Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 143

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Vale a pena?" perguntou Kaden, agachando-se e olhando diretamente nos olhos do velho.

O velho não respondeu de imediato; apenas encarou com olhos cansados e sábios, observando Kaden em silêncio, como se tentasse decifrar algo nele.

Percebeu o olhar sério e confuso no rosto de Kaden... sua dúvida sobre por que alguém ainda insiste na vida... mesmo estando claramente tão cansado dela.

O velho lentamente desviou o olhar de Kaden e começou a se levantar—de forma dolorosa, desajeitada, mas com firmeza. Cada movimento fazia seus ossos ranger e estalar, fazendo seu corpo frágil cair várias vezes.

Mesmo assim, ele não falou. Não pediu ajuda a Kaden. Apenas tentou. E após minutos de luta silenciosa, finalmente conseguiu ficar de pé e caminhou lentamente em direção à parte mais funda do beco, onde a escuridão e a sujeira eram maiores, sentando-se em silêncio.

Kaden assistia tudo sem dizer uma palavra. Já esperava que o velho não fosse falar.

Mas, ao invés disso—

"Por quê?" disse o velho, com seus olhos negros profundos fixos nos olhos carmesim de Kaden.

"Você pergunta se vale a pena, né? Não é assim para você?" ele questionou, fazendo Kaden inclinar a cabeça um pouco, confuso.

Será que a vida valia a pena, mesmo nesse estado?

Kaden olhou ao redor. O beco era sua resposta. Bile. Orina. Fezes. O chão manchado de sangue seco, mostrando claramente que o velho já tinha levado várias pancadas antes.

As roupas do velho—se é que podíamos chamá-las assim—pareciam pedaços aleatórios de trapos costurados apenas para cobrir partes do corpo e proteger o pouco de dignidade que ainda restava.

Cabelos embaraçados, sujos, desalinhados. E com sua percepção, Kaden até via pequenos vermes quase invisíveis rastejando nele.

Observando a cena completa, Kaden realmente não conseguia entender como alguém achar que viver assim valia a pena.

O velho via claramente seus pensamentos, mesmo que Kaden não tivesse dito uma palavra. Ele sorriu, revelando dentes amarelados e rachados.

"Você… você não valoriza muito a vida, né?" perguntou, com um sorriso, como alguém que viu mais do que devia.

Kaden franziu a testa. "Eu valorizo a vida. Mas estou perplexo com o seu estado. Você claramente não quer mais viver. Suas ações e sua atitude provam isso. Então me diga, com tudo isso, por que ainda se apega à vida?"

"Se você não pretende mudar sua situação... por que ainda está aqui?"

Kaden sentiu verdadeira curiosidade. Não havia zombaria em seu tom, apenas uma confusão sincera. E, por isso, o velho decidiu responder.

"Por quê, você pergunta?"

"Não seria um sacrilégio para minha própria família, para minha mãe, até para meu deus—descartar essa vida tão bem construída?"

"Fomos apenas uma semente simples dentro do corpo de nossa mãe, mas olhe para nós... de pé, vivendo, únicos do nosso jeito."

"Você não acha isso... lindo? Impressionante?"

Kaden ficou pasmo.

"Então, sabendo de tudo isso, como posso desistir desta vida... minha vida? Eu não gosto dela, mas e daí? Não vou terminá-la sozinho...

"...porque não tenho direito de fazê-lo, quando esta vida foi uma dádiva da minha falecida mãe—que me carregou por mais de nove meses, com dor e amor," acrescentou suavemente o velho.

Kaden ficou ali, com os olhos levemente arregalados. As palavras do homem tocaram algo bem profundo dentro dele—algo que ele nem sabia que ainda permanecia.

Uma expressão de preocupação apareceu lentamente no rosto de Kaden, mas ele não disse mais nada.

Ele só queria entender. E, agora que entendeu... ele seguiria em frente.

Soltou um suspiro suave, sentindo um peso no peito, mas decidiu ignorar.

Fez um gesto para seu anel espacial, retirando uma poção de cura de Rank Raro, algumas moedas de ouro, além de comida e água.

Gentilmente, colocou-os nas mãos do velho, que seus olhos se arregalaram surpresos.

Kaden sorriu com suavidade.

"Obrigado pelo seu insight," disse simplesmente, antes de seu corpo se turvar e desaparecer.

Deixando para trás um velho silencioso e chocado.

Ele olhou para os itens que Kaden lhe dera, em silêncio, e então—devagar—um sorriso surgiu em seu rosto.

"Que criança interessante..."

Ele fez uma pausa. Depois, aquele sorriso virou algo estranho.

Até peculiar.

"...Que guerreiro interessante."

Kaden apareceu do lado de fora de Waverith. Lá, esperando por ele, estava um cavalo negro com olhos vermelhos que brilhavam—aquele que o levaria para o leste de Darklore.

"Pois bem, é esse o plano. Tomara que consiga chegar lá vivo, grandão," disse Kaden, dando uma leve batida no cavalo, que balançou a cabeça como se entendesse.

Sorriu, então montou.

Imediatamente, o cavalo começou sua jornada rumo ao leste. Kaden, por sua vez, pegou um mapa para estudar seu caminho.

Examinou-o com atenção. As estradas eram em sua maioria acessíveis, exceto por algumas pequenas florestas dispersas aqui e ali.

'Enquanto eu manter cuidado, tudo deve correr bem. Tenho comida suficiente para um ano, graças à minha mãe, além de tendas para descansar toda noite,' pensou Kaden, avaliando o trajeto à frente.

Depois de confirmar que não tinha esquecido nada, voltou a focar na estrada. Ativou sua percepção ao máximo, preparado para qualquer coisa.

A jornada para o leste levaria cerca de uma ou duas semanas, dependendo da velocidade do cavalo.

Mas, para não cansar o animal muito rápido, Kaden planejava usar sua velocidade máxima com moderação.

As horas passaram, e a distância de Waverith aumentava cada vez mais. Até então, ele não tinha encontrado nenhuma besta, nem sequer um viajante.

"Bem, essa é minha sorte—"

De repente, Kaden parou abruptamente ao perceber algo à sua frente.

Mais ou menos a um quilômetro.

Presenças.

E muitas delas.

Ele diminuiu o ritmo do cavalo e se aproximou cuidadosamente.

Lá na estrada, havia um grupo de figuras vestidas com roupas desiguais, parecendo trapos ou uniformes de gangue—armados de forma rudimentar, com expressões ferais no rosto.

Um homem corpulento, com cabelo loiro sujo e olhos negros, avançou, encarando Kaden como se fosse uma presa suculenta, lambendo os lábios.

Ele ergueu os braços e apontou seu machado de duas mãos para Kaden.

"Bonitão, quer que eu te faça um desenho da sua situação?"

"Se entregue. Passe todas as suas coisas, o cavalo—e venha com a gente. Ou então..."

Sua voz caiu próximo ao final, e os homens atrás dele sorriram com uma satisfação repugnante.

Kaden observou tudo em silêncio. Já percebia que a maioria era do nível Despertado, só alguns tinham atingido o Intermediário.

São esses tipos de homens que, por medo—ou simplesmente por falta de ambição—preferiram não voltar para Fokay.

Um grupo de bandidos desorganizados que enxerga em pegar viajantes a sua rotina.

Kaden balançou a cabeça, achando-os patéticos.

Deixou um suspiro escapar e, então…

"Vamos fazer um aquecimento, que acha?"

—Fim do Capítulo 143—

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