Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 251

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


‘Saura...’


Leonia achou que a loucura assustadora que emanava de Remus se parecia com Saura.


Quando Saura tinha morado entre eles como “Connie”, enganando as crianças do orfanato, havia uma sensação de temor inumana parecida em relação a ela.


‘Não é à toa que ela se apaixonou por ele.’


Pessoas semelhantes.


Leonia finalmente entendeu por que Saura tinha tanta obsessão por Remus.


Eram ambos lixo que há muito tempo tinham saído da esfera da decência humana—e Remus, muito mais ainda.


“E agora, o que vamos fazer?”


Remus perguntou com um sorriso infantil.


“Agora que tenho uma Presa de Monstro, também sou um Voreoti? Isso faz de nós família!”


“Aquela criatura louca—o que diabos está saindo daquela boca escancarada...”


Leonia fez uma careta como se estivesse ouvindo um esfíncter falar bobagens—mas ela hesitou.


Ferio tinha levantado a mão na frente dela. Leonia seguiu o gesto e olhou para seu pai.


Seus olhos negros, antes cheios de tensão e confusão, agora estavam obscurecidos por uma névoa vermelha crescente.


‘Ah!’


Ao perceber o que ele pretendia, Leonia também soltou sua Presa de Monstro.


Uma névoa dourada se desabrochou em seus olhos, e eles se fixaram em Remus.


“Eu não entendo.”


Remus olhou de volta para Ferio e Leonia com curiosidade.


Quando inclinou a cabeça levemente, sua pele chamuscada e apodrecida ficou visível claramente.


“Por que vocês não usariam esse poder para dominar o Império?”


“O que há de impressionante nisso?”


Ferio bufou com um sorriso torto. O cenho de Remus se contraiu com a zombaria.


“...Seu idiota inútil e ignorante!”


Então, de repente, ele explodiu numa risada louca, com os olhos arregalados.


Seus lábios manchados de sangue espirraram saliva vermelha enquanto gritava:


“Esse poder te permite dominar todo mundo! Faça todos se ajoelharem perante você!”


“Gosto do gosto.”


O rosto de Ferio escureceu de nojo diante da frase grosseira de Remus.


“Infelizmente, essa arrogância termina agora.”


Remus deu uma risadinha.


‘...Ah, vá!’


Leonia sentiu uma decepção passar pelos seus olhos.


‘Esse tipo de fala é típico de vilões pouco antes de morrer!’


A trama original tinha se desviado bastante, mas esse momento parecia perigosamente próximo ao clímax planejado.


Remus era o adversário mais cruel e persistente que ela já tinha enfrentado.


E aquela era toda a sua fala infantil?


Leonia sentiu toda a tensão saindo do seu corpo.


‘A hostilidade se foi.’


Ferio sentia o mesmo.


Perder tempo com um cara que soltava essas frases era além de patético.


Percebendo a mudança, Remus explodiu.


“Que sorriso convencido é esse?! Vocês não têm a menor noção da situação em que estão—!”


“Essa é minha fala.”


Leonia suspirou e apontou diretamente para ele.


“Você deveria dar uma olhada na sua situação.”


Naquele instante, inúmeras pontas de gelo surgiram do chão como uma tempestade caótica.


Remus gritou enquanto as pontas de gelo caíam sobre ele, formando uma prisão congelada.


“Se você tem todo esse poder, por que não tenta escapar?”


Por trás da Leonia serenamente confiante, as Presas de Monstro douradas brilhavam.


Dentro da jaula de gelo, Remus encarava ela com um ódio venenoso.

Ele agarrou as barras congeladas que cortavam sua pele, tentando desesperadamente se libertar—mas sem sucesso.


“Sabia!”


Um fragmento fino e afiado de gelo se estendeu em direção ao rosto de Remus.


Em um piscar de olhos, ele já estava diante dele.

O fragmento se moveu lentamente, inicialmente direcionado aos olhos dele, depois deslizou para baixo—parando exatamente no centro do pescoço.


“...O que você fez?”


Remus rosnou.


“Nada.”


Ferio respondeu calmamente, guiando o gelo com dedos tingidos de vermelho.


Mesmo sem invocar sua própria Presa, era mais do que suficiente para matar Remus.


“Sinceramente, ainda não entendo por que você, que está praticamente morto, de repente voltou a se mexer.”


Ferio abriu bem os dedos.


“Mas uma coisa é certa.”


O fragmento flutuante ficou maior—e então entrou perfeitamente na sua palma.


“Não há nem traço da Presa de Monstro em você.”


O coração de Remus afundou. Seus olhos tremiam descontroladamente, e a vergonha estampada em seu rosto fez Ferio sorrir com sarcasmo.


“Nem mesmo uma ressonância.”

“R-resonância...?”


“Você finge saber tanto sobre nós, mas nem sabe disso?”


Ferio já não tinha mais humor.

Como a Presa é passada pelo sangue, suas formas de onda são similares.

Especialmente em jovens Voreotis, suas Presas frequentemente respondem às Presas de seus pais ou parentes.

Quando isso acontece, uma névoa dourada sempre surge em seus olhos negros.

“Mas você não ressoou.”

“...*

“Até mesmo Leonia, que na época não sabia nada das Presas, ressoou comigo.”

Então, por que você não?

Ferio não se incomodou em pronunciar a última parte.

Por sorte—ou azar—Remus entendeu o que ficou no silêncio.

“Ugh... AAAAAAAGH!”

Remus gritou como uma besta selvagem.

“Tem algo em você...”

Ferio observou-o com os olhos estreitos de perto.


O estado de Remus estava muito pior do que quando tinha desmaiado, quase morto.

As pontas de gelo haviam rasgado suas roupas já em putrefação, revelando pele negra pela frostbite, e um odor fétido emanava do corpo—diferente de sangue.

‘Sem mana. Sem aura.’

Nem mesmo uma Presa.

Ferio não sentia nenhum poder dentro dele.

Aquelas ★ 𝐍𝐨𝐯𝐞𝐥𝐢𝐠𝐡𝐭 ★ nascidas com poder geralmente se curavam mais rápido e eram muito mais resistentes que humanos comuns.

Mas Remus não era nenhuma dessas coisas.

Sua frostbite piorou com o tempo, e o sangramento não parava—sua pele mais pálida que neve.

‘Esse poder é um veneno.’

A origem dele ainda era desconhecida.

Mas Ferio tinha certeza.

Aquele poder não ajudava Remus—estava destruindo-o.

“Pai!”

Justo quando Ferio chegou a essa conclusão, Leonia sacou sua espada e avançou.

“Leoa! Cuida da Mom!”

Ela deixou Varia com a leoa e canalizou força na espada.

Névoa dourada se enrolou na lâmina, e atrás dela, um filhote de leão rugiu.

“Acabou.”

Ferio apertou ainda mais sua Presa de gelo. Uma aura vermelha saltou dela com um som de estalo feroz.

O gelo se quebrou e se reformou—ficando mais denso e cortante.

Aquele gelo vermelho e a lâmina dourada avançaram em direção a Remus.

Com um estrondo retumbante, eles destruíram as pontas de gelo ao redor dele.

“...O que foi isso?”

Leonia franziu o cenho.

O rosto de Ferio espelhava o dela.

Ambos, pai e filha, encararam com espanto enquanto suas armas pararam a poucos centímetros de Remus—como se topassem com uma parede invisível.

As palmas de Leonia queimaram por força ao avançar com sua espada.

“Que diabos é isso?!”

Ela gritou frustrada.

Algo invisível bloqueava sua espada e o gelo de Ferio.

A resistência não era só forte—era impossível de mover. A ponta afiada do gelo de Ferio começou a rachar. A lâmina de Leonia tremia em suas mãos.

“HAHAHA!”

Remus tinha se preparado para a morte—mas agora, milagrosamente poupado de novo, riu de admiração.

“...Ainda está vivo?”

Por trás de Ferio, a aura vermelha da Presa de Monstro adormecida brilhava mais forte.

Apesar de Varia estar grávida e enfraquecer seu poder, ele convocou toda a força que pôde.

Leonia também liberou tudo que tinha na Presa.

A leoa filhote dourada ficou mais clara—depois toeu uma tonalidade avermelhada. Seu rugido se tornou selvagem, com presas à mostra.

Porém, quanto mais lutavam, maior era a resistência.

Ferio perdeu a paciência.

“Voreoti Regina!”

Os olhos de Leonia se voltaram rapidamente para a leoa ao lado de Remus, protetora.


Flutuando acima dela, uma Presa de tom azul celeste—exatamente aquilo que os bloqueava.

“...O quê?”

Leonia tremeu de surpresa.

A Presa dourada que envolvia sua espada balançou. Sua expressão de choque virou-se na direção da leoa.

“Você... Regina?”

A leoa não respondeu. Apenas se agachou baixinho e rosnou.

Suas orelhas arredondadas caíram suavemente.

‘...Espera, não!’

Leonia percebeu rapidamente que algo não estava certo.

‘Ela já foi tão forte assim?’

Ferio nunca escondia Regina dela.

Se Leonia perguntasse, ele explicaria. Às vezes, ele mencionava Regina primeiro—especialmente durante o treinamento de Presas.

‘Você tem semelhanças com Regina.’

‘Mas seu poder é maior.’

Ferio tinha dito abertamente que a força de Regina era menor que a deles.

Então, por que essa leoa—que parecia Regina—estava bloqueando eles com tanta facilidade?

‘Será que ela é realmente Regina?’

Justo quando Leonia ia abrir a boca para chamar o nome de novo—

“Ugh!”

“Waaah!”

uma tempestade de neve cegante se formou sobre Ferio e Leonia. Era um vendaval impiedoso, como uma mão gigante varrendo formigas.

O vento era tão forte que eles não conseguiam ficar de pé. Ambos cambalearam.

E naquele instante, as Presas desapareceram—levadas pela ventania como névoa.

Quando reabriram os olhos... Remus tinha desaparecido.

Somente sangue congelado permanecia dentro das pontas de gelo parcialmente destruídas.

Um rastro de Crimson se estendia além deles, pingando sem parar.

Pai e filha ficaram pálidos.

“Varia!”

“Mãe!”

Ela se virou tarde demais—Varia não estava mais no local onde a deixaram.

“Acho que os deuses...”

Segurando um fragmento quebrado de gelo, Remus sorriu enquanto pressionava no pescoço de Varia.

“...Devem gostar de mim.”

Enquanto Ferio e Leonia estavam distraídos com a tempestade, Remus pegou um fragmento de gelo que havia caído e capturou Varia, fazendo dela sua refém.

“Aquele filho da peste de novo!”

Leonia quase explodiu de raiva.

Quanto mais olhava para ele, mais nojo sentia.

Pegando alguém mais fraco só para se proteger—era repulsivo.

“...Huh?”

Quando ela foi pegar sua espada para ativar a Presa novamente—nada aconteceu.

“Que diabos—por que?! E agora?!”

A Presa de Monstro não respondia. Por mais força que ela usasse, ela não surgia.

“Pai!”

Ela olhou para Ferio.

Mas ele também era o mesmo. Sua Presa não se ativava.

Leonia ficou boquiaberta e sem palavras.

Mas foi só por um momento.

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