu imediatamente.
Inara era desajeitada com o corpo, como se não tivesse nascido com ele. Seus passos eram instáveis, seus movimentos às vezes pareciam forçados, até sua respiração parecia estranha, como se estivesse se esforçando para respirar fundo nos pulmões.
Parecia alguém que tinha acabado de conquistar um corpo novo, tentando dominá-lo em poucos dias.
Naquele momento, Medusa olhava para a filha com desconfiança. As coisas estavam se tornando cada vez mais estranhas, e um sentimento persistente de perigo se infiltrava nela toda vez que ela olhava fundo demais para a filha.
Esses sentimentos, esses pensamentos, impediam que ela treinasse Inara de forma adequada, e a própria percebeu isso.
Ela entendeu que, se quisesse usar seu poder ao máximo, precisava de alguém que a guiasse, alguém que não a encarasse como um monstro nefasto — mesmo que ela fosse — para ser morta à primeira vista.
Então, ela abriu seu coração para a mãe, aquela que não a abandonou quando ela era apenas uma pitiful little snake girl, sem talento digno de ser sua herdeira.
Ela não contou nada sobre Echidna; apenas disse que havia recebido a herança de um ser que consegue controlar monstros.
Só controlar, não criar.
Ela não queria assustar a mãe, porque mesmo com o simples fato de controlar monstros, Medusa a olhava com os olhos arregalados, cheios de choque que abalavam tudo.
Nesse momento, ela entendeu o pavor que sentia por ela, e estranhamente isso imediatamente o diminuiu, fazendo até desaparecer.
Gerenciar o medo do que se conhece e se entende é sempre mais fácil do que lidar com o medo do desconhecido.
Por isso, um sorriso largo e empolgado surgiu no rosto de Medusa, que abraçou a filha em um forte abraço, feliz por ela finalmente ter força para cuidar de si mesma, mesmo que um dia morresse ou algo acontecesse.
Depois, alertou para ela nunca contar isso a ninguém, seus olhos eram extremamente sérios, com a expressão de seu olhar verde-fendido se afilando como pequenas agulhas.
Inara achou estranho ela agir assim. Sua voz tinha um tom de preocupação, suas mãos apertavam as suas com força.
Foi só ao perceber como sua mãe sempre parecia distanciar ela das outras cobras da tribo que ela começou a duvidar.
Mas ela não demonstrou na hora, e continuou seu treinamento, mostrando às mães suas cinco sanguessugas verdes.
Dias, semanas e meses passaram em sessões intensas de treinamento, onde Inara e suas sanguessugas melhoraram drasticamente.
Sua aura agora era controlada, confortável, em harmonia com seu novo corpo, e suas sanguessugas estavam mais fortes.
Agora, um passo não fazia explodir tudo numa onda de matéria viscosa e mortífera.
Bem, dependendo de quem fosse.
Inara estava em sua câmara verde, sentada na beirada da cama coberta por lençóis verdes com padrões de cobras, olhando para suas cinco sanguessugas na sua frente.
Elas tinham crescido um pouco mais, e distinções começavam a aparecer entre elas. Inara achou que era hora de dar nomes, mas antes…
"…então tudo isso estava acontecendo aqui e eu nem fazia ideia?" ela murmurou, com os olhos estreitados.
Desde que percebeu algo estranho na mãe, Inara encarregou suas sanguessugas de espionarem o território e ouvirem as conversas das pessoas.
As colocou em vários locais diferentes, até nas casas dos cobras de alta patente.
E descobriu algo que nunca imaginou que fosse acontecer neste lugar.
Algo mais comum na sociedade humana, mas parecia que cobras também podiam se sair bem nisso.
"Esses filhos da puta querem tomar o lugar da minha mãe." Inara amaldiçoou, a irritação acesa dentro do coração como uma gasolina em chamas.
Por que eles quereriam fazer isso?
Sua mãe nunca fez nada de errado. Tratava todos nesta tribo com justiça e respeito.
Nunca usou sua autoridade para impor suas crenças e chegou até a criar um conselho com cobras de alta patente para dividir o poder, demonstrando ser alguém que não se cega pelo poder. Mas alguém que pensa primeiro na tribo.
Então, por quê?
Inara não entendia, e na verdade não precisava entender.
Ela não era mais aquela garota fraca, que ficaria apavorada e indefesa nesta situação.
Querem derrubar sua mãe?
Perfeito.
Deixe-os tentar.
Só que ela tinha monstros para alimentar.
"Filho da puta imundo, apenas espere." Inara rosnou, cerrando os punhos com força, assustando suas adoráveis sanguessugas.
Elas se olharam, então, em sua própria linguagem misteriosa.
"Oi, mãe está com raiva." Disse uma delas, a mais gordinha. Claramente, a preferência de Inara.
As outras quatro olharam para ela com desdém.
"Ora, você é um gênio, hein?"
"Que idiota."
"Cala a boca, dá pra ver!"
"Seu idiota."
Todos continuaram xingando-o — como sua mãe — mas o próprio homem apenas as encarou, cheio de smugness, com o rosto escorregadio enquanto zombava.
"Você só está bravo porque não é a favorita. Hahaha!" Ele riu, o que fez as outras quatro pularem nele, prontas para arrancar aquele sorriso irritante do seu rosto doentio.
Seguiu-se uma batalha feroz, fazendo Inara perder a concentração, e o que se seguiu não é algo que jovens devem ouvir…
A boca de Inara foi verdadeiramente sacrílega.
…
Fokay — Reino do Julgamento Moonborne.
Kaden abriu lentamente os olhos enevoados. Piscar, deixando a visão clara ao seu redor.
Estava numa caverna pequena e apertada — mal espaço para duas pessoas — com gelo por toda parte, das paredes ao chão. No teto, picos congelados de gelo com pontas afiadas apontando para baixo.
Ele estava deitado de lado direito, tentando devagar se levantar, com os braços dormentes que o falhavam algumas vezes, até encostar as costas na parede congelada.
À sua frente, Sora o observava com seus olhos dourados ainda ardendo com seu brilho habitual, entre eles uma chama dourada tremulando suavemente, dando-lhes fogo neste inferno de inverno.
Nenhuma palavra foi dita por um momento, até que finalmente…
"Estamos iguais agora." ela falou, fazendo Kaden inclinar a cabeça levemente, confuso.
"Sobre o quê?" ele perguntou.
"Você me salvou, eu te salvei." ela respondeu, com uma nota de vergonha ao pronunciar as primeiras palavras, "agora estamos iguais."
Kaden então fixou seu olhar nela, "Eu te salvei duas vezes. A segunda quase me matou com sua tolice." ele disse, "e você… você me salvou uma vez. Ainda não estamos iguais."
"Eu não te pedi para fazer isso." ela sibilou, a chama entre eles tremulando de forma errática.
"Você teria morrido se eu não tivesse feito."
"Sou um Asterion, nenhuma besta ou tempestade tola pode me matar. Eu teria sobrevivido de qualquer jeito." a voz dela transbordava de confiança profunda e misteriosa.
"Então na próxima vez, vou te deixar por sua conta, voz de ouro. Você morre ou vive…"
Kaden deu de ombros.
"…essa será uma responsabilidade sua."
"Sempre foi minha responsabilidade, ninguém te pediu para fazer isso." ela rosnou, parecendo pronta para pular nele.
Kaden olhou para ela de forma neutra, inclinou a cabeça e perguntou, curiosamente e inocentemente, "você tem problemas de raiva?"
Sora imediatamente se levantou, pronta para arranhar o rosto de Kaden, pisou em uma pedra de gelo e caiu no chão fraca, com a face primeiro.
Ainda não estava em sua melhor forma.
Ela lentamente levantou a cabeça e viu o sorriso zombeteiro de Kaden.
"Cuidado, voz de ouro. Aqui não é seu castelo dourado com tapete celestial."
Seu rosto ficou vermelho de vergonha. Ela rangeu os dentes, se levantou lentamente e retomou sua posição anterior.
Ela não disse nada, apenas se sentou, virou o rosto para longe de Kaden e olhou para a chama dourada tremulante com olhos que pareciam prontos a chorar.
Então, Kaden olhou através da boca da caverna e notou a lua cheia no céu.
Já tinha entendido como aquele calabouço funcionava.
Percebeu que só poderiam avançar nesta provação durante a fase de lua cheia, e tentariam sobreviver nas outras duas fases.
Ele suspirou pesadamente, apoiando a cabeça na parede, seus pensamentos acelerados.
Logo, um silêncio tenso e desconfortável cresceu dentro da caverna, enquanto os dois permaneciam parados.
Cabelos dourados tremulando como a luz de um sol. Cabelos negros como a escuridão de um poço sem fundo de desespero.
A herdeira do sol e o herdeiro da morte, frente a frente, presos no frio… com a lua como única testemunha.
…que mundo estranho e surpreendente.
—Fim do capítulo 211—