Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 263

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Jovem Senhora!”


Leonia, que estava fazendo as últimasmalas para voltar ao Norte, de repente virou a cabeça.


Hoje era o dia de retornar ao Norte com sua família.


Como viajariam pelo Portão do Norte, localizado dentro do Palácio Imperial, os preparativos estavam relaxados.


“Connie? O que aconteceu?”


Leonia, que revisava os itens e roupas que levaria, perguntou.


“Você é a que fez os recados para a Jovem Senhora, né?”


“Qual é a confusão toda”, repreendeu Mia.


De fato, nas mãos de Connie estavam salgadinhos e suprimentos de arte vendidos apenas na capital.


“Isto! Jovem Senhora!”


Sem conseguir conter a empolgação, Connie colocou os itens numa mesa próxima e puxou um envelope do próprio peito.


“O que é isso?”


“Alguém pediu para que entregasse a você.”


“Connie, sabe que eu não aceito essas coisas”, afirmou Leonia, firmemente, balançando a carta.


Desde que Ferio recebeu uma enxurrada de cartas de admiração de jovens nobres, a Casa Voreoti tinha uma regra tácita de ignorar toda correspondência desse tipo.


“Não é só uma carta de amor!”


Ainda empolgada, Connie bateu os pés no chão.


“Era do cavaleiro de cabelo prateado!”


“Quem?”


Leonia, que já estava cansada de estranhos alegando admirá-la, de repente ficou boquiaberta.


“-Q-Quem foi que você disse?”


“Do cavaleiro de cabelo prateado! Aquele para quem você deu o relógio de pulso!”


“Nossa! Corre, abre logo!” Mia pulou, incentivando também.


“Ugh! Por que vocês duas estão fazendo toda essa tempestade em copo d’água?”


Leonia reagiu irritada às duas criadas.


Mas, na verdade, ela era a mais empolgada de todas.


Desde que voltou do palácio, ela não conseguiu mais reencontrar a Princesa Scandia, e agora apressou-se em rasgar a carta.


“O que diz?”


“É uma declaração de amor, né? Não é?”


“Ugh, espera um pouco, vocês duas!”


Esquivando-se das duas irmãs empregadas, Leonia saiu rapidamente para o exterior.


Havia vozes decepcionadas atrás dela, mas Leonia queria ler a carta sozinha, apenas desta vez.


Ela entrou em um cômodo vazio próximo e imediatamente trancou a porta.


“O que será isso...”


Ela estava tão nervosa ao lê-la que era ridículo.


Sentia-se patética, mas o sorriso em seu rosto não desaparecia enquanto ela encarava a carta.


De pé junto à janela ensolarada, as mãos de Leonia tremiam levemente ao abrir cuidadosamente o envelope.


Ela engolia em seco, enquanto seu pescoço parecia subir e descer de modo nervoso.

“Haah, haah...!”


A respiração ficou agitada sem motivo enquanto ela desenrolava a carta.


[Prezada Senhora Voreoti,]


Leonia bateu com a mão na testa.


“...Calma aí, sua doida do Norte.”


Era apenas uma carta de alguém conhecido — uma única linha de saudação não justificava seus lábios se curvarem num sorriso estúpido. Ela precisava manter sua dignidade.


“Mas a caligrafia é tão bonita.”


Talvez até seja mais bonita que a minha?


Com esse pensamento passageiro, Leonia voltou a ler. Seus olhos arregalados percorriam rapidamente a carta, e a cada linha, seu corpo se aproximava mais da porta.


Impacto forte!


“Uau, Jovem Senhora!”


Um dos criados ❀ NoiteDeAventura ❀ (Não copie, leia aqui) que passava por perto caiu de costas.


“Ah, desculpa!”


Mas, apressada, Leonia apenas lançou um pedido de desculpas superficial antes de correr escada abaixo.


No final da escada, quase caindo ao descer, estava Ferio.


Ele preparava-se para a partida e tinha uma expressão carrancuda.

“Quantas vezes tenho que te dizer para não correr na mansão...”


“Foi mal! Já volto!”


“Para onde você vai?”


Ferio rapidamente segurou o colarinho do casaco da filha enquanto ela tentava passar por ele.


“Vamos ao palácio.”


“Sou rápida! Não vou longe!”


Leonia tentou se desvencilhar, mas Ferio olhava para ela com desconfiança.


“...O que é isso?”


Ele apontou para a carta na mão dela.


“Só uma carta.”


“Leonia, aqui não permitimos cartas de amor...”


“Não é uma carta de amor!”


Leonia gritou, espreguiçando-se para escapar do aperto do pai.


“Então não é uma carta de amor?”


Em vez disso, a expressão de Ferio ficou mais sombria.


“Então que tipo de carta é essa?”


“Só algo que alguém me enviou! Por que você está me interrogando?!”


“É assim que fala com seu pai? Estou perguntando porque estou preocupado. O mundo é perigoso — e se acontecer algo com você por causa de algum estranho...”


“Meu Bboomboom não é desse tipo de pessoa...”


Ah.


A resposta irritada de Leonia vacilou de vergonha.


Enquanto isso, o rosto de Ferio se iluminou com a expressão de quem venceu.


Significava: não importa o quão inteligente Leonia pensasse que era, ela ainda estava na palma da mão dele.


“Só disseram que queriam me ver por um momento...”


Depois de cair na armadilha do pai, Leonia confessou.


“Por quê?”


“Como por que? Eles só vieram se despedir, já que vou para o Norte.”


“Falei, por quê?”


“O que há de errado com você, pai?”


Leonia bufou de frustração.


“Só vou dar tchau. E, na verdade, sou eu quem está em perigo aqui.”


“Como assim, perigosa? Você é linda porque arranca de mim.”


“Claro que sou linda! E, se pareço com você, então meu rosto é uma arma...”


“De qualquer forma, não saia. Fique dentro de casa.”


Ferio ordenou firmemente que ela ficasse com Varia.


“A barriga da sua mãe já está começando a aparecer. Talvez esteja difícil pra ela se mover — fica lá e ajuda ela.”


“Ela só está tendo dificuldades porque você insistiu em prendê-la.”


“Não é corrente, é uma tornozeleira.”


“Você chama de tornozeleira, mas parece mais uma algema.”


Leonia ainda se incomodava com a tornozeleira no tornozelo da mãe.


‘Na verdade, é aquele desgraçado daquele deus que manipulou a mãe...’


Mas, mesmo ciente disso, Ferio tinha comprado a tornozeleira e a prendeu no tornozelo de Varia, com um sorriso satisfeito e sinistro. Leonia assistia tudo com olhos secos.


“...Tudo bem.”


Com os ombros caídos, Leonia virou-se lentamente em direção ao salão onde Varia estava.


Ferio ficou observando até ela entrar e fechar a porta.


Lupe e Tra se aproximaram cautelosamente.


“Senhor, isso foi um pouco... forçado?”


“A Jovem Senhora parece um pouco triste de se separar da amiga.”


“Que amiga?”


Ao desprezo na resposta de Ferio — como se essa ‘Bboomboom’ que Leonia queria encontrar fosse coisa de incômodo — Lupe e Tra ficaram horrorizados.


“Mas, mesmo assim, ela é sua amiga...”


“E, para ser sincero, acho que a Jovem Senhora é...”


“...O quê?”


“...Muito mais impressionante.”


Lupe, quase à beira da morte, suspirou de alívio.


“...Hmm.”


Tra, que acompanhava com pena, inclinou a cabeça.

‘Por que isso parece tão familiar...?’


Então, caiu a ficha — toda essa situação lembrava ele do dia em que Leonia fugiu pela primeira vez, logo após chegar à mansão na capital.


Ela realmente era Voreoti até a ponta dos cabelos.


“Oh, céu, você ‘roubou um cavalo’, diz?”


Naquele momento, Varia apareceu vindo do salão, rindo.


“Ela disse que tinha alguém que queria encontrar. Eu disse para ela ir.”


“Varia...”


Ferio olhou para a esposa com olhos de traído.


Mas Varia, tentando manter o semblante severo, repreendeu-o.


“Você não pode impedir que ela veja a amiga! Pai não deveria fazer isso.”


“Você sabe quem ela vai encontrar?”


“Claro que sim!”


Varia colocou as mãos nos quadris, indignada.


“...Disse que ia voltar logo.”


Ela acariciou delicadamente a face de Ferio.


“Nosso Leo ainda é jovem. O que você está imaginando — essas coisas ainda estão longe.”


“Leonia é uma criança que pode aproximar esse futuro muito mais rápido.”


“Pois é...”


Varia desviou o olhar.

Ela não podia negar exatamente. Entre eles, Leonia tinha a motivação mais incansável.


“Por que você a ajudou?”


Ferio retirou a mão de Varia de seu rosto. Mas suas mãos permaneciam entrelaçadas apertadamente.


Varia, agora um pouco mais aliviada, sorriu.

“O que mais eu poderia fazer? Sou a mãe dela.”


Se uma mãe não ajuda sua filha, quem ajudará?


Varia sorriu de modo doce.

***


'Posso esperar por você?'


A última linha da carta era tão surpreendentemente sincera e desesperada que Leonia justificou sua ansiedade culpando a própria carta.


O lugar onde ela se apressou de cavalo — ficava risivelmente bem atrás da mansão.


Embora não fosse tão grande quanto a propriedade do Norte, a mansão na capital ainda era enorme. Seguir ao longo do muro já levava um tempo.


Por fim, chegou aos fundos.


“Sua Alteza!”


Leonia freou abruptamente o cavalo e quase saltou dele.


Mas ela se moveu rápido demais — seu equilíbrio se inclinou para frente.


Porém, ela não caiu.


“...Você me assustou.”


O braço de alguém se envolveu ao redor da cintura dela, puxando-a suavemente para um abraço.


O calor estranho que pressionava contra seu corpo inteiro e a voz familiar vindo de cima fizeram seu cérebro travar.

“Você está bem?”


Perguntou a princesa Scandia, com preocupação.

Leonia, ao invés de responder, ficou apenas olhando para ela com os olhos arregalados.

“Se machucou?”


A princesa perguntou novamente. As rédeas estavam em sua outra mão — ela acalmou o cavalo enquanto pegava Leonia ao mesmo tempo.

“...Que carta.”


Leonia deu um passo para trás, abanando o rosto, culpando o calor pela facial ruborizada.

“Você ia esperar mesmo assim — por que pediu permissão?”

“Vim sem marcar horário. Achei que pudesse ser incômodo.”

A princesa, supondo que Leonia estivesse mesmo com calor, puxou um lenço e enxugou seu rosto.

Leonia fez uma cara de birra, mas não tentou resistir.

Os dedos que seguravam o lenço eram grossos e longos — sinal de que a princesa havia treinado bastante na esgrima.

“Ficou chateada?”

Scandia examinou a expressão de Leonia.

“Se estivesse chateada, não teria vindo. Sabe quanto eu valho?”

Apesar do tom arrogante, um sorriso de felicidade surgiu no rosto de Leonia, incapaz de esconder sua alegria.

O lenço que ela segurava pausou por um momento.

Quando a princesa o puxou, as bochechas escondidas sob ele ficaram ainda mais vermelhas do que antes.

De alguma forma, a Princesa Scandia sentiu que a temperatura havia se espalhado para ela também.

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