Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 17

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden olhou para a figura pairando lá no alto do céu.

Seu corpo inteiro tremia—sem controle. Seus joelhos quase não aguentavam. Seu coração vibrava como um tambor de guerra no peito.

Ele não entendia o porquê. Só de olhar para o homem, seu sangue congelava.

'Que… sentimento é esse?'

Instintivamente deu um passo para trás.

A figura no céu sorriu.

"Por que você está tremendo, pobrezinho?"

A voz era sussurrada—mas ecoava na sua cabeça como um trovão, alta e sufocante. Era como alguém martelando pregos em seu cérebro.

Kaden caiu de um joelho, mal conseguindo ficar de pé.

"Você acha justo emboscar meus filhos assim?" perguntou a entidade, com uma expressão quase divertida.

Kaden cerrava a mandíbula. "Esse é um combate. Não importa a justiça."

A entidade assentiu lentamente. "Isso é verdade."

"Mas você errou numa coisa. Pode não haver justiça na batalha… mas há justiça em proteger seu lar."

Kaden ficou calado, apertando ainda mais a empunhadura de Reditha.

"E, pelo que vejo… você é o invasor aqui."

Um sorriso se abriu no rosto do homem—dentes brancos e irregulares contra um fundo de escuridão sem fim.

"Mas hoje estou me mostrando misericordioso."

Seu sorriso se alargou ainda mais.

"Faz tempo que não tenho companhia. Me entretenha."

"Passe no meu teste, e você sairá vivo desta masmorra—com uma recompensa além da sua imaginação."

A mente de Kaden rodava. A pressão da presença daquele ser era esmagadora. Cada palavra parecia um choque na cabeça, como uma montanha caindo.

Mas, mesmo assim—ele se recusava a ser tratado como um brinquedo.

"…Que tipo de teste?" perguntou, a voz rouca.

"Essa é a pergunta certa."

A entidade fez um gesto preguiçoso com a mão. "Você veio aqui sem ser convidado. Meus filhos odeiam invasores—e você já matou quatro deles."

Ele deu uma risada sombria. "Querem seu sangue. Todas as deles."

"Então, aqui está o seu teste: sobreviver ao ataque deles. Não, não basta só sobreviver—mate todos. E passe… ou pereça."

"Eu sempre cumprimento minha palavra," acrescentou com suavidade.

Kaden franziu a testa. "…Eles não são seus filhos?"

"Apenas uma expressão de carinho," respondeu a entidade, fazendo um gesto de descartar. "Não precisa se preocupar com os detalhes."

"E se eu recusar?"

Assim que as palavras saíram de seus lábios, o silêncio tomou conta da masmorra.

Sem vento. Sem ecos.

Kaden olhou para cima—e instantaneamente se arrependeu.

TREME—!

Seu corpo convulsionou violentamente, como se cada músculo rebelasse ao mesmo tempo. Seus joelhos fraquejaram, e ele caiu no chão, arfando. Suor escorria como chuva pela pele.

Parecia que a loucura encarnada estava encarando sua alma de frente.

"Se você recusar…" a entidade sussurrou, a voz sem brincadeira, olhos brilhando como abismos gêmeos, "vou levar sua alma e amarrá-la aqui para a eternidade."

"Ou—" seu sorriso voltou, mais frio desta vez, "—vou simplesmente transformá-lo em um deles."

Ele inclinou a cabeça, quase com alegria. "E aí? Interessado?"

O coração de Kaden congelou.

Transformar-se em uma dessas criaturas—sem mente, sem alma—era muito pior que a morte. E a pior parte?

O ser nunca disse que o mataria.

O que significava…

Que ele talvez não pudesse ser revivido.

Porque ele não estaria morto.

Suas mãos tremiam.

Pela primeira vez desde sua reencarnação… realmente, profundamente—Kaden se sentiu impotente.

Mas ele cerrava o punho.

"…Eu aceito."

Assim que falou, a pressão desapareceu como uma tempestade passageira. A entidade sorriu.

"Perfeito."

APLAUSOS!

Com um estrondo de palmas, dezenas de portas imensas começaram a se abrir ao redor da arena.

"Como eu disse… meus filhos querem seu sangue."

Kaden recuou, Reditha tremendo em suas mãos.

"E meus filhos… não são apenas um ou dois."

Seu sorriso se transformou numa expressão monstruosa.

"São milhares."

De cada porta, monstros começaram a surgir. Goblins. Trolls. Lobos. Ogres. Minotauros. Coisas que ele não reconhecia—todos de olhos negros, todos famintos. Seus olhos vazios brilhando como brasas. Todos fixos nele, com fome predatória.

"O que… o que é isso…?" sussurrou Kaden.

TRIM!

[Você recebeu uma nova missão.]

[Missão: Teste Súbito.]

[Dificuldade: Inferno]

[Descrição: Uma entidade de origem desconhecida quer testar seu valor. Mostre do que um Filho do Sangue é capaz.]

[Recompensa: 500 Moedas da Morte, 50 Pontos de Atributo]

[Penalidade: Perda de TODOS os pontos de atributo atuais]

[Tempo limite: 2 horas]

Mas Kaden não tinha tempo para ler.

Porque a própria morte vinha em sua direção.

"Que comece o teste!" gritou a entidade.

EXPLOSÃO. EXPLOSÃO. EXPLOSÃO.

Uma chuva de lanças vermelhas caiu do céu, perfurando dezenas de criaturas ao mesmo tempo. Seus corpos caíram com barulhos molhados no chão, seu sangue instantaneamente sendo sugado para dentro de Kaden.

Ele ficou no centro do campo de batalha—ensopado de sangue, cercado, sua lâmina Reditha pulsando violentamente em suas mãos.

Horários se passaram—ou talvez apenas minutos. O tempo virou uma mistura de violência.

Kaden matou mais de cem. Mas não adiantou. A onda era sem fim.

Seu corpo estava dilacerado. Sangue escorria de dezenas de ferimentos—deles e dele mesmo. Sem a cura de Reditha, ele teria morrido há muito tempo.

Mas agora—agora ele estava no limite.

RASTE—!

RASTE. ESTOCADA. RASTE. ESTOCADA. RASTE.

De novo e de novo. Incessante. Sem mente.

O corpo de Kaden se movia, mas ele já não tinha controle. A cabeça havia entorpecido. Sua consciência tremia.

Então—ele caiu.

Os monstros o cercaram. Seu corpo tocou o chão.

A figura negra lá em cima apenas sorriu—sem surpresas.

Mas, sob a multidão de bestas, os pensamentos de Kaden começaram a se mexer.

'Por quê…?'

Por que tenho que sofrer assim?

O que fiz para merecer isso?

Pais mortos. Bate-pas na escola. Bullying. Abandono. E… esquecido.

Todos viam o que estavam fazendo, mas ninguém ajudou.

Por quê?

"POR QUE—!"

Seu grito saiu da garganta, cru e animalesco. As criaturas pararam—por apenas um segundo—como se a dor na sua voz as atingisse também.

"Você é fraco," respondeu a entidade com frieza.

"Não me importo com suas razões para gritar assim. Existe apenas uma verdade."

Uma pausa.

"Você é apenas fraco. Isso é tudo."

Silêncio novamente.

'Fraco.'

A palavra ecoou na mente de Kaden como uma maldição.

Por quê sou fraco?

Ele tinha uma linhagem que as pessoas temiam. Uma origem poderosa. Um sistema que desafiava a morte.

Então por quê?

E então… ele lembrou.

As palavras do sistema:

"Você ainda não soltou."

Ele não tinha soltado.

Disse a si mesmo que tinha. Disse que tinha superado.

Mas era mentira.

O passado ainda o agarrava. Ainda o assombrava nos sonhos.

Ele tinha medo.

Medo de morrer uma morte inútil—como da última vez. Medo de fracassar de novo. De ser nada.

Mas agora?

Agora ele via.

'Por que estou aqui hesitando?'

'Se quero força—posso conquistá-la.'

E para conquistá-la… ele teria que morrer.

E, para viver com significado, ele tinha que parar de temer a morte.

CLIC!

Algo mudou na alma dele. Como uma cerradura se abrindo.

Ele se lembrou das primeiras palavras do sistema.

"A morte será sua companheira mais próxima."

E ele lembrou do que disse à irmã—

"A morte é minha amiga."

Kaden riu.

Não foi seu risinho usual, suave.

Uma risada selvagem, desenfreada, insana—como a do pai.

"HAHAHAHAHAHAHA!"

"FIM!"

Ele sorriu, o sangue escorrendo pelo rosto.

Porque agora… ele tinha entendido.

A morte não é inimiga. A morte não é motivo de medo.

A morte… é minha companheira.

Então—

"VAMOS MORRER!"

Sem mais fugir.

Como se respondesse à sua determinação—

ESTALIDO!

Um troll enorme pisou na cabeça dele, reduzindo-a a pó.

TRIM!

[Você morreu.]

—Fim do Capítulo 17—

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