
Capítulo 47
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden caminhou com passos calmos e ponderados ao se aproximar da muralha imponente, então silenciosamente tomou seu lugar na fila que se formava diante dela.
Mas essa muralha não era feita de pedra marrom comum como na maioria das fortificações.
Era completamente preta — não pintada, nem sombreada, mas feita de um material raro: Pedra Estrela Negra. Um recurso que só o Império Celestial possuía.
No meio daquela parede obsidiana havia um portão dourado. Carregado em sua superfície, resplandecia um brasão — uma coroa com três chamas celestiais cintilantes para cima.
Era a marca do Asterion, a linhagem governante do Império Celestial.
E atrás daquela porta… estava o Asterion — a capital do próprio Império.
“Você precisa ser bastante arrogante pra nomear a sua capital em homenagem à sua própria família,” pensou Kaden internamente enquanto avançava — finalmente era a sua vez.
"Coloque sua mão na esfera", disse um dos guardas de modo direto, monótono, sem sequer levantar a cabeça.
O homem tinha cabelos vermelhos escuros e olhos de um preto profundo, como o vazio. Ao olhá-lo, as únicas coisas que vinham à mente eram:
Nada de papo furado. E tédio ao extremo.
Kaden olhou para a esfera — um artefato brilhante, quase idêntico ao que usava para definir sua Origem — e calmamente colocou a mão sobre ela. A esfera brilhou em verde.
"Sem antecedentes criminais", murmurou o guarda, anotando algo.
Os lábios de Kaden se contorceram levemente.
'Se ao menos você soubesse…' pensou com uma risada interna secreta.
"Nome: Kaden Guerreiro de Nascimento. Nível: Despertado. Idade: quinze anos", continuou o guarda, antes de fazer uma pausa. "Ah… Guerreiro de Nascimento, hein."
Ele finalmente olhou para cima — e lá estava. Cabelos negros. Olhos vermelhos.
Clássico Guerreiro de Nascimento.
O guarda sorriu de lado.
"Não sabia que esses sanguinos sanguinários tinham outro filho além daquele monstro."
Kaden inclinou um pouco a cabeça. "Monstro?"
"Dain Guerreiro de Nascimento", respondeu o guarda, com tom monótono.
E assim, de súbito, os olhos de Kaden se arregalaram — só um pouco, mas foi o suficiente. Fazia tanto tempo que não via seu irmão. A última vez foi… no dia da sua Deocultação.
'Meu irmão é conhecido aqui?' pensou silenciosamente, antes de assentir e responder,
"Sim. É meu irmão."
O guarda sorriu de uma forma estranha — algo entre diversão e uma sombra mais escura — antes de murmurar,
"Bem-vindo à capital, pequeno Guerreiro de Nascimento. Espero que aproveite sua estadia."
Kaden franziu a testa levemente. Lá estava ela. A mudança sutil. O cheiro de problema já no ar.
Ele suspirou por dentro, frustrado.
'O que você fez aqui, irmão?'
Ele assentiu numa apreciação irônica e avançou na direção do portal.
Mas o guarda voltou aIntervir, estendendo a mão direita.
"Taxa de entrada. Cinco moedas de ouro."
O sorriso no rosto dele tornava a cobrança ainda mais evidente.
Kaden ficou tenso diante do valor — cinco moedas de ouro só para passar por uma porta? Mas, sendo a capital, ele não quis discutir. Calmamente, puxou as moedas de seu anel de espaço e entregou ao guarda.
E justo quando achou que tinha acabado, o guarda acrescentou com tom de bajulação descarada,
"Espero que você não seja tão problemático quanto seu irmão, pequeno Guerreiro de Nascimento."
Kaden o ouviu. Alto e claro.
Virou a cabeça, com os lábios formando um sorriso amarelo, deliberadamente falso.
"Não se preocupe, senhor…"
"…Eu sou o filho exemplar."
…
A capital era… de tirar o fôlego.
Construções imponentes e arquitetura impossível, sim — mas mais do que isso, ela pulsava vida própria.
E como poderia ser diferente?
Ali se ergue o Palácio Real. Onde residiam as grandes casas nobres. Onde até um ramo dos Mercadores do Magnata tinha suas raízes.
O chão não era terra nem paralelepípedo — mas pedra polida que refletia dourado sob a luz do sol. As ruas estavam vibrantes, cheias de corpos, vozes, movimento e cores. Altos, baixos, pálidos, escuros, com escamas ou caudas — humanos, bestialinos, elfos, anões.
Tantas raças.
Tantas vidas e tradições entrelaçadas na mesma cidade.
E você pensaria que um lugar tão diversificado seria caótico.
Mas não.
Apenas um idiota começaria confusão no coração do Império Celestial. Não com guardas de armadura dourada patrulhando cada rua, com máscaras sem expressão, como se fossem nascidos com elas.
Mas tudo isso—
'Não é meu problema,' lembrou-se Kaden.
'Estou aqui apenas para encontrar uma Pedra de Evolução. Nada mais.'
Ele não veio para fazer barulho. Ou começar algo. Só precisava de informações.
No mais, sair de lá rápido.
Depois de tudo, quanto mais tempo permanecesse, maior a chance de a Princesa descobrir onde ele estava.
E Kaden preferia evitar isso a toda custo.
As ruas eram barulhentas — mercadores gritando uns com os outros, clientes negociando como se suas vidas dependessem disso, crianças correndo mais rápido que adultos na Terra piscando.
Era um caos — mas um caos bonito.
E por entre tudo, Kaden avançava tranquilamente.
Calmado. Inalterado. Como uma sombra silenciosa atravessando o fogo.
Seus passos leves, sua presença quase invisível.
Tudo nele parecia normal — postura, ritmo, roupas.
Só uma coisa o entregava.
Seus olhos.
Mesmo em movimento, algumas cabeças se viraram. Um ou dois olhares persistiram mais que outros.
E ele percebeu.
'Problema…' pensou.
'Gosto dos meus olhos. Mas são reconhecíveis demais. Preciso de uma forma de escondê-los quando necessário.'
Não porque os odiava. Nem por vergonha.
Mas, por exemplo, se estivesse chantageando uma princesa?
Melhor não deixar assinatura alguma.
Com uma respiração tranquila, ignorou os olhares e seguiu seu caminho.
…
E logo se posicionou diante do edifício.
Era alto — que rasgava o céu. E feito inteiramente de vidro. Quando o sol o atingia, dispersava-se em mil raios, refratando como um prisma. Mas não cegava nem incomodava as pessoas que passavam. Não. Era… revigorante.
Acima da porta de cristal, letras brilhavam em dourado suave:
A Organização do Magnata
Não era Ouro Celestial, nada ligado ao Império.
Apenas ouro.
Porque eles eram tão ricos assim.
Kaden não perdeu tempo.
Entrou.
E—
"Ei, ei! Olha onde pisa, bobo!"
"Mano, sério? Você tá vendendo essa porcaria por uma moedinha de ouro inteira?"
"Cara, você viu a Lisa hoje? Ela tava mais que linda!"
"Foda-se a Lisa. Aquela garota de cabelo roxo — meu Deus."
"É melhor ficar calado antes que o Lord—"
Havia barulho por toda parte. Vozes se chocando, risadas, discussões, negociações. Seres de todos os cantos do mundo, alguns de lugares que Kaden nem tinha ouvido falar.
Era caos de novo — mas esse caos tinha ritmo.
E Kaden se encaixava perfeitamente.
Ninguém percebeu sua presença. Ele preferia assim.
Olhou ao redor do salão — à direita, um painel holográfico gigante em movimento; à esquerda, mesas e sofás onde tudo se resolvia entre drinks e jogos de cartas. E bem em frente, três balcões com filas longas de pessoas pedindo, implorando, trocando.
Kaden entrou em uma das filas.
A fila andou rápido.
Logo, chegou sua vez.
Avançou.
Uma jovem sentada à sua frente. Devia ter uns vinte anos. Cabelos castanhos curtos, olhos calorosos na mesma tonalidade, e um sorriso radiante, afiado o bastante pra cortar vidro — mas cheio de profissionalismo.
"Oi! Eu sou a Lisa," disse sorridente. "Em que posso ajudar?"