
Capítulo 142
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A manhã chegou.
A noite fora tranquila, e Kaden conseguiu descansar bem para a jornada que tinha pela frente.
Após despertar, seguiu sua rotina matinal de sempre—tomou banho, escovou os dentes e vestiu suas roupas.
Também reservou um tempo especial com Reditha, sentando-se em silêncio numa cadeira reclinável enquanto limpava sua lâmina com cuidado e carinho.
Reditha não conseguiu deixar de pulsar suavemente com uma luz vermelha, demonstrando sua profunda satisfação e afeto em troca.
Desde a aparição de Rory—e agora, por o fato de Kaden estar com Meris—Reditha tinha ficado um pouco inquieta, com medo de perder seu portador… seu mestre… sua companheira para sempre.
Era um sentimento que Kaden preferia não sentir, então agiu imediatamente para dissipá-lo.
Melhor cuidar dessas emoções antes que elas crescessem e causassem problemas desnecessários.
Por isso, hoje, ele dedicou um tempo para uma sessão de ligação com sua querida e leal espada.
Aquela que estaria com ele, não importa o que acontecesse.
Literalmente.
Depois disso, foi até seus pais para se despedir. Primeiro foi na forja, onde seu pai estava sem camisa, o suor brilhando em um físico musculoso e bem definido, segurando um martelo enorme enquanto atingia o aço incandescente à sua frente.
Sua expressão estava concentrada, sem sinais da irreverência ou do sorriso infantil que sempre carregava.
Dava para perceber o quanto ele se importava com o que fazia.
Kaden o respeitava por isso. Seu pai era tranquilo, mas quando algo importante surgia, fazia o possível para lidar com a situação.
Liderança simplesmente não era sua maior qualidade.
Mas tudo bem.
'Vou aguentar o peso. Ou talvez conseguir que Dain possa aguentar também. Onde é que aquele homem foi parar mesmo? Droga, Dain…' pensou Kaden, balançando a cabeça enquanto entrava na forja.
"Pai, vim me despedir," disse Kaden, fazendo Garros virar seus olhos vermelhos como sangue na direção dele.
Ele sorriu. "Perfeito, meu filho. Precisa de alguma coisa? Eu te dou se tiver."
Kaden piscou, um pouco surpreso, depois balançou a cabeça. "Acho que tenho tudo que preciso. Obrigado," respondeu educadamente.
Garros riu alto e deu um tapinha no ombro dele, tão forte que parecia tremer a terra.
"Sei que você vai se sair ótimo. Vá e absorva seu núcleo," disse com orgulho.
Kaden assentiu com os lábios trêmulos, o ombro doendo com apenas aquele toque casual.
Depois, foi até sua mãe. A cena foi mais dramática… e completamente desnecessária.
Ela o abraçou por quase cinco minutos, sussurrando que ele deveria tomar cuidado pelo caminho e perguntando se precisava de algum artefato.
Ele disse que não, mas ela ainda assim lhe deu alguns, dizendo que era para sua segurança.
Era estranho seus pais serem tão generosos… mas Kaden não questionou. Apenas assentiu e agradeceu o gesto.
E, finalmente, apareceu a irmã dele.
Com ela, Kaden não esperava nada. Na verdade, só achava que Daela ia acenar com aquele rosto indiferente e pronto, era só.
E adivinhem?
Foi exatamente isso que aconteceu, pessoal.
Daela simplesmente acenou com a cabeça ao ouvir suas palavras, com aqueles olhos apáticos.
Kaden, sem surpresa de qualquer tipo, sorriu silenciosamente antes de se virar, pronto para partir.
"Estou te esperando… para um duelo…" disse suavemente Daela, justo quando Kaden ia desaparecer do quarto dela.
Ele sorriu.
"Claro, irmã. Da próxima vez, acho que vou ganhar," falou com uma risada leve antes de finalmente sair.
Daela permaneceu ali, impassível.
Então, um pequeno sorriso apareceu em seus lábios.
"Vamos ver, maninho," sussurrou, antes de colocar suas roupas de treino pretas bem justas e partir para enfrentar sua mãe.
Sim. Ela levava a sério se tornar mais forte.
Não podia deixar Kaden vencer, né?
Como ela seria a melhor irmã se ele a superasse?
Daela não aceitava isso. Então, para continuar sendo a melhor irmã do mundo para seu fofinho irmão…
Ela faria tudo o que fosse necessário.
Mesmo que isso incluísse ficar forte o bastante para bater nele.
Que conceito estranho de ser a melhor irmã.
Mas deixa pra lá… É Daela.
…
Kaden agora estava na frente do portão de sua casa, aquele que dá para o mundo exterior.
Sabine estava atrás dele, com uma expressão séria e calma.
"Esqueci de alguma coisa, Sabine?" perguntou Kaden.
"Nada, jovem senhor," ela respondeu.
Ele assentiu antes de dar um passo à frente. "Então… até a próxima," disse, caminhando para longe.
Sabine fez uma reverência profunda.
"Desejo sucesso em sua jornada, jovem senhor," disse ela.
Kaden apenas levantou a mão, acenou um pouco e seguiu em frente.
Logo, ele já tinha saído do alcance dela.
…
Usando uma capa preta que escondia seu rosto, Kaden atravessava as ruas de Waverith com passos calmos e confiantes.
Era estranho, mas agora parecia que ele já estava acostumado a caminhar pela cidade uma última vez antes de partir de Waverith.
Um hábito que surgiu do nada.
Ele sorriu um pouco e continuou, se misturando à multidão e observando tudo com sua percepção ao máximo.
Como sempre, percebeu muitas coisas. Coisas que eram bastante interessantes… e outras que não eram.
Mas ele não se importou. Amava ver como Waverith era animada, com carruagens passando de um lado para o outro, puxadas por todos os tipos de bestas. Gostava de ver a galera andando com propósito nos passos… e outros cheios de tristeza e hesitação.
O contraste era marcante.
E belo.
Ele adorava tudo isso. Gostava mesmo de só… observar. Poderia fazer isso o dia inteiro, para ser honesto.
Porém, ele não tinha o dia todo.
Então, caminhou, observando aqui e ali—até que uma cena capturou sua atenção.
Era uma situação bastante comum.
Lá, numa viela mergulhada na escuridão sutil e com cheiros nauseantes, uma jovem de roupas um pouco luxuosas estava espancando um velho com as pernas.
Behind her, dois guardas observavam como se fosse algo cotidiano.
Kaden parou e observou a cena com interesse. Com sua percepção, podia ouvir claramente as palavras da garota.
"Porco imundo! Como você ousa me tocar com suas mãos sujas?" ela disse, chutando com força demais para alguém da idade dela.
Sua expressão transbordava verdadeiro nojo. Afinal, por que essePedinte não podia simplesmente pedir sem tocar nela?
Agora ela se sentia suja e tinha que lavar-se e trocar de roupa antes de encontrar seu amor.
Quanto mais pensava nisso, mais irritada ficava—ficando ainda mais dura ao chutar o velho com mais força.
"Ser desprezível! Você devia morrer e parar de incomodar todo mundo se não consegue cuidar de si mesmo," cuspiu, despejando sua raiva.
Depois de um tempo, ela se cansou. Olhando para o velhinho tremendo com sangue por todo o rosto, ela rangeu os dentes, cuspiu nele e virou as costas, indo embora.
O velho permaneceu ali no chão, seu corpo tremendo de dor. Mas ele não chorou. Não implorou.
Ele simplesmente ficou lá, como alguém que já estava cansado demais da vida.
"Por quê?" uma voz de repente ecoou ao lado dele.
O velho lentamente levantou seu rosto ensanguentado, olhando para o jovem à sua frente com olhos cansados.
Kaden estava ali, observando-o com olhos perplexos.
Não era difícil perceber que o homem claramente não estava feliz por estar vivo. Então—
"Por que você ainda vive se não gosta da vida que leva?"
Ele fez uma pausa.
"…Vale a pena?"