
Capítulo 244
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Rebeldes?!”
Um nobre perguntou com a voz trêmula.
“O palácio está seguro?”
“O que exatamente está acontecendo agora?”
“Majestade! Por favor, explique—!”
Bang!
A sala do conselho, barulhenta, caiu em silêncio num instante.
“...Todos, silêncio.”
Leonia bateu a bainha da espada na mesa antes de retirar a mão com calma.
O sempre-composto Duque de Voreoti varreu seus olhos negros afiados lentamente pelos nobres, um a um.
“Não falem grosseiramente com Sua Majestade a Imperatriz.”
“O duque está certo,” concordou de imediato o jovem herdeiro do Marquês Pardus.
No entanto, Leonia não pareceu particularmente satisfeita, mesmo com o apoio dele.
“O que precisamos fazer agora é mostrar o devido respeito à Sua Majestade e retomar o conselho nobre que foi adiado.”
O rosto do jovem herdeiro era sério, sem o sorriso polido que normalmente exibia. Ele lembrava-os de seu dever como nobres.
“Mas se realmente há uma rebelião lá fora, não deveríamos estar fazendo alguma coisa ao invés de ficar aqui conversando?”
Um dos nobres levantou uma objeção.
“Não é algo para nos preocupar,” disse Leonia com um sorriso de lado, o tom leve e despreocupado.
‘Por que você está enrolando de novo?!’
Por dentro, Leonia ardia de urgência.
Ela precisava encerrar isso rapidamente, atravessar os Portões do Norte para ajudar o pai e a mãe.
‘Calma, sua louca do Norte...’
Eu sou a Louca do Norte.
A Louca do Norte não perde a cabeça facilmente.
Só surta de verdade quando seu parceiro estiver em perigo.
Leonia indulgentemente se hipnotizou. Se ela perdesse o controle ali e causasse uma cena, só perderia mais tempo.
Por sorte, seus nervos estavam se acalmando um pouco. Anos de fingir ser a “Louca do Norte” e ter sido criada pela verdadeira ajudaram sua autossanção interna a prosperar.
“Podemos discutir a rebelião na sessão do conselho.”
“Mas—!”
“Você não ouviu o que foi dito antes?”
Leonia repetiu a fala anterior da Imperatriz sobre ter sido atrasada por causa de conter a rebelião.
“Sua Majestade e eu cuidamos dos rebeldes.”
Os nobres viraram-se para a Imperatriz e Leonia com expressões de incredulidade.
Leonia, ficando um pouco impaciente, apontou para seus próprios olhos com dois dedos e os puxou bruscamente para baixo.
Significava: Chega de besteira.
Por sorte, o gesto da Louca foi bem entendido.
“Hm— Então quem são aqueles cavaleiros lá fora?”
Um nobre sentado perto da janela perguntou, com a voz tremendo. Evidentemente, temia a presença de homens armados ao redor do palácio.
O número de cavaleiros cercando o Palácio de Kasus tinha realmente aumentado.
“Gladiago e Revoo,” disse a Imperatriz Tigria.
“Eles vieram prender o responsável pela rebelião.”
Assim que terminou de falar, seu olhar se fixou em um ponto específico.
Leonia, Carnis e o Marquês Ortio todos virou suas cabeças na mesma direção—para um homem idoso pálido, com cabelos vermelhos intensos, que agora parecia à beira da morte.
“...É uma conspiração!”
Visconde Olor empurrou a cadeira para trás e gritou.
Seu pescoço enrugado, veinado e tenso, ruborizado—totalmente em desacordo com seu rosto pálido.
“É uma armadilha! Eu não fiz nada!”
“Sério?” Leonia riu.
“Se você está tão confiante, que tal tentar argumentar então?”
O sorriso tímido do jovem duque era calmo e ameaçador, como um funeral.
‘Ela é a cara do Ferio...’
Carnis pensou ao olhar para Leonia.
Os outros nobres pensavam a mesma coisa. Alguns até murmuraram que a linhagem Voreoti parecia mais terrível a cada geração.
“Então, vamos lá.”
A Imperatriz declarou o início oficial do conselho nobre.
N naquele momento, as portas da câmara se abriram com estrondo.
Normalmente, assistentes entrariam para distribuir pautas e documentos relevantes—mas, ao invés disso, o que entrou foram cavaleiros totalmente armados.
Eram eles, os Cavaleiros Gladiago, sob o comando da Casa Voreoti.
“Primeira pauta,” chamou a Imperatriz.
“Revogação do título de Visconde Olor.”
Finalmente, o palco se preparava para o drama que Voreoti há muito tempo vinha tramando.
***
‘Por que você não mata logo ele?’
Um dia—
Leonia, com o cabelo preto bem preso em duas ponchetes, virou a cabeça por cima da mesa do escritório e perguntou.
‘Matar quem?’
Ferio olhou para as fitas de cabelo safira que tinha acabado de lhe dar. Complementavam perfeitamente seus cabelos negros.
‘Você sabe quem!’
‘Minha reflexão perfeita no espelho?’
‘ Aff, pai...’
Leonia lhe lançou um olhar cheio de verdadeira pena.
Sentindo-se estranhamente ofendido por seu olhar de piedade, Ferio mirou em um alvo inocente.
‘Você. Sai daqui.’
‘Eu não fiz nada!’
Lupe, silenciosamente trabalhando na segunda mesa, protestou amargamente.
‘Querido❀ vogadagas❀ (não copie, leia aqui) por que você ainda não puxou Olor para fora e bateu nele até não sobrar nada?’
‘De onde você tirou essa mania de falar assim?’
‘Da Orfanato, claro!’
A pequena fera, com punhos minúsculos apoiados na queixeira, brilhava com seus olhos negros e fazia um coaxo doce.
‘...Porque matá-lo agora não seria divertido.’
Ferio apertou as bochechas de Leonia com os dedos até ela fazer uma boquinha de peixe.
Era uma punição por palavrões, mas Leonia só sorria feliz, com os lábios meio abertos.
‘O quê? Agora você está entrando em coisas estranhas?’
‘Minha própria filha me chamando de pervertido...’
Certamente, amanhã viria uma tempestade de neve.
Ferio suspirou enquanto olhava para o céu claro e raro da primavera, lá fora, pela janela.
“Eek!” Leonia, bufando, deu um soco leve na coxa dele com sua mãozinha.
“Caça,” começou Ferio, sentando a menina no colo e explicando como se fosse um conto de fadas.
“Tem que fazer para não deixar consequências.”
“Você não consegue simplesmente matar todo mundo?”
“Isso acabaría as coisas rápido demais.”
Ele usou como exemplo o pessoal do orfanato na prisão subterrânea.
Eles sobreviveram por quase um ano após serem levados para o Norte. Embora, é claro, nenhum deles estivesse vivo agora.
Alguns foram doados ao Oriente para uso em experimentos—se sobreviveram, é incógnita.
“Você tem que corroer as mentes deles com o medo de que algo pode acontecer a qualquer momento.”
“Ooooh...”
Leonia assentiu com entusiasmo.
“E tem que descobrir onde eles estão, com quem se relacionam—tudo. Não pode matar até extrair cada pingo.”
Você só os mata quando não forem mais úteis.
Quando tudo terminar.
Foi assim que Ferio descobriu a verdadeira identidade de Connie, do pessoal do orfanato.
E, a partir dali, soube do envolvimento da família Olor.
“...E agora?”
Leonia, que ouvia em silêncio, perguntou.
Os ensinamentos do pai sempre fortaleciam seu lado mais sensível.
“O que você tenta descobrir agora?”
“Já te contei antes, não foi?”
Ferio levemente tocou seu nariz com o dedo.
Leonia ficou vermelha e balançou, escondendo o nariz com as mãos.
“Para eliminar ameaças futuras, tenho que descobrir tudo conectado a eles.”
“E isso vai me matar, aliás...”
Por ordem de Ferio, as olheiras de Lupe ficavam mais escuras a cada dia.
O predador e sua cria não ligaram.
Leonia coçou casualmente o nariz com o mindinho e o limpou sorrateiramente na cadeira.
“Os alvos são dois.”
Olor e a Família Imperial.
Ferio levantou o mindinho de Leonia até seus lábios.
Leonia recuou de horror, fechando a boca.
“Você não pode parar no que esses dois safados fizeram.”
Precisava incluir as linhagens deles, os aliados, os aliados dos aliados.
Mesmo que alguém tivesse ganho algum benefício, tinha que investigar se esse benefício tinha relação com as presas.
Se o alvo morreu, investigue a família, os amantes.
Mesmo que estejam em outro país—persegui-los.
Todos ligados. Todos eles.
Implacavelmente. Horrivelmente.
Para que, mesmo quando a presa estivesse encurralada, não sobrasse ninguém para ajudar.
E, acima de tudo, tudo isso tinha que ser feito com muita paciência.
Se você agir de forma demasiado óbvia, a presa pode ficar desconfiada—ou pior, ficar ousada e tentar se rebelar.
“Especialmente nós.”
Ferio torceu um fio do cabelo preto de Leonia.
O significado era claro: uma fera negra tão magnífica e formidável quanto eles sempre se destacava.
“Então, temos que suportar.”
Até a neve branca cair suavemente para encobrir sua forma negra e linda.
Até a presa se sentir segura e baixar a guarda.
“......”
Leonia fez uma expressão de sobrancelhas franzidas.
“Isso é muito chato!”
A pequena fera resmungou que, se esperasse mais um pouco, Remus Olor e o Imperador Subiteo poderiam simplesmente se apaixonar e se casar.
Ferio mostrou uma carranca, e Lupe fez uma careta.
“...Certo.”
Mas o tempo passou.
E, após tomar o título de duque através de um golpe de Estado, Leonia finalmente compreendeu a profundidade dos ensinamentos do pai.
“Tráfico de pessoas, estupro de mulheres e crianças, assassinato sob contrato, jogo compulsivo...”
A corda que Voreoti vinha preparando há anos agora se apertava firmemente ao redor do destino do Visconde Olor.
Com cada nova acusação lida em voz alta, as rugas dele se aprofundavam.
Seu cabelo, antes avermelhado, com pontas brancas, tinha ficado completamente cinza.
‘Como ela...?!’
O olhar assassino do visconde, carregado de fúria, pesava sobre Leonia.
Seu olhar, cheio de raiva, gritava que queria estrangulá-la ali mesmo.
Leonia apenas sorriu docemente—e acenou.
‘Sequestro ilegal, malversação, lavagem de dinheiro, incêndio doloso...’
A Imperatriz Tigria, lendo em voz alta os inúmeros crimes não revelados do Visconde Olor, finalmente fez uma pausa.
Havia tantos crimes que sua garganta ficou seca.
Um gole de água agora parecia mel.
“...De fato, impressionante,” murmurou a Imperatriz.
“Está parecendo um livrinho de leis em miniatura? Não—isso é até menor que isso.”
“Um homem bastante industrioso, não é?” Leonia sorriu radiante.
“...Inacreditável,” comentou a Imperatriz, rangendo a língua.
Mas ela não se referia a Olor.
Quer dizer, Olor tinha cometido tantos crimes—mas que Voreoti tivesse descoberto tudo, com provas contundentes, era ainda mais aterrorizante.
Voreoti, de fato, era o nome mais perigoso do Império.
E qualquer um que os tornasse inimigos—como Olor—era simplesmente a criatura mais infeliz que existia.
“Visconde Olor.”
Leonia entrelaçou os dedos, apoiando na mesa, com um sorriso carregado de zombaria.
“Só para você ter uma ideia—seu filho e seus cúmplices nem foram mencionados ainda.”
Nem mesmo o que ele fez com o Imperador Subiteo.
Os nobres que estavam próximos de Olor estremeceram horrorizados com essa fala.
Entre os nobres que ascenderam recentemente, muitos seguiram Olor com arrogância presunçosa.
Como, por exemplo, Erbanu, que agora tremia como se fosse desmaiar a qualquer momento.
“D–Duc...”
Nesse momento, um nobre do oeste perguntou com a voz trêmula,
“Quer dizer... tudo isso foi feito pelo Visconde Olor?”
“Exatamente.”
“Então, também isso...?”
Incapaz de pronunciar a acusação em voz alta, o nobre foi poupado quando Leonia gentilmente ofereceu a explicação.
“As acusações de infanticídio referem-se aos bebês de mulheres que alegaram ter tido filhos ilegítimos do Visconde. As acusações de assédio vêm de abusos contra as empregadas de sua mansão. Ah, e o homicídio culposo... como era mesmo...”
Leonia bateu na têmpora com o dedo, e lembrou-se com voz clara.
“Ah! Sua esposa foi espancada até a morte.”