Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 235

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Não quer dizer que a senhorita esteja negligenciando a jovem,”


Meleis se corrigiu rapidamente.


Pelo contrário, Varia cuidava e amava Leônia como se fosse sua própria filha.


A forma como ela prezava e protegia a menina era a verdadeira imagem de uma mãe de verdade—algo que ninguém poderia negar.


“Na época, quando a senhorita se agarrou na perna de Sua Graça, ela gritava que tudo bem ser leva а bronca, contanto que fosse dita que ela era amada.”


“......”


“Ela demonstra esse tipo de ansiedade de tempos em tempos.”


O tempo que passaram sobrevivendo no orfanato. A traição de Saura, que usava a máscara de ‘Professora Connie.’


Essas memórias terríveis, demasiado pesadas para alguém tão jovem, ocasionalmente ressurgiam e perturbavam os dias tranquilamente pacíficos de Leônia.


“São apenas minhas tolas suposições.”


“Não é tolice.”


Varia balançou a cabeça.


“Às vezes, Leo age com tanta maturidade. Acho que essas memórias tristes são a razão.”


Havia momentos em que esse comportamento prematuramente maduro dela se tornava motivo de preocupação.


“Acho que o melhor que posso fazer por Leo é entender e escutar essa dor.”


“Você já é uma mãe maravilhosa, senhora.”


“Ela só me arrasta para tudo quanto é lado.”


Varia sorriu de forma constrangida.


“Isso não tem jeito.”


Meleis respondeu com firmeza.


“A jovem é extraordinária.”


Quem poderia vencer uma criança que vinha demonstrando teimosia obstinada desde que tinha o tamanho de uma gota de sangue de rato?


Varia riu-se com as palavras reconfortantes de Meleis, dizendo para ela não se preocupar com essas coisas.


“Ai, meu Deus.”


De repente, a carruagem parou de repente.


Meleis rapidamente segurou Varia para que ela não cambaleasse. Ela olhou para ele com olhos assustados.


“O que aconteceu?”


Com uma expressão séria, Meleis abriu a janela e perguntou aos cavaleiros que os acompanhavam.


Podia-se ouvir os gritos assustados dos cavalos e do cocheiro tentando acalmá-los.


“Uma criança saiu correndo.”


Paavo relatou a situação.


“Vocês estão bem, senhora?”


“Estou bem. E os outros, estão todos bem?”


Recobrando a compostura, Varia perguntou pelos demais.

“Ninguém se machucou. Os cavalos se assustaram, mas estão começando a se acalmar. A criança também não se feriu gravemente.”

Varia soltou um suspiro silencioso de alívio.

“Diga ao cocheiro que estou bem. Espero que ele não tenha ficado muito assustado.”

O cocheiro provavelmente era quem mais estava assustado. Varia se preocupava ainda mais, pois ele tinha ido especialmente devagar, sabendo que ela estava a bordo.

“A criança...”

Varia olhou pela janela. Os cavaleiros estavam inspecionando a criança que havia caído.

“...Parece uma das crianças que perambulam pelos becos de trás.”

Meleis, observando ao lado dela, comentou.

Uma cesta tinha tombado onde a criança caiu. Dentro, havia algumas flores silvestres meia-estragadas.

Algumas estavam esmagadas sob as patas dos cavalos.

“Ela pode estar sem um guardião?”

Varia murmurou com pena, olhando para a criança aterrorizada.

“Muitas vezes, os pais colocam as crianças nessa situação nas ruas.”

Ela provavelmente não conseguiria vender muitas flores murchas, mas mesmo as poucas moedas que pudesse ganhar, provavelmente seriam roubadas por alguém escondido nas sombras atrás dela.


Nos piores casos, crianças eram deliberadamente enviadas para provocar nobres e extorquir dinheiro.

Claro, esses esquemas muitas vezes davam errado.

‘A segurança pública melhorou nos últimos tempos.’

Cavaleiros patrulhavam frequentemente a capital na busca pelo imperador desaparecido. E isso, por acaso, melhorou a segurança pública.

‘De tudo, jogá-la na frente da carruagem de Voreoti...’

Varia não sabia quem poderia estar escondido atrás da criança, mas tinha certeza de que enfrentariam um futuro terrível.

“Gostaria de verificar a criança.”

“Vou acompanhar você.”

Meleis abriu a porta e segurou a mão de Varia.

Os cavaleiros guiaram Varia até a criança.

“Você está bem?”

Varia perguntou com gentileza.

A criança claramente estava assustada. Varia pensou ser algo natural—ela quase fora atropelada.

Ela estendeu a mão e perguntou se poderia examiná-la, e a criança lentamente assentiu.

“Sua palma está arranhada.”

Varia franziu o cenho.

Uma ferida de ter caído na ground tinha se aberto na pequena palma da menina. A pele vermelha e nua começava a formar gotas de sangue.

Mas o que mais preocupava eram as cicatrizes e marcas mais antigas em suas mãos.

Contavam a história de uma criança que tinha passado por dificuldades prolongadas.

“A senhorita também tinha aquele aspecto... antes...”

“Ei.”

Manus rapidamente deu um cotovelo em Probo.

Probo fechou a boca tardiamente—Varia já tinha ouvido tudo.

'O orfanato era inferno.'

Leônia tinha dito isso certa vez.

O orfanato onde ela morava era uma toca de criminosos que traficavam vidas humanas.

Os professores negligenciavam e espancavam as crianças. Vender por dinheiro era rotina.

Ferio conseguiu localizar algumas das crianças que tinham sido vendidas, mas muitas ainda estavam desaparecidas.

“Qual é o seu nome?”

Talvez por causa dessa memória, Varia não conseguia desviar o olhar da menina.

“K-Kella...”

A menina gaguejou ao responder.

“Que nome mais bonito.”

“......”

“Você está machucada em algum outro lugar? Sua mão está bem?”

“Eu-eu estou bem...”

Kella soluçou enquanto falava. Varia gentilmente estendeu a mão e ajeitou os cabelos embaraçados da menina.

“Onde estão seus pais?”

“Em casa...”

“Você tem algum irmãozinho? Ou talvez uma irmã mais velha?”

“Minha irmã... ela ficou doente e morreu...”

A voz gaguejante de Kella tremia de tristeza. Varia lutava para esconder a dor no coração dela.

“Meu irmãozinho... está com fome...”

Varia escutava pacientemente as palavras vacilantes da criança.

Mas a voz trêmula e o corpo que tremia não mostravam sinais de calma.

'Estão por perto.'

Quem quer que segurasse a guia da menina.

“Kella. Como eu estraguei suas flores preciosas, deixe-me compensar isso.”


Varia pegou uma das flores murchas.


“Mas elas são tão bonitas. O aroma é realmente...”


“Ah, ahhh!”

Ao trazer a flor murcha perto do nariz, Kella gritou e agarrou seu braço.


Mas Varia já tinha parado de se mover.

'...O que foi aquilo há pouco?'

Com olhos arregalados, ela olhou para a mão. A que segurava a flor tremia levemente, como se estivesse tremendo de susto.


“Senhorita!”


“Você está bem?”

Os cavaleiros rapidamente separaram Varia e Kella, verificando se ela estava bem.

Mas a mente de Varia estava completamente focada na sua mão.

'Não foi meu corpo que reagiu...'

Não foi apenas um pressentimento ou sensação de perigo que a fez recuar.

'Algo' agarrou seu braço.

“Não! Não!”

Ainda zonza, Varia virou a cabeça rapidamente em direção a Kella.

A menina, agora contida pelos cavaleiros, segurava a flor que Varia tinha deixado cair e a escondia atrás das costas.

“N-Não pode cheirar! Se cheirar, você vai morrer!”

Seus olhos marejados de lágrimas estavam cheios de medo.

“Desculpe! Eu-não quis!”

“Kella, não chore. Tente explicar.”

Varia tentou acalmá-la, mas Kella não conseguia parar de chorar.

“O-Meu irmão foi levado!”

“Seu irmão? O mais novo?”

“Disseram que se eu n-dissesse o que mandaram, eles matariam ele...!”

“Calma!”

Varia apertou os ombros de Kella com força.

“Eu sou uma nobre de alta patente, sabia? E esses cavaleiros são muito fortes. Se você me contar a verdade, prometo que vamos ajudar você.”

“Hic... sniff...”

“Fique calma. Quem foi que empurrou você? Quem te fez fazer isso?”

“Eu-não sei o nome deles...”

Kella finalmente respondeu, ainda gaguejando.

“Y-Amarelo? Olhos... amarelos brilhantes...”

“Amarelo brilhante?”

“I-Isso...”

Ela indicou Manus.

Mais precisamente, ao broche dourado que Manus tinha acabado de colocar, dizendo que combinava com seu tom de pele.

Varia e os cavaleiros arregalaram os olhos, chocados.

“Irmãzinha!”

Nesse momento, um grito ecoou do fundo do beco. Todos se viraram na direção do som.

“Kea!”

Kella, agora pálida, tentou correr na direção do beco, mas Paavo a segurou com força.

Mesmo lutando, Kella continuava chamando pelo nome do irmão.

“Kea! Kea!”

'...Aquele louco!’

A boca de Paavo se contorceu de forma sombria.

Os cavaleiros cercaram Varia e colocaram as mãos nas espadas.

Logo, alguém saiu das sombras do beco.


A primeira a aparecer foi Kea—irmão mais novo de Kella. Seu rosto estava cheio de lágrimas e muco, e suas roupas, desbotadas e rasgadas, eram iguais às de Kella.


Mas o que chocou todos não foi Kea.

Foi o homem que segurava uma pequena lâmina próxima ao pescoço da criança.

“Kyah!”

Alguém perto do beco gritou.


A atmosfera já tensa explodiu em caos.

“Espere, é...!”


“Não, não pode ser!”


“Eu achei que ele estivesse no palácio por estar doente!”


Alguns nobres pareciam reconhecer o homem que ameaçava a criança.

'Isso é terrível...!’

Varia mordeu os lábios com força.

Ela tinha suspeitado que o imperador tinha enlouquecido—mas nunca imaginou que ele fosse até o ponto de fazer uma criança refém e se expor ao público.

No começo, nem ela mesma sabia quem ele era.

As roupas dele estavam ainda mais sujas e rasgadas do que as de Kella, rasgadas até os pedaços.

O que alguma vez foi tecido de riqueza havia se transformado em trapos que nem para limpar serviriam.

Seu cabelo castanho claro, desgrenhado, não fora lavado há dias; a sujeira escura grudava na pele exposta sob as roupas rasgadas.

Mas seus olhos vagos e sem vida ainda tinham aquele tom dourado—característico dos imperadores do Império Bellius.

Olhos dourados que pareciam um grito desesperado por afirmar sua existência.

“Senhorita.”

Meleis falou em voz baixa.

“Por favor, volte à carruagem. Probo vai acompanhá-la.”

“Mas aquela criança...”

“Nosso foco é você, senhora.”

“Meleis!”

“Está tudo bem.”

Paavo entregou Kella para Varia.

“Os cavaleiros de Gladiago são os mais fortes do Império. Vamos subjugar o sequestrador e resgatar a criança com segurança.”

“Senhora, por favor, apresse-se.”

Manus falou decididamente. Só então Varia voltou com Kella nos braços em direção à carruagem.

Probo já estava lá, ajudando-os a entrar.

“K-Kea! Kea!”

“Não se preocupe.”

Probo consolou a chorosa Kella.

“Vamos trazer seu irmão de volta, são e salvo.”

“Estes cavaleiros são muito fortes. Eles vão trazer o Kea de volta pra você.”

Varia apertou Kella com força.

A menina foi lentamente ficando um pouco mais calma. Varia suavemente acariciou sua cabeça, orgulhosa.

“Então, vamos—”

Justo quando Probo se virou para entrar na carruagem—

“Guhhak!”

Uma súbita e horrenda voz de morte os congelou no lugar.

Varia lentamente virou o olhar na direção da rua.

Parecia que o mundo inteiro desacelerara até quase parar.

Num ritmo estranho, o imperador caiu de joelhos, tossindo sangue escuro e espesso.

A lâmina no pescoço de Kea caiu ao chão. Kea empurrou o braço do imperador que estava caindo e correu.

Mas logo foi capturado novamente.

Desta vez, por uma mão mais forte e uma lâmina que não hesitou.

Varia. Os cavaleiros. Os espectadores.

Todos assistiram, atônitos, enquanto o imperador morria—and o responsável se adiantou.

“…Aquela louca!”

Varia Rangeou os dentes.

Remus Olor saiu das sombras, passo por cima do corpo do imperador, sorrindo como um louco desvairado.

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