Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 252

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Os dois rapidamente abandonaram as Presas da Fera.


Leonia entregou a espada que tinha na mão ao pai. Ferio a pegou, e Leonia puxou o coldre da cintura e o segurou.


Ambos assumiram uma postura de prontidão.


Mas então uma leoa apareceu entre eles. Ela ficou de costas para Remus, mostrando os dentes para o pai e a filha bestiais.


“… Afaste-se, Regina.”


O rosto de Ferio escureceu com hostilidade.


Ele ainda não conseguia ver a leoa, mas a força que o bloqueava tinha a presença inconfundível de Regina.


Enquanto Ferio se posicionava para o combate com a leoa, Leonia tentou se esgueirar por um lado — mas a leoa percebeu e bloqueou também sua passagem.


N naquele momento, Remus arrastou Varia para o canto do penhasco.


“Regina está aqui?”


Sem conseguir ver a leoa negra, Remus olhava ao redor. Um sorriso insatisfeito se formou em seus lábios.


“Todo mundo me chamou de mentiroso, mas até na morte Regina me protege. Ela foi a única que entendeu o meu amor sincero.”


“Isso não é amor!”


Leonia gritou com os dentes cerrados.


“Parem de falar essas besteiras e calem a boca!”


Furiosa, Leonia beirava as lágrimas.

“Não finja que seus crimes horríveis são amor e passe isso pra Regina! Se você realmente a amasse, ficaria calado e já tinha morrido!”


Mesmo que a família imperial há muito desejasse o Norte—


Mesmo que olhasse para ele desde a fundação do império—


O que Leonia mais desprezava era Remus.


Seu olhar sobre ele ardia com desprezo e intenção de matar.


“… Seu insolente…—”


Remus recuou assustado com a intensidade e balançou-se de vergonha, levando ainda mais para perto de seu pescoço o espeto de gelo na sua mão.


Uma gota de sangue surgiu em sua garganta pálida.


“Mãe!”


Leonia apertou os punhos.


“Seu covarde!”


“Não é covardia. É sabedoria.”


Remus se vangloriava por usar alguém mais fraco como refém para escapar.


Ele até parecia ensinar uma lição para Leonia ao falar assim.


“Não me desafie.”


Ele avisou que as coisas ficariam chatas se eles continuassem e se aproximou do penhasco.


Depois, empurrou Varia em direção ao limite como se fosse jogá-la pra fora.


“… Uau.”


Remus riu baixinho.


“Você consegue acabar com um homem só com um olhar.”


Ele assobiou na direção de Ferio, que olhava para ele com uma vontade de matar.


‘Aquele sujeito tem vontade de morrer!’


Não provoque o pai!


Leonia ficou desesperada com a provocação de Remus. Ela sabia que não podia provocar Ferio de jeito nenhum.


‘Meu Deus…’


Ela mal conseguia olhar para o lado.


Ela já tinha brigado várias vezes com Ferio e recebido bronca, mas nunca tinha visto ele tremer de tanta fúria antes.


Era uma emoção completamente diferente daquela vez em que ela foi castigada por montar a cavalo sozinha para encontrar um stalker quando criança.


Mesmo sem usar as presas da Fera, Ferio exalava um desejo de matar incontrolável.


O olhar dele para Remus era, literalmente, uma arma.


A espada na mão dele tremia na empunhadura. Fendas se formavam na neve sob a lâmina.


‘Minha pele está ardendo.’


Ao lado dele, Leonia achava difícil respirar.


“... Impressionante.”


Remus falava com espanto de verdade.


Sempre olhara com desprezo para Ferio, mas agora percebeu o quão formidável ele era. Ele era forte mesmo sem as presas conhecidas como Presas da Fera.


A arrogância de Ferio não vinha de sua linhagem ou das Presas da Fera.


Vinha do fato de que ele, Ferio, era um ser humano completamente perfeito e formidável.


Se Varia não estivesse sob seu controle, Remus tinha certeza de que desmaiaria na hora.


É por isso que ele não podia soltá-la.


“Então, vamos ver o que fazer agora.”


Remus olhava para Varia, que ainda estava calmamente sob seu domínio.


“As linhagens Voreoti são realmente fascinantes.”


Sua voz transbordava de confusão e ele murmurou algo estranho.

“Só por casamento, a cor dos olhos muda.”


Os olhos de Varia eram tão negros quanto os de um Voreoti.


E—ela estava sorrindo.


***


Quando Remus, à beira da morte, se levantou—


Varia sentiu novamente uma fadiga consumir seu corpo.


Era o mesmo cansaço profundo, de sentir os ossos, que ela tinha sentido ao se esgueirar pelo espaço entre as madeiras do palácio. Ela olhou com olhos alerta para Remus, tentando afastar aquela sensação.


Então, suas pálpebras fecharam reflexivamente.


Não era nada—apenas um piscar simples. Mas, quando voltou a abrir os olhos, a fadiga tinha desaparecido.


‘...Hã?’


Essa foi a sua primeira impressão. Mas, ao olhar ao redor, seu marido e sua filha já estavam bem longe.


Seus rostos estavam cheios de choque. A boca de Leonia estava entreaberta.

Até Ferio, raramente expressivo, tinha os lábios levemente separados.

Varia olhou confusa, olhando ao redor inocentemente.

Então, avistou uma cabeça de cabelo vermelho com gelo coberto.

Ao abaixar o olhar, o rosto pálido de Remus apareceu bem na sua frente. Sua expressão era tão perplexa quanto a dela.

“…”

Os olhos de Varia se arregalaram.

“… KYAAAA!”

Só então ela entendeu o que estava acontecendo—e gritou.

Depois, deu um soco direto na cara de Remus.

O golpe súbito o fez cambalear e fez com que ele soltasse o espeto de gelo na mão.

“Que diabos é esse cara de novo?!”

Sem parar, Varia chutou a região íntima dele.

Usando movimentos de autodefesa que tinha aprendido uma vez, ela deu outro golpe.

Os olhos de Remus reviraram e ele caiu de joelhos, incapaz de gritar—apenas se segurou em agonia com as duas mãos.

“…”

“A-Ah! Mãe!”


O pai e a filha bestiais, em choque, finalmente reagiram e correram na direção deles.


“Pai, a mãe… os olhos dela…!”


“Sim...”


A cor verde-escura de seus olhos, uma vez como uma floresta luxuriante, agora estava obscurecida por uma densa névoa negra.


“Peraí—você ensinou ela a fazer isso?”


“Quer dizer, o movimento da mãe agora há pouco? O ‘Quebra-Nozes’?”


“Que nome é esse?”


“‘Levar uma noite de aula na parte menos nobre!’ É uma técnica de verdade!”


Leonia orgulhosamente revelou o nome do movimento.

“Minha garota brilhante.”


Mesmo nesse momento gelado, Ferio elogiou a filha que [N O V E L I G H T] tinha ensinado algo útil.


Mas a conversa deles não durou muito. Mais uma vez, foram bloqueados por uma força poderosa.


Leonia olhou fixamente para a leoa. Ferio ainda não conseguia enxergá-la, mas sentia algo no comportamento da filha.


“Pai… Essa Regina mesmo?”


Leonia expressou sua dúvida.

“Ela sempre foi tão forte assim?”


“Ela está sendo ajudada por alguma coisa.”


“...Um deus?”


Ferio franziu a testa, sem responder.

‘É o futuro que eles querem mudar.’


Leonia tentou lembrar parte da profecia que o duque Aust havia mencionado.


Vinha dos deuses além da cordilheira.

Eles queriam algo que fosse mudado—and, para isso, precisavam de Leonia.


‘O que mudou foi a história original.’


Na versão original, o imperador Subiteo era o vilão principal e foi punido, mas os crimes de Remus contra os Voreoti nunca foram revelados.


Tudo mudou completamente com a chegada de Leonia.

O imperador Subiteo estava morto. Os pecados de Remus foram expostos. A verdade por trás da consorte Usia, a mente mestra escondida, veio à tona.


‘Mas por que eles queriam mudar isso?’


Leonia se questionou, no fundo, essa resposta era a chave.

A versão original que ela lembrava não era ruim. Era uma história clássica de bem vencendo o mal. Ferio e Varia ficaram satisfeitos, e tudo terminou em paz.


Mas agora tinha se transformado numa batalha confusa, brutal — sem paz visível no horizonte.


‘O que eles querem?!’

A frustração a fez querer bater no peito.


“Sua vadia maldita!”


Então, aconteceu.


Remus, ainda gemendo como se fosse à beira da morte, estendeu sua mão negra e segurou a garganta de Varia.


Surpresos, Ferio e Leonia correram para a frente—mas a força invisível que os bloqueava ainda os segurava.


Ferio bateu o punho no ar, frustrado, mas a barreira não se moveu.

“Regina! Por favor!”


Leonia gritou para a leoa.


Mas a leoa não se mexeu.


“Me solta!”


Por sorte, a mão de Remus, agora completamente necrosada, não tinha força suficiente.


‘Em comparação com antes…’


Varia de repente se lembrou do final de sua primeira vida.


Naquele tempo, Remus a havia estrangulado enquanto olhava para ela de cima. Suas mãos tinham sido impiedosas. Ela sequer conseguiu se defender.


Mas, desta vez, foi diferente.

A mão dele, enegrecida, nem mesmo podia machucá-la. Se quisesse, poderia empurrá-lo para longe agora mesmo.


Porém, o penhasco atrás dela dificultava a luta.

Um olhar revelou uma planície negra se estendendo lá embaixo, pronta para engoli-la inteira.

‘Não posso cair lá.’

Seu instinto gritava por isso.

Aquela planície escura não era lugar para ela.

‘Puxar também é muito importante.’

Varia deu uma reco hambe.

‘Puxe o que estiver na sua mão.’

Uma voz ecoou em sua mente. Surpresa, ela olhou para baixo para ver o que segurava.

Era a manga do casaco de Remus.

“… Droga.”

Varia forçou um sorriso nos lábios.

“Seu bastardo…”

Então, ela puxou a manga com toda sua força.

“Malditos deuses!”

Invocando cada fibra de músculo que tinha, o corpo de Varia se balançou para trás.

Remus, ainda sob seu domínio, caiu com ela do penhasco.

No momento, a força que bloqueava Ferio e Leonia desapareceu.

“Varia!”

“Mãe!”

Elas correram na direção dela e a agarraram bem na hora.

Leonia envolveu sua cintura com os braços. Ferio puxou ambos para perto dele—e lançou sua espada na mão de Remus, enquanto ele tentava novamente pegar Varia.

A lâmina perfurou o braço de Remus.

Mas à sua outra mão, ele tentou alcançar Varia. Justo quando Leonia ia jogar a bainha que tinha na mão—

“Que—?!”

Algo passou por seu lado, e ela seguiu com o olhar, instintivamente.

A leoa tinha pulado do penhasco—e agarrado o pescoço de Remus com as mandíbulas.

“AAAAARGH!”

Remus, gritando de dor com a leoa presa ao pescoço, despencou para baixo.

Graças a isso, Varia ficou seguramente no topo da montanha.

Ela olhou para trás, chocada, para Ferio e Leonia.

E eles também se inclinaram para olhar o penhasco.

Então, os três estremeceram.

Engoliram em seco.

Uma forma negra surgiu do chão—engolindo a leoa e Remus.

“Isso…!”

Leonia respirou nervosa ao ver a forma escura se aproximando.

Uma criatura enorme, estranha, que uma vez vagara pelas planícies negras, agora se apresentava diante deles.

Seu tamanho era incalculável—sua cabeça ultrapassava as montanhas do norte.

“U-um leão…?”

O garoto atordoado murmurou, e a deidade com cabeça de leão inclinou sua cabeça, como se fosse responder.

‘Isso não é um leão…’

Leonia observou a deidade mais de perto.

Ela tinha a cabeça de um leão, pescoço de um rena, corpo de um iaque, pernas de um urso polar, cauda de um lobo—

E, aos seus pés, o padrão de manchas de uma onça-pintada.

A entidade que apareceu diante deles exalava uma pressão indescritível.

Comentários