
Capítulo 261
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Não importa o quanto eu...”
A voz de Ferio carregava uma pesada decepção enquanto ele caminhava lentamente entre os cavaleiros deitados de barriga para baixo no chão.
Ao mesmo tempo, uma sensação sufocante de pressão acompanhava cada passo seu.
“...possa ter ficado mais amena e compassiva.”
Os cavaleiros, suando bastante enquanto eram punidos, queriam protestar contra essa declaração.
Ferio sempre foi compassivo apenas com Leonia e Varia. Para todos os demais, ele era tão frio e impiedoso quanto sempre.
“E, no entanto, sua disciplina é a primeira a ruir.”
O tom de Ferio era de repreensão, mas carregado de ameaça.
“Um lunático mantém uma criança refém, e vocês não conseguiram lidar com isso?”
“......”
“Responda-me.”
Ao comando cortante, os cavaleiros finalmente responderam em uníssono, gritando suas desculpas.
Mas suas palavras não aliviavam a fúria de Ferio. No momento em que soube que Varia havia sido capturada por Remus, o mundo virou inferno.
Nem ao pensar nisso seu organismo estremecia de nojo.
“Senhor Meleis Levipes.”
Ferio parou na frente da cavaleira à testa do grupo. Era Meleis, com seu cabelo cinza-acinzentado preso firmemente numa só listra.
“Tinha grandes expectativas em você. E é justamente por isso que tudo isso é ainda mais decepcionante.”
“...Me desculpe...”
Ela já estava encharcada de suor, mesmo sendo começo de outono. O sol do meio-dia ainda era intenso.
“Sabe por que eu te coloquei como capitã dos cavaleiros de escolta?”
“...Sim.”
“E é assim que você me paga?”
A cavaleira, atualmente recomendada pelos cavaleiros mais experientes como próximo vice-comandante, era nada mais nada menos que Meleis.
Desde que entrou na Ordem do Gladiago como pagem, ela mostrou uma promessa excepcional.
Ela apoiava seus companheiros e tinha padrões rigorosos para si mesma. Através de treinamentos exaustivos que a levaram ao limite, ela até demonstrou sinais de desenvolvimento de oráculos no inverno passado.
“Senhor Levipes.”
A voz de Ferio cortou como uma lâmina.
“Nunca mais me decepcione com um erro tão burro assim.”
“...Serei mais cuidadosa.”
“Palavras de nada adiantarão.”
“Juro pela minha vida.”
“Minha última advertência vale mais do que sua própria vida.”
A voz de Ferio era afiada e fria, como o gelo quebrado. Mesmo sob suor, os cavaleiros estremeciam com seu tom cortante.
“Mãos atrás das costas.”
Com sua ordem, os cavaleiros agora dependiam totalmente de suas cabeças para suporte.
“Pai!”
Leonia veio correndo na sua direção, seguida por Connie e Mia.
Ao ver os cavaleiros sendo punidos, o rosto de Leonia mostrou por um instante um pouco de simpatia.
Na verdade, os cavaleiros não haviam falhado por negligência—foi uma intervenção divina. De certa forma, essa punição era injusta.
Mas mesmo sabendo disso, Leonia não conseguiu impedir Ferio.
Ela não podia contar a verdade. Mesmo que contasse, não restauraria a honra dos cavaleiros.
Então, ela trouxe algo que poderia ajudar, por menor que fosse.
“O que você está fazendo aqui?”
Ferio aproximou-se, incomodado com a chegada repentina da filha. Ele pensava em tornar a punição ainda mais severa.
“Para te dar isto.”
Leonia sinalizou para as empregadas. Connie e Mia colocaram no chão uma grande cesta que carregaram até ali.
Ferio levantou uma sobrancelha, confuso.
“...Coxins?”
A cesta estava cheia de dezenas de almofadas fofinhas.
“A mamãe pediu para trazerem.”
Varia sabia que tinha sido uma intervenção divina também—but mesmo sem isso, ela achava que só de ser tomada como refém já causaria problemas aos cavaleiros.
“Coloque-os debaixo das cabeças.”
Leonia abaixou-se, levantou a nuca de um cavaleiro e encaixou a almofada com misericórdia no pescoço, com o rosto iluminado por ternura.
Infelizmente, quem ela pegou foi Probo—exatamente o cavaleiro que frequentemente sofria as mãos de Leonia.
Receber um tratamento especial dela não parecia bondade; parecia uma maldição.
Ah...!
Mas, no momento em que a cabeça dele tocou a almofada, Probo quase começou a chorar.
Varia escolheu almofadas macias e grossas. Elas levantaram o tronco o suficiente para aliviar o peso na postura.
“Minha senhora...”
Probo fungou.
Ferio olhou para ele como se estivesse louco.
“Sua mãe... sinceramente...”
Ferio não sabia o que pensar do gesto de Varia. Era claro que queria dizer para não serem tão duros com eles.
“O coração dela é bom demais, né?”
Leonia deu uma palmada no ombro de Ferio, como se tivesse entendido tudo.
“Você deveria ensinar ela a ser má. Assim ela fica muito meiga...”
“Transforme ela numa vilã de verdade.”
“Não esqueça das algemas.”
“Vai fazer mesmo isso?”
Leonia perguntou brincando.
Ela achava que ele estava brincando sobre as algemas—mas Ferio levava a sério, mentalmente medindo os tornozelos de Varia e pensando em cores e padrões.
“...Por isso chamam ele de o musculoso do Norte.”
Leonia comentou com um movimento lento de cabeça, balançando a cabeça com cuidado.
“É melhor cortar os tendões do tornozelo dela, assim ela não consegue mais andar sozinha.”
Connie e Mia ficaram pálidas como fantasmas.
Leonia tinha feito a brincadeira como uma crítica sarcástica à obsessão e loucura de Ferio, mas para os demais parecia que ela pretendia mesmo mutilar a própria mãe.
“Quer dizer, eu até considerei...”
Ferio pensou nisso algumas vezes também—but nunca teve coragem de realizar.
E, no entanto, sua filha parecia sem nem mesmo uma ponta de culpa sobre esses pensamentos.
“...Esquece isso.”
Ferio engoliu a bronca e olhou para a filha com uma expressão preocupada.
“Apenas... cresça saudável.”
“Isso parece uma maldição.”
Leonia estreitou os olhos e o encarou com raiva.
“Baseando-me na minha derrota diante da sua consciência seca e da inocência perdida, vou garantir que a segunda seja criada direito.”
“Ainda assim, eu sou o mais forte do mundo.”
Leonia coçou o nariz com o mindinho ao ouvir a palavra derrota vindo da boca do pai.
“Você leva a paternidade muito na brincadeira, pai.”
“Quem foi que disse que levo na brincadeira?”
Ferio respondeu na defensiva. Ainda passava pelo momento mais difícil de criar alguém na face da Terra.
“Pois é, eu amadureci cedo. Você não precisou lutar muito comigo.”
“E isso saiu da sua boca...”
Ferio poderia facilmente listar as várias dificuldades que enfrentou ao criar Leonia.
Se tivesse tempo, poderia encher várias volumes de histórias.
“É tranquilo, né?”
“De verdade, é.”
Connie e Mia observavam o pai e a filha discutindo com ternura.
Enquanto isso, os cavaleiros, mesmo com as almofadas, continuavam sofrendo punição e desesperadamente rezando para não serem esquecidos.
Eles também torciam para que a conversa logo terminasse—porque era tão divertido que seus corpos tremiam de rir e mal conseguiam se manter na posição.
Por todo o campo de treinamento, apenas gemidos abafados dos cavaleiros enterrados em almofadas ecoavam enquanto rezavam para serem deixados em paz.
***
“Mestre.”
Tra chamou por Ferio.
Ele estava sentado perto de uma janela iluminada pelo sol, desfrutando de um raro momento de paz com Varia.
Ainda segurando alguns papéis, era um momento de tranquilidade após muitas tempestades.
Desfazer a bagunça tinha permitido que sua mente respirasse.
“Recebemos visitantes.”
Tra anunciou a chegada de convidados que Ferio esperava há alguns dias.
“Devo ir também?”
Varia fechou o livro que lia—era o último volume de croquis musculares que Leonia escolhera para ela, alegando que seria bom para o pré-natal.
“Volto já. Só relaxe.”
Ferio gentilmente pegou o bloco de croquis das mãos dela e beijou sua bochecha.
“Agora que penso nisso... cadê o Leo?”
Enquanto se dirigia à sala de desenho, Ferio percebeu que não tinha visto a filha mais velha desde o café da manhã.
“A garota está com os cavaleiros.”
“Com os cavaleiros?”
“Ela disse que ia à prisão subterrânea. Pediu para te avisar, se você perguntar, que foi fazer uma dança de espada.”
Ferio parou no meio do caminho.
“...Dança de espada?”
Ele de repente imaginou Leonia empunhando a espada enquanto dançava com entusiasmo.
Era tão absurdo que deu uma risada.
“Ela cresceu demais.”
“De fato, cresceu.”
“Ainda pouco, ela reclamava que odiava torturas sangrentas...”
Agora ela era uma verdadeira Voreoti, capaz de agir por conta própria.
Ferio sentiu orgulho de verdade.
“Mas vamos manter isso em segredo da madame...”
“Com certeza.”
Embora Varia odiasse Remus mais do que ninguém, ela não ficaria satisfeita em saber que Leonia saiu para manchar as mãos com o sangue dele.
Provavelmente, por isso, Leonia não tinha contado para a mãe.
Ferio chegou à porta da sala de recepção.
Tra abriu a porta, Ferio entrou e sentou-se em frente aos convidados.
“Então.”
Começou sem sequer cumprimentar. Logo ouvindo a porta se fechar atrás de si—agora era só Ferio e os visitantes.
“Por que vocês vieram?”
“Há quanto tempo, duque.”
O convidado o cumprimentou calmamente, sem se visibly abalado com a atitude abrupta de Ferio.
Com um sorriso gentil, como quem visita um neto antigo, o duque Aust tinha uma expressão pacífica.
“Se quisermos ser precisos, não foi você quem nos chamou ➤ Noite Novata ➤ (Leia mais na nossa fonte) aqui?”
“Eu presumi que vocês viriam.”
“Pois bem, afinal o palácio não nos receberia, né?”
Salus Aust, sentada ao seu lado, sorriu ao contrastar seu comentário.
A filha de Usis...
Só então Ferio reconheceu Usis no rosto dela.
Agora que sabia, percebeu que seu sorriso era exatamente como o da mãe. Além da cor do cabelo, ela se parecia ainda mais com Usis do que o próprio Príncipe Alis.
“Você puxou sua mãe.”
Ferio comentou enquanto olhava para o conjunto de chá.
“Obrigada. Minha mãe é muito bonita.”
“E diligente.”
Ferio levantou sua xícara de chá.
A determinação de Usis de viver às escondidas no território inimigo para vingar-se ia além de mera diligência—era digna de respeito genuíno.
Embora o erro de envolver sua família jamais fosse esquecido.
“Você coletou tudo o que veio buscar?”
Ferio se referia aos cavaleiros de Meridio detidos no palácio.
“A imperatriz foi muito generosa. Ouvi dizer que o duque de Voreoti teve grande participação.”
“Não fiz muita coisa.”
“Você optou por não nos denunciar.”
O duque Aust tocou direto no ponto. Seus olhos de jade serenos brilhavam como o horizonte distante.
Seu olhar parecia enxergar através de tudo, mas Ferio permanecia impassível.
“Eu não tive intenção.”
Ferio inalou suavemente o aroma do chá.
“Se não estivéssemos com pressa, as coisas poderiam ter sido bem diferentes.”