
Capítulo 257
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Meu Deus... Duque...”
A imperatriz ficou tão atônita que não conseguiu nem fechar a boca direito.
As palavras de Ferio não eram apenas ousadas e diretas — eram indiscretas. Ela nunca tinha imaginado que alguém tão sereno e racional como Ferio pudesse dizer algo tão ousado.
“Hum...”
Mas a imperatriz, que sabia o quanto Ferio adorava sua filha, escolheu as palavras com cuidado.
“Então, você está dizendo que, quando a jovem crescer... ela poderá namorar livremente?”
Ou seja — você realmente acha que sua filha pode sair por aí sem controle?
Ao ouvir a pergunta, a sobrancelha de Ferio se contraiu visivelmente de desagrado. Após uma breve pausa, ele finalmente abriu a boca.
“Minha filha deve governar.”
“Governar...”
“Não há um único homem neste império que seja digno de estar no mesmo patamar que ela.”
“Você bateu a cabeça em algum lugar nas Montanhas do Norte?”
Tipo, por exemplo... seu crânio?
A imperatriz não falou em voz alta, mas realmente se preocupava com o estado mental de Ferio.
“Deve ter me deixado com um homem cansado demais.”
Ela fez um gesto indicando que ele deveria ir embora agora.
“Diga à sua esposa que meus parabéns também.”
“Obrigada pela preocupação.”
“Você se saiu bem, Duque.”
Em vários aspectos.
Partindo com as palavras sinceras de despedida da imperatriz, Ferio voltou ao local onde Varia e Leonia o esperavam.
‘...Finalmente acabou.’
Enquanto caminhava sozinho pelo corredor, Ferio de repente parou.
A maldita caça havia acabado.
Havia levado mais tempo do que o esperado, apresentado reviravoltas inesperadas e algumas interrupções.
‘Mas agora está terminado.’
Ao reafirmar esse fato, Ferio sentiu a tensão nos ombros aliviar-se pela primeira vez em um tempo. Até conseguiu perceber um fio de luz da lua brilhando além da janela escura.
‘Devo voltar para o Norte.’
Ele iria retornar à residência até a manhã seguinte, verificar novamente as condições de Varia e começar a preparar tudo para voltar ao Norte rapidamente.
‘O aniversário da Leonia está chegando.’
Precisava comprar um presente para ela e fazer uma grande festa. Não era aceitável negligenciar o aniversário da filha.
‘Depois, preparar a caça aos monstros...’
Também precisava se preparar para a chegada do bebê com Varia — e impedir que Leonia impondo seus gostos à criança.
‘...E a entrada na Academia.’
Ferio franziu a testa.
Quando Leonia completasse quinze anos, precisaria ingressar na Academia da Capital na primavera seguinte.
Era uma escola interna. Após a matrícula, ela passaria a morar lá na maior parte do ano, exceto em feriados.
Ferio se sentiu estranhamente dividido em relação a isso.
Era estranho perceber o quanto Leonia tinha crescido — e ainda mais estranho sentir ansiedade em enviá-la embora.
Seus pés, que tinham parado, começaram a mover-se novamente.
Caminhando pelo corredor silencioso, o coração de Ferio pesava.
Achava que tinha um bom controle da paternidade, mas ainda havia tanta coisa nova — e preocupante.
“...”
Perdido nos pensamentos, de repente ouviu vozes familiares. Varia e Leonia.
Pensando que estavam esperando por ele, Ferio acelerou inconscientemente o passo.
“...Saiam agora!”
O grito repentino de Leonia fez Ferio congelar.
“Sai da frente da minha mãe e do meu irmão! Para de se meter —!”
“Você é mesmo estranho, não é?”
A voz que veio em seguida — a de Varia — soou estranha. Não natural.
“Você nem é o verdadeiro dono desse corpo.”
“...O que você está dizendo?”
“Você não pergunta por que não sabe.”
A voz desconhecida continuou.
“Por que você age tanto como uma Voreoti?”
Você não é a verdadeira.
A voz ecoou alto, quase querendo que alguém além da porta ouvisse.
***
Leonia estava completamente furiosa com o que o deus tinha acabado de dizer a ela.
“Então, basicamente...”
Tudo foi arquitetado pelos deuses, e tudo que ela, os pais e todos os outros fizeram era apenas parte de um tabuleiro divino criado para punir Remus?
“Uau. Só... uau.”
Leonia exalou com incredulidade.
Ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro desesperadamente, tentando acalmar o calor que subia ao rosto, fanando-se loucamente.
“Não entendo por que você está tão chateado.”
O deus, observando-a em silêncio, inclinou a cabeça confuso.
“Você também queria punir o Remus, não queria?”
Então eles lhe deram a pior punição possível — qual era o problema?
“...Você realmente não entende?”
Leonia se virou lentamente, os olhos cheios de descrença e furiosa, misturados numa confusão caótica.
“Esse era meu trabalho.”
Foi um crime cometido por um humano — e uma punição que deveria ser aplicada por humanos.
“Que direito tem um deus que não pode interferir de roubar a presa de Voreoti?”
“Mas você usou as Presas que nós demos—”
“Voreoti não precisa daquela maldita força para ser forte!”
Sem aguentar mais, Leonia gritou.
“As Presas da Fera? Por favor. Essa força serve só para caçar monstros!”
“Você não se lembra como sobreviveu no orfanato graças a essa força?”
A voz do deus ficou baixa.
“Você só conseguiu suportar por causa dela.”
O cabelo rosa opaco de Varia balançou suavemente na aragem calma do cômodo.
Mas Leonia não tinha medo.
“E daí? Tenha que me ajoelhar e agradecer?”
Em vez de ajoelhar, ela levantou o dedo do meio.
“Se você se importa tanto com Voreoti, deveria ter ajudado a Regina ao invés disso!”
A pequena besta zombou. Não havia nenhuma reverência em seu coração agora.
“Vocês deuses só acrescentaram uma colher na mesa que nós preparamos.”
“Fizemos aquela mesa com a nossa força—”
“‘Nossa força’?”
Leonia bufou.
O rosto do deus, que antes ostentava uma expressão de superioridade, agora não tinha mais humor algum.
“As Presas da Fera? A profecia do Aust?”
Nenhuma serviu de muita coisa quando realmente importava.
“... Tudo bem. Vamos supor que as Presas ajudaram. Eu te dou isso.”
Leonia fingiu ser generosa, embora, na verdade, raramente as usasse além de caçadas de monstros. E, na hora de pegar Remus, os deuses interferiram tanto que nem funcionaram direito.
“Mas a profecia do Aust? Essa só se tornou real porque você armou para a mãe e provocou o orgulho dos cavaleiros!”
Você está começando a me tirar do sério.”
A voz do deus ficou dura.
“Então fique irritada.”
Leonia deu uma risada sarcasticamente.
“Porque eu vou continuar odiando você.”
Depois, ela grunhiu.
“Devolva ele. Agora.”
“Remus?”
“Seremos nós quem o punirão.”
“E quanto à mágoa da Regina?”
“Ela conseguiu seu fechamento.”
A leoa que empurrou Remus para dentro do Portão tinha retornado às planícies negras. Isso significava que Regina tinha encontrado paz.
“Remus ainda está vivo, então ele pertence a nós — aos que estão vivos.”
“Por que você é tão cheio de si? Não tem respeito por deuses?”
“Isso abandonei há muito tempo.”
Desde o momento em que abriu os olhos no orfanato.
Leonia orou em cada momento de dor e desespero — e foi só mais crueldade e sofrimento que recebeu em troca.
Os deuses só lhe deram desespero.
“Então, saia daqui!”
Ela agarrou a manga de Varia e rosnou.
“Deixe minha mãe e meu irmão em paz! Não ouse se meter conosco —!”
“Você realmente é estranha.”
O deus se inclinou, com a voz de repente distorcida.
“Você nem é a dona verdadeira desse corpo.”
Por que você está tão irada?
A mão de Leonia, que agarrava a manga da mãe, tremia. Mas ela se obrigou a manter a voz calma.
“...O que você quer dizer?”
“Você não pergunta porque não sabe.”
O deus deu uma risada curta.
“Por que você age tanto como uma Voreoti?”
N naquele momento, a mente de Leonia ficou completamente em branco. Seus dedos perderam força, e o tecido escorregou de sua mão.
O deus tocou na roupa solta de Varia.
“Sabe como eu te trouxe aqui?”
Antes da terceira tentativa, o deus buscou por uma alma que pudesse encaixar-se neste mundo.
Para isso, deixou rastros em vários locais.
“Tipo livros, talvez?”
Mas poucos humanos que encontraram esses rastros se encaixavam nos critérios do deus.
Até que encontrou um só.
“Você era uma alma que havia acabado de morrer.”
“O quê?!”
Leonia gritou. O deus estreitou os olhos e fez gestos vagos no ar, imitando o que tinha visto.
“Algum tipo de máquina... desenhando nele...”
“Gasp...!”
“Havia dois homens musculosos, completamente na—”
“CHEGA, CHEGA!”
Pânico, Leonia cobriu a boca do deus com a mão, na hora certa.
Mesmo assim, o choque de saber que ela morreu em outro mundo a atingiu como um trem de carga.
Enquanto... desenhava aquelas coisas...?
“Parecia um ataque do coração.”
O deus murmurou. Disse que parecia que ela tinha desenhado cenas demasiado sensuais e morreu de exaustão.
Porém, Leonia nem chegou a ouvir essa parte.
Os arquivos do computador...!
Os roteiros e materiais dentro deles — só de imaginar que sua antiga família os veria, ela quis morrer de novo.
“Enfim, sua alma não se assentou direito.”
Continuou o deus.
Ela não percebeu a presença das Presas, nem notou a hostilidade de Saura.
Até o enjôo durante a viagem pelo Portão era por causa dessa fusão instável.
“Mas agora, você é uma Voreoti perfeita.”
Para o deus diante dela, Leonia parecia mais uma Voreoti comum. Ele inclinou a cabeça curioso.
“Por quê? Como assim?”
Ele realmente não entendia.
Mas essa confusão começou a acalmar a frustração e a humilhação de Leonia pelo passado.
“...Seu deus idiota.”
Maldições saíram de seu coração. O deus fez uma expressão de desagrado.
Mas aquela face só fazia a pequena fera se sentir ainda mais tranquila.
“Porque ❀ NoveLight ❀ (não copie, leia aqui) alguém maior que qualquer deus me salvou.”
“Quem?”
O deus perguntou severamente.
Leonia sorriu.
“Meu pai.”
***
É assim que vou viver e morrer?
A órfã que um dia se chamava “Nia” — um nome tirado de uma prostituta de um romance que o diretor leu — costumava pensar assim toda vez que olhava para o céu azul.
O golpe repentino na sua vida tinha sido um inferno na Terra, e o tempo só aprofundava o sofrimento.
Ela já pensou que talvez fosse melhor morrer.
Pelo menos assim, o pesadelo poderia se transformar em sonho.
Mas a morte também era assustadora — e injusta.
São eles quem fizeram algo errado.
Ela mexia com seu braço fino, seco, puxando a manga de roupas mais esfarrapadas que trapos.
Aquelas malditas professoras que deixaram hematomas e cicatrizes escondidas sob suas roupas — eram elas as culpadas. Ela não podia simplesmente morrer e deixar que vencessem.
Era um ciclo de desespero e raiva.
Então, exatamente dois dias depois —
O diretor do orfanato se curvou pela primeira vez na vida e chamou o nome de um visitante.
Um carruagem negra de nobre, com brasão de leão.
O orfanato percebeu — esse era o mundo daquele romance que ela tinha lido uma vez.
Senhor!
Ela tinha bloqueado o caminho do protagonista, disposta a trabalhar como empregada de limpeza, se fosse preciso.
Leonia Voreoti.
O protagonista do romance chamou ela pelo nome verdadeiro.
E foi assim que “Leonia” nasceu.