
Capítulo 69
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A noite finalmente terminou, e a manhã chegou.
A lua do império recuou, dando lugar ao sol dourado e radiante, que emitia um brilho tão quente e intenso que despertou Kaden do sono.
"Ah… dia de folga?" murmurou Kaden baixinho, ainda na cama.
Ele estava exausto. Muito cansado da missão recente — tinha morrido inúmeras vezes, enfrentado monstros demais. Só precisava de um dia para recarregar as energias.
Um dia.
Somente um.
E então poderia descansar, e voltar com ainda mais força.
Quanto mais pensava nisso, mais tentador parecia, mas também…
Mais Kaden resistia a agir de acordo.
Porque ele sabia — uma vez que você se atrevesse a dizer “só hoje”…
Então muitos outros “só hoje” viriam depois.
Ele começaria a adiar coisas que podia fazer agora para outro momento, e depois de um tempo, aquilo se tornaria um hábito.
Um hábito muito perigoso e fatal neste mundo — ou em ambos — onde o perigo espreitava por toda parte.
Porque sério… se não fosse pelo seu sistema, Kaden estaria vivo neste momento?
De jeito nenhum.
Por isso, após alguma luta, Kaden finalmente saiu da cama e foi ao banheiro se arrumar. Seus pés estavam pesados, mas ele ainda caminhava.
'Morte… alguma fala motivacional, por favor?' pensou Kaden enquanto se arrastava pelo cômodo.
[Mantenha-se forte.]
O sistema respondeu instantaneamente, como se estivesse esperando há séculos por aquele momento exato.
Kaden deu um sorriso torto.
"Obrigado… isso foi bem… motivacional," murmurou com uma voz carregada de esforço.
[Precisa de mais?]
"Não, obrigado."
[Perda sua.]
Kaden ignorou e finalmente entrou no banheiro.
…
Dentro da loja Tycoon's Merchants, Kaden sentou-se numa sala bem ampla — uma sala onde não havia nada além de uma mesa simples no centro e duas cadeiras de ferro simples de frente uma para a outra.
Ao sentar, Kaden não pôde deixar de dar uma pequena sobranceira.
O que o surpreendeu.
Com sua constituição atual, como uma cadeira de ferro simples poderia machucar seu traseiro?
Ele se levantou curioso e inspecionou a cadeira. Não encontrou nada fora do lugar, nada afiado o bastante para explicar aquela dor. Então tocou nela. E no momento em que tocou, sentiu uma picada pequena na mão, nada demais, só o suficiente para despertar sua curiosidade.
Ele estava quase ativando sua percepção ao máximo para investigar…
Quando sentiu um leve toque na sua perna.
De imediato, virou-se, esperando ver quem ele tinha ido buscar, mas…
"Nada?" murmurou Kaden, escaneando a sala com o olhar.
"Pobre garotinha, se você continuar me ignorando, vai se arrepender muito," uma voz de repente ecoou.
Kaden parou em choque, depois olhou lentamente para baixo.
Lá, diante dele, estava uma mulher bem pequena, com longos cabelos ruivos trançados, pele ébano e com um cachimbo na boca, olhando para ele com uma irritação clara.
Uma anã.
Kaden sorriu de forma constrangedora.
"Velha Smith…?" perguntou, com a dúvida visível.
A mulher assentiu.
"Claro que sou eu. Quem mais poderia ser? Agora, não perca meu tempo e mostre-me o corpo do Urso Dreadthorn."
Velha Smith falou rapidamente, sem dar espaço para ele se adaptar mentalmente.
Porque neste momento…
'Velha Smith…?'
Kaden estava em dificuldade.
A imagem que ele tinha na cabeça e a realidade diante dele eram muito… diferentes.
Ele suspirou.
'Lição aprendida. Jamais assuma o gênero de uma pessoa apenas pelo nome.'
Uma lição muito importante, especialmente nestes tempos.
Certo?
…
"Oho…!" Velha Smith soltou um som de surpresa, com um pouco de empolgação na voz.
Ela correu até o cadáver do urso e começou a avaliá-lo imediatamente. Tocou pelo pelo, assentiu consigo mesma, examinou cada parte do corpo com precisão clínica e atenção minuciosa.
No final, ficou em silêncio por um momento antes de se virar para encarar Kaden, que havia ficado sentado calmamente o tempo todo.
Ela o analisou — de cima a baixo.
"Você foi quem matou essa besta?" perguntou, enquanto respirava fundo com seu cachimbo.
"Sim, fui eu," respondeu Kaden calmamente.
“Puff—”
Outro puxão longo.
"Você? Um Acordado matando uma besta de patente Mestre? Especialmente um Urso Dreadthorn?" ela perguntou, com uma expressão clara de dúvida, como se dissesse: Não estou acreditando na sua mentira.
Kaden sorriu.
"Isso é talento, senhora," ele respondeu com um gesto de ombro.
Velha Smith o olhou fixamente por um segundo e então perguntou:
"Como você conseguiu?"
"Que tipo de armadilha? Ou artefato? Se for um artefato, me conte, eu dobro sua recompensa."
Sua voz agora era séria.
O mundo é grande e cheio de mistérios. Ela não acreditava na ideia de que um Acordado derrotou uma besta de patente Mestre em combate frontal — mas com a técnica certa, ou um item, ou uma trapaça? Talvez.
Ela acreditava nisso.
Porém, Kaden sacudiu a cabeça.
"Você está enganada, senhora."
"Sabe quem eu sou?" questionou, ainda com um sorriso no rosto.
Isso fez Velha Smith franzir a testa, seus lábios se contorcendo de irritação. Ela provavelmente estava a segundos de dizer que não se importava.
Mas então—
"Sou Kaden Warborn. O filho mais novo da Família Warborn."
Assim que falou essas palavras, a atmosfera mudou.
Sutilmente — mas de forma definitiva.
Outros talvez não percebessem.
Mas Velha Smith percebeu.
A sala agora exalava algo antigo e avassalador.
Era…Morte.
Pura e sem restrições.
Ela olhou novamente para Kaden, e desta vez seus olhos vermelhos como sangue brilhavam como a maré de um oceano de sangue.
"Sou também filho do sangue. Aquele que nasceu na guerra, na morte e no sangue, senhora."
Os olhos de Velha Smith se arregalaram ligeiramente.
E, de repente, uma aura vermelha como sangue saiu do corpo de Kaden.
Logo atrás dele, apareceu uma imagem fantasmagórica — uma mulher com cabelos vermelhos e olhos vermelhos — que sorriu como se o abraçasse com amor. E tão repentinamente quanto apareceu… a visão desapareceu, como se nunca tivesse existido.
Kaden nem percebeu.
"Então, não me compare com os comuns," terminou solemnemente.
Depois, silêncio.
Ele manteve a expressão firme.
Mas dentro da cabeça—
'Consegui enganá-la? Droga, espero que sim. Essa foi minha melhor atuação…'
Ele realmente não queria entrar em detalhes sobre como matou aquele urso.
E, por sorte—
"Entendo…", finalmente disse Velha Smith, com uma expressão inexpressiva.
Kaden respirou aliviado, por dentro.
"Você não é Dain Warborn, seu irmão mais velho?" ela acrescentou, com a voz de repente mais fria.
"Deveria ter percebido — cabelo preto, olhos vermelhos. Mas acho que estou ficando velho."
Seus olhos escuros fisgaram os dele.
"Dizem que os pecados do irmão mais velho recairiam sobre o mais novo, né?"
Um sorriso frio e assustador surgiu em seus lábios.
"Espero que você tenha o que é preciso, pequeno Warborn."
Kaden ficou ali, atônito.
Então—
'Porra, Dain…'
Não conseguiu evitar amaldiçoar o irmão mais velho.
—Fim do Capítulo 69—