
Capítulo 175
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Domínio: Morte Arruinada."
A voz ecoou, e uma onda de poder pulsou para fora do Cavaleiro Negro, envolvendo os três — elfo cadáver, Kaden e Asael — antes de arrastá-los para dentro de seu domínio.
Um domínio de morte, mas uma morte arruinada… uma morte corrompida.
O teto branco, impressionante, desapareceu, dando lugar a um céu cinza-escuro rachado que parecia à beira de colapsar a qualquer momento. O espaço ao redor deles espelhava esse céu, exibindo rachaduras aqui e ali que se espalhavam até onde os olhos podiam ver.
A atmosfera do domínio era angustiante. Estava cheia de poeira — algumas negras, outras cinzentas.
As poeiras negras destruíam tudo o que tocavam, sugando a vida com uma fome terrível, e as cinzentas… as cinzentas faziam você perder a cabeça e a vontade até se tornar um ser completamente corrompido sob o comando do Cavaleiro Negro.
E… essas poeiras estavam em todo lugar, inevitáveis. Além disso, o domínio aplicava uma pressão imensa sobre qualquer inimigo, então neste momento…
Kaden e Asael estavam de joelhos, a poeira girando ao redor deles, a pressão do domínio os esmagando sob um peso que transformava cada respiração em um pesadelo.
"I-isso… isso é um domínio?" Kaden conseguiu abrir seus lábios secos e falou, terror claro na voz. Ele simplesmente não conseguia evitar. O que ele sentia agora estava além da sua imaginação mais selvagem. Era como se o mundo inteiro estivesse contra ele, fazendo tudo para enterrá-lo vivo.
Asael sorriu secamente, "Sim, meu amigo… sim, é." Seu tom jovial habitual tinha desaparecido, restando apenas uma expressão sombria. Ele já sabia que vencer o Cavaleiro Negro seria difícil, mas como dizem…
…você nunca entende verdadeiramente algo até vivenciá-lo. E, nesse momento, talvez seja tarde demais.
Eles cerraram os dentes e começaram a usar suas habilidades para combater a poeira, antes que fossem corrompidos ou morressem. Embora, no fundo, duvidassem que fossem morrer.
Com a forma como haviam exterminado todos os mortos-vivos corrompidos dele, o Cavaleiro Negro os tomaria como substitutos.
E isso era muito pior.
Então, neste momento…
"Agora ou nunca, meu amigo. Se você souber alguma forma de sair dessa, prometo que nomearei meu futuro filho de Kaden," Asael disse com uma risada baixa enquanto se levantava lentamente, suas chamas negras carregadas de intenção envolvendo seu corpo machucado e ensanguentado.
Kaden sorriu com os lábios curvados, levantando-se também — ainda que com esforço — enquanto sua Chama de Sangue e seus dois intents o envolviam…
Bem.
O corpo de Kaden era uma visão tremenda de descrever. Sua mão direita tinha sido queimada de forma tão severa que, mesmo agora, sua habilidade de cura não conseguia repará-la e tudo que se podia ver era um osso esquelético profundo.
Seu corpo estava machucado, cortado, coberto de sangue e marcado por golpes profundos do Cavaleiro. Seus cabelos estavam molhados, grudando no rosto como cola.
De verdade… ele estava na pior.
Mas ainda assim, levantou-se e ficou ao lado de Asael, inflexível.
Chama carmesma e chama negra lado a lado, enfrentando uma entidade que os observava com olhos negros em chamas, prontos para queimar suas almas para sempre.
"Herança das Sombras… você é teimoso," disse o Cavaleiro, sua voz reverberando pelo domínio como se fosse um Deus falando.
Asael franziu a testa, com um sorriso louco. "Você não sabia, seu demônio? Sombras não desaparecem tão facilmente… especialmente num mundo que já é cheio de trevas como você," disse com rancor, pronto para combater.
O Cavaleiro fixou o olhar nele por um momento, depois virou-se para Kaden.
Um calafrio profundo percorreu Kaden no momento em que aquele olhar se fixou nele. Era como se suas entranhas estivessem sendo abertas, sua alma sob um microscópio. Naquele instante, ele se sentiu como um rato de laboratório sob o olhar de um cientista maluco.
Era assustador. Angustiante. Mas, acima de tudo… Kaden sentia medo.
"Meio fragmento da Morte…" o Cavaleiro falou novamente, desta vez com uma tonalidade de surpresa, mas também…
"Na hora certa."
…prazer.
No momento em que essas palavras ecoaram, o Cavaleiro já agia.
Em um segundo — não, menos que isso — ele estava na frente de Kaden. Sua mão armadurada moveu-se como uma cobra venenosa e apertou a garganta de Kaden com tanta força que as veias ao redor da cabeça e do pescoço começaram a estourar sob a pressão.
Sua visão ficou vermelha, lágrimas de sangue escorriam de seus olhos, ouvidos e nariz. Ele estava completamente perdido, nem sabendo onde estava mais, mas—
"KADEN!!!" A voz de Asael o fez reagir, momentos antes de perder a consciência, e logo após…
"Chama de Sangue…" Kaden murmurou fraco, sacrificando quase todo seu sangue para impulsionar sua habilidade—
BOOOMMMMMM!!!!!
As chamas explodiram como uma tempestade carmesma violenta, destruindo a primeira metade da mana de morte do Cavaleiro. Mas o que fez o Cavaleiro hesitar—o que fez seus olhos em chamas se abrirem de surpresa visível enquanto as chamas diminuíam—foi o fato de que sua linhagem… seu poder de linhagem tinha sido severamente enfraquecido.
Ele ergueu a cabeça, incrédulo, para olhar Kaden, que tossia sangue e o encarava com olhos selvagens e profundos.
Asael saiu das sombras ao seu lado, ajudando-o a se manter de pé. As expressões deles estavam sombrias.
Extremamente sombrias.
Neste momento, a esperança de vencer escorria pelos dedos, vazando de seus pensamentos aos poucos, enquanto enfrentavam a dura realidade.
Nenhum duo de nível Intermediário ou Mestre poderia vencer um Grande Mestre.
Sim. Não era possível.
Seus estados atuais provavam isso. Tudo estava contra eles. O lugar onde estavam preso era o domínio do Cavaleiro, matando-os lentamente. E o próprio Cavaleiro permanecia ali, com olhos cheios de malevolência, que faziam arrepiar ao seu olhar.
Eles estavam… condenados.
Mas…
"N-Não acabou…" Kaden falou com tom profundo e assassino, tossindo sangue e pedaços de órgão de seus lábios secos e rachados. Ele ergueu a cabeça e fixou seus olhos vermelhos de sangue no Cavaleiro.
"Não… acabou," repetiu, cambaleando à força, decidindo ficar de pé sem apoio de Asael. Segurou a Reditha com tanta força que ela tremeu em sua mão, percebendo a tormenta que rugia dentro do seu mestre.
Uma raiva profunda e pulsante… e uma intenção de matar que rasgava o ar ao redor dele.
Era avassalador… tão avassalador que suas intenções ativaram-se sozinhas, começando a distorcer a realidade objetiva.
O Cavaleiro franziu a testa, mas justo quando ia agir, a elfa cadáver — que permanecia em silêncio até então — de repente se moveu.
Ela avançou, seu corpo brilhando com uma chama branca pura, intensa, calorosamente brilhante. Neste domínio cinza-escuro, ela parecia um sol caindo… um sol branco se despedaçando.
E realmente caiu.
Uma onda de destruição destruidora, tremendo a terra até os alicerces do domínio, causando instabilidade.
Foi o momento perfeito para Kaden e Asael agirem.
Kaden sorriu, sangue escorrendo entre os dentes.
"Asael… não está na hora de voltar para sua filha?" ele disse, sua voz rouca de dor, mas carregada de convicção implacável.
Asael sorriu de volta. "Acredito que voltar com um tio pode até ganhar o perdão dela… não acha, meu amigo?"
Kaden riu alto, olhos cheios de loucura indomável.
"Serei o melhor tio, meu amigo," disse com um sorriso profundo, então acrescentou: "Se você tiver alguma habilidade de aprimoramento… melhore minha espada." Imediatamente levantou a mão direita, fechando os olhos em concentração profunda.
'Reditha… hora de superarmos nosso limite.'
E com essas palavras, Reditha tremeu violentamente e mudou de forma.
Não mais uma katana vermelha e bela, mas um feixe de sangue carmesmo, afinando até parecer que Kaden segurava um fio de sangue. Rapidinho, ele aplicou a Chama de Sangue, o Marca-Alma e seus dois intents.
Desta vez, colocou todo o sangue que havia coletado durante o tempo na masmorra — quase todo o seu próprio — sacrificando tudo para alimentar a Chama.
E então… apareceu algo nunca visto antes.
Um jovem ensanguentado, com a loucura correndo em seus olhos vermelhos de sangue, ergueu sua mão esquelética e negra, segurando sua arma preciosa.
Era… assustadoramente magnífico.
Reditha começou a brilhar com uma luz carmesma intensa, riscada de estrelas azuis. Tão forte que até o domínio parecia sangrar, tingido de vermelho como se estivesse sofrendo.
Naquele momento, o Cavaleiro finalmente dispersou a chama branca, sua armadura um pouco queimada… mas já era tarde.
Porque, ao ver os fios brilhantes na mão de Kaden, todas as sombras — cada uma delas — moveram-se como uma onda de escuridão em noite tempestuosa e envolveram Reditha enquanto Kaden deslizou para baixo.
Por um momento… houve uma visão.
Uma visão de sangue, morte e sombras dançando juntas em uma beleza blasfema e imunda…
…antes de o domínio, junto com o Cavaleiro Negro, serem partidos ao meio.
—Fim do Capítulo 175—