
Capítulo 264
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Leonia e a princesa Scandia estavam sentadas na sombra de uma árvore próxima.
Ela havia amarrado as rédeas do cavalo que montava ao tronco da árvore ao lado delas.
“Ouvi dizer que vocês vão partir hoje.”
A princesa falou enquanto observava o cavalo mordiscando a grama. Sua juba balançava suavemente com a brisa.
“Vim porque queria te ver antes de você partir.”
“Mas como você conseguiu entregar a carta para a Connie?”
“Nos encontramos por acaso na praça.”
“Você tinha uma carta com você quando a encontrou?”
Leonia estreitou os olhos desconfiada—but não de forma hostil.
A princesa revirou os olhos várias vezes, um pouco envergonhada, e então admitiu honestamente:
“A carta… na verdade, eu a escrevi com antecedência.”
No dia em que soube pela imperatriz que o duque Voreoti logo retornaria ao Norte, a princesa Scandia imediatamente começou a escrever para Leonia.
No começo, ela pretendia que fosse uma mensagem breve. Um simples desejo de que ela chegasse em segurança ao Norte.
Mas assim que começou a escrever, as páginas só aumentaram. Antes que percebesse, já estava quase na décima folha.
Só então percebeu o quanto tinha curiosidade sobre Leonia.
Quanto mais escrevia, mais sentia falta dela. Até mesmo os sentimentos que tentava expressar na carta—ela gostaria de ouvir diretamente e receber a resposta com seus próprios ouvidos.
Então, reescreveu a carta, desta vez apenas dizendo que queria encontrá-la.
E esperou, de propósito, na praça, na esperança de que a criada de Leonia aparecesse.
“...Desde quando?”
Leonia perguntou, surpresa.
“Como você sabia quando eu iria mandar uma de minhas criadas?”
“Não foi há tanto tempo assim.”
“Ainda assim, quando?”
“...Uns quatro dias atrás.”
“Isso tudo?!”
Leonia franziu o rosto, contrariada.
“Você me ofendeu?”
A princesa se desculpou.
“Nem um pouquinho.”
Ao contrário, Leonia ficou tocada com o esforço que ela fizera só para entregar aquela carta.
E, ao imaginar a princesa esperando por dias sob o calor com aquela mensagem—seu peito se apertou de emoção.
‘Sério, se fosse algum verme qualquer, eu teria quase matado eles...’
Mas, sendo ela a princesa, podia perdoar tudo.
“Tem feito bastante calor esses últimos dias.”
Senti-se estranhamente irritada e comovida, Leonia deu uma leve cabeçada no ombro da princesa.
“Não seja tão boba. Na próxima, marque um horário. Estamos próximas o suficiente pra isso, não estamos?”
“Você vai permitir?”
“Agora que você perguntou, até dói um pouco.”
Leonia fez um bico com o lábio inferior.
A princesa ficou fascinada, pura e simplesmente, com a rapidez com que alguém poderia mudar de expressão.
“Nós nos conhecemos há algum tempo já.”
Leonia acenou com a mão enquanto falava.
“Até nos despedimos acenando assim—‘tchau-tchau’. Isso é algo que só faço com quem realmente gosto.”
Na verdade, esse gesto era algo que Leonia reservava apenas para aqueles em quem confiava e se sentia próxima.
“...Ah. Exceto pelo imperador falecido.”
“O imperador falecido?”
“Fiz isso uma vez, numa festa, quando era criança. Só pra trocar de brincadeira com ele.”
Leonia respondeu de forma entediante, com uma expressão azeda.
Mesmo que fosse só por exibicionismo, ela se arrependeu de ter desperdiçado um gesto tão especial naquele bastardo.
“De qualquer forma.”
Tentando afastar o desconforto, Leonia perguntou à princesa,
“O que te deixou tão curiosa a ponto de vir me ver?”
“Só queria me despedir...”
“Só isso?”
Ela cutucou a princesa com o cotovelo, lembrando-a de que a carta tinha quase dez páginas.
Mas a princesa hesitou em responder. Ela não conseguia olhar nos olhos dela e apenas fixava o chão.
‘...Essa aí.’
Ela gosta de provocar.
Leonia sorriu internamente.
De qualquer forma, por ter esperado quatro dias na praça, Leonia segurou seu impulso e esperou pacientemente uma resposta.
No entanto, ao ver pessoalmente {N•o•v•e•l•i•g•h•t} Leonia, a princesa esqueceu tudo o que queria perguntar.
Só de estar ao lado dela assim, sentia que preenchia uma parte vazia no peito que ela nem tinha percebido estar lá.
À medida que essas emoções transbordavam, criava-se um novo vazio.
“...Sua mão.”
Depois de pensar bastante, a princesa estendeu a mão.
“Posso segurar sua mão?”
“Minha mão?”
Naquele pedido repentino, Leonia piscou, surpresa.
A princesa achou que fosse uma falta de educação e prestes a se desculpar, mas congelou ao perceber que uma mão pequena delicadamente repousava sobre a dela.
“Elas não são muito bonitas.”
As mãos de Leonia eram ásperas, marcadas por pequenas cicatrizes.
Porém, a princesa as tocou como se fossem tesouros preciosos— delicadas e cuidadosas.
“Você tem muitas calosidades.”
“Eu tenho até mais.”
“Não diria que me falta também.”
“Mas elas ainda são tão bonitas.”
Leonia rapidamente colocou a mão livre sobre a boca, fazendo um bico.
‘Estou louca?’
Como alguém poderia dizer algo tão simples com uma voz tão doce?
Ela ficou tão surpresa que quase teve o coração saindo pela boca.
Porém, a princesa, sem perceber o pânico interno de Leonia, continuou segurando sua mão com delicadeza.
Não era tanto segurá-la, mas mexer nela com atenção.
Ela focou especialmente nas calosidades nos dedos indicador e médio da mão direita.
Embora não fosse uma região sensível, Leonia de repente quis se mexer desconfortavelmente.
“Gosto de desenhar.”
Ela inventou uma desculpa, só pra falar alguma coisa.
“Que tipo de desenho?”
“Croquis. Gosto de fazer esboços rápidos do movimento dos músculos.”
“Pensando bem...”
Princesa Scandia recordou algumas conversas que tiveram.
“...Você gosta de músculos?”
Músculos tinham surgido com frequência.
“Músculos são arte!”
Leonia respondeu com entusiasmo.
“Eu confio bastante no meu desenho. Mas, não importa o quão bem eu desenhe, não consigo replicar a beleza perfeita dos músculos.”
“Você realmente gosta deles.”
“São símbolos de esforço.”
“Esforço...”
A princesa finalmente soltou a mão.
Leonia fez diversas flexões com sua mão livre, que ainda tinha a sensação do calor do toque da princesa.
“Então, se eu...”
Observando sua própria mão, a princesa falou com uma voz muito séria.
“Se eu me dedicar...”
“Se você se dedicar?”
“Quer dizer...”
Ao hesitar, Leonia viu algo vermelho entre sua linha de visão.
Seus olhos foram atraídos pela orelha da princesa, que aparecia entre seus curtos fios de cabelo prateado.
“...A família Hesperi é famosa pela força física.”
Aquela declaração repentina de orgulho ancestral tirou Leonia de seu devaneio.
“...Huh? De repente?”
Leonia ficou confusa, mas a princesa permaneceu totalmente séria.
“Meu avô, o atual marquês, é impecável. E minha mãe também é conhecida pela sua estrutura excepcional.”
“Pois é, isso é verdade.”
“Meu pai também.”
“O senhor Ibecks tem uma constituição excelente.”
Até Leonia, que era exigente com músculos, admitiu que os genes da família Hesperi eram excelentes.
“Então, acho que posso...”
Até o pescoço da princesa ficou vermelho.
“Se continuar treinando, acho que posso ficar mais musculosa que os outros.”
Ao ouvir isso, Leonia rapidamente examinou os braços e a silhueta da princesa.
Não apenas porque conhecia o futuro da história original—a que ela podia ver já superava as garotas de sua idade.
Se não fosse pelo rosto juvenil, ela passaria facilmente por uma adulta.
‘Mas ainda é uma criança.’
Seu constrangimento a entregou.
“Vou continuar tentando.”
“Você vai continuar tentando?”
“Se um dia, meus músculos ficarem do jeito que você gosta...”
“Se conseguir?”
Leonia repetiu deliberadamente as palavras dela.
Só de imaginar deixar essa alguém tão adorável para trás, ela já se sentia relutante.
“Meus músculos também...”
Nesse momento, Leonia deu uma mão na boca da princesa para impedi-la de dizer mais alguma coisa.
Os olhos de Scandia se arregalaram de surpresa—ela tinha quase que confessar que queria que Leonia gostasse também dos músculos dela.
Leonia inclinou a cabeça com um sorriso travesso.
“Só os músculos?”
“......”
“Só os músculos mesmo?”
Os lábios sob a palma da mão dela tremeram. No instante em que Leonia começou a tirar a mão, a princesa a segurou e puxou ela para perto.
Leonia foi de bom grado tombando em seus braços.
“Nossa, que homem apaixonado!”
“Sei que foi tudo de propósito.”
“Então, devo me levantar?”
“Por favor, não.”
“Haha! Você é tão fofa!”
Leonia se encostou no peito dela e riu sem parar.
O coração da princesa dava um soquinho tão forte que fez as orelhas de Leonia latejarem.
“...Eu só queria saber como você está.”
De cima da cabeça dela, veio a voz triste da princesa.
“Sério, era só isso que queria dizer. Mas, quando te vi, esqueci o que ia perguntar. Depois, comecei a pegar sua mão, como uma pervertida, e a falar coisas estranhas...”
“Humm.”
Leonia olhou para cima ligeiramente.
E viu um rosto completamente corado—as bochechas e o pescoço da princesa Scandia agora estavam vermelhos intensamente.
“...Infelizmente.”
Leonia endireitou-se.
“Tenho que ir agora.”
A princesa Scandia também se levantou rapidamente. Seu coração caiu com essas palavras.
Mas não tinha razão para impedi-la. Leonia voltaria ao Norte—nada mudaria isso.
“Desculpe por te prender. Espero que viaje com segurança...”
“Eu...”
Leonia levantou o queixo da princesa com uma mão antes que ela pudesse terminar.
“Gosto mais de escrever cartas.”
“Cartas?”
A princesa repetiu.
“Você pode me enviar algumas?”
“Vai me responder?”
“Claro.”
“Então, vou escrever todo dia.”
“Não se esforce demais—leve o seu tempo.”
Leonia falou enquanto desamarrava o cavalo da árvore.
A princesa hesitou, então assentiu. Levar seu tempo e ainda assim escrever todos os dias parecia uma boa ideia.
“Então, luminar sua alteza.”
Antes de montar no cavalo, Leonia falou.
“Fiquei muito feliz em te ver. Obrigada por ter vindo até aqui.”
“Não, sinto mais é por ter tomado o seu tempo precioso...”
“Para, viu!”
Leonia tocou suavemente os lábios da princesa com o dedo.
“Meu tempo é precioso, mas você é alguém que eu perdoaria por ocupar o meu.”
Por isso, não seja tão modesta, ela pediu.
“Meus gostos são meio estranhos, sabia?”
“Musculatura?”
“Musculatura também, mas...”
Leonia entrelaçou os braços ao redor do pescoço da princesa. O contato repentino e a distância encurtada fizeram a princesa estremecer.
Porém, logo seus braços envolveram suavemente a cintura e as costas de Leonia.
Leonia olhou fundo nos olhos dela—naqueles olhos negros como a noite.
“...Em momentos assim, gosto de quem toma a iniciativa.”
Mas a princesa não soube mais o que fazer.
Sua cabeça parecia prestes a explodir de tanta eletricidade.
Leonia, frustrada com sua imobilidade, agarrou-a pela lapela e puxou-a mais perto.
A princesa virou a cabeça na hora certa para evitar que seus narizes se chocassem.
Agora, havia pouco mais de um dedo de distância entre elas.
“Scandia.”
Leonia ordenou.
“Beije logo!”
Só após receber permissão, a princesa finalmente envolveu sua grande mão atrás da cabeça de Leonia.