Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 75

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

O duelo entre Kaden e Kenan havia terminado.

A multidão já havia retomado suas vidas.

Alguns estavam eufóricos—gritando, rindo, contando suas apostas feitas em Kaden. Outros estavam irritados, balbuciando maldições por sua má sorte, por Kenan, até pelo próprio destino.

Mas, mesmo enquanto se afastavam para o ritmo do dia a dia…

não conseguiam parar de falar.

Não conseguiam parar de comentar sobre aquele duelo.

Não conseguiam deixar de falar do mais jovem Warborn que controlava o sangue.

Não conseguiam parar de falar do mais novo Warborn com sua espada.

Não conseguiam parar de mencionar… A Espada Carmesim.

O nome de Kaden não só surgiu. Ele cresceu. Entre os plebeus, os aventureiros, os lutadores de nível baixo—ele virou um nome que não se esquece.

E talvez tivesse ficado apenas uma lenda das ruas se ele tivesse derrotado um ninguém.

Mas quem ele enfrentou não era qualquer um.

Era o herdeiro do FireBorn.

E assim… quem tinha poder começou a prestar atenção.

E entre eles, naturalmente…

Os próprios FireBorn.

Estância FireBorn – Sala de Reuniões

A sala era luxuosa. Pintada de preto e laranja, numa combinação tão vil que parecia hipnótica. As paredes exibiam imagens do sol. E abaixo daquele sol ardente, uma mão de fogo se estendia. Parecia estar implorando. Mas não era exatamente isso. Estava…tingsando veneração.

No centro da sala havia uma mesa enorme, cercada por cadeiras.

E na cabeceira dessa mesa, sentava um homem.

Ele parecia estar na casa dos trinta anos. Cabelos como chamas alaranjadas, olhos como dois abismos. Sua barba era aparada, com fios pretos e laranja, conferindo-lhe uma aura que misturava o selvagem e o nobre de forma perfeita.

Vestia um terno preto. Simples, mas letal.

Lewin FireBorn.

Pai de Kenan.

E do lado oposto, seu filho—com a cabeça baixa, o peso da vergonha sobre os ombros.

Toc. Toc. Toc. Toc.

O dedo de Lewin continuava batendo no encosto da cadeira, num ritmo suave e contínuo, quase hipnótico.

Mas para Kenan, aquilo era tortura.

Três horas.

Já se passaram três horas desde que ele acordou.

E ele havia despertado para aquilo—seu pai, batendo na maldita cadeira. Olhando fixamente. Sem dizer uma palavra sequer.

Apenas sentado. Observando. Esperando.

Kenan não aguentava mais.

"P-Pai—!"

"Kenan."

O próprio nome o silenciou de imediato.

"Kenan." Lewin repetiu, mais devagar desta vez.

Kenan endireitou-se, com a voz trêmula. "S-Sim!"

"Me diga, Kenan. Por quê?"

A voz dele ainda era suave. Mas o peso por trás dela… era aterrador.

"Por que você provocou o mais jovem Warborn para um duelo?"

Kenan abaixou ainda mais a cabeça.

Pensou em mentir. Mas mentir para o pai era suicídio.

"Eu… Eu o provoquei porque queria chamar a atenção da Meris," disse relutante.

Silêncio.

Toc. Toc. Toc.

Mais batidas.

Então, finalmente—

"O Albert não lhe disse para parar de perseguir o herdeiro Elamin?" Lewin perguntou.

"D-Disse, pai."

"Então agora você está ignorando minhas ordens, Kenan?"

Ele não esperou.

"Você está ignorando minhas ordens?"

Dessa vez, a voz dele não era suave.

Veio carregada de pressão. Pesada. Arrasadora.

Kenan ofegou.

Seu rosto enrijeceu, as mãos tremiam, o peito se apertava. Seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente. Ele não conseguia respirar.

Sentia que iria desmaiar…

"Você está indo longe demais, Lewin."

Uma voz feminina, forte e aguda, ecoou no cômodo—e, como que por magia, a pressão desapareceu.

Engasgos. Engasgos. Engasgos.

Kenan tossiu forte, puxando ar como se fosse a primeira respiração de sua vida.

E então olhou para cima—

Ela estava lá.

Uma mulher de uma beleza marcante. Cabelos negros e longos, que pareciam correr livres ao vento. Olhos como fogo negro. Curvas que pareciam feitas para destruir nações.

Inola FireBorn. Sua mãe.

Ela se aproximou dele com olhos calorosos e o abraçou apertado.

Kenan nem tentou segurar as lágrimas. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ele se agarrou a ela como um homem que está se afogando.

Por mais que ela o repreendesse—ela nunca foi dura demais.

Ela era calor. Ela era doçura.

Ela só desejava uma coisa.

Que ele carregasse o nome FireBorn.

Que fosse melhor.

Que suportasse o que veio a ser.

Algo que ele havia fugido porque sabia o quão pesado realmente era.

Mas agora…

"Inola," Lewin rosnou, "quantas vezes preciso te dizer—para de mimar ele. Para de ser fraca. Veja onde isso levou. Ele provocou um Warborn por causa de uma garota."

A voz de Lewin era de ferro.

"Você sabe a vergonha que isso traz ao nosso nome? Você entende o dano que isso causa?"

Inola apenas sorriu suavemente, sem piscar diante de sua ira.

"Quem ousa?" ela disse. "Que falem pelas costas. É só isso que fazem. Mas se alguém disser uma palavra sobre meu filho na minha frente…"

Ela virou-se e o encarou diretamente.

"Então que venham. Que me digam se o filho deles despertou uma intenção nascente aos quinze anos."

Ela inclinou a cabeça, sorrindo.

"Deixem o Kenan em paz. Ele cometeu um erro. Mas aprendeu algo com isso. Acredito que agora vai agir de acordo com seu status… certo, meu filho?"

Ela olhou para ele, de cima—para que ele não tivesse dúvidas.

Kenan assentiu, mais firme desta vez. "Sim, mãe."

"E quanto ao herdeiro Elamin…" ela acrescentou com um sorriso brincalhão.

"Você gosta dela assim tanto?"

As orelhas de Kenan ficaram vermelhas. Ele deu um pequeno aceno de cabeça.

Inola sorriu novamente. Achava-o adorável.

"Se você ama alguém, não deve se impor a ela, querido. Você também precisa aceitar a escolha dela. Compreende?"

"Sim," ele murmurou suavemente, com a cabeça baixa.

"Agora vá descansar. Depois vai treinar de novo. Você precisa estabilizar sua intenção nascente e depois ampliá-la até a intenção plena. Após isso, você começará a missão de evolução."

Kenan levantou-se, fez uma leve reverência ao pai ainda carrancudo e saiu rapidamente da sala.

Assim que ele se foi—

Lewin suspirou.

"Inola… você é muito fraca."

"Eu sei," ela respondeu.

"Mas deixe isso de lado, por enquanto."

Ela deu um passo à frente.

"Um Warborn está aqui, Lewin. Provavelmente o irmão mais novo do Dain."

Ela encarou seus olhos, expressão séria e mortal.

"E você sabe o que isso significa."

Lewin assentiu lentamente.

"Sei. É hora de colocar nosso plano em ação e eu manter minha palavra."

Ele voltou a fazer careta, os dedos flexionando.

"Mas como diabos a gente vai chegar perto dele depois do que nosso idiota de filho fez?"

Inola deu de ombros casualmente.

"Como mais? Ele é um Warborn. Deve estar curioso sobre onde está o Dain."

Ela deu um passo à frente e sentou calmamente no colo dele, com os olhos fixos nos dele com carinho.

"Você tem certeza que está pronto para isso…? Essa ação pode condenar a todos nós…"

Lewin não hesitou.

Seus olhos pretos fixaram-se calmamente na dela.

Então, com uma voz calma e firme…

"Eu estou."

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