
Capítulo 232
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“…Perdê-los?”
Arrugas se formaram entre as sobrancelhas da Imperatriz Tigria.
Seu escritório estava tomado por documentos que chegavam e saíam, e muitos membros da equipe real entravam e saíam constantemente. Como o imperador estava doente, a imperatriz cuidava dos assuntos do Estado em seu lugar.
Era, na prática, uma regência.
“Peço desculpas, Sua Majestade”, a dama de companhia que lhe reportava fez uma reverência. A imperatriz concedeu permissão para que ela continuasse.
“Os cavaleiros vasculharam o depósito do restaurante que você mencionou... mas, quando chegaram lá, já tinha sido esvaziado.”
“‘Já’, hein...”
A imperatriz curvou levemente os lábios frente à escolha interessante da palavra.
“Encontraram alguma pista?”
“Encontraram alguns fios de cabelo. Castanho-avermelhado.”
“Devem ter se apressado bastante.”
A imperatriz soltou uma risada curta, que vinha segurando há algum tempo.
Depois de tudo, ela havia passado mais de uma década como esposa do imperador.
Ela conhecia melhor do que ninguém os gostos extravagantes e exibicionistas do Imperador Subiteo.
Ele não era do tipo que se escondia voluntariamente em um depósito nojento.
‘A menos que ele esteja realmente louco’.
Um servo, que tinha se recuperado de uma enfermidade em um palácio separado, recobrou a consciência ontem mesmo.
Ele lembrou-se, tremendo de medo, de que o imperador parecia completamente insano.
Se ele realmente tivesse perdido a cabeça... o que poderia tê-lo levado a tal ponto?
‘Foi a concubina quem fez isso?’
A imagem da alegre Concubina Usia passou pela cabeça dela.
‘Que astuta.’
De hindsight, a imperatriz ainda achava estranho.
Ela tinha pensado que ela era simples e desajeitada... mas a mulher era mais astuta e meticulosa do que qualquer uma.
Se tivesse sabido dessa verdade antes, talvez tivesse ajudado voluntariamente.
‘Mas não agora.’
Eles eram aliados contra um inimigo comum, sim — mas seus objetivos já não eram os mesmos.
Então, agora, só havia uma coisa que a imperatriz precisava fazer.
“...Mais alguma coisa sobre o restaurante?”
A imperatriz perguntou à dama de companhia.
“Um dos funcionários do restaurante esteve envolvido em um caso antigo de desfalque envolvendo uma fundação de apoio.”
“Provavelmente foi chantageado, então.”
“O que devemos fazer com ele?”
“Deixe-o quieto.”
Ficou claro que o homem tinha escondido seu passado e trabalhava no restaurante, provavelmente coagido por Olor, para fornecer acesso ao armazém.
Se fosse esse o caso, não valia a pena ameaçá-lo mais.
“Mas ao menos, que ele fique quieto.”
“Vou dar um jeito de fazer isso discretamente.”
A imperatriz olhou approvingamente para a dama de companhia, que entendeu rapidamente suas intenções, apesar de sua expressão levemente azeda.
“Voreoti provavelmente terá algo a dizer.”
Foi o Duque Voreoti quem a alertou sobre o restaurante, no começo.
Mesmo que ele não dissesse diretamente, ela já podia imaginar a expressão de reclamação dele — reclamando que entregou tudo de bandeja para ela, só para ela estragar tudo.
A imperatriz ressentia-se de precisar lhe dever outro favor.
“Então, ele deveria ter nos informado antes.”
De maneira surpreendente, a dama de companhia culpou Voreoti.
A humor da imperatriz melhorou por causa disso.
“E Sua Majestade...”
A dama de companhia deu outro informe.
“O Marquês Meridio virá ao palácio hoje.”
“Ah?”
Os olhos da imperatriz brilharam.
“Parece que ele veio para relatar o progresso do projeto de restauração da região perigosa, que está sendo conduzido conjuntamente pela Família Imperial e a Casa Voreoti.”
“Que ilustre visitante.”
“Devo tomar cuidado com alguma coisa?”
“Você sempre se sai bem, então não estou preocupada... mas—”
Apontando a queixo com os dedos, a imperatriz sorriu.
“Apenas lembre-se do que eu disse antes. São convidados muito especiais.”
“Então, eu os receberei com todo o cuidado.”
“Estou ansiosa por isso.”
A imperatriz Tigria sorriu com charme.
“E mais uma coisa.”
Justo quando a dama de companhia virou para sair, a imperatriz a chamou de volta e entregou um documento que acabara de aprovar.
“Por favor, entregue ao atendente que provavelmente está esperando lá fora, como um cão leal.”
“Sim, Sua Majestade.”
A dama de companhia colocou o documento cuidadosamente em uma bandeja de prata.
Era a agenda para a próxima reunião do Conselho de Nobres.
“...Vamos terminar isso.”
***
Mordiscando, mordiscando.
“Hoje—”
Mordiscando, mordiscando.
“No jardim—”
Mordiscando, mordiscando.
“Eu vi uma folha—”
“Engula antes de falar.”
Ferio teve que intervir, sem entender muito bem o que significava “uma folha-folha”.
Por fim, Leônia mastigou com firmeza o grande pedaço de omelete na boca e engoliu com um “N.o.v.e.l.i.g.h.t”.
“Uma das folhas começou a ficar vermelha.”
E então, falou alegremente sobre a mudança das estações.
“O verão finalmente está indo embora...!”
Vária, segurando um garfo com salada, ficou emocionada. Como alguém do Sul sensível ao calor, ela acolhia a chegada da estação mais fresca.
“Mamãe, você nem saiu do haras neste verão, né?”
Leônia a olhou de canto de olho.
“Muito bem!”
Ela elogiou com um sorriso.
“Esse é o verdadeiro estilo de verão de um nobre rico!”
“Você também não saiu, Leona.”
Ferio, cortando uma linguiça em pedaços pequenos, deu um para a filha.
Leonia comeu sem reclamar e começou a mastigar com entusiasmo.
“Mas, graças a isso, eu não fiquei entediada. Foi divertido.”
Desta vez, Varia colocou na boca da filha meia cereja-tomate. Novamente, Leonia mastigou diligentemente.
Então, de repente, seu rosto se contorceu.
“...ÁCIDO!”
O molho do tomate estava surpreendentemente azedo.
Seu nariz, boca e olhos se juntaram no centro do rosto, como se estivessem fazendo uma festa do chá ali mesmo.
“O-Oh, não!”
Assustada, Varia rapidamente ofereceu um copo de água e se desculpou.
“Desculpe, docinho! Cuspa rapidinho!”
Mas Leonia insistiu e engoliu tudo mesmo assim.
Estava tão azedo que parecia que tinha caído no estômago como uma pedra.
“Como você consegue comer isso, mamãe?! Vai fazer mal pra você!”
Mesmo depois de beber um copo inteiro de água, ela ainda sentia o estômago doer e a boca salivar.
“Hoje em dia eu... tenho vontade de comer coisas azedas...”
Varia murmurou constrangida.
Leonia abriu a boca para protestar novamente, mas acabou desistindo, soltando um suspiro.
Seus fios de cabelo bem penteados tremiam levemente.
“O que o médico disse? Que eu devo comer coisas saudáveis, lembra?”
Leonia aproveitou para repreender a mãe.
Varia, sem argumentos, parecia realmente repreendida.
“Certo, pai? Você não acha também?”
Leonia pegou uma porção da salada de Varia e colocou no prato de Ferio.
Ela não queria sofrer sozinha — era seu plano nobre e mesquinho dividir a dor com seu pai.
“...”
Ferio olhou por um longo momento para a salada, com o tempero bem azedo.
“...Estou pensando em voltar para o Norte.”
Ele então entregou o prato para uma criada que esperava atrás dele. A criada levou antes que Leônia pudesse protestar.
“Para o Norte? Sério?!”
Leônia ficou tão animada com a notícia que não percebeu mais nada.
“Mas será que a mamãe topa também?”
Ela virou-se para perguntar a Varia.
“Fico feliz que vamos para o Norte”, disse Varia com um sorriso radiante. Ela tinha ouvido de Ferio há alguns dias e ficou igualmente contente.
Embora tivesse passado pouco tempo lá, o Norte virou como uma segunda casa — cheio de memórias felizes e preciosas.
“Então, nesse caso...”
Leônia olhou ao redor, pensativa.
“...Acho melhor sairmos logo.”
Ela assentiu e sorriu, parecendo satisfeita por ter organizado seus pensamentos.
“Enfim, vamos terminar tudo hoje!”
“Sim. Ah, Ferio — não se esqueça, provavelmente é melhor...”
“Partir logo.”
Os três membros da família levantaram-se após terminar a refeição.
No hall de entrada, Lupe cumprimentou a família Voreoti com uma reverência.
“Bom dia a todos vocês.”
“Tio Lupe! Vamos para o Norte!”
Leônia correu e agarrou as mãos de Lupe, fazendo uma dancinha animada.
Sua alegria inocente trouxe um sorriso involuntário aos lábios de Lupe.
Uma cena como essa era rara — Leônia comportando-se como uma criança.
Mas hoje, parecia apropriado.
“Finalmente posso respirar aliviada.”
“Tudo termina com a reunião do conselho de nobres hoje, certo?”
“Sim. Termina tudo hoje.”
A reunião do conselho agendada para hoje —
Tudo será decidido ali.
‘A nomeação do príncipe herdeiro e o destino da Casa Olor.’
E, por último, colocar esses nobres arrogantes do sul que ousaram tentar usar a Voreoti a seu favor no seu devido lugar.
“Gostaria de poder ir também...”
Leônia balançou o corpo de um lado para o outro, prolongando a última sílaba.
Mas Ferio apenas a olhou com uma expressão que claramente dizia “não há chance”.
“Fique em casa e comportada.”
“Quer dizer que o papai vai ficar se divertindo sozinho, hein?”
Leônia fez bico, com os lábios empinados tipo bico de pato.
“É perigoso. Por isso ele está preocupado.”
Varia confortou suavemente Leônia, com um sorriso melancólico.
Na verdade, Leônia conhecia o coração de Ferio melhor do que ninguém.
Por mais que ela crescesse forte, ele sempre se preocupava e tentava protegê-la.
Pensar nisso a deixava feliz... mas também um pouco sufocada.
“...Me conte tudo quando voltar.”
No fim, Leônia cedeu e se despediu adeus de forma adequada.
“Volte logo! Ou vou fazer escândalo!”
“Meu travessozinho,”
“Obrigada!”
“Isso não foi um elogio.”
Ferio gentilmente passou a mão na bochecha dela, como se dissesse que ela já deveria estar crescidinha.
Leônia sorriu brilhante e deu um beijo na bochecha dele.
Varia então deu um passo à frente para se despedir de Ferio.
“Tenha cuidado.”
“Volto logo.”
“Tem que voltar são e salvo, ok?”
Sua voz carregava uma ternura preocupada e profunda.
As mãos, ajustando o colar de Ferio, estavam quase solenemente cuidadosas.
“Não precisa se preocupar tanto.”
Ferio, sorrindo de leve, segurou a mão dela e a beijou.
Ao mesmo tempo, sua outra mão tocou suavemente a barriga dela.
Foi um gesto delicado e passageiro, que nem Lupe nem os criados perceberam.
“...Nesse ritmo, você acaba tendo um bebê.”
Leônia comentou, impassível, assistindo à cena de longe.
Só então, seus pais rapidamente se afastaram.
A criança bufou com a língua.
“Sério, essa juventude de hoje em dia... Se agarrando um ao outro às primeiras horas da manhã...”
“...Vovó?”
Lupe não conseguiu deixar de ver sua falecida avó na jovem novamente.
“Então, vou indo.”
Depois de se despedir, Ferio saiu do haras com Lupe.
“Volte logo!”
“Boa viagem!”
Leônia e Varia acompanharam-no até a porta.
“...Ah, é de verdade, o Norte agora.”
Alongando os braços, Leônia pensou na região nesta época do ano.
“Vai estar frio. E começará a nevar lá no fim do outono.”
“E quando nevar, será seu aniversário!”
“Que presente eu vou ganhar desta vez?!”
Leônia pulou de empolgação, já sonhando com os presentes que ainda não tinha recebido.
“Quer alguma coisa?”
Varia perguntou, já pensando no que poderia agradar sua filha.
Ela queria envolver Leônia com as coisas mais bonitas e caras que o mundo tinha a oferecer.
“...Um retrato de família.”
Leônia murmurou.
“O que foi?”
Varia não tinha entendido direito, pensativa demais.
“Não, um retrato? Algo assim!”