
Capítulo 110
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A dor que Kaden sentia era imensa.
Ele sabia que as bestas não capturariam sua irmã só para não tocá-la, mas nunca imaginou que chegasse a esse nível de tortura.
Nem parecia algo que fariam para obter informações. Parecia algo feito simplesmente para ferir, só pelo prazer de machucar.
Isso por si só o deixava irritado e triste com toda essa situação.
Mas no momento em que ouviu a voz dela lhe dizendo para correr e se salvar ao invés de salvá-la… mesmo com a sua situação desesperadora…
Kaden não pôde evitar sentir, por um instante, que tudo o dominava.
Dominado pelo amor profundo e pela preocupação que sua irmã tinha por ele.
Pela afeição dela.
Ele simplesmente ficou ali, a mente vazia por um tempo, sem saber o que dizer ou fazer diante daquilo.
Seus olhos começaram a chorar lágrimas pretas enquanto seu atributo Traço Silêncio se ativava.
O coração de Daela caiu ao ver aquela cena.
CLINK—!!
Ela imediatamente tentou se aproximar do irmão, mas as algemas que prendiam seu braço esquerdo a impediram de se mover.
Porém ela rangeu os dentes e se obrigou a esforçar-se com todas as suas forças.
A pele começou a queimar, seu braço parecia estar sendo arrancado por alguma criatura monstruosa.
A dor era enorme, mas ela não se importava. Seu único desejo era alcançá-lo e cuidar dele.
Ela só se importava com ele.
Mais nada.
Mais ninguém.
Só ele.
Então ela apertou os dentes ainda mais, até que começaram a rachar e a se partir na boca.
Um som horripilante de rasgo ecoou pela cela enquanto seu braço esquerdo era lentamente… sendo arrancado.
Por ela mesma.
O ombro dela estava sendo lentamente dilacerado—f flesh, músculos e tendões sendo destruídos pela força de vontade e desesperação.
A cena era assustadora, dando para perceber claramente como cada músculo, fibra, tendão e pedaço de carne, até os ossos… estavam sendo lentamente cortados.
O sangue começou a jorrar forte no chão e, de repente, um som úmido e rasgado ecoou pela cela ao ser completamente arrancado o braço esquerdo de Daela.
O barulho fez Kaden recobrar os sentidos. Seus olhos ficaram claros enquanto olhava para Daela e—
“O-O quê…?”
BATIDA. BATIDA. BATIDA.
O coração de Kaden pulsava forte, ecoando na prisão subterrânea enquanto ele encarava Daela, chocado.
Ele imediatamente se lançou às grades da cela, suas lágrimas negras ainda fluindo livremente.
“O que foi que você fez? Por que fez isso com você mesma? Quer morrer?” perguntou Kaden, sua voz tremendo enquanto as lágrimas continuavam a rolar.
Ele não conseguia controlá-las. É assim que o atributo funciona.
E isso deixou Daela ainda mais triste.
“N-Não chore…” conseguiu dizer Daela, aproximando-se das grades, colocando a testa contra elas, querendo sentir o calor do irmão uma última vez, pois não tinha muito tempo.
“Eu… tô bem. Mas não chore, Kaden…” ela murmurou novamente.
“Não chore… por favor,” ela disse, com a voz carregada de tristeza ao ver seu irmão sofrendo.
Ela não se preocupava com o próprio estado, mesmo que logo fosse morrer de hemorragia—ela só se importava com ele.
Kaden ficou ali, ajoelhado no chão, profundamente chocado e perdido.
Nunca imaginou, nem por um instante, que sua irmã o amava tanto nesse nível.
De repente, um sorriso surgiu em seus lábios.
Era um sorriso carregado de dor intensa, mas também de amor por sua irmã.
“Que lágrimas? É só um traço idiota querendo agir, irmã.”
“Sou um jovem homem respeitável. Não choro,” — disse, as lágrimas negras ainda escorrendo pelo rosto, enquanto tocava suavemente a cabeça da irmã com a mão direita, então—
“Não se preocupe… Eu vou te salvar, ok? Eu vou, irmã… Eu juro que vou…”
“…Eu vou.”
Kaden não parava de repetir, de convencer a si mesmo, até que de repente ouviu passos aproximando-se.
Daela lentamente levantou a cabeça, e seu coração afundou ainda mais, mas antes que pudesse dizer alguma coisa—
“Durma, por favor.”
Kaden a nocauteou suavemente.
Ele não queria que ela visse ele morrendo.
Pode parecer insignificante para ele neste momento, mas para ela, pode significar tudo.
E mesmo que ele pudesse voltar no tempo, tornando tudo isso irrelevante…
Não era algo irrelevante para ele.
Lentamente, uma silhueta apareceu e Kaden a reconheceu. A mulher Cerveau.
Ela olhou para ele, assustando-se ao vê-lo ali, escondido, parado na sua frente. Mas antes que pudesse falar,
Kaden avançou nela, com a intenção de matar tão forte que Selene instinctivamente reagiu e atacou sua mente.
Kaden deixou sua barreira mental a zero e, no instante em que ela atacou,
Ele morreu.
[Você está morto.]
…
Kaden reapareceu no reino eternamente escuro.
Ele não falou nada. Não fez nada.
Apenas deitou-se de costas naquele espaço sem chão, fechando suavemente os olhos, deixando que seus pensamentos fluíssem livremente.
A morte permaneceu em silêncio, como se estivesse lhe dando tempo para se recuperar após a experiência traumatizante de ver sua irmã literalmente arrancar o próprio braço—apenas para alcançá-lo.
Tudo por causa de suas lágrimas…
Tudo por causa daquele maldito atributo.
Os pensamentos de Kaden giraram sem parar, revivendo aquele momento repetidas vezes na cabeça.
Seu Vontade, que havia sido totalmente inútil poucos minutos atrás, de repente entrou em ação—salvando sua mente ferida.
Pois, se não… Kaden teria caído em trauma por bastante tempo.
Ele ficou ali por um tempo desconhecido, de olhos fechados, respiração calma mesmo na absoluta quietude ao seu redor.
“Posso remover o atributo ‘Lágrimas Silenciosas’?” perguntou de repente, sua voz atravessando o vazio, calma e fria.
Se escutasse com atenção… perceberia uma raiva profundamente enterrada nela.
[Você não pode. Mas pode usá-lo como material para outro atributo por meio de Síntese,] respondeu a Morte suavemente, como se estivesse compreendendo o humor de Kaden.
Kaden não respondeu, já analisando suas muitas habilidades, buscando uma forma de sacrificar essa maldição.
Ele não precisava de um atributo que o fizesse chorar descontroladamente logo após testemunhar o ato mais horrível de amor da pessoa que mais queria proteger.
Irmãos, isso é uma maçada.
“Síntese,” sussurrou Kaden.
“Use Lágrimas Silenciosas como material para fortalecer Soulbrand,” ordenou, então fez uma pausa—
“E não transfira essa tosqueira de chorar para a Soulbrand,” explicou.
A Síntese obedeceu imediatamente.
Decompôs Lágrimas Silenciosas, destruiu as partes inúteis, aquelas que Kaden odiava, e usou o restante para fortalecer a Soulbrand.
Logo, terminou, e uma nova tela apareceu diante dele. Seus olhos ainda estavam fechados, mas a Morte garantiu que ele pudesse vê-la mesmo assim.
[Soulbrand recebeu uma nova habilidade.]
[Agora você poderá obter a coisa mais valorosa de qualquer ser que marcar e eliminar.]
Kaden sorriu suavemente ao ver isso.
Mas foi um sorriso vazio.
Um sorriso sem emoção, sem calor.
Um sorriso que parecia querer afogar o mundo em silêncio, indiferença, apatia.
Ele lentamente abriu os olhos—e, ai…
Que visão aterrorizante.
Seus olhos pareciam um oceano estático. Sem uma única ondulação.
Perfeitamente calmo. Perfeitamente morto.
E diga…
Onde você pode encontrar um oceano assim?
Em lugar nenhum.
E é isso que o torna ainda mais terrível.
Porque quando um oceano está tão imóvel, significa que algo horrendo, antigo, abominável está dormindo bem abaixo da superfície—assustando todas as criaturas ao redor enquanto espera…
…engolir tudo que estiver ao alcance.
E Kaden…
…estava pronto para engolir toda a Cidade de Aço.
—Fim do Capítulo 110—