
Capítulo 245
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“A esposa do Visconde Olor morreu de uma doença?”
O marquês Ortio intervenceu na hora certa.
A esposa do Visconde Olor tinha morrido pouco tempo após a família receber o título nobre. A explicação oficial era que ela havia sucumbido a uma doença longa e incurável.
Porém, a verdadeira causa da morte, descoberta por Voreoti, foi abuso por parte do marido.
“-I-Isso é mentira!”
O Visconde Olor cuspiu enquanto negava veementemente. Enfrentando a revelação de seus atos vilanes, sua visão começou a girar.
Agora, ninguém acreditava nenhuma palavra que ele dizia.
“A última roupa dela, se me lembro, era um vestido modesto amarelo com detalhes de pérola.”
“...!”
“E você, Visconde, disse isso, não foi?”
Usando trajes tão frívolos...
“‘Ela me deixou uma marca roxa com aquele vestido estúpido e me encheu de irritação até o fim,’ certo?”
Com o depoimento de Leonia, todos os olhares se voltaram para o Visconde Olor.
Suas expressões, repletas de desprezo e desdém, o acertaram sem misericórdia.
Até aqueles poucos que haviam sentido pena dele por ter sido vítima de Voreoti agora desviavam o olhar, enojados.
“...Por que esses crimes não vieram à tona até agora?”
perguntou o jovem herdeiro do Marquês Pardus, num tom cansado.
Embora tivesse apoiado secretamente Voreoti, a depravação das ações do Olor era exaustiva.
“Isso é algo que me envergonha profundamente.”
A Imperatriz abaixou o olhar.
“Provavelmente, Sua Majestade o Imperador o protegia. Eles eram amigos próximos, e a Concubina Usia também estava ao lado dele.”
Naturalmente, o clima de culpa se voltou para o Imperador Subiteo.
“Vossa Majestade.”
Carnis se pronunciou.
“Talvez não seja adequado mencionar isso neste momento, mas creio que, mais do que nunca, a investidura do Príncipe Herdeiro é imprescindível.”
Os nobres concordaram.
“Devemos realizar a cerimônia de investidura imediatamente.”
“Por favor, nomeiem o Segundo Príncipe como Herdeiro ao Trono.”
“Mas Sua Majestade ainda está acamado—”
“A Imperatriz já está governando como regente!”
“O Imperador está morto.”
Os nobres, que até então discutiam animadamente a nomeação do príncipe, silenciaram-se abruptamente.
“Há pouco, confirmamos que Sua Majestade o Imperador foi assassinado.”
A atmosfera na câmara, já tensa, ficou gélida.
A Imperatriz deu o próximo golpe com calma e clareza.
“E quem cometeu o assassinato... foi Remus Olor.”
“Então... a rebelião anterior foi—?”
questionou o herdeiro do Marquês Pardus. A Imperatriz apenas assentiu.
“-N-Não!”
O Visconde Olor bateu na mesa, mais uma vez jurando inocência com gritos desesperados.
Mas ninguém mais escutava. A terrível lista de crimes que ele havia cometido havia deixado todos tendenciosos contra ele — e com razão.
“Temos provas de que você tramou uma rebelião.”
Enquanto o clima se modificava novamente, a Imperatriz permanecia calma e apresentou as evidências.
Um documento com o selo de Olor — detalhando planos de recrutar um exército privado e incitar uma rebelião.
“Sua enteada entregou essa prova.”
O Visconde Olor não conseguiu falar. Ele não tinha feito aquilo — realmente não tramou rebelião.
Mas saber que sua própria enteada fornecera aquela evidência fazia seu sangue ferver.
‘...Obviamente falso.’
Leonia passou a língua sutilmente pelos lábios.
Aquele documento tinha sido falsificado pelas próprias mãos de Voreoti.
Varia, que trabalhava na Tesouraria e revisava muitos documentos de Olor, reproduziu o formato. Inseréa, que tinha memorizado a caligrafia e os hábitos de Olor, criou a falsificação.
O selo familiar foi reproduzido usando o colar encontrado com os restos de Regina, junto às memórias de Varia.
'Quase lá.'
Pouco mais.
Leonia respirou fundo, exalando do fundo do ventre, tentando manter a calma.
Estava quase no fim.
“Eu não sei de nada! Eu realmente não sei!”
O Visconde Olor gritou, cuspindo enquanto gritava sua inocência.
“Foi meu filho quem agiu por conta própria! Vocês viram na Cerimônia de Honra—ele é um louco!"
Já não era uma defesa, apenas desespero.
Agora, tudo o que ele dizia era só barulho. Se ao menos fosse só barulho — que fazia a cabeça latejar de vergonha alheia.
“A-rebelião também! Não fui eu! Foi ele—meu filho—!”
“Visconde.”
Leonia falou finalmente.
A fadiga na voz dela era evidente. Olor, balbuciando o que bem entendia, fraquejou.
“Seu filho bastardo sequestrou minha mãe.”
“-O quê?”
Carnis se jogou para frente, quase caindo sobre a mesa. Os outros nobres ficaram igualmente chocados.
Por fim, a razão da longa ausência de Ferio foi revelada.
Todos se voltaram para Leonia em busca de detalhes — mas o olhar do jovem duque nunca saiu do Visconde Olor.
Naturalmente, os demais seguiram seu olhar até ele.
“...Que exaustão.”
Leonia suspirou.
“A final, tudo começou por causa de uma lenda infantil.”
O duque, que completaria quatorze anos naquele outono, achou tudo aquilo risível.
“Quer dizer...?”
“Aquela bobagem da Cerimônia de Honra?”
“A lenda do Norte?”
“Ai meu Deus, de novo essa história?”
Enquanto os nobres cochichavam confusos, Leonia prosseguiu.
“Não vou condenar as pessoas por acreditarem em mitos.”
Os mitos em si não eram maus. Podiam oferecer fé e esperança às comunidades desesperadas.
O que era maldoso era explorar essas crenças.
“Mas vocês cometeram dois erros.”
Ela levantou um dedo.
“Primeiro, vocês interpretaram mal o significado.”
O ‘deus’ mencionado na lenda do Norte era quem concedia a Voreoti — uma força extraordinária chamada Presa da Besta.
“E para vocês, que não são Voreoti, que tipo de presente um deus daria?”
Resumindo — ilusão ingênua.
“E o segundo erro.”
Em vez de responderem em voz alta, Leonia levantou outro dedo e se levantou.
Começou a caminhar em direção ao Visconde Olor.
“...Não o mate.”
A Imperatriz deu o aviso exatamente quando Leonia empunhava a espada na mão de Olor.
“GRAAAAAH!”
Olor gritou de dor. A lâmina atravessou toda a sua mão, fixando-a na mesa.
“Cale a boca.”
Incapaz de suportar o barulho, Leonia chutou-lhe o queixo com o calcanhar do sapato.
O Conde Erbanu, que estava próximo, tremia violentamente e se arrastou no chão em quatro patas.
“Guh... Gaaaaah...”
Extremamente assustado, o Visconde Olor soluçou como uma criança.
Sua perda patética, como se tivesse sofrido uma grande injustiça, dava nojo de assistir.
“Você nem merece chorar.”
As pessoas que sofreram e morreram injustamente por causa desse lixo nem tiveram chance de soluçar.
“Preste atenção, Olor.”
Leonia segurou um punhado de cabelo dele e puxou sua cabeça para trás.
Sangue e cão escorriam de sua boca enquanto ele lutava para respirar.
Seu maxilar, claramente quebrado, permanecia pendurado em um ângulo grotesco.
De perto, Carnis sussurrou a um nobre do Ocidente que tinha certeza de que o osso estava fraturado.
“Seu erro final...”
Veias saltavam na parte de trás da mão de Leonia enquanto ela agarrava fortemente seus cabelos.
“...foi tocar em mim.”
O último erro fatal — aquele que os levaria direto ao inferno — foi cruzar o caminho de Voreoti.
“Vou ao Norte agora. Vou trazer seu filho de volta eu mesma.”
Depois, ela explicou friamente o que pretendia fazer com ele.
“Existe uma terra estrangeira onde eles salgão as carnes e órgãos de criminosos para preservá-los como alimento.”
Que sabor... A Imperatriz franziu levemente a testa.
“Vocês eram tão próximos — por que não {N•o•v•e•l•i•g•h•t} se reúnem de novo, como nos velhos tempos?”
Talvez, se você for devorado lentamente, uma parte de você se infiltrará de volta nele.
Com uma expressão sem nenhuma alegria, a voz de Leonia ecoou como a de uma ceifadora lá do fundo do inferno.
“—Seu monstrinho malvado—!”
“Você me conhece bem.”
Leonia sorriu suavemente.
Depois, ela golpeou a cabeça dele contra a mesa.
O som do osso da testa estalando ecoou na câmara como o badalar de um sino.
***
“Ferio.”
Meu pequeno filhote selvagem.
Diator Voreoti chamou carinhosamente seu neto, que jaz flatamente no andar do corredor.
A criança apenas olhou com cara fechada para o avô antes de desviar os olhos para o teto.
“Eu não sou um filhote selvagem.”
“Não foi o Duque de Aust quem te chamou assim?”
“Aquela vovó...”
As orelhas de Ferio ficaram vermelhas. O apelido o deixava mais envergonhado do que podia admitir.
“Que menino fofo.”
“Avô, você é estranho.”
Mesmo tendo quebrado o relógio grandioso da propriedade Voreoti.
Ferio não conseguia entender como seu avô tinha destruído um presente tão precioso do Marquês Oriental — só porque fazia barulho.
“Aliás, onde estão seus pais?”
“Foram passear com a Regina.”
Ferio respondeu com a voz apagada.
“...E você?”
Diator perguntou em tom preocupado.
“Fiquei aqui estudando.”
“...”
“Estou bem.”
Mas a expressão vazia do garoto dizia o contrário.
Diator sentiu pena da criança solitária deixada para trás numa mansão grande e movimentada.
“Seus pais estão sendo tolos.”
Se sua falecida esposa tivesse visto isso, teria tirado o sapato e batido na cabeça do garoto com o salto na hora.
“Então—”
Diator mudou de assunto.
“O que você está fazendo, seu filhotinho selvagem?”
“Eu não sou um filhotinho selvagem!”
“Ah, estava olhando a pintura?”
Diator deitou-se ao lado de Ferio, juntando-se a ele para admirar o mural no teto.
“Aquela pintura conta uma história.”
Ele apontou para a imagem acima.
Eles estavam justo abaixo do corredor do escritório, perto do fim do mural.
“Esses animais representam antigas famílias nobres. E aquela pessoa de cabelo preto é uma Voreoti.”
“E o leão negro ao lado é a Presa da Besta, certo?”
“Exatamente. O poder concedido pelo Deus à nossa família.”
“Mas por que Pardus está lá?”
Ferio apontou para uma onça pintada nas sombras da pintura.
A família Pardus era parentes do imperador fundador. Eles não eram originalmente do Norte.
E, mesmo na pintura que dizem ter sido feita pelo próprio primeiro duque, lá estava Pardus em destaque.
“...Quer que eu te conte?”
Diator sorriu maliciosamente. Ferio levantou uma sobrancelha.
Ele se perguntava se um dia também pareceria tão assustador quando fosse adulto.
“Porque também foram escolhidos como nobres.”
Escolhidos pelo próprio Deus.
Ao ouvir essa explicação sussurrada, a expressão de Ferio se torceu de decepção.
Ele se sentiu profundamente desapontado por seu avô brincar com tanta superstição.
“Não existe um deus.”
“Existe sim.”
“Onde?”
“Bem ali.”
Diator apontou para a pintura.
“O Deus mora além das Montanhas do Norte. Este mural mostra a jornada de uma Voreoti até encontrá-lo.”
“...Essa jornada que mostra?”
Ferio inclinou a cabeça, confuso.
Diator falou como se estivesse escondendo outro segredo dentro daquela arte.