
Capítulo 212
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A caverna gelada estava silenciosa. Só o leve farfalhar do vento congelado lá fora podia ser ouvido. Nem Sora nem Kaden falavam, cada um ocupado com seus próprios pensamentos.
A cabeça de Kaden girava em círculos vertiginosos enquanto tentava juntar as peças. Ele sabia que só na fase de lua cheia poderiam avançar nesse desafio, mas havia outras perguntas que também precisavam ser respondidas.
Quanto tempo duram essas fases?
Isso era importante se ele quisesse planejar alguma estratégia para conseguir sucesso no desafio e garantir as recompensas… que — ele desesperadamente esperava — seriam uma pedra de evolução de alto nível.
Por isso, teve coragem de entrar na propriedade do Asterion.
Além dessa dúvida, havia outra: será que um não-Asterion poderia passar nesse desafio?
Precisaria do sangue de um Asterion para reivindicar o prêmio final ou algo do tipo?
Essa era uma questão válida que Kaden se fazia. Afinal, se não fosse possível, então não teria escolha a não ser confiar nessa princesa de fogo.
E é por isso que Kaden não podia permitir que ela morresse.
O que aconteceria se um Asterion morresse nesse desafio?
Seja lá o que fosse, ele não queria descobrir.
Ele já carregava peso demais nos ombros.
Suspirou com certo pesar, levantou a mão e passou-a pelo rosto, frustrado.
Ele não sabia nada sobre esse calabouço, e a única pessoa capaz de ajudá-lo a obter mais informações era uma problemática — incapaz de distinguir o momento de parecer durão e orgulhoso do momento de calar a boca e fazer o que é preciso para sobreviver.
Mas o que ele esperava?
Ela era a princesa do Império Celestial, pelo amor de Deus. Sabiam fazer o que bem entendessem, desde que achassem que tinham o direito de fazê-lo.
E, deixa-me te dizer, como herdeiros dos corpos celestiais… havia poucas — senão nenhuma — coisa que achassem que não tinham direito de fazer.
E, ao olhar para Sora, Kaden podia intuir que ela foi criada assim. Tinha certeza de que essa mulher tinha tido o que quisesse sem muitas dificuldades. Uma princesa que não enfrentou muitas dificuldades na vida.
E isso a levava a pensar que poderia sair de qualquer situação só porque… ela era uma Asterion.
Nessas reflexões, Kaden não conseguiu conter uma risadinha, o que fez Sora virar a cabeça na direção dele instantaneamente.
Ela ia dizer algo, algo claramente desagradável, pelos olhos, mas parou ao se lembrar das palavras de Rome.
Ela era uma Asterion. Não deveria se incomodar com coisas de gente comum como esse guerreiro vindo da guerra.
Sentindo-se aliviada por ela ignorar esse homem de quem ela ainda não sabia o nome — e não queria saber — Sora focou em si mesma.
Parecia que tinham feito um entendimento tácito de não fazer nada durante essa fase de lua cheia e apenas… tentar se recuperar, se recompor e se preparar para as próximas duas fases meia-lua.
E assim, Sora teve tempo para pensar… na sua canção.
Ela ficou tentada a pedir — ou melhor, ordenar — ajuda a Kaden. Na verdade, esse foi o motivo pelo qual ela foi até ele, mas agora sentia-se relutante.
Ainda assim, fazia tempo que ela não cantava ou sequer cantarolava uma música. E isso estava lhe incomodando. Sentia-se desconfortável no corpo, com vontade de fechar os olhos e cantar sua canção favorita, passando pela cabeça uma enxurrada de emoções, quase à beira de explodir, mas ela segurou.
Sem querer dar motivo a Kaden para zombar dela.
Então ela permaneceu em silêncio, enquanto seu dedo se movia ritmicamente ao lado, parecendo estar cantando mentalmente.
Kaden percebeu e ficou calado.
Em vez disso, pegou algumas poções de cura e mana para recuperar suas forças, fechou os olhos e apoiou a cabeça na parede.
Sua respiração se estabilizou, quase… ritmada, estranhamente sincronizada com o movimento do dedo de Sora.
O silêncio tenso ao redor deles diminuiu enquanto estavam sentados.
O tempo passou daquele jeito, ninguém falou com o outro, ambos se mantendo no seu próprio mundo. Seus olhos fechados, a respiração sincronizada, mas tudo isso logo terminou…
A lua cheia acima mudou para uma meia-lua com uma luz enevoada e sombria brilhando no lado esquerdo.
Eles abriram os olhos de repente, enquanto uma escuridão espessa começava a se expandir ao redor, o chão se transformou e virou sombras rodopiantes.
Levantaram-se lentamente, embora o movimento fosse rápido ao mesmo tempo.
Os olhos de Sora estavam ardendo com uma energia renovada, observando ao redor, pronta para explodir tudo numa fúria de fogo.
Enquanto Kaden observava ao seu redor com expressão tranquila, deu um passo e saiu da caverna imediatamente, sem vontade de destruir seu único lugar de descanso.
Sora o seguiu, entendendo suas razões.
Do lado de fora, a mesma cena de antes se repetiu — escuridão que dificultava a percepção e sombras que se contorciam sob seus pés.
Kaden e Sora ficaram lado a lado, assistindo aos monstros começarem a surgir.
"Você já deve estar ciente, voz de ouro. A maneira mais eficiente de resolver isso é colaborar", ele disse, escaneando a escuridão com os olhos.
Sora não respondeu imediatamente, sua mente e seu coração passando por uma batalha sangrenta.
Ela sabia que a criatura desse guerreiro vindo da guerra estava certa, mas ainda… ela… não podia.
Ela não precisava dele, poderia se proteger e sobreviver sem o apoio dele.
Ela… ela era uma Asterion.
Vendo seu rosto, Kaden sabia que ela não aceitaria.
Ele suspirou cansado, sentindo falta de Asael mais uma vez.
Ele não repetiu as palavras, assumindo sua posição, pronto.
Mas, enquanto esperavam as mesmas lobos de antes… desta vez, apareceram espectros com suas formas fantasmais, grotescas.
Não tinham formas fijas, seus corpos mudando de névoa para membros bestiais ou humanoides.
Mas não tinham olhos nem nariz. Apenas bocas. As bocas eram anormalmente largas, em formato de crescente para cima, cheias de dentes pontiagudos.
O ambiente ao redor os enchia de uma sensação gelada, como o aperto frio do ferro da morte.
Kaden e Sora franziam a testa imediatamente, uma vibração atravessando suas almas.
Esperavam lobos, mas receberam esses fantasmas infernais.
Mas Kaden não se importava muito; sua chama podia queimar mana e vida mesmo que seu adversário não tivesse sangue dentro de si.
Porém…
"Você consegue matá-los?" ele perguntou para Sora, que tremia de raiva.
Esse calabouço continuava mostrando a ela o quão inadequada era nesse domínio estranho. Essa prova teria sido fácil para seu irmão.
Não só ele era o herdeiro da lua, como também um ser de nível Mestre no auge.
Ele teria passado nesse desafio na primeira tentativa. Seu talento era monstruoso, como se esperaria de um Asterion.
Mas ela…
Sora mordeu o lábio, frustrada.
Ela era apenas uma intermediária, seu fogo ainda não tinha força suficiente para queimar coisas intangíveis.
Ou seja… ela era inútil nessa luta.
"N-Não posso matá-los", ela gaguejou.
Ela vinha atuando com altivez só para se ver numa situação onde era um peso.
Esperava que Kaden zombasse dela ou olhasse com desdém, mas ele não fez nada disso.
Simplesmente assentiu — como se já esperasse — com expressão tranquila, encarando os espectros que se aproximavam e respondeu:
"Você não consegue matar, mas pode atrasar o tempo ou impedir que eles avancem até que eu os derrote."
Os punhos de Sora estavam cerrados, insatisfeita com toda aquela situação, mas desta vez ela não falou nada.
Preparou-se para fazer exatamente o que Kaden ditou, o coração pulsando de indignação.
Então a voz de Kaden ressoou mais uma vez, com um tom de desafio escondido nela:
"Aliás, não é justo você, uma Asterion, como sempre diz…?"
Ele sorriu suavemente.
"…mostre do que essa 'Asterion' é capaz num ambiente hostil."
Foi nesse momento que os espectros atacaram com um grito de alma angustiante que fez os dois tropeçarem, suas mentes parecendo que alguma fera feroz havia pego seus crânios e os esmagado entre mãos gigantes.
Reditha cintilou, a chama negra tremulando na lâmina, então Kaden atacou.
Uma arco de cor carmesim-negra surgiu de Reditha e se chocou instantaneamente contra os espectros. Um grito de dor e surpresa saiu de suas bocas como banshees, fazendo Kaden estreitar os olhos de irritação com o som.
Logo atrás, as mãos de Sora estavam cobertas por fogo ardente, sua mente repetindo as palavras de Kaden outra vez.
"…o que uma Asterion pode fazer, hein…"
Seus olhos se tornaram mais duros, ela movimentou os pés, levantou as mãos em postura de boxe, e então…
Ela atacou.