
Capítulo 255
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
"...O que você está fazendo aí?"
A dama de companhia que atendia à imperatriz franziu a testa.
Enviada para verificar a condição da duquesa de Voreoti e transmitir cumprimentos, ela encontrou várias criadas aglomeradas do lado de fora da porta.
“Ah, bem—!”
“É que...”
Assustadas com o tom severo da dama de companhia, as criadas rapidamente se afastaram da porta.
Eram bandejas com toalhas limpas e frutas cuidadosamente arrumadas.
O olhar da dama de companhia se aguçou ao ver aquilo.
“Parece que vocês esqueceram onde estão. Ficando de espionagem nos convidados ao invés de cumprir suas tarefas?”
“N-não, de jeito nenhum!”
“Não estávamos fazendo isso—!”
Justamente quando as criadas de rosto pálido se esforçavam para se defender, um bombardeio de repreendas escancaradas vindo de uma rachadura na porta irrompeu.
“...Para elevar a dignidade da Casa Voreoti—que senhora tão grandiosa você é.”
“Vocês seguiram aquele homem sem uma arma? O que estavam pensando?”
“Se vocês forem duquesa, pelo menos, precisariam ter habilidade para mandar nos servos.”
“Por que vocês são tão ingênuas e boazinhas! Hã? Melhor seria ser um anjo na próxima encarnação!”
“De agora em diante, não saiam sozinhas sem um guardião.”
“Vamos trancar a porta de vez?!”
“Quando voltarmos para casa, vou comprar um lindo par de algemas e dar de presente para você.”
“Será que algemas são suficientes? Coloque também algemas de pulso.”
O incessante arsenal de repreendas do pai e da filha bestial fez a dama de companhia estremecer.
“M-mme...”
Uma das criadas, com coragem, falou.
“Nós realmente íamos entrar.”
“Só que as duas estavam tão... preocupadas com a duquesa...”
“Estavam preocupando demais...”
Resumindo, estavam assustadas demais com as reclamações de Ferio e Leonia para entrar na sala de modo imprudente.
A dama de companhia suspirou silenciosamente.
“Fiquem aqui.”
Sentindo uma leve pena pelas criadas, ela bateu suavemente na porta.
“Com licença.”
Somente então, o cansado bombardeio de repreendas cessou. Foi ouvida a voz exausta da duquesa, dizendo “Parece que alguém está aí!”
Na hora em que a porta se abriu, as criadas rapidamente deslocaram os objetos para seus devidos lugares e arrumaram a sala.
“Sua Majestade, a Imperatriz, envia seus cumprimentos. Ela lamenta não poder vir pessoalmente devido à sua agenda cheia, mas pediu que eu verificasse o bem-estar da duquesa.”
A dama de companhia transmitiu respeitosamente a mensagem da Imperatriz.
“Já estou recebendo tanta ajuda assim.”
Varia expressou sua gratidão.
“…Ela deveria oferecer mais.”
Leonia resmungou, dizendo que, após informar sobre a rebelião e ajudar a fazer seu filho herdar o trono, isso ainda não era suficiente.
Ferio concordou silenciosamente com a opinião da filha.
“Mas... por quê?”
Varia deliberadamente levantou a voz com preocupação, receosa de ferir a orgulho da dama de companhia.
Felizmente, a dama de companhia não aparentou nenhuma reação de mágoa. Pelo contrário, ela ficou sinceramente impressionada com a ousadia de Leonia ao exigir mais da Imperatriz.
“Sua Majestade deseja falar com o Duque de Voreoti a respeito do conselho nobre hoje.”
“Sério?”
Justo quando Leonia ia se levantar—
“Por que você está se levantando?”
Ferio pressionou a cabeça de sua filha para baixo e se levantou ele mesmo. Uma Leonia irritada rapidamente afastou a mão do pai.
“O que você está fazendo, pai?”
“Ela disse que quer falar com o duque.”
“Exatamente, por isso eu—!”
Leonia rosnou, então parou de repente. Uma expressão de irritação se abriu rapidamente em seu rosto.
“É sobre a maneira como a pauta do conselho nobre foi conduzida, não é?”
“Sim, isso mesmo.”
“Acho que fiz um ótimo trabalho, aliás.”
Leonia argumentou com um tom bastante indignado. Ela expressou bem sua opinião, fez o Visconde Olor experimentar o sabor amargo da vida e, até o fim, conseguiu conter sua fúria até o encerramento da reunião.
Contudo, a dama de companhia balançou a cabeça, pedindo desculpas.
“Embora a Senhora Leonia Voreoti tenha participado no lugar do Duque, diferente do Jovem Lorde do Marquês Pardus, ela não apresentou uma carta de delegação oficial.”
“Ora, porque eu sou o próprio Duque!”
“Mas o certificado oficial do Duque de Voreoti...”
“Tem o meu nome.”
Ferio terminou com um sorriso arrogante.
Profundamente irritada, Leonia abraçou Varia e se jogou na cama.
Segurando-se firmemente à cintura da mãe, reclamou para o bebê na barriga: “Papai é tão chato.”
Varia a confortou, acariciando suavemente suas costas e assegurando que estava tudo bem.
“Então, voltarei logo.”
“Volte em segurança.”
“Não vá para lugar nenhum.”
“Ainda bem que ela poderia até parar de respirar também, né?”
Ferio e Varia trocaram um beijo leve, e só depois que as queixas da filha irritada passaram por uma orelha e saíram pela outra, Ferio seguiu com a dama de companhia para fora do quarto.
Mesmo depois disso, Leonia ficou deitada por bastante tempo.
“... Ei, Mamãe.”
Rolando na cama ampla, Leonia de repente parou.
“Não foi sua culpa.”
Ela falou de forma suave.
Varia refletiu por um momento sobre o que sua filha quis dizer e sorriu de lado com amargura.
“Não, eu deveria ter sido mais cuidadosa—”
“Não havia necessidade de cuidado.”
Leonia lentamente se sentou e falou com seriedade.
“A razão de eu e seu pai terem brigado tanto com você... foi porque ficamos assustados e preocupados que algo pudesse ter acontecido com você.”
Nunca acreditaram que o que aconteceu fosse culpa de Varia.
“Só queria sair, e você levou cavaleiros para sua segurança.”
Estar preocupada quando uma criança que vendia flores quase se machucou—não tinha nada de errado nisso.
“Quem fez besteira foi o Remus.”
“...”
“Mamãe, e aquelas crianças que foram feitas reféns...”
E todas as vítimas que sofreram às mãos da família Olor.
E a primeira vida de Varia, perdida por ela se recusar a abrir mão de suas crenças.
E Regina, que um dia amou porcarias como Remus.
Leonia não queria que nenhuma delas acreditasse que suas feridas eram por ignorância ou fraqueza.
O arrependimento era inevitável—mas a culpa sempre recaía sobre quem infligia a dor.
“Você se saiu bem, Mamãe!”
Leonia sorriu e apertou suavemente o ombro de Varia.
“...”
Varia, que ouvia em silêncio, sentiu os olhos marejarem. Leonia rapidamente enxugou suas lágrimas com a manga de suas roupas recém-trocadas, pedindo que ela não chorasse.
“Minha filha...”
Varia fungou e sorriu, como se pudesse abraçar o mundo inteiro nos braços.
“Você sempre me faz sentir tão feliz.”
“Bem, porque eu estou do seu lado!”
É natural—somos família!
A pequena besta respondeu com confiança.
Ela se sentiu um pouco envergonhada por ter feito sua mãe chorar com suas palavras, mas ouvir que a tinha deixado feliz ainda a encheu de alegria.
Mãe e filha se abraçaram firmemente.
“Vamos parar de chorar. Não quero que meu irmãozinho também vire um chorão.”
Leonia apertou sua mãe com força e deu tapinhas nas costas.
“...A Regina conseguiu descansar em paz?”
Leonia lembrou da leoa que uma vez chorou ao olhar para ela.
Era um momento que guardava no canto do coração, e só agora, com tudo calmo, ela falou em voz alta.
“Você está curiosa?”
Varia falou de repente com uma tonalidade marota, rindo.
“...Por que você está falando assim?”
Leonia fez cara feia. Aquilo não era nada como a Varia que sempre pensava com carinho na Regina.
“Você parece uma criança esquisita...”
Ela olhou para a mãe e congelou.
“Quer que eu te diga se você está curiosa?”
Nos olhos de Varia, uma névoa negra brilhou.
“Você...!”
Leonia ficou tensa, recuando lentamente. Até mesmo o som do balanço do cobertor foi cauteloso.
À medida que a distância aumentava, uma névoa dourada começou a subir em seus olhos negros.
“Quem é você.”
A pequena besta se encheu de desconfiança afiada.
Varia sorriu brilhantemente.
“Nós nos encontramos mais cedo, lembrou? Lá fora.”
Ela apontou para a janela.
Leonia percebeu que havia um Portal conectado ao Norte naquela direção.
Porém, ela não recebia bem a entidade que habitava sua mãe.
“ Cala a boca e sai.”
Ao invés disso, ela ficou ainda mais irritada e exigiu que ela saísse do corpo de Varia imediatamente.
“Você sabe o perigo que colocou minha família hoje por sua causa?!”
“Que arrogância e falta de respeito.”
A entidade dentro de Varia franziu a testa e estalou os dedos. A névoa dourada nos olhos de Leonia desapareceu.
“Você sabe exatamente de onde veio esse poder.”
O deus silenciou o poder das Presas de Leonia.
“Não vim aqui pra lutar com você.”
Com um sorriso sereno, tentou tranquilizar Leonia.
Claro que não funcionou—Leonia mostrou os dentes, lembrando do que aconteceu nas Montanhas do Norte.
“Por que você interferiu antes?!”
“Não tive escolha.”
O deus levantou as mãos, encolhendo os ombros. Leonia odiava ver essa expressão no rosto de sua mãe mais do que qualquer coisa.
Ele apenas olhava para ela com diversão.
“Eu fiz uma promessa.”
“Que tipo de promessa?”
“Com Regina.”
Ao mencionar esse nome ❀ Nоvеlігht ❀ (não copie, leia aqui), a expressão do deus se tornou séria de imediato. Os olhos de Leonia se arregalaram, e ela ficou silenciosa.
“Ela disse que não poderia continuar assim.”
Regina, que havia retornado aos braços do divino, sofria.
Ela estava em agonia.
Disse que não aguentava mais descansar assim.
Pediu para que ela libertasse seu ressentimento.
Os olhos de Leonia tremeram intensamente.
“Então aquela leoa realmente era Regina...!”
“Não.”
No momento, uma pequena leoa saltou no ar. Ela pulou ao redor do deus e então correu em direção a Leonia.
“Isso é só a origem do poder.”
“Origem?”
“A verdadeira forma do poder que você chama de Presas da Besta.”
Quando a explicação terminou, a leoa desapareceu como fumaça. Leonia, que a observava maravilhada, voltou a olhar para o deus.
A névoa negra que cobria seus olhos verdes se intensificou.
“Esse poder é tanto nosso amor quanto um teste para a linhagem Voreoti. Ele está com você desde o nascimento, e quando você morrer, retornará a nós.”
“Mas...”
Leonia lembrou da leoa com lágrimas de céu azul.
“Regina estava chorando.”
“Eu disse que não era Regina.”
O deus resmungou, incomodado.
“Regina está morta.”
Aquela julgamento severa—de que ela morreu de forma ridícula por causa de uma Voreoti—torceu a expressão de Leonia.
Mas o deus não recuou.
“Já é ruim ela ter morrido assim...”
O deus, que vinha criticando friamente, subitamente fixou o olhar em Leonia.
“Mas ainda pior é arrastar outro Voreoti para a morte também.”
“Outro... Voreoti?”
“O verdadeiro dono daquele corpo.”
Leonia engoliu com seco enquanto o deus apontava para ela. Mesmo de longe, parecia que ela estava sendo perfurada.
“Ainda assim, não estou te culpando.”
O deus retirou o dedo e suavizou a expressão.
Leonia ficou mais surpresa pelo fato de esse ser não parecer odiar Regina tanto quanto ela esperava.
“De qualquer forma, o que você viu não era Regina.”
Por fim, o deus revelou a verdadeira identidade da leoa.
“Era uma Presa impregnada com a ressentimento de Regina.”