
Capítulo 153
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Asael suspirou suavemente, ainda se sentindo exausto após a grande batalha que travara durante a noite, mas mesmo assim levantou-se para interceptar qualquer morto-vivo que se aproximasse.
"Bem, acho que esse lugar está condenadíssimo. Tenho que sair daqui depois disso." disse Asael, com um leve sorriso nos lábios, enquanto duas espadas negras e elegantes, quase como se fossem líquidos, se formaram em suas mãos.
No instante em que viu dois mortos-vivos humanóides no horizonte se aproximando, seu corpo desapareceu nas sombras antes de reaparecer bem abaixo deles, cortando suas pernas com um golpe perfeito, enquanto suas lâminas se transformaram brevemente em espigões sombrios, fazendo os mortos-vivos tropeçarem e caírem de cara no chão com um baque úmido.
Ele reapareceu e fincou as duas espadas bem no meio do peito deles — mais precisamente, em seus dantian, onde estavam seus Núcleos de Origem corrompidos — antes de, sem misericórdia, ceifá-los de vez.
Ele virou a cabeça e viu mortos-vivos vindo de todos os lados. Humanos, elfos, anões, lobos, chimpanzés, até cachorros grandes e guepardos.
Todos estavam ali.
Diversas criaturas com pele cinza e olhos vazios marchando em direção a eles, armadas com armas e garras afiadas que brilhavam sob o céu desolado.
A atmosfera ficou tensa, enquanto o cheiro de morte se intensificava, a ponto de quase se poder saborear.
Era de enlouquecer.
Mas Asael já estava acostumado com essa loucura. Então, sorriu.
Não, ele sorriu — um sorriso selvagem e insano, com seus olhos de sombra dupla parecendo capazes de afogar o mundo numa abundância de trevas.
"Venham, seus babacas. Deixem que eu os use como pedra de amolar para minha amizade nascente." Asael falou e, imediatamente, lançou-se para frente contra os mortos-vivos que se aproximavam, sem hesitar, sombras se contorcendo atrás dele como uma onda de trevas.
E assim começou a batalha.
…
Enquanto isso, dentro da caverna, Kaden enfrentava algo que nunca imaginou ser possível.
Era sua primeira vez usando seu próprio corpo como componente em uma síntese. E nunca pensou que fosse tão doloroso, tão angustiante.
Dentro do casulo branco, o corpo de Kaden estava sendo destruído pedaço por pedaço. Era como se um cientista biologicamente obcecado tivesse decidido observar cada parte de seu corpo e escolher o que descartar, o que manter e o que acrescentar para torná-lo mais… perfeito.
A primeira sensação foi a fusão dos fios dentro dele, algo ao mesmo tempo incrível e agonizante. Os fios penetram profundamente em seus músculos, sangue e órgãos, entrelaçando-se nele.
O resultado tornou seus músculos mais flexíveis, rápidos e absurdamente moldáveis. A seda extra da formiga tornou partes de seu corpo surpreendentemente difíceis de cortar, e mesmo que cortassem… eles se reconstituiriam.
A prova veio imediatamente, quando uma seda pura, semi-transparente, saiu do toco de seu braço direito e se fixou no braço cortado no chão, puxando-o de volta para ele.
Depois veio a fusão do corpo morto-vivo.
Como Kaden rejeitara sua pele cinza, o que ganhou em troca foi um nível ridiculamente alto de compatibilidade com a masmorra — ou mais precisamente, com ambientes do tipo morte — e uma afinidade notável com a morte.
Logo, a transformação terminou e Kaden ficou no chão áspero, respirando com dificuldade, exausto.
No entanto, estranhamente, ele também se sentia energizado.
"Ah… droga. Nunca imaginei que fosse tão doloroso," murmurou Kaden ao se levantar, desta vez sem perder o equilíbrio.
Ele sorriu, levantando o braço direito e cerrando o punho. Não havia qualquer desconforto.
Parecia que nunca o tinha perdido.
Não — parecia que tinha mais controle sobre ele. Sobre todo o seu corpo.
Instintivamente, Kaden quis testar algo.
Ele se inclinou lentamente para trás até que a parte de trás da cabeça tocasse suas pernas.
A posição era estranha e pouco natural.
Mas Kaden sorriu. Com esse nível de flexibilidade, tinha uma nova ferramenta para batalhar.
Além disso, podia sentir a alta destreza em seus músculos — e, com sua velocidade, as possibilidades eram infinitas.
Então veio a recompensa mais surpreendente.
[Com alta concentração de morte em seu corpo e seu entendimento de Morte como sua companheira eterna e como sua representação, você obteve uma Nova Intent recém-nascida.]
[Intent: Envoy de Morte.]
E mais.
[Você ganhou 10 pontos de atributo em todas as estatísticas.]
Kaden sorriu.
Duas Intenções.
Espada Carmesim e Envoy de Morte.
Uma completamente despertada. A outra, em desenvolvimento.
Mas neste lugar, isso não duraria por muito tempo.
Sorrindo levemente, Kaden virou-se para a entrada da caverna, ouvindo os sons de batalhas pesadas.
Ele escaneou rapidamente a caverna, recolhendo todas as letras que encontrou e até o leito de ossos em seu anel de espaço. Não havia mais nada.
Ele saiu justamente quando a caverna desmoronava sob o ataque implacável de habilidades aleatórias. Uma onda de choque se levantou, lançando rochas e detritos por toda parte.
Kaden suspirou. Essa era sua culpa.
'Nunca imaginei que fosse atrair tantos inimigos.'
E então ele viu Asael.
De onde Kaden estava, parecia uma nuvem de formigas engolindo um único pedaço de comida.
Havia pelo menos mil mortos-vivos sob um céu completamente negro. Os mais fracos eram de nível Intermediário. Os mais fortes estavam próximos do limiar de Mestre.
Os golpes deles rasgavam o espaço e enviavam ondas de choque ao céu. O chão estava coberto de cadáveres, tornando o movimento uma luta própria.
Era loucura.
Era realmente uma loucura.
E no centro, Asael lutava.
Seu habitual jeito despreocupado tinha ido embora. Ele lutava com uma ferocidade que até o coração de Kaden apertava. Suas sombras devoravam a luz ao seu redor, cada golpe tornando o mundo ainda mais sombrio.
Ele era formidável.
Mas estava começando a desacelerar.
CLANK—!
Asael tropeçou ao ser alcançado por um morto-vivo que conseguiu passar por trás e atacou pelas costas.
Ele estava coberto de sangue negro e viscoso, seu corpo marcado por feridas profundas — era difícil distinguir se o sangue era dele ou dos inimigos.
Dois mortos-vivos de nível Mestre romperam o cerco. Um era um anão que empunhava um martelo gigante que distorcia o espaço ao seu redor, mirando na cabeça de Asael. O outro era um tigre de dentes de sabre, com presas como lanças rasgando a própria realidade em direção ao seu pescoço.
E ao redor deles, mortos-vivos mais fracos se aproximavam.
Ao ver aquilo, Asael riu. Alto. Loucamente.
"HAHAHAHAH! Venham!!"
Ele apertou seu colar branco com uma mão, levantando a outra para enfrentar os golpes —
"Maluco. Você vai morrer se atacar de frente assim."
Uma voz fria e assassina cortou a batalha.
"Chama de Sangue."
E então — fogo.
Uma labareda ensanguentada, salpicada de estrelas azuis, erupted sob o céu negro, engolindo tudo, exceto um único humano segurando seu colar.
O vasto espaço negro se tornou vermelho-sangue com as chamas. E o céu da masmorra pareceu se iluminar como fogos de artifício sob uma noite sem estrelas.
E bem no meio disso tudo, Asael olhou para cima e sorriu deleite.
"MEU AMIGO, VOCÊ ESTÁ DE VOLTA!!" Ele rugiu.
Que louco.