
Capítulo 161
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden e Asael olhavam para as escadas sombrias descendo com uma expressão difícil.
Não precisavam de alguém para dizer que aquilo era perigoso, não com a aura de morte escorrendo daquele espaço. Era um vazio de preto absoluto, sem nada visível além, talvez… o contorno sombrio das próprias escadas.
Ambos se perguntaram como aquilo seria até possível, mas não demoraram muito nessa reflexão.
O único que sabiam era que… a aura de morte que emanava daquele lugar era aterradora.
Kaden não conseguiu evitar um estremecimento de horror profundo diante da sensação. E aquilo o deixou ainda mais apreensivo, porque, com seu alinhamento atual com a morte… se até ele estava se sentindo assim…
Então, como diabos Asael se sairia?
Pensando nisso, ele virou lentamente a cabeça na direção do seu companheiro para verificar como ele estava e ficou surpreso ao perceber que, embora Asael estivesse tenso, não havia mais nada.
Sem medo. Sem tremores. Sem agonia.
"Você… não está sentindo nada?" perguntou Kaden, por um momento questionando se seria o único a perceber aquilo. Mas as próximas palavras de Asael imediatamente annihilaram essa ideia.
"Ah? Você está falando da aura de morte, né? É, eu sinto. É bem forte, não é?" disse Asael suavemente, com um sorriso suave nos lábios enquanto voltava a cabeça em direção a Kaden.
Nesse momento, ele percebeu o estado de Kaden.
"Ah… certo. Você ainda é novo aqui, né?" acrescentou, então sorriu amplamente.
"Não se preocupe. Você vai se acostumar."
Depois, bateu levemente as mãos uma na outra.
"Vamos lá, né?" disse Asael, e Kaden acenou com a cabeça em resposta.
Juntos, começaram a descer as escadas pretas lentamente, com os sentidos aguçados ao máximo, prontos para agir contra qualquer perigo inesperado.
As escadas não eram largas o suficiente para ambos ficarem lado a lado, então Kaden foi na frente, Asael logo atrás.
Asael sorriu suavemente com a formação.
Parecia instintivo – o modo como Kaden deixava suas costas abertas para ele – e isso só tinha uma interpretação.
Ele confiava nele agora.
E isso… fez Asael sorrir novamente.
Voltou sua atenção para a descida, e logo chegaram ao chão.
Aqui, eles esperavam tudo. Uma piscina de sangue, montanhas de corpos mortos, ou até cadáveres deformados por experiências fracassadas… Só que eles esperavam qualquer coisa relacionada à morte.
Mas o que viram não era nada disso.
Assim que chegaram, Kaden e Asael pisaram em um piso branco, impecável, tão impressionante que parecia surreal. O material não parecia pedra comum, mas nenhum deles se importava. A atenção já tinha se fixado em outra coisa.
Uma porta negra enorme.
Ela se erguia alta, absorvendo a luz de tudo ao redor, radiando uma aura profana, vile e de morte.
A porta parecia grande suficiente para caber um gigante. E, na sua superfície lisa e abissal, havia um glifo.
O mesmo glifo de antes, só que agora branco.
Uma foice branca, com veios de preto aqui e ali, como se estivesse sendo corrompida lentamente por algo terrível.
Por um momento, ficaram em silêncio, ambos com o olhar fixo nela, até que Asael finalmente falou.
"Mesmo procedimento?" perguntou, sem desviar o olhar da porta.
Kaden assentiu.
"Mesmo procedimento."
Depois disso, ele avançou, aproximando-se da porta, começando a canalizar sua mana de morte para ativar o glifo e abrir o portal.
Mas nada aconteceu.
"Que…?" murmurou Kaden, com a expressão ainda mais sombria.
Ele tentou novamente, mas o glifo nem sequer reagiu. A aura de morte nem foi aceita para ativar o símbolo.
Ele recuou, franzindo a testa enquanto analisava a situação.
Ao seu lado, Asael permanecia pensativo.
A aura de morte nem sequer entrou no glifo.
Parecia que aquilo não combinava.
Como… como tentar a chave errada numa fechadura para abrir algo… simplesmente não abriria.
Ambos chegaram à mesma conclusão ao mesmo tempo, virando as cabeças um para o outro.
"Não é mana de morte que precisamos aqui," disse Kaden.
"Sim. Mas então… se não é mana de morte, o que é?" perguntou Asael, com um tom pensativo.
"Intenção", respondeu Kaden imediatamente, avançando novamente.
"Se não é mana de morte… então deve ser intenção de morte. Vamos tentar."
Ele ativou sua intenção — Embaixador da Morte.
Levantou a mão levemente, e uma luz negra profunda começou a se acumular ao redor, cobrindo-a com uma névoa escura e difusa, como se fosse uma aura de trevas viva.
A intenção era instável, oscilando de forma irregular, a luz negra tremeluzia como uma chama viva.
Kaden franziu o cenho, já percebendo o quão difícil era sustentá-la por muito tempo. Então, sem hesitar, tocou o glifo com sua intenção e, imediatamente, ele se acendeu.
E isso confirmou o que ambos já suspeitavam… Era mesmo intenção.
Porém, havia um problema.
A luz que emitia… mal era visível.
"Sua intenção ainda é fraca demais para abrir a porta. Assim, levará anos para conseguirmos atravessar," disse Asael, fixando a porta com uma expressão sombria no rosto bonito.
Kaden não respondeu, mas por dentro sentia uma frustração enorme.
Finalmente, encontraram uma pista sobre esse calabouço… e, justamente, quem o construiu quis garantir que apenas alguém com entendimento profundo da morte conseguisse passar desse ponto.
Ele levantou lentamente a cabeça, mas tudo que viu foi o teto negro acima, com a mesma foice pintada nele.
Ele suspirou, pesaroso.
Porque não era só perigo ou medo que sentia nesse lugar.
Não.
Dentro dele… Kaden sentia uma puxada.
Algo chamando do outro lado daquela porta.
E sua percepção sussurrava uma coisa para ele.
Oportunidade.
'Preciso melhorar minha compreensão da intenção o máximo e o mais rápido possível.'
'E a maneira mais rápida… é matar aqueles corrompidos, pegar seus núcleos e sintetizar seus corpos em mim.'
Decidiu, então, lentamente, virar-se e subir de volta as escadas.
"Vamos lá. É hora de dar paz aos corrompidos," disse Kaden, com uma voz fria como a própria morte.
Asael sorriu com um sorriso de canto, enquanto seguia atrás, os pés leves e pesados ao mesmo tempo.
"Agora… aí sim, meu amigo."
…
De volta ao alto, os dois sentaram-se frente a frente.
"Me diga o que sabe sobre os calabouços," pediu Kaden, querendo absorver cada pedaço de informação útil.
"Tudo bem, primeiro — os corrompidos mantêm suas habilidades de quando estavam 'vivos' ou eram eles mesmos. Mas agora há um efeito de amplificação de morte em todos eles, tornando-os mais letais. E também… só dá para matar destruindo ou removendo o núcleo de Origem deles. Essa é a única maneira."
"E já te disse que o mestre desse calabouço é um ser no pico do Rank Grande-Mestre, ou seja, está a apenas um passo do próximo estágio," afirmou Asael com tom sério.
"Você não conhece o próximo estágio? E como diabos você está vivo com um Grande-Mestre por perto?" devolveu Kaden, com perguntas aceleradas, sedento por respostas.
"Eu não sei qual é o próximo estágio. Mas, acredite… seja lá o que for, melhor rezar para todos os deuses para que esse filho da puta nunca chegue lá," disse Asael com tom sombrio, fazendo uma pausa antes de continuar.
"E eu ainda estou vivo porque o Grande-Mestre não pode sair de seu território. Ele está preso lá dentro, cercado por corrompidos do nível Mestre, que poderiam muito bem ser Grandes-Mestres também, só que sem domínio."
"E como você sabe de tudo isso?" perguntou Kaden novamente. Afinal, ele não recebeu nenhuma notícia de A Vontade.
Para ele, fazia sentido. Ele estava em Darklore.
Então, como Asael sabia?
O homem apenas sorriu.
Um sorriso amplo, insano, demente.
"Ah… Kaden, meu amigo, não está óbvio?"
"Eu só dei uma voltinha lá dentro… e me apresentei ao dono deste lugar incrível."
Seu sorriso se ampliou ainda mais.
"Isso é cortesia básica, não é?"