Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 231

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Ferio ficou sem palavras diante da resposta inesperada.


“…Você teve o bebê? Por que quem está criando é você?”


“Bem, porque é meu irmão ou minha irmã.”


Leonia já tinha decidido o que faria assim que seu irmão ou irmã nascesse.


“Vou cuidar do nosso pequeno até ele começar a engatinhar e a dizer ‘ah-oo ah-oo’.”


Ao ouvir isso, Ferio sentiu uma leve sensação de alívio.


‘Então ela não se incomoda de ter um irmão ou irmã.’


Pelo menos, ela parecia ter uma opinião favorável ao bebê.


“Depois, vou para a Academia, né?”


Leonia planejava se inscrever na Academia ao fazer quinze anos.


Como parte do seu objetivo de se tornar a próxima duquesa de Voreoti, tinha como alvo a mesma Academia frequentada pelos duques anteriores.


“Então, isso significa que não vou ter muito tempo para ficar com nosso pequeno. Todo mundo estará lá no norte, menos eu...”


Por isso, ela declarou com confiança que iria brincar com o bebê e ensiná-lo muitas coisas, para que nunca esquecesse dela.


“Se ela realmente for minha irmã ou irmão, então, em vez de falar ‘num-num’ ou ‘nummy’, eles precisam usar o termo correto: ‘mamilo’! E eu vou ensinar a ler usando o livro de anatomia muscular que escrevi!”


“Não estrague o futuro do seu irmão ou irmã.”


Ferio não podia permitir que mais degenerados ficassem naquela casa.


Já uma Leonia era mais do que suficiente para ele cuidar.


Se uma segunda pessoa fosse assim, ele realmente poderia desabar de tanto estresse.


“Se a palavra ‘mamilo’ for desconfortável, posso ensiná-los como ‘a elevação protuberante acima da quinta costela’. Prefere assim?”


“De modo geral, seu conhecimento me deixa desconfortável.”


“Por que você está querendo brigar de novo?!”


GRAAAAAR, o bebê besta rugiu.


“Aguenta, que vou criá-los para serem ainda mais pervertidos que eu!”


“Quer ver a casa destruída?”


“Quer que eu mostre na prática como é isso?”


“Já chega de falar nisso.”


Ferio desviou a conversa que tinha saído do controle demais.


Se fosse a filha dele, ela realmente poderia destruir tudo.


Leonia era do tipo que cumpria o que dizia.


“Então.”


Ferio apontou novamente para o mapa e perguntou à criança,


“Das três localidades, qual é o lugar mais provável onde o imperador está escondido?”


Com a mente mais tranquila, Ferio focou na questão real. Só então Leonia se acalmou e olhou para o mapa.


“O imperador está...”


Ela apontou para um dos locais no mapa.


***


“Tem muita gente de cavaleiros por aí ultimamente, né?”


Uma funcionária do restaurante, chegando cedo para seu turno, cumprimentou os colegas enquanto falava.


“Então você também percebeu?”


Uma colega que já se trocava, respondeu com um aceno enérgico.


“Acho que alguma coisa está acontecendo na capital?”


“Será que algum criminoso fugiu ou algo assim?”


“Não, se fosse isso, teriam nos avisado.”


“ Concordo, também pensei nisso.”


“Talvez estejam fazendo patrulhas rotineiras.”


Uma colega brincou, dizendo que era mais fácil circular à noite graças aos cavaleiros.


“…Agora que penso, hoje é dia de limpar o depósito.”


Reclamando baixinho do incômodo, ela foi interrompida por uma leve batida no ombro.


“Quer que eu faça seu turno, então?”


A voz pertencia a outra colega, que até então não tinha participado da conversa.


“Hã? Você?”


“Você não limpou ontem também?”


“Hoje tenho que cuidar da seção de ‘lixo’, e aquele lugar é difícil, sabe?”


“Na verdade, tenho alguns parentes visitando em casa...”


A funcionária sorriu timidamente, dizendo que seria estranho sair cedo e ir para casa.


Os outros entenderam e responderam com sorrisos compreensivos.


“Pois é, ter parentes aqui é um saco.”


“Só dão bronca.”


“Eles só estão preocupados com você, isso é tudo.”


“Preocupados, minha roda! São só velhos mal humorados.”


Outra colega, cansada dos parentes e da intromissão deles, se ofereceu para limpar o depósito.


A que pediu a favor se curvou levemente.


“Obrigada.”


“Não precisa agradecer. Sou eu que vou ficar de folga no serviço do depósito.”


“Se ficar demais, me avise. Eu ajudo.”


Assim, as demais saíram primeiro.


A funcionária, que ficou sozinha, terminou de trocar de roupa, pegou uma pequena caixa de madeira da bolsa, pegou as ferramentas de limpeza e foi até o depósito.


O restaurante tinha três armazéns.


Os depósitos de alimentos e mercadorias ficavam logo atrás do restaurante, movimentados constantemente por funcionários e entregadores.


O terceiro armazém, usado para itens não utilizados, ficava um pouco mais afastado do restaurante.

Os funcionários chamavam de “depósito de lixo” — uma vez colocado lá, era tratado como descarte.


A funcionária entrou no depósito de lixo para limpar.


“…Sou eu.”


Ela anunciou suavemente sua chegada.


Apesar de sua voz calma, o interior bagunçado do depósito fazia parecer que tudo era barulhento de forma estranha.


Logo após, um som de batida vindo de trás a fez se aproximar.


Dentro, havia três homens claramente não funcionários do restaurante.


Dois com cabelo ruivo, quase idênticos, pareciam pai e filho. O terceiro, com cabelos castanhos e desarranjados, parecia demasiado louco para ser considerado são.


“Tá ficando perigoso aqui também.”


Com cautela, a funcionária se aproximou, segurando a caixa de madeira que trouxera.

Era uma lancheira com sanduíches de presunto, queijo e legumes.

O homem de cabelo castanho-avermelhado agarrou a caixa com força e começou a devorar a comida.


Com um sanduíche em ambas as mãos, ele enfiou na boca e mastigou de forma grotesca.

‘Um mendigo? Um lunático?’

A funcionária instintivamente tentou recuar, contendo-se ao máximo.

“...Qual é a situação lá fora?”


O homem mais velho de cabelo ruivo, com profundas rugas, perguntou.

Saindo do estado de espanto, ela conseguiu responder:

“Os cavaleiros têm patrulhado essa área com mais frequência. Meus colegas também notaram isso. Até vi alguns na minha rota de entrada.”

“Será que eles vieram até aqui...?”

O homem de cabelo ruivo — Conde Olor — fez um bico ao dar a entender sua apreensão.

“Provavelmente são eles.”

O outro homem de cabelo ruivo respondeu. Era Remus.

Ao invés de nomear as pessoas que os cercaram, ele apontou para um pano preto ao seu lado.

Voreoti.

“Ela trabalhou no tesouro. Tenho certeza de que foi ela quem rastreou as finanças da nossa família e começou a seguir a trilha.”

“‘Ela’? Não me diga...!”

“Quero dizer, a Varia.”

“Porra!”

O Conde Olor berrou alto.

A funcionária ficou paralisada com a intensidade da raiva.

Os insultos dele não eram simples palavrões — eram palavrões vis e visceral, que davam pesadelos.

“Nunca devíamos ter nos envolvido com aquela família!”

O Conde Olor fechou o olhar para Remus.

A aliança deles com a família Erbanu só aconteceu porque Remus teimosamente se apaixonou por Lota.

“E pra quê falar disso agora?”

Respondeu Remus com frieza.

Mesmo se pudesse voltar atrás, sabia que ainda escolheria Lota, não Varia.

Na época, ela tinha sido uma garota realmente bonita.

Agora, era só uma ferramenta descartada que poderia despertar alguma pena de Voreoti.

E até aquela proteção parecia inútil agora.

‘Tudo saiu do controle.’

Isso era o que mais confundia Remus.

Seu plano tinha sido perfeito. Não havia motivo para fracassos.

Mas agora, ele estava escondido em um galpão de armazenamento imundo.

“… Você devia ir embora por enquanto.”

Após pensar por um tempo, Remus dispensou a funcionária.

“O que pretende fazer com ele?”

O Conde Olor ainda parecia insatisfeito com o filho.

Remus agora parecia mais como um peso morto para ele. Sua decepção era profunda.

“Temos informações sobre a família dele. Ele sabe disso, então não vai nos Betrar facilmente.”

A funcionária que os ajudou recentemente era uma artista, famosa por produzir drogas ilícitas, um episódio que abalou o império no inverno passado.

Desde então, foi banida de pintar e aceitou um emprego no restaurante só para sobreviver.

Depois, o Conde Olor se aproximou novamente dele, ameaçando revelar seu passado ao empregador e à família, se ele não cooperasse e escondesse tudo no depósito.

“Sinceramente, poderíamos voltar para a mansão.”

Remus lançou um olhar para o lado.

“Esse é o problema de verdade.”

O que ele quis dizer com “isso” era nada menos que o Imperador Subiteo.

O homem imundo, que a funcionária tinha confundido com um mendigo, na verdade, era o Imperador do Império Bellius.

Imundo e cheirando mal, o imperador tinha sujeira sob as unhas, resultado de segurar aquele sanduíche com força demais.

“Ele perdeu completamente a cabeça.”

O Conde Olor olhou para ele e lembrou do dia em que invadiu a propriedade deles.

Coberto de sangue, o imperador causou o caos total.

As criadas gritavam. Os servos mais fortes tentaram expulsá-lo, só para serem cortados por sua adaga.

Remus, reconhecendo-o tardiamente, arrastou-o para fora sob o pretexto de tirar um louco de lá.

Foi assim que ele acabou escondido ali.

“Estava sob efeito de drogas?”

“Parece que sim.”

“Tem algum jeito de fazê-lo voltar ao normal?”

“Precisaríamos de um diagnóstico adequado...”

“Isso aí não funciona.”

O Conde Olor suspirou. Seu arrependimento não era por preocupação com o imperador.

Com o imperador incapacitado, a imperatriz poderia atuar como regente.

Isso garantiria que seu segundo filho fosse o príncipe herdeiro.

‘Precisamos mover o imperador rapidamente...’

Porém, ele estava desacordado. Assim, levá-lo daquele jeito só os descreditaria e daria ainda mais poder à imperatriz.

“Pai.”

Remus perguntou com cuidado,

“Você acredita nisso?”

“Em quê?”

“Na lenda do Norte.”

Que as Presas da Besta, aquela habilidade sobrenatural [1], fosse um presente de deuses além das montanhas do norte.

“Imperiais sempre acreditam nessas tolices.”

O Conde Olor fez uma expressão de escárnio. Sua desprezo deixava claro o que achava da linhagem imperial.

“Eu só segui ordens, mas fiquei chocado.”

Quanto mais investigava a lenda, mais desiludido ficava.

Não consegui entender por que a família imperial era tão obcecada por uma superstição ainda menos crível que mitos.

Remus sentia o mesmo.

Mesmo ao infiltrar o Norte e questionar Regina sobre a lenda, Voreoti tratava tudo como conto de fadas.

Claro, quando soube mais sobre as Presas da Besta, ficou chocado.

Mas, por outro lado, ‘ora’ e ‘mana’ eram poderes sobrenaturais muito reais.

Para Remus, a habilidade de uma família não era tão diferente.

‘Eu consegui fingir bem’

Porém, agora, Remus se questionava.

E se?

‘No fim, eu...’

Ele avaliou friamente seu estado atual.

Nem conseguia mostrar o rosto na sociedade nobre. Sua casa estava à beira do colapso. Seu título ameaçava ser retirado.

‘Se for assim...’

Um brilho sinistro passou por seus olhos vermelhos.

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