Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 50

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Darklore, Fortaleza Waverith, Mansão Cerveau—

Dentro do castelo azul e branco da propriedade Cerveau, Brain Cerveau permanecia silencioso em seu escritório, com uma expressão “como sempre”—neutra, indecifrável, sem nem mesmo um traço de emoção.

O escritório era exatamente aquilo que se esperaria de alguém como ele. Azul com listras brancas, limpo e clínico. Só havia uma mesa, duas cadeiras e uma pequena estante cheia de livros organizados em fileiras ordenadas. Nada mais.

Tudo naquele ambiente estava disposto com fria precisão. Nada fora do lugar.

E, neste momento, sobre sua mesa, Brain folheava lentamente um arquivo de papéis. Lera cada um com cuidado, sem comentar, sem piscar, sem demonstrar qualquer reação.

Após alguns minutos, terminou de ler e colocou os papéis de volta com uma graça deliberada.

"É tudo?" perguntou Brain, inclinando-se suavemente para trás na cadeira.

"Sim, meu senhor. São os movimentos recentes das bestas fora da fortaleza," respondeu uma voz suave, quase infantil. A voz ecoava de algum lugar, sem corpo definido, mas o frio por trás dela era inconfundível.

Brain inclinou a cabeça. "E aquela cobra?"

"Ela não se moveu, meu senhor. Enviei mais homens para coletar informações, mas nenhum retornou. Ela reforçou suas defesas."

Brain franziu um pouco a testa.

Ele preferia inimigos que se moviam. Inimigos como aquela brutamontes—previsível, violento, exposto.

Mas aquela cobra? Ela sempre permanecia em seu território. Silenciosa. Oculta. Quieta. Esperando.

Ela era um incômodo para lidar. E o pior de tudo: não havia uma forma clara de obter mais informações sobre ela.

E isso… isso o perturbava bastante.

"Use nosso elite. Quero saber o que a fez se esconder assim e transformar seu domínio em uma fortaleza."

Uma pausa.

"Ou melhor ainda… capture alguns desses homens-sapo que conversam," acrescentou, um sorriso frio e sem vida surgindo em seu rosto. "Vou fazê-los falar."

"Entendido, meu senhor," respondeu a voz, completamente imperturbável.

"Mas também, meu senhor," ela continuou, "há a questão com os Warborns."

Brain levantou uma sobrancelha, apoiando a mão sob o queixo.

"O que devemos fazer a respeito deles?" ela perguntou.

Brain permaneceu silente por um instante antes de responder.

"Os Warborns são uma clã de brutamontes. E fora de nossas paredes… temos uma besta que também gosta de sangue."

Ele sorriu de lado.

"Vamos garantir que eles se encontrem. Acho que serão ótimos amigos."

Depois, com firmeza—

"Não me importa qual método use. Só garanta que essa besta e os Warborns entrem em conflito."

Ele fez uma pausa, o tom ficando mais sombrio.

"E não estou falando de pequenas disputas, Selene."

"Quero que seja guerra total."

"Entende? Faça o que for preciso."

O silêncio que seguiu foi pesado, frio—antes que, finalmente, ela respondeu:

"Sob sua vontade, Senhor Brain," respondeu Selene.

Sua voz era calma e firme.

Pronta para fazer qualquer coisa… para agradar seu mestre.

..

De volta a Fokay—dentro do prédio dos Mercadores do Magnata, em algum dos seus muitos cômodos…

Uma mulher de meia-idade estava sentada diante de dois jovens.

Um era uma menina de cabelos roxos longos e olhos prateados brilhantes—uma beleza inconfundível, refinada e encantadora.

O outro era um garoto, aparentemente da mesma idade, com cabelo laranja vibrante e olhos pretos. Sua postura era ereta, a expressão séria e concentrada—mas essa seriedade se desfez toda cada vez que ele olhava de lado para a garota ao seu lado. Suas bochechas ficavam instantaneamente coradas. Claramente, ele estava nervoso.

Obviamente, a garota era Meris Elamin.

E o garoto em questão era Kenan Fireborn—um prodígio com sangue nobre.

"Vocês agora são meus pupilos. Meus discípulos," disse a mulher com um sorriso caloroso, acolhedor.

Ela tinha cabelos azul claros e olhos escuros. Sua presença era gentil, mas não fraca.

"A alquimia não é uma arte fácil. Na verdade, acredito que seja a mais difícil das três profissões. Porque não transformamos apenas ervas—transmutamos bestas, minerais, até outros produtos alquímicos. Essa é uma arte que exige foco profundo… e, acima de tudo, talento."

O tom de Viviette ficou mais severo ao olhar para os dois com um olhar sério.

"Vocês têm talento. Mas…"

Seu olhar se virou para Meris—que nem chegava a olhá-la.

Os olhos de Meris exploravam o cômodo, com uma expressão malandra, como se achasse as paredes ainda mais interessantes do que as palavras da mestra.

Viviette suspirou.

Depois, olhou para Kenan—que também não a olhava. O jovem estava ocupado demais admirando Meris, como se ela fosse uma criatura celeste enviada do céu para atormentá-lo com sua beleza.

Viviette gemia internamente e bateu as mãos. O som fez os dois se arrepiarem.

"Vocês estão distraídos demais. E alquimia não é coisa que se faça enquanto se está distraído."

Ela olhou para o relógio e continuou:

"O dia é de vocês. Mas amanhã, quero que estejam aqui às sete da manhã. Quem chegar atrasado, quem estiver distraído… não será mais meu discípulo."

Antes que pudessem responder, Viviette desapareceu num estalo de chama roxa—deixando só silêncio para trás.

Meris não perdeu tempo.

Assim que Viviette sumiu, ela levantou-se e começou a caminhar.

"Ah!.. Meris! É… você não se importa se eu te chamar pelo nome, né?" Kenan perguntou, a voz trêmula enquanto se apressava em seguir.

Meris assentiu sem se importar muito. "Pode chamar," ela respondeu simplesmente. Sua postura brincalhona de sempre sumira, substituída por uma graça indiferente.

Neste momento, ela era Meris Elamin—A Herdeira.

O rosto de Kenan se iluminou de alegria com a resposta dela. Depois, nervoso, mas com uma confiança crescendo, completou:

"Euh… Estava pensando que, já que estamos estudando sob o mesmo mestre… talvez devêssemos nos conhecer melhor. Você sabe, conversando, comendo, bebendo."

Meris não respondeu, mas Kenan prosseguiu.

"Tem um lugar que conheço—famoso pelos pratos, vinhos e atmosfera. Se quiser, posso reservar todo o andar só para nós dois."

Eles estavam entrando na sala principal de recepção quando, de repente—

Meris parou.

Os olhos de Kenan se iluminaram, achando que seu convite finalmente tinha dado certo.

"Parece que você se interessou, Meris," disse ele, dando um passo à frente, tentando ver a expressão dela.

E então… ele viu o rosto dela.

Seus olhos prateados, enormes, fixos em uma direção. Surpresa. Choque. Algo mais profundo.

Kenan, confuso, virou a cabeça para seguir o olhar dela.

E, num piscar de olhos—

Todo o hall de recepção silenciou.

Todos se viraram. Todos perceberam.

Exceto uma pessoa.

Um jovem de cabelo preto e olhos vermelhos estava próximo do painel holográfico de missões, focado apenas nas tarefas, completamente alheio aos olhares.

Porém, Meris sabia exatamente quem era.

Ela o reconheceria em qualquer lugar.

E quando ela realmente percebeu—quando sua mente aceitou que, sim, era ele—

Meris sorriu radiante. Um sorriso tão brilhante, tão feliz, que o coração de Kenan pulou uma batida.

E então se quebrou.

Porque suas próximas palavras foram altas o bastante para todos ouvirem:

"Desculpa. Acho que acabei de encontrar meu encontro."

E ela se virou.

Rumo direto a Kaden.

Naquele exato momento, Kaden, finalmente sentindo o peso de dezenas de olhares, ergueu a cabeça.

E, ao prender seus olhos vermelhos nos olhos prateados dela—

Um pensamento ecoou em sua cabeça.

'Nem na minha pior fase…?'

Mas antes que pudesse reagir—

"KADEN! Sinto tanto a sua falta!!!"

A voz de Meris explodiu pelo salão.

E, assim de repente—

A temperatura mudou.

O ambiente aqueceu.

Kaden virou lentamente a cabeça, e, atrás de Meris, estava um jovem.

Um garoto olhando para ele como se tivesse acabado de assassinar toda sua linhagem.

Ao perceber aquilo, os pensamentos de Kaden surgiram naturalmente:

'Que merda…'

—Fim do Capítulo 50—

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