Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 249

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Por favor, cuide bem do Ferio.”


Carnis fez seu pedido a Leonia.


“Que sua família retorne em segurança.”


Com seu pedido sincero, Leonia esboçou um sorriso discreto e assentiu.


“Eu cuidarei.”


Com isso, ela agradeceu e foi a primeira a deixar o Palácio Kasus.


De trás, a Imperatriz fez uma brincadeira: “Se vocês não voltarem em segurança, Olor acaba aqui e agora!”


‘É melhor eu me apressar.’


Leonia acelerou o passo.


A vida do Imperador Subiteo já tinha sido ceifada — ela não podia deixar Olor escapar também.


Ao sair do Palácio Kasus, os Cavaleiros Revoo, uniformizados de branco, fizeram uma breve reverência.


Com seus cavaleiros de escolta ao lado, Leonia os passou e seguiu em direção à localização do Portão Norte.


“Por aqui.”


Probo, que havia memorizado o caminho, assumiu a liderança, usando <⊛ Noitevigh⊛ (Leia a história completa).


“Duque Voreoti.”


No momento em que alguém a chamou, um jovem com cabelo prateado, trajando um uniforme branco impecável, aproximou-se, um pouco ofegante.


“Você está indo para o Portão, não é?”


“É por isso que estou um pouco atrasada...”


“Conheço um atalho.”


Dizendo que o caminho que ele conhecia era mais rápido do que o que estavam seguindo, o cavaleiro de cabelo prateado indicou para ela segui-lo.


“Posso confiar em você?”


Leonia perguntou de forma incisiva.


“Você sabe que eu não mentiria para você.”


O cavaleiro de cabelos prateados falou suavemente, envolvendo a pulseira de seu relógio com a mão protetora.


“...Sir Levipes!”


Leonia deu uma ordem a Meleis.


“Vou com esse cavaleiro. Você reúna os Cavaleiros Gladiago que ainda estiverem no palácio e espere por mim no Portão Norte.”


“Vou também chamar o médico.”


Meleis, preocupado com o estado de Varia ao voltar, respondeu com tato:


“Obrigada, unni.”


Leonia acrescentou com seu tom amistoso de sempre:


“Por aqui.”


O cavaleiro de cabelos prateados liderou o caminho. Leonia virou-se para trás, na direção de onde eles tinham vindo, e entrou em um atalho pela floresta.


“O caminho que Probo nos guiou estava errado?”


Leonia olhou ao redor enquanto a mata se espessava.

“Não, esse caminho também é correto.”


O cavaleiro explicou que, do palácio, aquela rota era a mais “adequada”.


“Porém, esta leva diretamente aos fundos do Portão. É mais áspera por atravessar a floresta, mas é mais rápida.”

“Você entende bastante, hein?”


“Não vivi aqui à toa.”


O cavaleiro de cabelos prateados — Princess Scandia — respondeu, afastando galhos no caminho.


Galhos afiados caíam no chão onde ela passava, facilitando a sequência de Leonia.


“Você tem estado bem?”


Leonia perguntou casualmente.


A princesa Scandia pareceu refletir profundamente antes de responder, finalmente.


“Acho que tenho estado bem.”


“Se você está bem, então está bem. O que é esse ‘acho’?”


Leonia retrucou, impassível com a resposta vaga.


A princesa podia quase ver a expressão de Leonia na sua mente — lábios franzidos, olhos semicerrados encarando suas costas. Ela percebeu que tinha perdido essa visão.


Porém, naquele momento, não era hora de parar de andar.


“Para ser sincera, sim. Tenho estado bem. Meu pai e meu avô cuidaram bem de mim.”


“Fico feliz em ouvir isso.”


Leonia respondeu sinceramente.


Dessa vez, a princesa perguntou como Leonia tinha estado.


“E o Duque — ele tem estado bem?”


“Ele está bem.”


Hoje, aliás, essa resposta soava de uma forma que parecia uma maldição.


A princesa Scandia podia sentir claramente o quão furiosa Leonia estava.

“Aliás... será que é seguro você estar comigo agora?”


Leonia de repente ficou preocupada com o Príncipe Chrisetos.


“Meridio vai tentar matar o Príncipe, você sabe?”


“Meu irmão vai ficar bem.”

No palácio do príncipe estavam os melhores Cavaleiros Revoo, pessoalmente escolhidos pela Imperatriz Tigria.


“Além disso, meu avô e meu pai também estão lá.”


“Ah, então foi por isso que o Marquês de Hesperi não apareceu na sala do conselho.”


Leonia fingiu surpresa moderada. A Imperatriz pareciau incomumente calma durante toda a reunião — ela desconfiava que ela tinha enviado alguns cavaleiros poderosos ao aposento do príncipe.


Mas ela não esperava que Ibecks estivesse entre eles.

“Meu irmão e meu pai se dão bem.”


“Sério?”


Isso foi o que mais surpreendeu Leonia. Segundo a princesa, eles agora se chamavam de ‘pai’ e ‘filho’.


‘Sir Ibecks deve ter estômago de aço.’


Leonia resmungou internamente.


Porém, ao pensar na Varia, que a estimava mesmo não sendo sua filha biológica — pior, sendo filha do sangue de Olor — Leonia imediatamente se arrependeu de seus pensamentos azedos.


“...Família não é só questão de sangue.”


Existiam muitas famílias felizes que não eram unidas por laços sanguíneos.


‘Como a minha.’


Ela e Ferio eram originalmente tio e sobrinha. Varia era uma completa desconhecida por sangue.

E, ainda assim, os três se valorizavam mutuamente.

Leonia nunca duvidou do amor e do cuidado que os dois lhe davam. Tampouco duvidava de seus próprios sentimentos por eles.


Por outro lado, havia muitos que se magoavam ou ficavam infelizes por causa do que chamavam de “família”, simplesmente por laços de sangue.


“Isso é uma família maravilhosa.”


Leonia disse com sinceridade.


Mas não houve resposta.


Justo quando ela ia ficar um pouco melancólica, percebeu que as orelhas da princesa ficavam vermelhas além da cortina de cabelo prateado.


‘Ah, se ao menos isso não fosse a situação.’


Era um momento ideal para brincadeiras — só aumentava sua decepção.


“É aqui.”


A princesa apontou para um local ao lado da floresta.


Por medo da Voreotis, a família real manteve esse Portão completamente escondido dentro do palácio. Como resultado, os nortistas nunca o usaram desde a fundação do império.


“Eles realmente esconderam de propósito.”


Leonia examinou a vizinhança do Portão.

A estrutura dos Cavaleiros Imperiais ficava próxima — claramente uma localização estratégica para uma resposta rápida caso algo acontecesse.


‘Se eles tinham tanto medo da Voreoti, poderiam ter construído o palácio longe do Portão Norte.’

O que seriam, masoquistas?


Leonia fez careta, imaginando uma possível tradição real de gostos tortos.


“Posso vir com você?”

A princesa Scandia perguntou.


“Não.”

Leonia respondeu imediatamente. As omoplatas da princesa caíram na resposta direta.


“Não te leve a mal.”

Leonia deu uma palmada suave na perna da princesa, repreendendo-a por fazer biquinho de maneira tão fofa.


“Claro que é melhor irmos juntas do que sozinhas. Não vi as habilidades da nossa cavaleira pessoal ainda, mas sei que você é extremamente forte.”


“Então por que...”


“Não estou dizendo que não vou levar você.”

Leonia corrigiu sua expressão.

“Eu não posso te levar.”


Provavelmente, seus pais e Remus Olor estavam nas Montanhas do Norte.

E, para chegar até lá, ela precisaria usar esse Portão para saltar para o quinto Portão, localizado na cadeia de montanhas.


“Sabe de uma coisa?”

Leonia sussurrou de forma brincalhona, como se estivesse revelando um segredo.

“Na verdade...”

“Não existe quinto Portão.”


Os olhos da princesa se arregalaram, e suas pálpebras pareceram piscar lentamente, incrédulas.

“...Não existe Portão?”


“Olhe ali na frente.”

Leonia apontou para o Portão à sua frente, e a princesa acompanhou o olhar.

“Normalmente, passamos por dois pilares curvos assim, não é?”


“Todos os Portões em toda região têm essa forma.”

“Mas o quinto Portão nas Montanhas do Norte não tem nenhuma forma.”

Sem pilares. Sem sinal de que alguma estrutura de pilares já tivesse estado lá.

Tudo que existe é frio intenso, ventos implacáveis e monstros devoradores de gente.

“Pessoas comuns nem chegam lá — e se chegarem, morrem congeladas na hora.”

O quinto Portão fica perto do topo das Montanhas do Norte.

Ainda para os Cavaleiros Gladiago, o ponto mais distante que eles conseguiam alcançar, mesmo com todos os preparativos, provando que a região era simplesmente inabitável.


“Claro que eu sou uma exceção.”

Para provar, Leonia tirou uma pequena porção das Dentes da Fera.

O ar mudou instantaneamente, com uma névoa dourada surgindo acima de seus olhos negros como carvão.

A princesa Scandia, ao ver pelo poder das Dentes pela primeira vez, ficou sem palavras.

Mesmo com um pequeno fragmento — menor que um incisivo de bebê — ela sentiu uma pressão esmagadora, como se sua vida estivesse sendo prendida e mergulhada sob uma força irresistível.

“...Entendido.”

A princesa percebeu completamente que seria uma carga se ela a seguisse.

Reconhecer isso foi mais doloroso do que esperava.

“Sempre acho que sou quem está ajudando.”

Ela pensava que finalmente poderia retribuir a gentileza que há muito pesoava sobre ela como uma carga. Isso tornava tudo mais frustrante.

‘...O que exatamente eu fiz por ela?’

Leonia, por outro lado, só se lembrava de brincar e fazer piadas com a princesa.

O máximo que tinha feito foi mostrar uma leve simpatia, sabendo que a bela de cabelos prateados se tornaria um sonho musculoso algum dia.

Ela sentiu uma pontada de remorso pela primeira vez em um bom tempo.

“Enfim!”

Leonia empurrou esses pensamentos para lado e ergueu os lábios caídos da princesa com os dedos.

“Voltarei logo, então esteja aí para me receber, ok?”

Ela sorriu com brilho, acrescentando: “Aproveite bem seu rostinho bonito.”

“Eu não sou lá essa coisa toda.”

“Você é sim.”

Se não fosse a situação atual, Leonia adoraria levar a princesa Scandia para passear e se divertir com ela.

Também adoraria ver a força dela crescendo lentamente.

Mas, pelo jeito, a princesa não pensava igual.

“Você é mais bonita, Duque.”

A princesa disse, sinceramente, olhando nos olhos de Leonia.

“….”

Leonia não conseguiu responder de palavra sequer. Muito menos conseguiria fazer piada para fugir daquele instante.

“...Vou indo.”

Deixando apenas uma despedida seca, Leonia atravessou o Portão.

Porém, a princesa Scandia não ficou nem um pouco triste.

Com o cabelo preso bem alto, a nuca vermelha e as orelhas totalmente expostas — e realmente adoráveis.

***


“Maldito, Olor.”

Assim que atravessou o Portão, Leonia começou a amaldiçoar.

“O humor tava tão bom!”

Determinada a subir as íngremes Montanhas do Norte com raiva, ela parecia um monstro por si só.

Até uma fera selvagem provavelmente se deitaria de barriga para cima, fazendo festa com o rabo abanando, se a encontrasse agora.

“Quando eu te pegar, vou arrancar todos os fios do seu corpo e enfiar tudo de volta!”

Continuando sua reclamação pelo descuido de seu momento quase-doce, ela olhou para cima de repente.

Senti uma aura familiar perto do topo.

‘Pai e mãe.’

O rosto dela, antes feroz, suavizou diante da lembrança dos pais.

‘E...’

Outra presença — estrangeira, inquietante — tocou seus sentidos.

‘...Quem será?’

O bebê bestial dentro dela arrepiou-se com os pelos eriçados.

Havia outro Dente da Fera.

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