Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 132

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Darklore — Território de Caelion.

Era um lugar magnífico.

De fato, nesse ponto, não havia nada a se apontar contra Caelion.

A estrada era bem pavimentada, mas não com simples rochas — não, ela brilhava sob o sol de Darklore, com um tom alaranjado de cobre que quase parecia sangue, como se fosse minério derretido moldado em pedra, sussurrando o orgulho de uma dinastia comerciante.

De cada lado da estrada, comerciantes se sentavam. Alguns sobre tapetes sob a sombra, outros em lojas elaboradas, negociando, sorrindo, gritando, fazendo o máximo para arrancar umas moedas extras de qualquer alma pobre que passasse por ali.

A rua pulsava de vida. Compradores e vendedores trocando palavras em uma disputa verbal, vozes subindo e descendo como um canto rítmico de lucro e sobrevivência.

E, honestamente, alguns deles eram tão bons na barganha que a cena se transformava quase em uma apresentação — assistir um preço subir de uma moeda de ouro para 50 moedas de prata em poucos minutos era tanto hilário quanto impressionante.

Uma diferença de 50 moedas de prata era enorme para o público comum.

Mas não aqui.

Não no território da maior família de comerciantes de todo Waverith.

Aqueles que, apesar de sua força marcial limitada, controlavam a economia de um castelo inteiro.

Os Caelion.

Uma família de comerciantes, por sangue e essência, vassalos da família Elamin desde os registros mais antigos. Desde o nascimento até hoje, eles negociaram, cresceram, até que agora suas sombras se espalhavam pelos mercados como um imperador de seda que observa um reino de moedas.

E na ponta dessa cidade dourada, erguia-se uma mansão tão luxuosa que parecia esculpida por artesãos divinos — paredes reluzindo como prata temperada e ouro polido, janelas enfeitadas com madeira escura polida, deixadas abertas para que o aroma de tinta, canela, pergaminho e lucro se espalhasse como perfume.

Os portões ostentavam o emblema de uma mão escamada segurando um livro de registros, e dentro da mansão, não havia pinturas de ancestrais ou batalhas — apenas livros de registros enquadrados, imaculados e elegantes, cada um representando um acordo glorioso que marcou a ascensão deles.

Luxo.

Sofisticação.

Ordem.

Mas paz?

Não.

Porque hoje, algo extremamente inesperado — talvez até chocante — acontecia justamente no campo de treinamento dos Caelion.

Terreno de Treinamento dos Caelion

Dentro do terreno de treinamento excessivamente grande, perfeitamente polido e com detalhes em ouro do Caelion, algo absolutamente inédito estava acontecendo.

Um jovem homem permanecia de pé, com seus cabelos vermelhos brilhando como fogo divino sob o sol, olhos da mesma cor fixos em frente com uma calma inabalável, enquanto encarava uma garota de cabelos iguais, mas com olhos verdes estranhos, que brilhavam com inteligência afiada e frieza calculista.

Zaki Caelion.

E sua meia-irmã, Zara Caelion.

Ambos no centro da arena, armas em punho.

Zaki, como sempre, empunhava suas adagas gêmeas — uma extensão da lembrança de sua mãe.

Zara segurava uma lança linda, elegante e perigosa, como ela mesma.

Espectadores lotavam as arquibancadas particulares, todos membros da família Caelion ou aliados próximos, sussurrando surpresos enquanto assistiam.

"O que está acontecendo? Ouvi direito? Aquele idiota do Zaki realmente desafiou uma luta contra a jovem Zara?" dizia um homem, quase com o queixo caindo.

"Que tolice. Ele virou um louco de vez?"

"Nos últimos dois meses, ele tem agido de forma estranha. Uma vez até olhou bem nos meus olhos enquanto eu o batia."

"Olhar nos olhos? Ele teve coragem de me devolver um golpe uma vez. Quebrei suas costelas por causa disso."

Eles conversavam.

Riam.

Zombavam.

Mas a verdade era inegável: Zaki tinha mudado.

Ele tinha se transformado de um saco de pancadas silencioso em alguém completamente diferente.

Não foi fácil.

Mesmo com todo seu planejamento e truques mentais, o começo foi brutal — forçar-se a levantar, treinar, entrar na própria arena onde tinha sido humilhado diversas vezes.

Mas ele fez isso, mesmo assim.

E, mais importante, não pensava demais.

Quando o pensamento de "deveria treinar" surgia, ele se levantava e agia. Não deixava o cérebro tempo para discutir ou inventar desculpas.

Porque sabia que, no instante que permitisse uma brecha para recuar, não resistiria.

Então ele agia — repetidamente, várias vezes.

E, após um mês, ele não precisava mais pensar.

No instante em que decidia, seu corpo se movia.

Tornou-se um hábito.

Um hábito bom.

E com isso, começou a cumprir a promessa que fez a si mesmo.

Ele fez contato visual. Lutou de volta. Falou. Suportou.

Sim, as coisas pioraram.

Sim, bateram mais nele.

Sim, o humilharam mais.

Mas…

Ele não se importava mais.

Porque o que era pior: a humilhação? O orgulho? Ou continuar vivendo como uma piada sádica do destino?

A resposta era óbvia.

Então ele jogou o orgulho na lama, segurou suas feridas, e seguiu em frente com disciplina.

E da disciplina veio a confiança.

E da confiança, veio a crença.

E da crença… veio o poder.

"O que mudou você?" Zara perguntou com frieza, apontando a lança com os olhos estreitos.

"Só me pergunto," respondeu Zaki calmamente, com uma voz plana e indefinida.

Zara franziu a testa.

Ela não gostava dessa versão de Zaki.

Ela não gostava do irmão calmo, sereno, destemido, que não mais estremecia sob seu olhar.

Ela queria o velho Zaki de volta.

Então tentou destruí-lo do jeito que sabia —

"Um covarde como você… que viu sua mãe morrer na sua frente e não fez nada, agora se acha superior?" ela disse, a voz como vidro quebrando no inverno.

As palavras machucaram fundo.

Sempre machucavam.

A mandíbula de Zaki se fechou com força, mas sua expressão permaneceu impassível.

Eles queriam que ele reagisse.

Mas ele não daria essa satisfação.

Então fechou os olhos.

E respirou.

"Eu sinto o que escolho sentir. Ninguém consegue me enfurecer. Palavras não me deixam bravo. Elas não me controlam. Eu não."

Repetiu essas palavras na cabeça várias e várias vezes, até que o fogo do interior dele se transformasse em cinzas.

E, ao abrir os olhos novamente, estavam totalmente calmos.

Inabaláveis.

Olhou além de Zara, para o homem que estava atrás dela.

Um homem com feições semelhantes.

Seu pai.

Ao lado dele, três mulheres elegantes, vestidas com tecidos caros, olhavam para ele com desprezo.

Suas madrastas.

Ele sorriu suavemente.

"Hoje não é uma luta."

"Foi uma armadilha, digamos assim."

"Só uma forma de tirar todos vocês do castelo de ouro e garantir que estivessem todos aqui... para ouvirem essas palavras simples minhas."

Ele se virou lentamente, deixando o olhar percorrer cada pessoa na arena até parar novamente no seu pai.

E seu sorriso…

Seu sorriso se torceu.

"Na próxima vez que te encontrar…"

"…vou contigo se arrepender de não ter me matado quando teve a chance."

E no instante em que disse isso,

Zaki desapareceu.

Não do campo de treinamento, mas de Darklore.

Já a caminho de Fokay.

E assim…

A roda começou a girar.

A peça foi empurrada.

A tempestade se aproxima.

—Fim do Capítulo 132—

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