Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 242

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Parece que você já fez mais do que devia.”


A imperatriz Tigria elogiou a jovem filha do marquês Ortio assim que Unicia terminou de vestir-se.


“Ainda tenho muito a aprender.”


Unicia não ficou surpresa ao sentir a presença da imperatriz por perto. Ela já tinha percebido sua presença. O que a frustrava era sua própria magia, que estava mais desajeitada do que gostaria.


“Meu treinamento ainda é incompleto.”


Unicia sentia-se profundamente envergonhada.

Ela tinha irritado o terrível duque. Era natural que ele estivesse preocupado, já que sua preciosa família estava em perigo, mas ela tinha bloqueado seu caminho.


E, pra piorar, ela quase fez xixi de medo daquele próprio duque.


“...O duque é realmente incrível.”


A filha daquele duque agora havia se tornado a própria duquesa.


Unicia achava a nova duquesa tão espetacular—tão forte, tão composta.


“Ela nem é adulta ainda, mas é mais admirável do que a maioria dos adultos. Quero ser igual a ela.”


“Isso é algo que deixaria o marquês muito triste de ouvir…”


A imperatriz sorriu de forma constrangedora.


Leonia era, sem dúvida, madura e imponente para a idade dela, mas só era fácil de admirar porque ela não era sua própria filha.


Se a sua própria filha fosse assim, ela ficaria tão estressada que acabaria na cama todos os dias.


“Ainda assim... hum... eu consegui derrotar aqueles ✧NоvеIight✧ (Origem)…”


Unicia tentou se gabar de forma sutil, mostrando sua conquista.


A imperatriz assim aprendeu uma informação importante: a próxima cabeça da Casa Ortio era simplesmente adorável.


“Usei magia de ilusão misturada com feitiços de sono. Eles vão dormir assim por pelo menos uma hora.”


“Uma feiticeirinha confiável.”


“Bem, aprendi com minha mãe e meu pai.”


Unicia levantou o queixo orgulhosamente. Aqu expressions a faziam parecer uma criança inocente de novo.


“Ah! Meu Deus, quase esqueci.”


De repente, Unicia se lembrou do motivo pelo qual ela tinha vindo até aqui.


“Majestade, fui designada para escoltá-la até o Palácio Kasus por ordem da minha mãe.”


“O marquês Ortio enviou uma escolta bastante confiável.”


As palavras da empregada fizeram Unicia sorrir tão largamente que suas bochechas doeram.


“De fato.”


A imperatriz tinha a certeza agora: o futuro do Império estava em boas mãos.


***


Varia não conseguia acreditar na cena diante dela, mesmo estando no meio dela.


“-Onde é isso...?!”


Um campo de neve suavemente inclinado, coberto por uma camada macia de neve branca até seus tornozelos. Varia permanecia ali sozinha.


‘Que diabo...’


Tremendo de medo, ela envolveu os braços ao redor de si mesma.

Por um momento, pensou que fosse uma alucinação.


Mas os flocos de neve que caíam do céu se transformavam em gotas de frio ao tocarem sua pele.


Essa sensação vívida provava que aquilo não era sonho.


‘Era, sem dúvida, o Palácio Imperial...’


Ela tinha acabado de atravessar aquele maldito túnel de fuga, pensando em como poderia impedir Remus.


Então, por um segundo, o cansaço a dominou e ela fechou os olhos com força—só para acordar ali, neste campo de neve.


Varia instinctivamente soube—


Este era o Norte das Montanhas.


Finalmente compreendendo sua localização, apressou-se a colocar a mão sobre o ventre.


Sua reação foi verificar o bebê dentro de si.

Ela não conseguiu sentir nada de específico, mas não havia dor ou desconforto anormal, o que foi um alívio.


‘E os outros?’


A primeira pessoa que veio à cabeça foi Probo.


Porém, não havia nenhuma árvore ou grama ao redor. Kea, a criança que tinha sido tomada como refém, também não estava em lugar algum.


‘Devo procurar na região?’


Mas rapidamente abandonou o pensamento.

Se fosse realmente as Montanhas do Norte, ali estaria infestada de monstros—um dos lugares mais perigosos do império.

Se ela se aventurasse por ali desacompanhada e encontrasse um deles, seria o fim.

Sair das Montanhas do Norte era uma questão de sair vivo—sobrevivê-las até que fosse possível agir, essa era a maior dificuldade.


“...Huh?”


Nesse momento, Varia percebeu que algo estranho acontecia.

“Por que... EU NÃO ESTOU FRIA?”

O Norte era uma região tão gelada que caía neve já no outono. As Montanhas do Norte, famosas até entre os do Norte, eram conhecidas por seu frio brutal.

Era possível ver os picos cobertos de neve o ano todo pelas janelas da mansão Voreoti.

Mas ali, na neve sob seus pés—vestida com roupas leves—ela não sentia frio algum.

Ela deveria estar congelando.

O ar tocava sua pele, sua respiração saía em nuvens brancas e a neve embaixo encharcava seus sapatos—tudo sinais de um ambiente gelado.

E, no entanto, ao invés de frio, ela sentia... calor.

Era como se algo invisível estivesse envolvente suavemente seu corpo inteiro.

Varia cuidadosamente bateu nos braços. Claro, não havia nada ali.

Mas essa estranha sensação de calor era como a de um grande animal pressionado contra seu lado.

“...!”


Nesse momento, algo vermelho entrou na sua visão.

Inicialmente, Varia achou que era sangue—mas, ao balançar ao vento, percebeu que era cabelo.

Remus.

‘Por que ele está aqui...?!’

Varia ficou abismada.

Mesmo sem saber exatamente como ela tinha chegado lá, ela supunha que passou pelo Portão Norte.

Ela já tinha ouvido que o quinto portão que conecta às Montanhas do Norte só podia ser utilizado pelos Voreoti.

Então, se ela tinha chegado até ali, provavelmente por causa do bebê no ventre dela.

Mas Remus? Ele não deveria estar ali.

Ele tinha causado a morte de um membro da família Voreoti. O Portão Norte não deveria ter permitido a passagem dele.

‘Se as lendas são verdadeiras, como os deuses puderam deixá-lo passar?!’

Ainda em choque, Varia notou outra coisa.

Era a faca que Remus usou para ameaçar a criança refém.

Ela a pegou. Remus jazia inconsciente, sem sinais de despertar.

‘Tenho que matá-lo.’

Tenho que acabar com ele aqui mesmo.

O pensamento veio e Varia segurou a faca firmemente.

Porém, não se aproximou imediatamente. Ele poderia estar fingindo estar inconsciente.

Não importava o quanto ela tivesse treinado na mansão do Norte, ela não conseguiria derrubar facilmente um ex-Cavaleiro Imperial como Remus.

Ela o observou com atenção.

Mesmo após um tempo, Remus não se mexia.

De vez em quando, o vento soprava forte ao redor dele sozinho. Ainda assim, ele não se mexia.

‘Ele... está morto?’

Varia se aproximou devagar e olhou para o peito dele. A neve que o cobria levemente subia e descia quase imperceptivelmente.

‘Ele está inconsciente.’

Se ao menos estivesse morto.

Varia ficou desapontada.

Mas esta era uma oportunidade de ouro. Não havia motivo para hesitar agora.

Ela se abaixou e levantou a faca bem alto.

Ela já sabia exatamente onde cortar para causar uma morte instantânea.

Porque, uma vez, Remus tinha matado ela.

‘É uma pena acabar assim, tão facilmente...’

Ela queria que ele vivesse tempo suficiente para sofrer pelos seus pecados. Mas, neste momento, ela não podia perder tempo com esses pensamentos.

Ela precisava matá-lo e voltar para sua família.

Para se desculpar por deixá-los preocupados.

Ao recordar daquela vida preciosa, Varia empurrou a faca com força para baixo.

Porém, a lâmina parou bem acima do peito de Remus.

“O quê... o que foi isso?!”

Varia olhou incrédula para suas mãos tremendo, ainda segurando a faca.

Ela tinha intenção. Tinha posto toda sua vontade de matar na golpe. Não havia hesitação.

Remus nem chegou a ser humano—ele era um monstro, e causou sofrimento a muitas pessoas.

Especialmente Leonia e Regina.

Varia levantou a faca novamente, desta vez com as duas mãos, colocando ainda mais força.

Mas, de novo, a lâmina não descia.

“Por favor, por favor, por favor...”

Lágrimas encheram os olhos de Varia.

Ela usou toda a força dos braços, até mesmo se inclinou para frente com o corpo para empurrar a faca para baixo.


Mas ela não conseguiu mover.

Não havia luta ou resistência. Seus braços e a faca simplesmente ficaram imóveis.

Uma força invisível e esmagadora a suprimiu.

No fim, Varia cedeu sua força. Só assim a faca se movimentou—e ela a jogou para longe, frustrada.

“Hhk, arf...!”

Cansada, ela finalmente começou a chorar.

Ela finalmente teve uma chance—apenas uma. E não conseguiu usá-la.

Parecia que o próprio céu protegia Remus da morte.

‘Por quê? Por quê?!’

Varia bateu seus punhos cerrados contra o chão coberto de neve.

Mesmo amaldiçoando o céu, não seria suficiente.

Ela finalmente tinha uma chance... e mesmo assim foi negada.

Por que ele?

Por que ela não conseguiu matá-lo?

Se pudesse, Varia acreditava que era ela quem deveria matar Remus.

Ela foi assassinada por esse escroto. Então, por quê, por quê ela não podia acabar com ele?

[Por isso você não deve.]

Uma voz sussurrou perto do seu ouvido, e Varia estremeceu.

Antes que pudesse sequer enxugar as lágrimas, olhou ao redor—mas tudo que viu foram aqueles malditos cisnes vermelhos.

[Você não deve matá-lo.]

A voz repetiu.

“...Por que não?”

Varia perguntou tremendo.

“Não me pare! Ele me matou! Talvez os outros não entendam, mas tenho todo o direito de matá-lo!”

Sua voz quebrou de raiva enquanto gritava no ar. A voz que pairava perto do seu ouvido quebrou o medo e a raiva que ela vinha segurando desde o palácio.

Ofegante após seu acesso de fúria, Varia percebeu—

‘...Eu realmente tinha guardado isso dentro de mim.’

Quando foi morta por Remus na sua primeira vida, ela não tinha apenas medo—ela também foi consumida por um desejo forte de matá-lo.

[Não.]

Mas a misteriosa voz ainda não permitia a morte de Remus.

O tom firme encheu Varia de desespero.

[Traga ele para nós.]

De repente, uma rajada de vento forte soprou por trás dela.

A súbita ventania fez Varia soltar um suspiro e fechar os olhos rapidamente.

O vento a levantou exatamente quando ela desistia.

[Traga-o para nós.]

Enquanto seus olhos quase se fechavam, Varia viu algo pequeno e negro no canto de sua visão que desaparecia.

[Siga esta criança.]

O vento se acalmou.

E, quando finalmente abriu os olhos completamente, encontrou uma grande leoa à sua frente.

Seus olhos se arregalaram.

Demasiado grande para ser um filhote, mas ainda não totalmente adulta, a leoa a encarava.

Seus olhos negros estavam cheios de inocência e curiosidade.

Apesar de ser uma predadora, aqueles olhos puros fizeram Varia sentir... uma tristeza esmagadora.

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